CARNAVAL

Conheça algumas curiosidades do Carnaval Santista

Do bloco mais tradicional de Santos ao eterno Rei Momo local, festividade é cheia de boas histórias

17/02/2023 - sexta às 10h00
Há mais de 100 anos, surgiram alguns dos blocos mais populares de Santos - Divulgação/PMS

Os ruas de Santos ganharão mais cores a partir deste fim de semana quando iniciam-se as comemorações do Carnaval 2023. Em Santos, a festividade é uma das mais tradicionais do Estado de São Paulo. 

O bloco "Carnabonde", por exemplo, está de volta este ano. Realizado na Praça Mauá,no sábado (18), faz a alegria dos foliões e resgata a cultura da Cidade. Por volta de 1917, surgiram blocos populares como Adoradores da Mulata, Garotas Descaradas e Dengosas do Marapé. Conheça algumas curiosidades sobre a folia santista:

“Dona Dorotéia, Vamos Furar Aquela Onda?”

Conhecido pelos homens vestidos de mulher entrando no mar, o bloco mais tradicional de Santos divertiu os foliões por 74 anos. Curiosamente, foi um carioca quem fundou o bloco.

Luiz Vieira de Carvalho, o "Gorila", era recém chegado do Rio de Janeiro. Se tornou sócio do Clube de Regatas Saldanha da Gama, e viu que seus novos colegas caiam na água fantasiados na festividade. 

Isso já era costume dos membros do clube há alguns anos, criado por Feliciano Firmino Ferreira, o "Javali". Em 1920, ele reuniu os amigos do Bloco Carnavalesco “Pé no Fundo”,  jovens do Clube Internacional de Regatas, para cair no mar próximo à sede do clube, em Itapema (hoje, Vicente de Carvalho).

Porém, Luiz achou a brincadeira um tanto desorganizada. Propôs que fizessem como no Clube de Regatas Flamengo. Antes do banho à fantasia, o ideal era promover um desfile pelas ruas da cidade, para chamar a atenção da população.

Vale ressaltar que, até o início do século XX, os banhos de mar eram para fins medicinais. Só mais tarde, começou a ser fonte de entretenimento.

O nome é tão inusitado quanto o próprio bloco. Luiz Vieira de Carvalho e seu amigo Oscar Pimentel precisavam de um título para a patuscada. Foi então que lembraram de uma cena da peça "O 21 na Zona”, exibida no Teatro Guarany.

Numa cena, o personagem Cabo 21 estava na praia, quando avistou uma mulher de costas, em trajes de banho. Tentou a sorte e soltou a cantada: “Dona Dorotéia, Vamos Furar Aquela Onda?”. A moça virou e revelou seu rosto, e não era o que ele esperava. Assustado, virou as costas e saiu correndo, e a plateia caiu na gargalhada.
 

Eterno Rei Momo

Waldemar Esteves da Cunha ocupou o trono de Rei Momo de 1950 a 1991. Sua paixão por Carnaval começou aos 13 anos, como integrante dos blocos Filarmônica Excêntrica e É Jeito Nosso, ambos criados no bairro Campo Grande, onde Waldemar sempre viveu.

Aos 17 anos, desfilou pelo "Dona Dorotéia, Vamos Furar Aquela Onda?", e ficou conhecido pelos outros foliões locais. Foi em 1950 que ganhou sua coroa oficialmente. O extinto jornal O Diário promoveu um concurso para eleger o Momo santista. Desde 1935, Santos exportava o Rei Momo da capital paulista. Waldemar foi eleito quase unanimamente.

Conforme as décadas se passaram, a saúde já não era mais a mesma para aguentar a folia. Quando completou 71 anos, se aposentou da realeza carnavalesca. Mas deu uma palinha nos carnavais de 2000 e 2001, como convidado especial. 

Faleceu em 7 de abril de 2013, aos 92 anos. Porém, seu legado está vivo na memória e no coração da cidade.

Homenagem

Para quem quiser saber mais sobre o Carnaval Santista, a Câmara de Santos recebe uma exposição sobre o tema, até o dia 28 de fevereiro. O munícipe ou turista pode conferir gratuitamente de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, na Praça Tenente Mauro Baptista, 1, Vila Nova. 

A mostra é uma parceria entre a Fundação Arquivo e Memória de Santos (Fams), a Secretaria de Cultura (Secult) e a Câmara Municipal, e reúne painéis, fantasias, fotos, placas e troféus.