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Um ano que durou dois

Valter Batista - Professor de Geografia e História, especialista em Gestão Pública

20/12/2021 - segunda às 00h00

A Pandemia causada pelo coronavírus afetou demais a Educação. Ao final deste ano letivo ampliaram-se os desafios de fazer uma Educação Inclusiva e Democrática, num país de enormes desigualdades socioeconômicas e regionais. A certeza que temos é a de que será bem mais difícil avançarmos na melhoria da qualidade da educação, caso não tenhamos planejamentos muito bem estruturados e que sejam colocados em prática ao longo das próximas duas décadas. Sim! Os problemas estruturais antigos se somaram a novos dilemas e o resultado disso é uma amálgama que só pode ser superada com muito trabalho coletivo e duradouro.
 

O acesso à educação, antes pensado a partir da presença na sala de aula de uma escola, hoje deve ser oferecido também através de conectividade tecnológica, de modo a incluir o máximo possível de estudantes no universo da internet, preparando cidadãos para um mundo que já está aí, mas onde a maioria não adentrou. E muito embora essa seja uma problemática complexa, torna-se ainda mais desafiador o fato de que há milhões de brasileiros distantes da sala de aula por falta de transporte escolar ou condições econômicas, sociais e familiares para frequentarem as aulas.
 

A estrutura das escolas também ainda é uma causa que justifica um desempenho tão frágil da educação brasileira. Ampliar a quantidade de escolas não é suficiente, se nelas não há bibliotecas, laboratórios, quadras esportivas em número suficiente e funcionando no cotidiano das aulas.
 

Além disso, há a carreira docente, das equipes gestoras e pessoal de apoio. Formação de excelência, educação continuada e apoio à pós-graduação, remuneração digna, evolução funcional meritocrática, ambientes de trabalho seguros e estruturados, por todos estes pontos perpassam os desafios de trabalhar por uma educação melhor para as pessoas.
 

E diante de tudo isso, somaram-se os problemas que a Pandemia nos trouxe. Por conta do desemprego e da recessão econômica, a vida das famílias piorou. Mais gente adentrou a linha da miséria e ocupou o mapa da fome. E pensar nisso remete novamente a questões que estarão dentro das escolas. Merenda escolar, que sempre foi importante, passou a ser essencial na retomada para uma melhoria da educação. Garantir que a alimentação de crianças e adolescentes, e também de adultos, seja entregue, é fundamental. Acesso a materiais escolares, além da conectividade para melhorar sua formação passou a ser primordial.
 

Novidade nenhuma até aqui. Mas reforça a necessidade de alertarmos para questões antigas e que requerem soluções novas. E é notório que também devem ser consideradas as problemáticas da saúde mental dos estudantes, a insegurança, ansiedade, depressão, comuns a ambientes escolares, e que tornaram-se agora mais um enorme desafio para professores e gestores. A meu ver, ampliar equipes escolares com a presença de profissionais de psicologia, psicopedagogia e assistentes sociais seria medida urgente, em apoio à elaboração e prática de planos de contingência para que os rumos educacionais sejam orientados para um futuro melhor de nossa sociedade.
 

Também investir no diálogo aberto e constante com as famílias, para que o acompanhamento pedagógico dos estudantes seja efetivado de maneira a facilitar a aprendizagem significativa. Formar os pais e mães para este novo momento da educação deveria ser um objetivo para nossas escolas.
 

Diante de tantos fatos, o que precisamos é, sem dúvida, de um alinhamento de todas as forças sociais, políticas e econômicas em prol de uma educação de qualidade para todas as pessoas, num país que carece demais das pessoas para crescer e se tornar mais justo para elas mesmas.
 

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal BS9

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