BRASIL

Deputado federal Paulo Alexandre Barbosa defende equilíbrio no debate sobre fim da escala 6x1

Parlamentar afirma que discussão precisa fugir da polarização e buscar conciliação entre qualidade de vida dos trabalhadores, produtividade e preservação de postos de trabalho

18/05/2026 - segunda às 17h00

O deputado federal Paulo Alexandre Barbosa (PSD-SP) defendeu um debate técnico e equilibrado sobre a redução da jornada de trabalho e o possível fim da escala 6x1 no Brasil. Para ele, a discussão precisa considerar tanto os impactos da atual carga de trabalho na saúde mental dos trabalhadores quanto os reflexos econômicos para empresas e empregos.


A discussão ganhou força neste mês após o deputado Leo Prates (Republicanos-BA), relator da comissão especial que analisa as propostas de mudança na jornada de trabalho (PEC 221/19 e PEC 8/25), apresentar um cronograma para concluir a votação do tema até 27 de maio.


Na avaliação de Paulo Alexandre, o tema não pode ser tratado de maneira tendenciosa ou superficial. "Essa é uma discussão que tem que ser feita de forma equilibrada, de forma técnica. Ela não pode ter esse viés ideológico polarizado, como muitas discussões que são feitas no país hoje", afirmou.


O parlamentar destacou que a rotina excessiva de trabalho vem afetando diretamente a saúde emocional das pessoas ao decorrer dos anos. "Quem não tem uma convivência familiar saudável, quem não tem uma saúde mental boa, não vai desempenhar uma alta produtividade no trabalho", ressaltou.


Ao mesmo tempo, Paulo Alexandre ponderou que o debate também precisa ouvir o setor produtivo e considerar possíveis impactos econômicos decorrentes das mudanças.


"As empresas mostram eventuais prejuízos que isso pode ocasionar, como a diminuição dos postos de trabalho. Então, acho que tudo tem que ser feito de forma muito bem equilibrada para ter uma conciliação e, finalmente, avançarmos, assim como outros países", disse.


Mudança necessária 

Apesar das preocupações, Barbosa afirmou ser favorável a mudanças no atual modelo de jornada de trabalho. "Eu defendo que a gente tenha uma mudança no que a gente tem hoje. Acho que a carga está demasiada para os trabalhadores. Está impactando negativamente na vida das pessoas. Porque a gente vê casos e mais casos de afastamento em todas as áreas e não é razoável que isso possa acontecer".


Para ele, a modernização das relações de trabalho passa também pelo avanço da tecnologia, pela ampliação do teletrabalho em determinadas atividades e pela adoção de mecanismos de produtividade.


"A tecnologia hoje vem para contribuir nesse processo, através do trabalho remoto. E, nas atividades que exigem presença, a produtividade deve ser cada vez mais implementada para que as pessoas possam produzir, entregar, ter sua remuneração e, ao mesmo tempo, preservar sua saúde mental",afirmou.


O parlamentar ainda defendeu que o Congresso amadureça o tema antes de qualquer votação definitiva. "Essa mudança tem que ser discutida com bastante responsabilidade, ouvindo todos os lados, sem transformar isso em ganho político eleitoral", concluiu.


O cronograma apresentado pela comissão especial prevê audiências públicas, ainda em maio, para discutir os impactos econômicos, sociais e trabalhistas das propostas. Entre os temas que serão debatidos estão o uso do tempo no trabalho, a perspectiva de empregadores e trabalhadores e os efeitos da mudança na economia brasileira.