Segunda, 02 de Março de 2026

DólarR$ 5,41

EuroR$ 6,34

Santos

25ºC

Nova Lei do Luto Materno e Parental entra em vigor

Suéllen Paulino

08/08/2025 - sexta às 17h24

Legislação garante direitos emocionais, simbólicos e práticos para famílias que enfrentam perdas gestacionais, neonatais e infantis

 

O Brasil deu um passo histórico no acolhimento das famílias que enfrentam perdas gestacionais, neonatais ou infantis. Entrou em vigor neste mês de agosto a Lei nº 15.139/2025, conhecida como Lei do Luto Materno e Parental, que assegura uma série de direitos emocionais, simbólicos e práticos para mães, pais e responsáveis legais que vivenciam esse tipo de luto.

 

"Até então, não havia legislação específica que garantisse tempo de luto, apoio emocional ou direitos trabalhistas nessas situações, o que deixava inúmeras famílias à margem da proteção legal, enfrentando o sofrimento em silêncio, muitas vezes sem sequer o reconhecimento institucional de sua dor", explica a advogada Suéllen Paulino.

 

Agora, isso muda. O que a nova lei assegura? De acordo com Suélen, a Lei 15.139/2025 foi pensada para oferecer acolhimento digno, sensível e respeitoso às famílias enlutadas. Ela listou os principais avanços estão:

 

- Licença-paternidade de 5 dias em casos de morte fetal (natimorto), aborto espontâneo ou perda neonatal;

 

- Direito de presença de acompanhante no parto, mesmo em situações de perda gestacional confirmada;

 

- Justificativa legal para ausências em escolas, universidades e locais de trabalho em decorrência do luto;

 

- Acolhimento psicológico e humanizado nos serviços de saúde;

 

- Registros simbólicos, como o nome da criança e o direito à despedida, quando desejado pelos pais;

 

- Reconhecimento do luto como legítimo, mesmo quando a perda ocorre antes do nascimento com vida.

 

Segundo advogada, trata-se de uma lei que compreende que a dor da perda não depende da idade gestacional ou do tempo de convivência com o bebê, mas do laço afetivo e da expectativa construída.

 

"Em um país onde, segundo dados do Ministério da Saúde, ocorrem milhares de perdas gestacionais e neonatais todos os anos, o reconhecimento do luto como uma experiência legítima e que merece proteção é um passo fundamental. A legislação rompe com o silêncio institucional que por décadas invisibilizou a dor materna e paterna, ao mesmo tempo em que impõe um novo padrão de atendimento para hospitais, escolas, empresas e serviços públicos: o de empatia, cuidado e humanidade", destaca.

 

Apesar de celebrada, a lei ainda exige regulamentação clara e capacitação das equipes envolvidas na sua aplicação, frisa a advogada. "O desafio agora é garantir que o que está no papel se traduza em prática real. Isso envolve treinamento de profissionais de saúde, de recursos humanos, de gestores escolares e do setor público, para que compreendam que luto é um processo legítimo, que exige tempo, respeito e acolhimento".

 

Suéllen Paulino reflete que a Lei do Luto Materno e Parental representa mais do que um conjunto de direitos: representa o reconhecimento do valor da vida, ainda que breve, e do direito à dor de quem sonhou, gerou e perdeu.

 

"Ao acolher simbolicamente esse luto, o Estado brasileiro reafirma seu compromisso com a dignidade da pessoa humana, desde o ventre até a memória", conclui.

Deixe a sua opinião

Últimas Notícias

ver todos

CINEMA

Confira as principais estreias dos streamings no mês de março

SP

Governo de SP lança lote de editais de difusão cultural com investimento de mais de R$ 28 milhões

SAÚDE

Presidente Lula visita a Bionovis, indústria farmacêutica de biotecnologia

2
Entre em nosso grupo