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PESQUISA BADRA 2025 - PERUÍBE

Em Peruíbe, Badra registra queda na aprovação do governo Felipe Bernardo ao longo de 2025

Pesquisa feita com 1.060 eleitores mostra que gestão termina o primeiro ano com 40,9% de aprovação, enquanto 53% reprovam a forma de governar; percepção predominante é de estagnação da cidade

Pedro Juvenal

18/01/2026 - domingo às 07h24

Peruíbe chega ao fim de 2025 com uma fotografia política nítida e nada confortável para o governo municipal. O Instituto Badra, que monitora quadrimestralmente a avaliação das administrações na Baixada Santista, aponta que a gestão do prefeito Felipe Bernardo encerra o primeiro ano com 40,9% de aprovação, contra 53% de reprovação, além de 6% que não souberam responder.

 

O dado, por si só, já seria suficiente para acender o sinal de alerta na Prefeitura. Mas é o movimento da curva, mais do que o número isolado, que dá o tom do recado vindo das ruas.


Aprovação cai no ano e só ensaia reação no fim

O gráfico de evolução do desempenho mostra que a aprovação do prefeito era majoritária no início do mandato, mas perdeu força no meio do caminho. Aos 100 dias de governo (abril/25), Felipe Bernardo tinha 51,4%; em agosto/25, o índice cai para 35,2%; e, em dezembro/25, registra leve recuperação para 40,9%.

 

É o tipo de trajetória que costuma resumir, em números, um fenômeno conhecido na política municipal: a “paciência do começo” pode até existir, mas ela não dura para sempre e, quando a rotina da cidade pesa, a avaliação vira termômetro de expectativas frustradas.

 

A pesquisa foi feita presencialmente em 1º de dezembro, com 1.060 moradores-eleitores, margem de erro de três pontos percentuais e 95% de confiança, em pontos de fluxo distribuídos entre Centro, Stella Maris, Jardim Ribamar e área rural, entre outros.

 

 


Avaliação geral: “regular” lidera, mas saldo é negativo

Quando o eleitor de Peruíbe é convidado a qualificar o desempenho do governo, o sentimento dominante é o da mediania: 38,9% classificam a gestão como regular. Mas os extremos puxam o saldo para baixo: somadas, as avaliações ruim (16,6%) e péssima (21,7%) atingem 38,3%, enquanto ótima (3,0%) e boa (17,7%) chegam a 20,7%.

 

Na prática, é como se a administração estivesse presa numa espécie de “zona cinzenta”, não há colapso de unanimidade contra, mas também não se sustenta um entusiasmo forte a favor.

 

A cidade “parada no tempo”: maioria enxerga estagnação

O recado fica ainda mais evidente quando a pesquisa troca o foco do prefeito para o município. A Badra perguntou como a população vê Peruíbe hoje e a resposta mais escolhida foi direta: 55,1% dizem que a cidade “está parada no tempo e estagnada”. Apenas 27,9% afirmam que o município “tem crescido e se desenvolvido”, enquanto 15,5% percebem que regrediu.

 

Peruíbe, que vive entre o peso de ser cidade litorânea turística e a cobrança por serviços públicos permanentes para quem mora o ano inteiro, parece expressar um dilema conhecido: o cotidiano cobra muito mais do que promessas de “virada” e a percepção de estagnação tende a corroer qualquer narrativa política de curto prazo.

 

Serviços públicos: notas baixas e um padrão de cobrança

Nas áreas de serviços, os indicadores aparecem comprimidos em patamares baixos, com médias que ajudam a explicar a frieza do eleitorado.

 

Na saúde pública, o levantamento mostra uma distribuição pesada nas notas mínimas: 24,3% deram nota 1, e o índice de “não sabe dizer” foi de 2,1%.

 

Já na avaliação do ensino público, o dado que salta aos olhos não é apenas a exigência é a dúvida. A pesquisa registra 18,3% de “não sabe dizer” nessa área, um volume que costuma aparecer quando o tema não toca diretamente uma parcela do público ou quando a rede pública não está no centro do debate cotidiano de parte dos entrevistados.

 

Em zeladoria e limpeza urbana, o eleitorado novamente concentra respostas nas faixas baixas, com 17,5% dando nota 1.

 

E no transporte público, outro serviço que costuma virar barômetro de satisfação social por mexer com tempo, deslocamento e custo de vida, o levantamento aponta 10,8% de nota 1 e 15,5% de “não sabe dizer”.

 

O conjunto sugere um cenário em que o governo não enfrenta apenas oposição política, mas, enfrenta, principalmente, desconfiança prática, aquela que nasce quando a rua não sente melhora com clareza.

 

Câmara: eleitor cobra nomes e muitos não apontam ninguém

O termômetro da política local também aparece na pergunta espontânea sobre o vereador com melhor desempenho. O nome mais citado é Cristen Na Mira (22,1%), seguido por Julinho (9,1%). Cristen, aliás, fecha o ano de pesquisas Badra como o vereador com melhor de desempenho de toda a Região Metropolitana da Baixada Santista.

 

Mas o dado mais ruidoso é outro: 32,1% dizem “nenhum deles”, e 21,5% afirmam não saber responder.

 

É um indicador que costuma ter leitura dupla. De um lado, denuncia distanciamento ou descrédito; de outro, revela como a política municipal ainda patina para se conectar com o cotidiano da população, algo que pode acabar impactando não só o Legislativo, mas também a sustentação do Executivo.

 

O que a pesquisa revela sobre o clima político de Peruíbe

O primeiro ano de Felipe Bernardo termina, segundo os números, com um eleitorado dividido entre a crítica aberta e a insatisfação contida. A aprovação não desaba a ponto de inviabilizar a gestão, mas a reprovação majoritária e a percepção de cidade estagnada desenham um quadro típico de governo que perdeu tração.

 

Para 2026, a pergunta que fica não é apenas “quanto a prefeitura vai comunicar”, mas quanto conseguirá entregar de forma visível. Porque, em Peruíbe, a Badra captou uma mensagem que raramente vem com floreios: o eleitor pode até esperar mas, quando não enxerga avanço, ele desconta na régua da aprovação.

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