Crise em Mongaguá: vice-prefeito rompe politicamente com Cristina Wiazowski
Após dez meses de gestão, Julio da Imobiliária afirma que não será cúmplice de decisões tomadas "entre quatro paredes" e de uma gestão que virou "marionete de um projeto pessoal"
12/05/2026 - terça às 03h15Ruptura anunciada
O vice-prefeito de Mongaguá, Julio Cezar de Carvalho Silva Santos, o Julio da Imobiliária (PDT), anunciou na noite de ontem o rompimento político com a chefe do Executivo municipal, Cristina Wiazowski (PSD). Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou que passará a fazer oposição ao Governo. A decisão foi anunciada exatamente dez meses após a posse da chapa. Ambos assumiram os cargos em 11 de julho do ano passado, após vitória na eleição suplementar realizada em 8 de junho.
Basta
Na gravação, Julio afirmou que tomou uma “decisão difícil, mas necessária” e disparou críticas diretas à condução política da Administração Municipal. “Não fui eleito para ser cúmplice de uma gestão que virou marionete de um projeto pessoal. Não dá mais. Chega”, desabafou.
Recado político
Sem citar nomes diretamente, o vice-prefeito criticou supostas interferências externas nas decisões do Executivo. “Mongaguá precisa de uma liderança com voz própria e não de quem se deixa guiar por vaidades externas”, afirmou.
Decisões isoladas
Julio também reclamou da falta de diálogo dentro do Governo. Segundo ele, houve tentativas frustradas de construir “pontes” e buscar equilíbrio político. “Não aceito mais decisões tomadas no isolamento entre quatro paredes”, disse.
Voz livre
Ao oficializar a ruptura, o vice-prefeito enfatizou que passa a ter “voz livre” para cobrar resultados da Prefeitura. “O futuro de Mongaguá não pertence a grupos, pertence ao povo. O futuro exige coragem e a minha começou agora”, frisou.
Apoio popular
Logo após a postagem de Julio, o ex-prefeito e marido de Cristina, Paulinho Wiazowski (PSD), publicou uma imagem com diversas pessoas, incluindo secretários municipais e vereadores da base aliada. "Aqui não tem IA (inteligência artificial), tem gente!", escreveu ele, que é figura central da gestão por estar à frente da pasta de Administração e Governo.
Para tudo
O juiz da Vara da Fazenda Pública de São Vicente, Leonardo de Mello Gonçalves, determinou ontem que a Prefeitura suspenda imediatamente as atividades e operações da Área de Manejo e Gerenciamento de Resíduos e de Transferência de Equipamentos de Transbordo implantada em uma área de preservação permanente (APP) às margens da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, no Jardim Rio Branco, na Área Continental do Município.
Multa pesada
Em caso de descumprimento da decisão, o magistrado fixou multa diária de R$ 10 mil, limitada a R$ 7 milhões, com incidência individual sobre o patrimônio pessoal do chefe do Executivo municipal, Kayo Amado, da secretária de Meio Ambiente, Flávia Ramacciotti Cesar de Oliveira, e do vereador Jefferson Cezarolli (Pode). O parlamentar preside a Comissão Especial de Vereadores (CEV) para apurar a situação desse empreendimento, mas, segundo informações do processo, ainda não promoveu nenhuma discussão pública sobre esse tema.
Debate público
Gonçalves decidiu, ainda, que o Município realize uma audiência pública, em até 45 dias, para apresentar à população os impactos ambientais desse projeto e as medidas previstas para reparação dos danos. O caso chegou ao Judiciário por meio de uma ação popular protocolada pelo advogado Rui Elizeu, que sustenta que esse empreendimento foi implantado sem licenciamento ambiental prévio, causando danos severos à natureza.
Danos irreversíveis
Segundo o juiz, a falta de licenciamento ambiental prévio e a omissão de pareceres técnicos contrários de engenheiros da própria Secretaria de Meio Ambiente reforçam a violação aos princípios da legalidade e da moralidade administrativa. "O perigo de dano é evidente e de natureza irreversível. A continuidade das operações de transbordo de resíduos e a manutenção do aterramento de cursos d'água e nascentes agravam diariamente a degradação ambiental na região do Jardim Rio Branco", destacou.
Vai recorrer
A Prefeitura de São Vicente informou que ainda não tinha sido notificada sobre a decisão, mas adiantou que irá contestá-la. A Administração Municipal explicou que o espaço foi planejado para o reaproveitamento de materiais recicláveis e resíduos da construção civil, como madeira, pedras e metais, funcionando como um centro de triagem para destinação ambientalmente adequada e reutilização desses materiais.
Critérios técnicos
"A escolha da área e o desenvolvimento do projeto foram conduzidos por equipes técnicas especializadas, com acompanhamento de engenheiros ambientais e realização periódica de vistorias e relatórios, visando assegurar o cumprimento das normas ambientais e a proteção da área", justificou.
Conversa com o presidente
O vereador de Santos Sérgio Santana (PL) esteve reunido ontem com o presidente estadual da legenda, Tadeu Candelária, após o parlamentar anunciar publicamente que desistiu de concorrer à Assembleia Legislativa nas eleições deste ano, após o impasse interno com a deputada federal Rosana Valle e o parlamentar estadual Tenente Coimbra. O caso foi detalhado na coluna de ontem, que foi lida pelo dirigente partidário.
Respeito acima de tudo
Conforme apurado pela coluna, Santana disse a Candelária que seguirá focado no mandato em Santos. Também revelou que espera não sofrer nenhum tipo de represália interna, pois tem uma trajetória na sigla desde 2015. Nos bastidores, a avaliação é de que o vereador não deverá apoiar candidaturas de integrantes do partido ligados ao episódio.
Direitos humanos em pauta
A Educafro e outras instituições protocolaram recentemente uma ação civil pública contra o Governo do Estado e a Polícia Militar por violações de direitos humanos em razão da alta letalidade das operações Escudo e Verão, realizadas na Baixada Santista em 2023 e 2024. Foram 84 mortes registradas. As vítimas eram, em sua maioria, pessoas pretas, jovens e moradoras de bairros periféricos.
Desculpas públicas
As entidades solicitam indenização de R$ 200 milhões por danos morais coletivos, sob a justificativa de que o Estado não pode matar impunemente, além da obrigatoriedade do uso de câmeras corporais pelos policiais. Além disso, a ação aponta que a celebração de operações letais como "êxito" por parte das autoridades representa uma validação institucional da violência. Por essa razão, a ação exige que o governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) peça desculpas públicas pelas mortes e por eventuais abusos dos agentes da segurança pública nessas operações.