A SUA RUA

Albert Sabin é o cientista símbolo de saúde pública e dá nome a vias do litoral

Criador da vacina oral contra a poliomielite, pesquisador é lembrado em cidades brasileiras enquanto seu legado segue como referência mundial na medicina

14/04/2026 - terça às 14h38

O nome de Albert Sabin atravessa gerações - não apenas nos livros de medicina, mas também na geografia urbana de cidades brasileiras, inclusive no litoral paulista, onde ruas e avenidas perpetuam sua memória.

Responsável pelo desenvolvimento da vacina oral contra a poliomielite, conhecida como a “gotinha”, Sabin foi um dos principais protagonistas na luta contra uma das doenças mais temidas do século XX. Antes da vacinação em massa, a poliomielite causava surtos recorrentes, deixando milhares de crianças com sequelas permanentes e levando muitas à morte.

O avanço científico não foi isolado. Ele fez parte de uma corrida global contra a doença, que também contou com a atuação do médico Jonas Salk, criador da primeira vacina injetável contra a pólio. Sobre o papel da ciência nesse contexto, Salk destacou:

“A esperança está no sonho, na imaginação e na coragem daqueles que ousam transformar sonhos em realidade.”

A fala se tornou símbolo de uma geração de cientistas que, com abordagens diferentes, ajudaram a mudar o rumo da doença no mundo.

O impacto do trabalho de Sabin foi tão profundo que passou a ser reconhecido por instituições internacionais. A Organização Mundial da Saúde considera a vacinação em massa uma das estratégias mais eficazes da história da saúde pública, responsável por reduzir drasticamente os casos de poliomielite em nível global.

Décadas depois, o tema ainda mobiliza lideranças mundiais. O empresário e filantropo Bill Gates, envolvido em campanhas de erradicação da doença, reforçou a importância desse legado ao afirmar:

“Estamos mais perto do que nunca de erradicar a pólio, graças às ferramentas que já temos.”

Outro nome importante na história da imunização, o virologista Hilary Koprowski, também destacou o caráter humano da corrida científica contra a doença:

“A corrida contra a pólio nunca foi apenas científica — era uma corrida contra o sofrimento humano.”

Além da relevância científica, Sabin também ficou marcado por uma decisão incomum: ele optou por não patentear sua vacina, permitindo que fosse distribuída amplamente, especialmente em países em desenvolvimento. Esse gesto contribuiu diretamente para campanhas de imunização em larga escala, como as realizadas no Brasil.

O país, aliás, se tornou um dos maiores exemplos de sucesso no combate à poliomielite. O último caso registrado em território nacional ocorreu em 1989, resultado direto de campanhas massivas de vacinação.

Como forma de reconhecimento, o nome de Albert Sabin foi incorporado ao cotidiano das cidades. No litoral paulista, é comum encontrar ruas, avenidas, escolas e unidades de saúde que levam seu nome - uma homenagem silenciosa, mas constante, ao cientista que ajudou a salvar milhões de vidas.

Mais do que uma referência histórica, essas homenagens representam uma conquista coletiva da humanidade. Cada placa com o nome de Sabin carrega consigo a memória de um tempo em que a ciência foi capaz de vencer uma das maiores ameaças à saúde pública global.