Felipe Bernardo: "O desafio agora é tirar o plano de macrodrenagem do papel"
Em entrevista exclusiva à coluna, o prefeito de Peruíbe revela as prioridades da gestão e os desafios como presidente do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb)
08/02/2026 - domingo às 03h00Eleito presidente do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb) na manhã da última sexta-feira, durante reunião realizada na Rocket Sea Club, em São Vicente, o prefeito de Peruíbe, Felipe Bernardo (PSD), concedeu entrevista exclusiva à coluna na tarde do mesmo dia.
Na conversa, o chefe do Executivo detalha como foi construída sua escolha de forma unânime entre os prefeitos da região e apresenta as principais prioridades da gestão, com foco na macrodrenagem, resíduos sólidos, integração regional e fortalecimento das políticas metropolitanas.
Leia a entrevista completa a seguir:
Prefeito, como foi construída a sua escolha para a presidência do Condesb?
Desde o começo do ano passado, a gente já tinha um compromisso assumido com o prefeito Alberto Mourão (MDB, de Praia Grande). Após a eleição do prefeito Kayo Amado (Pode, de São Vicente), isso ficou previamente combinado, mas o Mourão acabou declinando por questões pessoais, entendendo que não fazia mais sentido colocar seu nome à disposição. Com essa desistência, abriu-se a possibilidade de um novo nome. Coloquei meu nome à disposição, conversei com todos os prefeitos, que acabaram concordando. A avaliação foi de que eu participei ativamente das reuniões, que poderíamos dar uma visibilidade para o Litoral Sul e poderia dar continuidade aos trabalhos. Fui escolhido de forma unânime, o que me deixa muito honrado para conduzir o Condesb pelos próximos 12 meses.
Quais serão as pautas prioritárias da sua gestão à frente do Condesb?
Uma das principais prioridades é a execução do Plano Metropolitano de Macrodrenagem, que já foi muito bem elaborado pela Agência Metropolitana (Agem). Peruíbe, inclusive, realizou ações emergenciais de desassoreamento do Rio Preto ao longo de 2025. Agora, o desafio é tirar o plano do papel. Já foi assinada a ordem de serviço para o início dos trabalhos em São Vicente, mas queremos ampliar isso para os demais municípios da Baixada Santista. Há um compromisso do Governo do Estado, da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística e da SP Águas para viabilizar essa execução.
Além da macrodrenagem, que outros temas devem ganhar destaque?
Temos outras pautas importantes, como a questão dos resíduos sólidos e a necessidade de um aterro regional. Também enfrentamos um subfinanciamento crônico nos municípios, que é uma realidade que une os municípios e os menores acabam sofrendo mais em razão das muitas demandas e receitas limitadas, o que nos obriga a depender de convênios com os governos Federal e do Estado e emendas parlamentares. Precisamos discutir uma distribuição mais justa dos recursos. Outro ponto importante é a integração das nossas Guardas Civis Municipais, um trabalho iniciado pelo prefeito Kayo Amado e que queremos fortalecer. Além disso, queremos avançar em temas como turismo regional e segurança pública.
O senhor vê como viável a criação de consórcios para compras públicas, mesmo diante de municípios com realidades financeiras bem diferentes?
A ideia é sensacional e tem todo o meu apoio, mas não será simples de executá-la. O Condesb é um conselho, não um consórcio, o que exige outra personalidade jurídica. Seria necessário criar um consórcio específico para depois celebrar atas e definir aquilo que é de interesse comum da região. Já temos uma experiência em andamento, como a criação de uma agência metropolitana de licenciamento ambiental, sediada em Praia Grande, como apoio dos secretários municipais de Meio Ambiente. Se conseguirmos avançar para compras em escala, como medicamentos, os ganhos para os municípios seriam enormes, mas é um processo burocrático e lento.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) fez críticas recentes às agências metropolitanas, durante entrevista concedida à rádio Fly FM. Esse tema foi debatido no Condesb?
Sim. Em 2025 houve discussões sobre um possível enfraquecimento das agências metropolitanas, mas esse entendimento mudou. O trabalho técnico desenvolvido mostrou a importância desses órgãos como suporte aos municípios. A avaliação hoje é de que as agências precisam ser fortalecidas, não enfraquecidas, para garantir planejamento e desenvolvimento regional.
Em 30 de julho de 2026, a Região Metropolitana da Baixada Santista completa 30. Como o Condesb pretende aproveitar essa data para dar visibilidade às pautas e ações metropolitanas?
É uma data simbólica e importante para dar visibilidade às pautas regionais. Queremos usar esse marco para trazer à tona os problemas que atingem a Baixada Santista, como macrodrenagem, resíduos sólidos, turismo regional, segurança pública e impactos das mudanças climáticas. Acredito que a gente pode explorar esse momento para buscar soluções e fazer com que o potencial que nós temos aqui na região se transforme em ações concretas que gerem desenvolvimento e melhorem a vida da população. Vamos celebrar esses 30 anos com muita festa, mas também muito trabalho.
Para encerrar, o senhor gostaria de acrescentar algo?
Quero agradecer a você e ao BS9 pelo espaço. Reitero meu compromisso com uma gestão democrática, técnica e colaborativa no Condesb ao lado dos demais prefeitos, ouvindo a sociedade civil e trabalhando em parceria com o Governo do Estado. Quando um município avança, cresce e resolve os seus problemas, toda a região ganha. Esse é o pensamento que vai nortear nosso trabalho pelos próximos meses.