POR DENTRO DA POLÍTICA DA BAIXADA SANTISTA
Posições revelam desprezo pela soberania nacional e legitimação de intervenções estrangeiras
Sandro Thadeu
04/01/2026 - domingo às 02h00
Aplausos à intervenção externa
O assunto principal do dia 3 de janeiro de 2026 foi a agressão militar dos Estados Unidos à Venezuela e o ataque à soberania do país vizinho ao Brasil, com o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. A ação abre um precede perigoso para qualquer nação e marca o primeiro ataque norte-americano em solo sul-americano. Ao longo do dia, foi possível observar políticos dispostos a aplaudir agressões externas quando estas favorecem seus próprios projetos de poder.
Desviando o foco
Integrante do Parlamento do Mercosul (Parlasul), a deputada federal Rosana Valle (PL) não condenou a ação externa dos Estados Unidos, mas a justificou moralmente ao reforçar a ideia de que a Venezuela seria uma "ditadura", relativizando princípios fundamentais do direito internacional, como a autodeterminação dos povos.
Soberania nacional banalizada
Para o deputado estadual Tenente Coimbra (PL), a prisão do presidente da Venezuela representa a liberdade do povo. Ele também publicou um vídeo no qual aparece ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que se encontra preso em razão da condenação por tentativa de golpe de Estado, acompanhado dos seguintes dizeres: "Alguém avisa o (presidente dos Estados Unidos, Donald) Trump que, se quiser, pode passar aqui no Brasil e levar o (presidente) Lula".
Barbas de molho
O também parlamentar estadual Paulo Mansur (PL) fez diversas postagens com fotos e vídeos para celebrar a queda de Maduro. Ele afirmou que Lula estaria muito preocupado com o futuro, alegando que o líder venezuelano falará sobre tudo o que acontece na América Latina. "O regime da Venezuela sempre foi o pilar financeiro, logístico e simbólico do Foro de São Paulo", ressaltou.
Nova era
O deputado estadual Paulo Corrêa Júnior (PSD) estava aguardando ansiosamente o pronunciamento de Trump. Nas redes sociais, o político exaltou a democracia e mencionou que "chegou a hora da liberdade", ao publicar e fazer menção ao comunicado elaborado pela líder oposicionista venezuelana María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz de 2025, após a queda de Maduro.
Em defesa da Venezuela
A Associação Cultural José Martí da Baixada Santista convocou para hoje, às 10 horas, uma reunião estratégica com organizações, partidos e coletivos para tratar de ações em defesa da Venezuela. A instituição fica na Rua Sergipe, 15 – Casa 2, Gonzaga, Santos.
Olhar local
Enquanto alguns políticos da Baixada Santista dedicaram parte do dia de ontem aos assuntos internacionais, outros voltaram a atenção para problemas regionais, como a falta d’água que atinge diversas cidades desde a semana passada e se intensificou durante o período do Réveillon. Moradores de bairros considerados nobres também enfrentaram torneiras secas pela primeira vez em muitos anos.
Erro estratégico
Único deputado estadual da Baixada Santista a votar contra a privatização da Sabesp, Caio França (PSB) tem cobrado providências da companhia de saneamento. "O que estamos vendo agora é a consequência direta de decisões políticas equivocadas e da fragilização do papel público da empresa. É preciso rever prioridades, fortalecer o planejamento e recolocar o interesse público no centro das decisões”, disse.
Direito de todos
O parlamentar federal Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) classificou como inaceitável a falta d'água que vem castigando vários bairros da região. Por esse motivo, já enviou ofício à direção da empresa para cobrar providências. "Não vamos permitir que esse absurdo continue. Água é um direito, não privilégio", frisou
Trabalho de sobra
Presidente da Frente Parlamentar de Acompanhamento e Fiscalização da Sabesp Pós-Privatização, Solange Freitas (União) pediu nas redes sociais para que as pessoas mandassem as informações sobre os locais que enfrentam problemas de abastecimento de água. Ela se comprometeu a levar todas as queixas à empresa.
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