Praia Grande

Empresário baleado pela esposa morre após 53 dias internado

Atentado aconteceu em dezembro do ano passado; ela responde em liberdade

27/01/2022 - quinta às 10h17
Imagens de uma câmera de monitoramento flagraram Karina atirando em Bruno do portão da garagem - Reprodução

O empresário Bruno Piva Júnior, que havia sido baleado pela própria esposa em dezembro, em Praia Grande, morreu após mais de 50 dias internado no Hospital Irmã Dulce. A dentista e tenente do Exército Karina de Freitas Fogolin havia alegado, num primeiro momento, que o marido havia sido ferido por um ladrão durante uma tentativa de assalto.
 
O caso aconteceu no início da noite do dia 3 de dezembro do ano passado, em frente à residência da família, na esquina das ruas General Leitão de Carvalho e Marechal Eurico Gaspar Dutra, no Canto do Forte. Trechos de imagens gravadas por uma câmera de monitoramento e exibidas pela Record TV mostram Bruno, de 52 anos, tentando tirar Karina, de 41, do carro à força. Eram 18h19.
 
Já num outro trecho, às 18h27, o empresário aparece andando com o celular na orelha enquanto a dentista, já fora do carro, fala com ele. Ignorada, ela parece carregar uma arma de fogo, vai para o portão da garagem e, de lá, atira. O primeiro disparo atinge o pescoço. Outro tiro pega em sua mão. O portão eletrônico se fecha.
 
A filha de Bruno, fruto de um relacionamento anterior, presenciou tudo. Ela, que tem 11 anos, aparece na imagem abrindo a porta do carro para entrar quando acontecem os disparos e se desespera ao ver o pai caindo no chão.
 
Um terceiro trecho das imagens marca 18h28 quando o portão da garagem se abre e Karina sai correndo para socorrer o marido, que está sentado na calçada, com a mão no pescoço. Todos entram no carro. Enquanto isso, policiais militares que faziam patrulhamento pela região foram acionados.
 
No último trecho, o relógio aponta 18h38 quando policiais e moradores daquele pedaço estão em frente à residência. A tenente diz aos oficiais que Bruno havia sido vítima de uma tentativa de roubo. Mas, além de não saber informar quantos e como os bandidos eram, ela foi confrontada pelos vizinhos, que a apontaram como a autora dos disparos.

Agressões e desvios
Karina Fogolin acabou admitindo o atentado e autuada em flagrante no 1º DP de Praia Grande. Na delegacia, ela disse que era agredida com frequência pelo marido, embora nunca tenha registrado um boletim de ocorrência. Além disso, havia descoberto que Bruno desviava valores da conta dela.
 
A tenente teve a prisão preventiva decretada em audiência de custódia realizada ainda no início de dezembro e passou a cumprir pena no 2º Batalhão de Polícia do Exército, em Osasco, na Grande São Paulo. Pouco depois, conseguiu a liberdade provisória. Foram determinantes para isso o fato de ela ser primária, ter residência fixa e filhos menores, um de 13 e outro de 7, também frutos de outro relacionamento.
 
Também pesou a imagem do marido puxando-a do carro, o que seria um indício de que ele teria mesmo um comportamento violento. De qualquer forma, ela responderá por homicídio consumado.

Estado grave
Já Bruno Piva acabou sendo socorrido pelos vizinhos. O Hospital Irmã Dulce, para onde foi levado, fica no Boqueirão, a cerca de dez minutos, de carro, da residência. A bala que o atingiu na altura do pescoço ficou alojada na região do tórax. Durante os 53 dias em que esteve internado, o estado dele foi considerado grave. O sepultamento foi realizado na quarta-feira, dia 26, no Cemitério Jardim da Colina, em São Bernardo do Campo, no Grande ABC.
 
A filha dele ficou sob a guarda da avó materna. A mãe dela também é falecida.