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Os problemas visíveis e os impactos negativos de lavar roupa hospitalar

Carlos Alberto Telles - Engenheiro especializado em segurança do trabalho

Carlos Alberto Telles

07/05/2022 - sábado às 00h00

ESG, A sigla mais famosa no mundo, refere-se a práticas mundiais voltadas para o meio ambiente, o termo tem se destacado cada vez mais e esta muito bem associado aos objetivos para o meio ambiente.

E (ENVIRONMENTAL/em português,AMBIENTAL) S (SOCIAL) G (GOVERNANÇA), é a nova forma de se referir oque as empresas estão fazendo para serem socialmente responsáveis, ambientalmente sustentáveis e administradas corretamente com os objetivos de desenvolvimento sustentável.

O processamento de roupas dos serviços de saúde é uma atividade de apoio que influência diretamente na qualidade da assistência à saúde, principalmente no que se refere à segurança, prevenção e controles de riscos à saúde e ao conforto do paciente.

Levantamentos mostraram que 70% da quantidade de roupa hospitalar é processada com sujeira sólida, como secreções, fezes e coágulos, presentes nas roupas, essas excretas acabam sendo processadas na lavagem da roupa e necessitando de muitos enxagues, as bactérias que estão nas fibras do tecido gostam de agua para se desenvolver.

Pesquisa publicada na revista científica Infection Control & Hospital Epidemiology, da editora da Universidade de Cambridge diz: - cerca de 60% dos esporos presentes antes da lavagem permaneceram na roupa hospitalar após lavagem.

Outro estudo (Bigstock) mostrou que a lavagem não elimina totalmente esporos da roupa hospitalar e observaram que a redução na carga de esporos foi de 40% após a lavagem, portanto a lavagem de roupa infectada não é suficiente para acabar com os esporos, e a contaminação hospitalar pelo bacilo Clostridium difficile é uma das que mais preocupam autoridades de saúde por sua taxa de mortalidade, que chega a 17%, talvez a resistência dos esporos na roupa hospitalar explique parte da transmissão da bactéria entre pacientes, sugerem que até 27% dos novos pacientes se tornam portadores assintomáticos do Clostridium difficile após seis semanas de internação.

Essa atividade, não tem sofrido grandes modificações nos últimos 40 anos, apenas houve apenas uma atenção relativa em relação aos riscos existentes baseados pela Lei n. 8.080 de setembro de 1990, logo após a morte de Tancredo Neves com a necessidade de um maior controle sanitário das atividades para diminuir ou prevenir riscos à saúde e os órgãos sanitários de poder intervir nos problemas sanitários decorrentes desses serviços de saúde.

As unidades de processamento de roupas de serviços a saúde “lavanderia hospitalar”, é um metodo prejudicial ao meio ambiente em virtude do alto consumo de agua para processamento da roupa hospitalar, está provocando degradação e esgotamento de bens ambientais, consomem 40 milhões de litros de agua/dia, e utilizam 190 ton./dia de produtos químicos, dentre os diversos setores, seus efluentes são os que apresentam nocividade ambiental mais acentuada, devido à presença dos poluentes em maior concentração de microrganiosmos e dos produtos químicos inseridos durante a lavagem das roupas, cerca de 50% dessa agua não é tratada e os outros 50% são tratados de forma convencional, que não removem a parte que fica suspensa que são os contaminantes bioativos que permanecem dissolvidos na agua, provocando risco a biodiversidade.

Outro assunto bastante questionado a nível mundial e de impacto ambiental, é o risco biológico cruzado, do reuso, do descarte irregular do enxoval hospitalar ou são vendidos, assim o rastro desse enxoval se perde, e grave infração sanitária também é com o lixo séptico (resíduos infectantes e biomédicos), que são gerados cerca de 253 mil ton./ano contêm microrganismos potencialmente perigosos e cerca de 60% vão parar em lixões, virou uma bomba relógio. As diretrizes da OMS, afirmam que os resíduos devem ser tratados o mais proximo possivel de onde são gerados e como método mais seguro a incineração.

É necessário nos dias de hoje uma renovação no conceito de uso e processamento do enxoval hospitalar, fica cada vez mais evidente que esse modelo econômico está se tornando insustentável, e não há dúvidas que os fatos existentes no passado e do presente sinalizam que lavar roupa infectada não é futuro para saúde humana e do meio ambiente.
Não é segredo para o setor de saúde que reprocessamento de roupa hospitalar cria um reservatório de microrganismos, o próprio manual da Anvisa afirma que elas não são estéreis, mais que sabidamente podem conter esporos.

O setor de saúde mundial está enfrentando inúmeros desafios que impõem enorme pressão sobre gestores, médicos e funcionários. Lavar roupa infectada mudança inevitável e não se sustentará nos próximos anos, o método é frágil para dar o suporte as instituições de saúde. A infecção hospitalar predomina nos quatro cantos do mundo e exige um salto qualitativo no controle.

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