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Livro celebra os 50 anos da União Imperial e relaciona papel social e conquista de títulos

O legado da escola e o envolvimento com a comunidade estão na obra de Sergio Willians, União Imperial Nos Braços do Povo, a ser lançado em 29 de maio

16/05/2026 - sábado às 09h35

Os 50 anos da escola de samba União Imperial como um polo gerador de cultura, com papel na economia criativa, no fortalecimento da comunidade e no estímulo ao desenvolvimento de talentos estão registrados em livro. União Imperial Nos Braços do Povo, de autoria de Sergio Willians, será lançado em 29 de maio, às 20 horas, com noite de autógrafos e show da Velha Guarda Imperial na quadra da escola santista, no bairro do Marapé, em evento aberto ao público.

A União Imperial é a atual campeã do Carnaval santista, com 11 conquistas na sala de troféus, dos quais, cinco títulos consecutivos na década de 80. A publicação relata a trajetória da escola, desde a fundação em 1976, como bloco carnavalesco Dengosas do Marapé, até os dias atuais. O livro captura a essência popular da União Imperial e sua forte ligação com a comunidade onde é enraizada como símbolo sociocultural da cidade. 

Em um ano feliz com a verde-rosa campeã do Carnaval, o presidente da União Imperial, Luiz Alberto Martins, o Pelé, vê o livro como uma celebração do entrelaçamento da escola com o seu entorno. Em sua análise, é um legado que fica para todos. “A participação da comunidade é o principal valor que a escola tem. Esse relacionamento entre a União Imperial e a comunidade é fundamental. A escola viveu toda a sua história no bairro do Marapé e hoje é uma tradição de toda a cidade. Daqui saíram grandes conquistas, grandes projetos, grandes ações culturais e beneficentes, que nos aproximaram cada vez mais”.

Para ele a escola é um polo de atração que une as pessoas, traz as crianças para a quadra, com a Escolinha do Amanhã, e também os mais velhos. “As ações culturais são de suma importância para que a sociedade e principalmente as crianças tenham mais cultura e os mais antigos cultivem esta história, cada vez mais enraizada na quadra e no legado da União Imperial”.

Nos Braços do Povo

O relato de 50 Anos da União Imperial, com o sugestivo subtítulo Nos Braços do Povo, destaca fatos memoráveis, conquistas marcantes e personagens que ajudaram a construir a identidade da escola. 

Um deles, Ricardo Perez, ex-Diretor de Harmonia e intérprete, é um exemplo inequívoco de que uma escola de samba é lugar de trabalho e de sonhos, de realizações e de oportunidade capaz de transformar vidas. Peres detém uma marca inigualável de 50 anos de desfiles, ou seja, esteve em todos os desfiles da União Imperial desde a sua criação. Formou-se engenheiro mecânico, cursou Educação Física e por conta do envolvimento com a escola de samba, tornou-se músico. “Eu comecei como instrumentista na bateria, depois passei a tomar conta de ala, passei a ser Diretor de Harmonia e em paralelo a isso passei a compor para participar dos concursos de samba enredo”, conta. 

O aprimoramento na música o levou a ser um dos fundadores do Grupo Tempero, que emplacou vários hits de sucesso nos anos 90, no auge do pagode. Com Peres no pandeiro, ao lado de Zinho (voz e repique), Cesar Rodrigues (cavaquinho), Moisés Costa (violão), Carlão (ganzá) e Simonal (tantã), o grupo nascido dentro da quadra do Marapé ganhou o Brasil.

O sucesso dos integrantes da escola também impulsionou a agremiação. “A partir daquele momento meus diplomas de engenheiro e de professor de Educação Física foram para a gaveta e tudo o que eu ganhei na minha vida eu ganhei com música, fazendo shows com o Grupo Tempero, seja compondo ou em Direitos autorais. Isso deu uma guinada na minha vida. Eu costumo dizer que eu mudei um pouco a história da União Imperial, mas a União Imperial é que mudou toda a minha vida”.

A sugestão de escrever o livro foi de Perez, que fez um relato sensível sobre a vida dentro de escola de samba. De locais com ritmo musical alvo de preconceito no passado, tornaram-se ambientes familiares, de convergência social, transformação cultural e profissionalização. “As pessoas começam na escola ajudando no barracão ou como instrumentistas, desenvolvem capacidades de cantar, dançar ou fazer carros alegóricos. Elas vão descobrindo onde conseguem se sentir mais realizadas e produzir mais. A escola de samba ganha esta função que é muito importante, de ser realmente uma escola. Ela ensina samba, ensina a compor, ensina a cantar, tocar, desenhar, esculpir, costurar, enfim, ela é um universo”, afirma.

Pesquisa e memória oral

O autor Sergio Willians explica que a intenção nunca foi fazer um livro somente para exaltar títulos e campeonatos, e sim, mostrar o funcionamento orgânico da agremiação. “Era necessário mostrar o que existia por trás de cada Carnaval: quem trabalhava, quem ajudava, quem segurava a escola nos momentos mais difíceis”.

Segundo ele, foram quase dois anos de trabalho, desde 2024. “Fomos atrás de informações, documentos, fotografias, jornais antigos e depoimentos. Conversamos com pessoas, conferimos datas e tentamos entender cada fase da escola”. 

Pela responsabilidade do relato histórico fiel, com pesquisa, cuidado e condições reais de produção, a partir do material em mãos, Willians inscreveu o projeto para obter financiamento do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet. “Ao final, conseguimos viabilizar a maior parte dos recursos com o patrocínio da Transbrasa (terminal retroportuário vizinho à escola). Faço questão de agradecer à família Umbuzeiro pela força, pela confiança e por acreditar na proposta”, disse.

O escritor cita o empenho da direção da União Imperial, do jornalista Lúcio Nunes, de Heldir Lopes Penha, o Aldinho, Lorde Sossego, Simonal e o presidente Luiz Alberto Martins, o Pelé. “Eles viveram muita coisa e me ajudaram a entender detalhes que não aparecem nos documentos. Esse tipo de colaboração faz muita diferença, porque uma escola de samba não se conta só com ata, jornal e fotografia. A memória oral é chave nesse processo”, explica.

O patrocinador Bayard Umbuzeiro Filho, presidente da Transbrasa, falou do orgulho de colaborar com a realização. “A Transbrasa nasceu em 1974 e chegou ao Marapé poucos anos depois. A União Imperial e a Transbrasa cresceram juntas, ajudando a formar a identidade do bairro. Gerações do Marapé passaram pela empresa e pela escola e temos um enorme orgulho de, hoje, poder colaborar e celebrar os 50 anos da União Imperial, um grande símbolo da nossa cidade e a escola de samba do coração da família Transbrasa”, disse Bayard. 

O autor

Sergio Willians é jornalista, historiador, escritor e pesquisador, reconhecido por sua atuação na preservação da memória histórica de Santos e da região. É presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Santos, desenvolve projetos de registro e difusão, como publicações, acervos digitais e iniciativas educacionais.

É autor de diversos livros de valor documental, como a história da Santa Casa de Santos, do Porto de Santos, e a primeira viagem de carro pela estrada velha, entre Santos e São Paulo, em 1908. Iniciou no jornalismo cultural, atuou na Secretaria de Cultura de Santos e se consolidou como referência em pesquisa e divulgação da história.

A obra 

Com 312 páginas e luxuoso acabamento em capa dura, pode ser classificado com um livro de mesa. Terá tiragem limitada de 500 exemplares e preço de capa de R$ 200,00. No lançamento, o livro será vendido pelo valor especial de R$ 180,00. 

Lançamento
Data: 29 de maio de 2026
Horário: 20 horas
Local: União Imperial, Rua São Judas Tadeu, 20/26, Marapé, Santos

Onde Comprar

No dia do lançamento (29 de maio), na quadra da União Imperial
Livraria Martins Fontes (Gonzaga)
Instituto Histórico e Geográfico de Santos (informações pelo telefone 3222-5484)

Ficha técnica
•    Título: União Imperial Nos Braços do Povo
•    Autor: Sergio Willians
•    Formato: impresso, capa dura
•    Páginas: 312
•    ISBN: 978-65-01943-91-6