ELEIÇÕES 2026

Instituto Badra chega à Pernambuco e pesquisa mostra empate técnico entre João Campos e Raquel Lyra

Pesquisa revela que a corrida pelo Governo de Pernambuco entrou em uma nova fase. João Campos mantém a liderança, mas Raquel Lyra encosta e transforma a eleição em uma disputa aberta.

11/06/2026 - quinta às 22h37

A disputa pelo Governo de Pernambuco está mais aberta do que muitos analistas políticos imaginavam há poucos meses. Pesquisa realizada pelo Instituto Badra aponta que o prefeito do Recife, João Campos (PSB), aparece numericamente à frente da governadora Raquel Lyra (PSD) na corrida pelo Palácio do Campo das Princesas, mas dentro da margem de erro do levantamento, configurando empate técnico entre os dois principais concorrentes.

No cenário estimulado, quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, João Campos registra 44,2% das intenções de voto, enquanto Raquel Lyra aparece com 41,1%. Anderson Ferreira soma 6,0% e Ivan Moraes alcança 0,8%. Ninguém, branco, nulo e indecisos totalizam 7,9%.

A diferença de apenas 3,1 pontos percentuais entre os dois líderes da disputa está exatamente no limite da margem de erro da pesquisa, de três pontos percentuais para mais ou para menos.

O resultado confirma uma tendência observada nas últimas semanas: a redução gradual da vantagem de João Campos e a recuperação política da governadora. No início do ciclo pré-eleitoral, predominava no ambiente político pernambucano a percepção de que o prefeito recifense caminhava para uma disputa confortável. Os números atuais, porém, indicam um cenário significativamente mais competitivo.

Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados respondem sem acesso a uma lista de candidatos, João Campos aparece com 29,3%, enquanto Raquel Lyra registra 22,7%. O resultado demonstra que ambos possuem elevado grau de conhecimento junto ao eleitorado, embora ainda exista um contingente expressivo de eleitores sem posicionamento definido.

A governadora parece colher os efeitos de uma estratégia de comunicação e presença territorial intensificada nos últimos meses. Desde o início do ano, Raquel ampliou agendas pelo interior do Estado, reforçou a divulgação de ações de governo e passou a explorar uma comunicação digital que busca combinar firmeza administrativa com proximidade popular.

João Campos, por sua vez, mantém forte capital político associado à sua gestão no Recife, à tradição eleitoral do PSB em Pernambuco e ao legado político construído por sua família ao longo das últimas décadas. Ainda assim, o estreitamento da disputa sugere que o favoritismo inicialmente atribuído ao socialista já não encontra respaldo tão evidente nos números.

Os cruzamentos da pesquisa mostram uma disputa equilibrada em praticamente todos os segmentos sociais. João apresenta melhor desempenho entre os eleitores de renda mais elevada e entre os evangélicos, enquanto Raquel demonstra força entre os eleitores mais velhos, especialmente aqueles com 60 anos ou mais.

Outro dado relevante é o grau de convicção do eleitorado. Entre aqueles que já declararam voto em algum candidato, 70,5% afirmam que sua decisão é definitiva, enquanto 23% dizem que ainda podem mudar de escolha até a eleição.

As taxas de rejeição também revelam equilíbrio. João Campos registra 22,8% de rejeição e Raquel Lyra aparece com 22,7%, números praticamente idênticos e que indicam espaço para crescimento de ambos os candidatos durante a campanha.

PARA O SENADO

Além da disputa estadual, a pesquisa também mediu a corrida ao Senado Federal. No cenário estimulado para o primeiro voto, Marília Arraes lidera com 27,8%, seguida por Humberto Costa, com 17,7%, Anderson Ferreira, com 16,0%, e Miguel Coelho, com 13,1%. Eduardo da Fonte aparece com 8,1%.

Nos bastidores, lideranças políticas acompanham com atenção outro fator considerado decisivo para a disputa estadual, isto é, o posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pernambuco é um dos estados em que a influência política do presidente continua sendo relevante, especialmente entre os eleitores de menor renda e nos segmentos historicamente identificados com o campo progressista.

João Campos mantém alinhamento público e frequente com Lula. Já Raquel Lyra tem buscado preservar uma relação institucional positiva com o governo federal, mas enfrenta restrições políticas para assumir uma associação eleitoral explícita ao presidente. A forma como essa equação será resolvida nos próximos meses poderá influenciar diretamente o comportamento do eleitorado.

Com pouco mais de um ano para a eleição, o cenário revelado pela pesquisa sugere que Pernambuco caminha para uma das disputas estaduais mais competitivas do país, sem favorito absoluto e com espaço para movimentações capazes de alterar o equilíbrio atualmente observado.

Metodologia

A pesquisa foi realizada pelo Instituto Badra entre os dias 2 e 6 de junho de 2026, mediante a realização de 1.500 entrevistas presenciais com eleitores de 13 municípios do Estado de Pernambuco. O levantamento possui margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos e intervalo de confiança de 95%.

A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número PE-02486/2026. A coordenação estatística é de responsabilidade de Marcos Rogério Simonetti, registrado nos Conselhos Regionais de Estatística da 1ª e da 5ª Regiões. O Instituto Badra possui registro junto ao Sistema CONRE e adota procedimentos de auditoria, georreferenciamento e checagem de entrevistas para controle de qualidade dos dados coletados.

Segundo rankings nacionais que avaliam o desempenho dos institutos de pesquisa com base na comparação entre levantamentos eleitorais e resultados oficiais das urnas, o Instituto Badra figura entre os mais assertivos do país, ocupando atualmente a oitava colocação nacional em precisão acumulada.