Oceano Vivo

evento inédito e gratuito em Santos promove debate sobre a relação humana com a fauna aquática

Painel acontece na Universidade Santa Cecília (Unisanta), em 21 de março. Discussão visa fortalecer o diálogo entre as organizações do 3º setor, as universidades e a sociedade sobre a importância dos ambientes aquáticos

09/03/2026 - segunda às 13h40

O Fórum Animal, em parceria com a Sea Shepherd Brasil, a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) e o VIVA Instituto Verde Azul, realiza no dia 21 de março de 2026, um sábado, a terceira edição do Painel Oceano Vivo.

A mesa de debate acontecerá em Santos, no litoral de São Paulo, no auditório da Universidade Santa Cecília (Unisanta). O evento é gratuito e haverá emissão de certificados de participação.

Sob o tema "Consciência que transforma nossa relação com a vida aquática", a iniciativa vai reunir especialistas para debater este tema tão fundamental para a vida em todo o planeta.

O painel Oceano Vivo acontece das 9h às 12h. O endereço da universidade é Rua Oswaldo Cruz, 277, bairro do Boqueirão (Santos-SP).

As inscrições podem ser realizadas através deste link.

O evento está sujeito a possíveis alterações no endereço e no auditório onde será realizado.

Habitantes invisíveis

O evento tem como objetivo central informar e sensibilizar a sociedade sobre como nos relacionamos com o ambiente aquático e sua fauna. Embora os oceanos, mares e rios cubram cerca de 75% do nosso planeta e abriguem uma imensa diversidade de espécies, esses ecossistemas e seus habitantes ainda são invisibilizados em nossas decisões diárias.

A ciência contemporânea já demonstra que peixes e diversos invertebrados aquáticos são seres sencientes, dotados de formas elaboradas de consciência, vidas sociais complexas e capacidade de aprendizado.

"Apesar dessa riqueza biológica e cognitiva, estima-se que entre 1 e 3 trilhões de peixes sejam mortos todos os anos para alimentação humana, frequentemente em abates que desconsideram o sofrimento animal", afirma Luiz Rezende, gerente do Fórum Animal à frente da organização da Oceano Vivo.

Além da questão ética, a pesca industrial causa profundos impactos ambientais, como a destruição do fundo do mar pela pesca de arrasto e a morte de outras espécies marinhas capturadas acidentalmente, conhecidas como fauna acessória.

A piscicultura intensiva, por sua vez, também impõe condições de confinamento extremo, estresse e altas taxas de mortalidade aos animais.

Jardineiras do Oceano

"As baleias têm um papel fundamental como jardineiras do oceano. Ao longo de suas migrações, elas dispersam nutrientes, que são essenciais para que o fitoplâncton faça fotossíntese, captando gás carbônico e liberando oxigênio. Metade do oxigênio que respiramos vem do oceano. Entretanto, a pesca desenfreada do krill, principal alimento das baleias, está impactando a saúde destes animais e por consequência dos mares", afirma a bióloga Mia Morete, fundadora e presidente do VIVA Instituto Verde Azul.

Diante de um cenário de urgência ambiental, romper com a lógica do especismo — que nega os animais aquáticos como indivíduos e silencia sua realidade subjetiva — é uma tarefa central para a sociedade.

"Já passou da hora de repensarmos a forma como tratamos os animais que habitam oceanos, mares e rios. Precisamos ampliar nossos princípios éticos de justiça e compaixão para incluir também esses seres, reconhecendo que eles são indivíduos capazes de sentir e merecem nosso respeito de forma ampla e profunda", diz Ricardo Laurino, vice-presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB).

A transição para um modelo ético e sustentável exige não apenas a mudança de hábitos de consumo, mas também o planejamento de políticas de educação ambiental e de reconversão profissional com ajustes econômicos para as pessoas cuja renda hoje depende da pesca.

"A ciência já demonstrou que os animais aquáticos são sencientes e possuem vidas complexas. Quando o conhecimento avança, a sociedade também precisa avançar. Ao longo da história, diversas profissões se transformaram conforme novos valores éticos emergiram. O biocentrismo nos convida justamente a isso: reconhecer que a vida no oceano tem valor próprio e que nossa relação com esses animais precisa evoluir", reforça Nathalie Gil, presidente da Sea Shepherd Brasil.

O painel de discussão será mediado por Luiz Rezende (Fórum Animal) e contará com as contribuições das especialistas Giulia Simionato (Fórum Animal), Mia Morete (Instituto VIVA Verde Azul), Maysa Guimarães (Sociedade Vegetariana Brasileira), Nathalie Gil (Sea Shepherd Brasil) e o professor doutor Miguel Petrere Júnior (Universidade Santa Cecília).

O Painel Oceano Vivo tem o apoio fundamental da Universidade Santa Cecília (Unisanta) e das empresas NAVEIA e UAI Tofu. 

Confira a programação do evento:

   9h: Café da manhã

   9h30: Abertura com o contexto do evento e formação do painel

   9h45: Painel de discussão mediada com especialistas

   11h15: Interação dos especialistas com a plateia

   11h45: Exibição de minidocumentário sobre senciência animal

   12h: Encerramento com foto coletiva