DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Paulistanas veem avanços, mas ainda convivem com medo, desigualdade e pressão estética

Pesquisa do Instituto Badra com 520 mulheres de quatro gerações mostra convergências entre jovens e idosas sobre trabalho, violência, maternidade e direitos; maioria acredita que a vida melhorou, mas ainda é difícil

06/03/2026 - sexta às 15h38

Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, pesquisa do Instituto Badra com 520 moradoras da cidade de São Paulo revela que, apesar de avanços nas últimas décadas, as paulistanas ainda enfrentam desafios persistentes ligados à desigualdade, violência e padrões sociais. O levantamento ouviu mulheres de quatro faixas etárias, entre 18 e mais de 65 anos, para identificar possíveis diferenças geracionais em temas como maternidade, casamento, feminicídio, aborto e trabalho.

 

Um dos pontos de maior convergência entre as gerações é a percepção de que a vida da mulher melhorou em relação ao passado, embora ainda seja marcada por dificuldades. Para 36,7% das entrevistadas, a situação é hoje “um pouco melhor, mas ainda difícil”, enquanto 31,2% consideram que a vida feminina está muito melhor do que há 50 anos.

 

No mercado de trabalho, a maioria reconhece avanços, mas ressalta que a igualdade ainda não foi alcançada. Para 51,7% das mulheres, as oportunidades melhoraram, porém a desigualdade continua significativa.

 

 

FEMINICÍDIO

Quando o assunto é feminicídio, a percepção predominante entre as entrevistadas é de que o enfrentamento do problema passa principalmente pelo rigor da lei. Para 48,7% das mulheres, a principal medida para combater a violência contra a mulher é acabar com a impunidade, enquanto 32,3% defendem maior investimento em educação e conscientização da sociedade para prevenir novas agressões.

 

A pesquisa também aponta que a violência permanece como uma das principais preocupações. Mais da metade das entrevistadas (56,7%) afirma evitar andar sozinha à noite na cidade por medo, e quase metade (48,7%) acredita que o combate ao feminicídio depende principalmente do fim da impunidade.

 

Outro consenso aparece na percepção sobre padrões de beleza: 58,5% dizem que a pressão estética sobre as mulheres aumentou muito nos últimos anos.

 

Em temas ligados à vida pessoal, os resultados indicam mudanças culturais. Para 34,6%, o casamento é uma possibilidade, mas não essencial para a realização pessoal, enquanto 34,4% consideram que ele é importante, desde que equilibrado com trabalho, amizades e outros projetos de vida.

 

Sobre maternidade, predomina a ideia de planejamento e autonomia: 39,8% defendem que ter filhos deve ser uma decisão bem pensada e sem cobrança social. Já no debate sobre aborto, a posição mais comum é manter a legislação atual, defendida por 39% das entrevistadas.

 

Apesar das diferenças de idade, a pesquisa aponta mais convergências do que conflitos entre as gerações. Em comum, permanece a percepção de que a condição feminina avançou, mas ainda está longe de alcançar plena igualdade.

 

O caderno de resultados completo você acessa na página do instituto na internet: www.badracomunicacao.com.br