PESQUISA BADRA 2025 - ITANHAÉM
Levantamento de dezembro mostra aprovação de 23% e indica que sensação predominante entre moradores é de estagnação; índice de apoio oscila ao longo do primeiro ano de governo
Pedro Juvenal
16/01/2026 - sexta às 01h13
A avaliação do primeiro ano da gestão do prefeito Tiago Cervantes em Itanhaém, no litoral sul paulista, chega ao último quadrimestre de 2025 marcada por um dado duro: 67,5% dos moradores-eleitores dizem reprovar a forma como o governo municipal vem sendo conduzido, enquanto 23% aprovam e 9,4% não souberam responder. Os números são da pesquisa de opinião realizada pelo Instituto Badra, com 1.060 entrevistas presenciais, margem de erro de 3 pontos percentuais e 95% de confiança, em 1º de dezembro de 2025.
O retrato captado no encerramento do ano aponta também uma gestão que não conseguiu “virar a chave” na percepção coletiva: quando perguntados sobre a situação geral da cidade, 59,6% afirmam que Itanhaém está “parada no tempo e estagnada”, enquanto 19,1% dizem que o município regrediu e apenas 18,9% enxergam crescimento e desenvolvimento.
Aprovação oscila no ano e termina em patamar baixo
Um dos achados que mais chamam atenção na pesquisa é o gráfico de evolução do desempenho do prefeito ao longo do ano — uma espécie de linha do tempo do humor do eleitor. O instituto mediu a aprovação em três momentos: 100 dias (abril), 8 meses (agosto) e 1 ano (dezembro).
O resultado mostra que Cervantes começou o ano com 34,5%, quando foi reeleito. Em abril a aprovação caiu para 24,7% e praticamente se manteve estável em agosto, com 24,8%. 2025 se encerrou e a gestão de Itanhaém atingiu, em dezembro, 23% de aprovação, mantendo a trajetória de queda e estabilizando-se em um patamar baixo no fim do primeiro ano de mandato.
Em cidades com forte dinâmica sazonal, como Itanhaém — onde a população flutuante e o turismo costumam pressionar serviços urbanos — esse tipo de oscilação tende a ganhar ainda mais relevância: o que poderia ser apenas “ajuste de rota” no início do governo se transforma, ao fim do ano, em uma percepção mais consolidada de avaliação negativa.

Avaliação do governo: “regular” domina, mas soma negativa é elevada
Quando a pesquisa pede uma nota qualitativa para o desempenho do prefeito (ótimo, bom, regular, ruim, péssimo), o resultado é um misto de desalento e reprovação: 35,5% avaliam como “regular”, mas os índices de crítica pesam: 29,1% classificam como “péssimo” e 18,7% como “ruim”. Já os positivos ficam bem abaixo: 9,4% dizem “bom” e 2,8% “ótimo”, enquanto 4,5% não souberam avaliar.
Na prática, os percentuais sugerem um cenário em que a cidade não apenas cobra resultados mais concretos, como também dá sinais de insatisfação consistente com a condução do governo.
Serviços públicos: notas baixas e sensação de desgaste cotidiano
Outro indicador que reforça o clima de cobrança é a avaliação de serviços essenciais, que aparecem com médias abaixo do ideal.
Na saúde pública, a nota média é 4,1, com grande concentração de avaliações no piso: 23,8% deram nota 1 e outros 18,3% deram nota 5, desenhando um quadro de frustração e baixa confiança no atendimento.
Na educação pública, a pesquisa também registra nota média de 4,1, mas com um dado adicional revelador: 16,8% dizem “não saber” avaliar, o que pode indicar parte da população fora da rede escolar municipal ou distante do uso cotidiano do serviço.
Já em zeladoria e limpeza urbana, a média sobe um pouco, para 4,7, ainda assim distante de uma aprovação confortável e com peso grande de avaliações baixas.
O pior desempenho aparece no transporte público, que registra média 3,9 e novamente com forte presença de notas mínimas, sinalizando que o deslocamento diário permanece como um ponto sensível para a população.
Câmara Municipal: maioria não aponta “melhor vereador”
A pesquisa também revela sinais de distanciamento entre o eleitor e a política institucional. Na pergunta espontânea sobre o vereador com melhor desempenho, 52,6% respondem “nenhum deles”, e outros 20% dizem não saber.
Entre os nomes lembrados, aparecem Naldo da Bodeguita (5,8%), Zequinha (4,2%) e Professor Fernando (3,4%), mas todos em percentuais baixos, indicando pulverização e pouco protagonismo percebido.
O dado funciona como termômetro complementar: se o Executivo enfrenta desgaste, o Legislativo também não escapa de uma percepção de baixa efetividade, o que reforça o sentimento geral de estagnação apontado na pesquisa.
Quem foi ouvido
O levantamento ouviu moradores-eleitores com 16 anos ou mais, em diferentes regiões e pontos de fluxo da cidade, com cotas por sexo, faixa etária e região de moradia, além de aproximações por escolaridade e renda.
O perfil consolidado indica, por exemplo, presença majoritária de entrevistados com ensino médio (70,9%), e predomínio de renda familiar de até R$ 2.800 (62,5%), um recorte social que tende a sentir com mais intensidade problemas ligados à qualidade e ao acesso a serviços públicos.
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