PESQUISA BADRA 2025 - MONGAGUÁ

Aprovação de Cristina Wiazowski despenca em Mongaguá e reprovação chega a 64%, aponta Badra

Levantamento feito em dezembro mostra que prefeita perde 42,9 pontos desde a eleição suplementar; maioria vê cidade "parada no tempo" e dá notas baixas a serviços como transporte e saúde

17/01/2026 - sábado às 00h01

A prefeita Cristina Wiazowski enfrenta, no fechamento de 2025, o momento mais delicado de percepção pública desde que assumiu a Prefeitura de Mongaguá, no Litoral Sul paulista. Pesquisa do Instituto Badra, realizada em 2 de dezembro com 1.060 moradores-eleitores, aponta que 64% desaprovam a forma como a prefeita governa, enquanto apenas 23,4% aprovam — e 12,6% dizem não saber opinar.

Mais do que o retrato de um instante, o dado ganha força quando comparado ao gráfico de evolução do desempenho: o índice de aprovação caiu de 66,3% no momento em que Cristina foi eleita (junho/25) para 57,1% em agosto/25, despencando para 23,4% em dezembro/25, em uma sequência que sugere perda acelerada de fôlego político ao longo do primeiro ano de gestão.

Avaliação é morna, mas o saldo negativo pesa mais

Quando o eleitor de Mongaguá é chamado a avaliar o desempenho da prefeita em uma escala qualitativa, o resultado revela um município dividido entre a desconfiança e a resignação: 37,5% classificam a gestão como “regular”, enquanto 23,2% consideram “ruim” e 21,3% avaliam como “péssima”. Do outro lado, apenas 10,4% apontam “boa” e 1,5% dizem ser “ótima”.

Na prática, os números mostram que a administração permanece presa ao centro, mas com um detalhe crucial: quando o eleitor precisa escolher entre “aprovar” ou “desaprovar”, a balança pende com folga para o lado da reprovação.
 

Cidade “parada no tempo” vira percepção majoritária

A pesquisa também mediu o humor coletivo sobre os rumos do município e o veredito veio pesado: para 58,5%, Mongaguá “está parada no tempo e estagnada”. Outros 19,1% dizem que a cidade regrediu, enquanto 16,6% percebem crescimento e desenvolvimento.

É um tipo de dado que ultrapassa a política do dia e encosta naquilo que define a vida cotidiana de uma cidade turística, sazonal e fortemente atravessada por desafios urbanos comuns à Baixada Santista. “Quando a percepção de futuro trava, a gestão deixa de ser apenas “bem avaliada” ou “mal avaliada” e passa a ser julgada como incapaz de destravar a rotina. Algo muito comum quando há duplo comando, e que a voz mais alta é de que não foi eleito para comandar. Governar é dialogar e não se impor pela força”, argumento Maurício Juvenal, analista de dados do Instituto Badra.

Serviços públicos recebem notas baixas e transporte afunda

Se a prefeitura é o palco, os serviços são a plateia que responde sem cerimônia. No levantamento de dezembro, os moradores deram nota média 3,8 para a saúde pública e 4,1 para o ensino público. A melhor avaliação aparece em zeladoria e limpeza pública, com nota 4,4, ainda assim abaixo do patamar considerado satisfatório.

O pior resultado é o do transporte público, com nota média 3,1, sugerindo um gargalo cotidiano que costuma impactar tanto quem trabalha quanto quem depende do deslocamento interno, especialmente em cidades com bairros distantes dos eixos mais centrais e com circulação reforçada em temporadas.

Câmara distante do eleitor: “nenhum deles” lidera disparado

O mau humor não se concentra apenas no Executivo. Na pergunta espontânea sobre o vereador com melhor desempenho, o campeão foi um “candidato” simbólico: 48,3% responderam “nenhum deles”. Outros 25,8% disseram não saber.

Entre os nomes lembrados, Renatinho da Saúde aparece com 3,6%, seguido por Du Primos e Badu (ambos com 2,6%) e Baiano do Agenor (2,5%).

O dado reforça um sinal clássico de desgaste institucional: quando o eleitor não enxerga representação, ou não consegue associar nomes a entregas, a política passa a ser percebida como um ruído distante, mesmo em cidades onde a vida pública costuma ser marcada por relações próximas e cobrança direta.

Um ano que termina com alerta ligado

O levantamento da Badra em Mongaguá, excepcionalmente com dois pontos de medição no ano em razão do calendário eleitoral suplementar, sugere que a prefeita atravessa o fim de 2025 sob um cenário de erosão acelerada da aprovação e de cobrança concentrada nos serviços mais básicos, justamente aqueles que costumam definir o julgamento popular fora das redes sociais: saúde, transporte, educação e zeladoria.

E, quando a maior parte dos moradores passa a dizer que a cidade está “estagnada”, o recado é ainda mais duro do que a crítica. “É um aviso de que Mongaguá, em pleno coração da Baixada, parece ter entrado em um tipo de maré baixa de expectativas e, para reverter isso, gestão e política precisarão fazer mais do que resistir ao desgaste, isto é, terão de apresentar 3 R’s: rumo, ritmo e resultado. Até porque há 2 R’s permanentemente de olho.