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PESQUISA BADRA 2025 - PRAIA GRANDE

Mourão fecha ano com 70% de aprovação em Praia Grande e mantém fôlego mesmo após avaliação cair

Pesquisa com 1.060 eleitores mostra avaliação majoritariamente positiva da Prefeitura, percepção de cidade em desenvolvimento e "ranking" de serviços que expõe um gargalo: transporte público

Pedro Juvenal

19/01/2026 - segunda às 00h01

A administração do prefeito Alberto Mourão chega ao fim do primeiro ano de governo em Praia Grande sustentada por um indicador que, na política, costuma valer como escudo: alta aprovação popular. Levantamento do Instituto Badra, realizado no município em 3 de dezembro de 2025, aponta que 70,0% aprovam a forma de governar do prefeito, enquanto 20,6% reprovam e 9,4% não souberam opinar.

 

O número ganha força não apenas por si, mas pelo enredo que ele sintetiza, ou seja, uma gestão que oscilou ao longo do ano, caiu no meio do caminho e encerra dezembro em retomada, segundo o gráfico de evolução medido nos três quadrimestres (abril, agosto e dezembro). A série da Badra registra 63,2% nos 100 dias (abril), vai para 77,4% aos oito meses (agosto) e, agora, atinge 70,0% no fechamento de um ano.

 

Em outras palavras, o governo termina 2025 com saldo positivo, onde sete moradores de um universo de dez aprovam a gestão.

 

 

Aprovação se ancora na avaliação “boa” e no sentimento de cidade em movimento

Quando o eleitor é convidado a classificar o desempenho da gestão por uma escala tradicional (ótimo, bom, regular, ruim, péssimo), o quadro também é favorável. Em Praia Grande, 57,6% avaliam o governo como ótimo ou bom, sendo 20,2% ótimo e 37,4% bom.

 

O campo do “regular” aparece com 26,4%, sinal de que existe uma parcela relevante que não rejeita o governo, mas também não se rende ao entusiasmo. Já os críticos mais duros, aqueles que carimbam a administração como ruim ou péssima, somam 11,3% (6,2% ruim e 5,1% péssima).

 

Mas o dado que ajuda a explicar essa blindagem política é outro: 64,5% dizem que Praia Grande “tem crescido e se desenvolvido”. Apenas 24,5% enxergam a cidade “parada no tempo e estagnada”, e só 5,8% afirmam que o município “tem regredido”.

 

É como se a pesquisa descrevesse um município que, no imaginário do eleitor, preserva a sensação de avanço, percepção que, em cidades litorâneas como Praia Grande, costuma dialogar com fatores do cotidiano como pressão de temporada, mobilidade, expansão imobiliária, aumento de demanda por serviços e o desafio permanente de manter a máquina pública funcionando sob estresse.

 

Serviços públicos: zeladoria puxa a média para cima; transporte derruba a nota

Na avaliação setorial, a Badra coloca um “termômetro” direto na mão da população: notas de 1 a 10 para serviços públicos. E o ranking revela uma espécie de retrato urbano. Praia Grande parece colher bons dividendos onde o eleitor enxerga “cidade cuidada”, mas tropeça no ponto em que a experiência diária pesa,  o transporte público.

 

A melhor nota média é de zeladoria e limpeza pública, com 6,9. Na sequência, aparecem ensino público com nota média 6,1 e saúde pública com nota média 6,0. Já o transporte público recebe a pior avaliação, com nota média 5,8 e ainda registra 15,5% de “não sabe”, o que pode indicar tanto baixa utilização por parte de alguns grupos quanto dificuldade de julgamento por falta de parâmetro direto.

 

O recado é simples, mas politicamente sensível: mesmo com aprovação elevada, há uma dor concreta na rotina e ela passa pelo deslocamento, pelo tempo de espera e pela integração (ou falta dela) no tecido urbano. Em municípios que misturam bairros densos, turismo sazonal e circulação regional, mobilidade costuma ser o tipo de problema que “come” a popularidade pelas beiradas.

 

Câmara “invisível”: quase metade não vê vereador com desempenho destacado

A pesquisa também mediu, de forma espontânea, quem seria o vereador “com melhor desempenho”. E aqui, a resposta mais ruidosa não tem nome e sobrenome: 44,5% disseram “nenhum deles”. Outros 26,8% afirmaram “não sei dizer”.

 

Somados, são mais de 7 em cada 10 eleitores que não identificam uma liderança nítida no Legislativo local o que, na prática, reforça um cenário em que a política municipal se organiza muito mais pela força do Executivo e pela figura do prefeito do que pelo protagonismo da Câmara no debate público.

 

Entre os citados, aparecem Gordinho do Povo (5,3%), Serginho Sim (4,0%) e Marquinho (4,0%), em um pelotão que pontua, mas não consegue “furar a bolha” do grande eleitorado.

 

Quem respondeu a pesquisa 

A Badra ouviu 1.060 moradores-eleitores, com margem de erro de 3 pontos percentuais e confiança de 95%. O perfil tem maioria feminina (54,5%), e concentração na faixa de 25 a 44 anos (37,4%), além de uma presença relevante de 60+ (25,1%).

 

Em escolaridade, predomina Ensino Médio (79,1%), com 13,4% de superior. Na renda, a maior fatia está até R$ 2.800 (57,7%), seguida por R$ 2.800 a R$ 7 mil (36,2%). Esse desenho ajuda a entender por que serviços de impacto direto como saúde, educação, limpeza e transporte funcionam como eixo principal de julgamento. Em cidades com forte dinâmica popular, o eleitor tende a medir o governo com uma régua concreta que a do “funcionou ou não funcionou no meu dia?”.

 

A história que os números contam

A pesquisa de dezembro fecha o ano com uma espécie de síntese: o governo Mourão segue aprovado e bem avaliado, sustentado por um sentimento majoritário de que a cidade está em desenvolvimento.

 

Mas o gráfico do desempenho também avisa que o cenário não é uma linha reta: os 63,2% dos 100 dias não resistiram ao calendário, a gestão ganhou altitude em agosto e agora perde parte do fôlego, fechando 2025 com 70% de aprovação.

 

A Praia Grande que emerge do levantamento é a de um município que, ao mesmo tempo, celebra o que avança e pressiona por respostas onde a vida real aperta. Para a Prefeitura, o recado é claro: há capital político, mas ele cobra manutenção e, no ritmo veloz de cidades litorâneas da Baixada, aprovação alta pode ser menos um troféu e mais um prazo de validade.

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