SÃO VICENTE
Após décadas de cigarro, Celma Buquim começou a praticar esportes aos 50 anos, e deu início a uma nova vida
Da Redação
06/03/2026 - sexta às 18h00
Durante 36 anos, o cigarro acompanhou a rotina de Celma da Silva Buquim. O hábito começou cedo, aos 14 anos, ainda na adolescência, e seguiu firme até os 50. Hoje, aos 58, a moradora do bairro Catiapoã carrega um histórico bem diferente: 55 medalhas conquistadas em competições esportivas de pedestrianismo.
Entre uma fase e outra da vida, sempre existe uma grande decisão a se tomar. Essa escolha chegou após a abertura de uma turma para aulas de ginástica no Ginásio Poliesportivo Dondinho (Travessa do Parque, 1000), no próprio bairro onde vive. Curiosa, Celma, conhecida como Celminha Buquin entre os colegas, resolveu participar das atividades oferecidas gratuitamente à população. O que parecia apenas uma tentativa de melhorar a saúde acabou abrindo caminho para algo maior.
Primeiro vieram os exercícios de ginástica. Depois de pilates. Mais tarde, a corrida. Mas o corpo ainda carregava o peso de décadas de tabagismo. "Comecei a fumar na adolescência. E aí eu fumei muito, muito. Tentei parar antes, não consegui. E aí, conforme eu ia fazendo atividade, percebia que alguns exercícios não conseguia executar, porque a minha respiração ficava muito ofegante".
Durante os treinos, a falta de ar interrompia os exercícios e reforçava a necessidade de uma mudança ainda mais profunda. Mesmo assim, ela continuava voltando às aulas. "Eu nunca desisti, nunca parei".
A decisão de abandonar o cigarro veio justamente dessa convivência com o esporte. Se queria continuar evoluindo nas atividades físicas, precisava deixar para trás um hábito que fazia parte da vida desde a juventude. "E aí eu mesmo tomando aquela decisão eu falei, não, eu vou parar de fumar, não vou fumar mais. E parei. Foi muita força de vontade".
A luta contra o vício teve seus momentos difíceis. A vontade aparecia de madrugada, o corpo reclamava e o impulso voltava, insistente. Para resistir, Celma encontrou uma estratégia simples. "E vinha aquela vontade, vinha aquela vontade, então eu acabava com potes de bala de hortelã".
Sem cigarro e cada vez mais envolvida com as atividades esportivas, o corpo começou a responder de outra forma. A disposição aumentou, a respiração melhorou e os desafios ficaram menores.
Hoje, a rotina começa cedo. Muito cedo. Celma acorda todo dia às 5h30 da manhã para treinar corrida. Durante a semana, Celma participa de aulas de ginástica localizada e pilates oferecidas pela Prefeitura. Aos finais de semana, continua se preparando para provas e eventos esportivos.
Foi assim que a mulher que começou a correr depois dos 50 anos passou a acumular conquistas. Atualmente são 55 medalhas em competições, além de três pódios conquistados com sua equipe nos Games Fitness promovidos pelo município.
A transformação que o esporte trouxe, porém, vai muito além das medalhas. Antes da mudança de rotina, Celma também enfrentou um período difícil de saúde. "Na época que eu fumava, eu tive depressão, fiquei muito mal, e depois eu tive angina. É tipo um princípio de infarto. A médica falou pra mim: a senhora tem que fazer alguma coisa. A senhora tem que se ocupar. Fazer esporte, caminhada".
Celma ouviu, e levou a recomendação a sério. "E graças a Deus hoje eu não tomo nenhum remédio e a minha depressão foi embora, tudo que eu tava ruim foi tudo embora, a partir do momento que eu comecei a fazer tudo isso aí, atividade, corrida, agora eu sou uma nova mulher".
Mãe de quatro filhos, Michele, Jaqueline, Tamires e Pedro Henrique, e avó de quatro netos, Nicolas, Júlia, Lorenzo e Arthur, ela encontra na família Buquin uma das maiores motivações para seguir ativa. "Minha família é tudo pra mim, tudo mesmo. Só tenho que agradecer a Deus por me dar essa família maravilhosa, e essa segunda chance para amá-los".
Nascida em São Vicente, mas criada durante a infância em Pedro de Toledo, Celma voltou à Primeira Cidade do Brasil aos 16 anos, e nunca mais saiu. Hoje, além de treinar e competir, participa das atividades esportivas do município e faz questão de reconhecer o trabalho dos profissionais que acompanham os alunos.
Aos 58 anos, Celminha Buquim continua acordando cedo, treinando, acumulando medalhas e planejando novas corridas.
Mas talvez a maior conquista dela não esteja no pódio. Está na decisão que tomou aos 50 anos, quando resolveu parar de fumar e descobrir até onde sua própria vida ainda poderia chegar. "Eu acho que se a pessoa tiver força de vontade e determinação, a pessoa consegue. Consegue sim", conclui Celma.
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