PESQUISA BADRA 2025 - BERTIOGA

Avaliação da gestão Marcelo Vilares indica aprovação consolidada e trajetória de crescimento

Pesquisa aponta consolidação do governo no primeiro ano, avanço na percepção da cidade e contraste entre a aprovação do Executivo e o distanciamento do Legislativo

13/01/2026 - terça às 00h01

Ao completar seu primeiro ano como chefe do Executivo da atual gestão municipal, o prefeito de Bertioga, Marcelo Vilares, chega a dezembro de 2025 com uma avaliação predominantemente positiva por parte da população. Levantamento realizado pelo Instituto Badra, com 1.060 moradores-eleitores ouvidos presencialmente, revela que quatro em cada dez bertioguenses classificam o desempenho do governo como regular, enquanto 42% atribuem conceitos positivos (ótimo ou bom) à administração de Vilares.

De acordo com os dados, 11,1% consideram o governo ótimo e 30,9% o avaliam como bom, somando 42% de aprovação qualitativa. Outros 41,9% apontam a gestão como regular, índice que, na leitura política, indica mais expectativa e cobrança do que rejeição propriamente dita. As avaliações negativas permanecem em patamar minoritário: 6,8% classificam como ruim e 5,1% como péssima, enquanto 4,2% não souberam avaliar .

Quando a pergunta é direta — aprova ou reprova a forma de governar — os números reforçam o cenário favorável: 60,9% dos entrevistados aprovam a administração municipal, contra 24,9% que desaprovam, além de 14,2% que não souberam opinar. “Trata-se de um índice de aprovação consistente para um primeiro ano de mandato, sobretudo em um município que historicamente alterna ciclos de entusiasmo e frustração administrativa, obviamente excetuado os oito anos de gestão do prefeito Caio Matheus”, destaca o jornalista Maurício Juvenal, analista de dados do Instituto Badra.

A curva histórica levantada pela Badra ajuda a compreender esse momento. Eleito em outubro de 2024 com 68,5% dos votos válidos, o atual prefeito viu sua aprovação saltar para 75,9% em abril de 2025, depois atingiu 56,4% em agosto, antes de registrar 60,9% em dezembro, mantendo-se acima do percentual eleitoral. A leitura dos dados indica um governo que, após um pico de avaliação positiva no meio do ano, entra em fase de acomodação e atenção — fenômeno comum em cidades como Bertioga, onde a população tende a comparar a gestão corrente com experiências administrativas passadas marcadas por descontinuidade e dificuldades estruturais.


Zeladoria lidera avaliação setorial

Na avaliação por áreas, a pesquisa revela diferenças importantes na percepção dos serviços públicos. Zeladoria e limpeza urbana despontam como o setor mais bem avaliado, com nota média de 6,8, indicando reconhecimento visível das ações cotidianas de manutenção da cidade — um tema historicamente sensível em Bertioga, especialmente nos bairros mais afastados do Centro .

A saúde pública, tradicionalmente uma das áreas mais críticas para os municípios do Litoral Paulista, alcança nota média de 5,7, desempenho intermediário que sugere avanços pontuais, mas ainda longe de uma percepção de excelência. O dado reforça a leitura de que a população reconhece esforços, mas mantém alta expectativa por melhorias estruturais no atendimento .

A educação pública municipal registra nota média de 5,6, com um índice relativamente elevado de entrevistados que afirmam não saber avaliar, o que pode estar associado à percepção indireta do serviço por parte de quem não tem filhos na rede. Ainda assim, o resultado aponta estabilidade, sem rejeição expressiva, mas também sem entusiasmo generalizado .

Já o transporte público aparece como o setor mais desafiador da gestão, com nota média de 5,4 e alto índice de indecisão. O dado dialoga com uma reclamação recorrente na história recente da cidade: a dificuldade de integração entre bairros, a dependência do transporte coletivo e a expectativa por soluções mais eficientes em um município territorialmente extenso e com crescimento populacional acelerado .


Câmara Municipal: destaque individual convive com descrédito institucional

Quando o foco se desloca para o Legislativo, a pesquisa revela um cenário mais fragmentado. Na pergunta espontânea sobre o vereador com melhor desempenho, Carlos Ticianelli lidera com 10,8% das menções, abrindo vantagem sobre os demais parlamentares. O desempenho chama atenção quando comparado à sua trajetória política: reeleito em 2024, Ticianelli consolida-se como um nome conhecido do eleitorado e amplia sua visibilidade no exercício do mandato, superando, em percepção, o patamar individual de votos que obteve na eleição proporcional .

Na segunda colocação aparece Guarujá (Gilmar Barbosa), com 6,2%, seguido por Salmir Gomes, com 5,8%. Ambos formam um segundo bloco de reconhecimento público, ainda distante do líder, mas à frente de um grupo numeroso de vereadores com baixa lembrança espontânea. Em termos comparativos, o resultado evidencia que visibilidade parlamentar e votação eleitoral nem sempre caminham juntas: enquanto a eleição define cadeiras, o mandato redefine protagonismos .

O dado mais emblemático, porém, está fora do ranking individual: 31,1% dos entrevistados afirmaram que “nenhum deles” merece destaque, e outros 25,7% disseram não saber apontar um vereador. Ou seja, mais da metade da população não identifica desempenho relevante no conjunto da Câmara Municipal, um sinal de alerta institucional que dialoga com a história política local, marcada por períodos de distanciamento entre o Legislativo e o cotidiano da cidade 

Segundo Maurício Juvenal, o retrato traçado pela pesquisa Badra mostra uma Bertioga que enxerga avanços no Executivo, mantém expectativas elevadas sobre serviços essenciais e segue crítica em relação à atuação do Legislativo. “Em um município jovem, em constante expansão urbana e demográfica, os dados sugerem que o primeiro ano de governo cumpriu o papel de estabilizar a gestão — mas também deixam claro que o capital político acumulado precisará ser convertido em entregas mais visíveis nos próximos anos”, finaliza.