Filme de surfista de Guarujá selecionado em festival na França
Mais do que um documentário sobre surf, "Entre Mundos" mergulha em temas como transformação pessoal, maternidade, pertencimento, força feminina e superação.
27/05/2026 - quarta às 08h19Uma história brasileira de coragem, maternidade, sobrevivência e ondas gigantes atravessou o oceano e ganhou espaço na Europa, em um dos maiores festivais de cinema de surf do mundo. O curta-metragem "Entre Mundos", protagonizado e produzido pela big rider Juliana Frare, foi selecionado para o International Surf Film Festival d'Anglet, na França, referência mundial no universo do surf e do audiovisual.
O evento será realizado entre os dias 19 e 22 de agosto, em Anglet. Agora, a atleta e mãe de quatro filhos mobiliza uma campanha virtual para conseguir viajar e acompanhar a premiação presencialmente. Mais do que isso, representar o surf feminino brasileiro no cenário internacional.
O filme, dirigido por Thiago Gonçalves, já vinha ganhando destaque desde a conquista do prêmio de "Melhor narrativa feminina no esporte" no Na Borda Surf Festival 2025, em Santos. Mas a confirmação da seleção internacional elevou o projeto a um novo patamar.
"Entre tantos filmes e documentários enviados do mundo inteiro, uma história brasileira conquistou seu espaço", destacou a surfista de Guarujá, no litoral paulista, que divide o seu tempo entre ser mãe de quatro filhos e seu trabalho como jornalista, palestrante e surfista profissional de ondas grandes.
Mais do que um documentário sobre surf, "Entre Mundos" mergulha em temas como transformação pessoal, maternidade, pertencimento, força feminina e superação. O curta também traz relatos íntimos da surfista sobre violência doméstica e o processo de reconstrução de sua vida dentro e fora do mar.
"O 'Entre Mundos' começou a ganhar uma repercussão muito bonita e decidi inscrever o filme em alguns festivais internacionais. Desde o início eu acreditava muito na potência da mensagem do filme. Quando recebi a confirmação de Anglet, foi uma emoção enorme", contou a surfista. "Toda a interação foi muito especial e acolhedora, principalmente por perceber o interesse deles em uma história tão humana, sensível e brasileira".
INTENSA
Aos 39 anos, Juliana vive uma das fases mais intensas de sua trajetória. Enquanto busca espaço no seleto universo do big surf feminino, precisa conciliar treinos, competições, produção audiovisual e a criação dos quatro filhos. Uma rotina desafiadora que acabou se tornando justamente a essência do filme.
Determinada e apaixonada pelo mar, ela decidiu expor sem filtros sua realidade, mostrando dores, medos, recomeços e a luta diária para continuar perseguindo sonhos considerados improváveis. O resultado emocionou o público nas primeiras exibições e agora ganha reconhecimento internacional.
"É difícil até colocar em palavras. Acho que representa a confirmação de que histórias reais, humanas e feitas com verdade conseguem tocar pessoas em qualquer lugar do mundo", afirmou. "Ver um projeto tão íntimo atravessar o oceano e chegar em um dos maiores festivais de cinema de surf do mundo é muito simbólico pra mim. Como mulher, mãe, atleta e artista brasileira, sinto que estou representando muitas camadas e muitas pessoas junto comigo".
VAQUINHA
Para tornar a viagem possível, Juliana abriu uma vaquinha virtual destinada aos custos da ida para a França. Segundo ela, tudo aconteceu de forma muito rápida, exigindo mobilização imediata.
"Decidi abrir uma campanha para conseguir viabilizar essa viagem e permitir que eu esteja presente representando o Brasil, o surf feminino e o cinema independente nesse momento tão importante. Qualquer apoio faz diferença e acaba se tornando parte dessa conquista também", explicou.
A campanha está disponível na plataforma Vakinha: Vakinha Entre Mundos
Juliana admite que jamais imaginou tamanha repercussão quando decidiu produzir o curta. "O projeto nasceu muito mais de uma necessidade de expressão, de contar uma história real e profunda, do que pensando onde ele poderia chegar. Então viver tudo isso hoje é muito emocionante".
O reconhecimento recebido após a vitória no Na Borda Surf Festival também ajudou a impulsionar novos horizontes. "Recebi mensagens de pessoas dizendo que se sentiram representadas, emocionadas e inspiradas. Acho que o maior presente foi perceber que o filme ultrapassou o surf e conseguiu tocar pessoas através das emoções, da vulnerabilidade e da força humana".
COMPETINDO
Além do cinema, Juliana também segue evoluindo no esporte. Recentemente, fez sua estreia no circuito brasileiro de ondas grandes, considerado um marco em sua carreira. "Meu objetivo é seguir evoluindo para alcançar a elite do big surf feminino mundial, sempre equilibrando essa jornada com a maternidade e todos os desafios que fazem parte da minha história".
Entre mares revoltos, câmeras, cicatrizes e sonhos, Juliana Frare agora vê sua história ecoar do outro lado do oceano. E "Entre Mundos" deixa de ser apenas um filme sobre surf para se transformar em um manifesto de resistência, coragem e sobrevivência feminina.