SÃO VICENTE

Sem salários e benefícios, motoristas fazem nova greve de ônibus municipais

Empresa que administra o transporte garantiu que faria os pagamentos, mas isso não aconteceu

01/02/2022 - terça às 15h11
Greve havia sido suspensa no dia 21 de janeiro, mas voltou nesta semana - (foto: divulgação/PMSV)

Sem receber salários, vale-refeição e outros direitos, os motoristas e demais empregados da empresa Otrantur, que opera o transporte coletivo de São Vicente, voltaram à greve suspensa em 21 de janeiro.

A paralisação se dá com base em liminar concedida no dia 19 pela desembargadora Mariângela Argento Muraro, que determina a circulação de 100% da frota nos horários de pico e de 60% nos demais períodos.

Os horários de pico são entre 6h e 9h da manhã e das 16h às 19h. A liminar não está sendo cumprida totalmente não por culpa dos trabalhadores ou do sindicato, mas sim da empresa.

Carros insuficientes
A Otrantur não tem carros suficientes para cumprir o contrato com a prefeitura. Dos 47 veículos que deveriam estar em circulação, apenas 43 saíram da garagem. 

Os trabalhadores apuram que as locadoras de veículos também não receberam pelos aluguéis e paralisaram o fornecimento por algumas horas, na manhã de segunda-feira.

Os salários, o vale-refeição e a cesta-básica venceram na segunda-feira, dia 31. A empresa deve ainda o vale-refeição de férias por assiduidade e a participação nos lucros ou resultados (plr).

A prefeitura subsidiou parte dos serviços, em valor desconhecido pelo sindicato, mas a empresa, segundo os trabalhadores, não consegue ou não quer investir enquanto a subvenção não for reajustada.

Trabalhador não acredita na empresa
Em reunião na segunda-feira com o sindicato e a comissão de trabalhadores, a Otrantur garantiu que pagaria os salários e benefícios até o final do dia, mas isso não foi feito.

Na reunião, a empresa propôs pagar, em seis vezes, a partir de 25 de fevereiro, o vale de férias por assiduidade e a plr, ambos de 2021, e as horas extras dos últimos seis meses. Mas os trabalhadores não acreditaram.

O sindicato aguarda o julgamento do dissídio coletivo pelo Tribunal Regional do Trabalho. No dia 21, os trabalhadores aceitaram a cláusula de paz do juiz Gabriel Lopes Coutinho Filho, em audiência de conciliação.

A reunião envolveu a empresa, o sindicato e a prefeitura. Por sugestão do juiz, ficou mantido o estado de greve. O sindicato aguarda sua nova manifestação no processo.