Especialista explica como a percepção da imagem influencia emoções, relações e confiança — e como procedimentos estéticos, quando bem indicados, podem contribuir para o equilíbrio entre aparência e identidade
A forma como uma pessoa se enxerga no espelho vai muito além da estética. A percepção da própria imagem está diretamente ligada à autoestima, ao comportamento social e até à qualidade de vida. Em um cenário em que a aparência ganha cada vez mais relevância — impulsionada, inclusive, pelas redes sociais — cresce também o debate sobre o papel da estética no bem-estar emocional.
Um estudo publicado no Journal of Cosmetic Dermatology aponta que procedimentos estéticos podem contribuir para a melhora da autoimagem, aumentando a satisfação com a aparência e impactando positivamente a autoestima e a qualidade de vida dos pacientes.
No Brasil, essa busca acompanha uma tendência global. De acordo com o mais recente levantamento global da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), o país está entre os que mais realizam procedimentos estéticos no mundo, refletindo o crescimento do setor e o interesse crescente por cuidados relacionados à aparência.
Segundo a cirurgiã-dentista Dra. Erika Kugler, especialista em harmonização orofacial, a relação entre imagem e autoestima está diretamente ligada à forma como a pessoa se reconhece.
“A imagem que vemos no espelho é uma parte muito concreta da forma como nos percebemos no mundo. Quando a pessoa sente que aquela imagem não representa como ela se sente por dentro, isso pode gerar um desconforto importante”, explica.
Esse desalinhamento entre aparência e percepção interna é mais comum do que parece. “Muitas pacientes relatam que se sentem ativas, cheias de energia, mas ao se olharem no espelho percebem uma expressão cansada ou triste. Isso impacta diretamente a autoestima.”
Imagem, comportamento e qualidade de vida
A forma como a pessoa se vê também influencia diretamente sua postura no dia a dia. “Quando a pessoa se sente bem com a própria imagem, ela tende a se expor mais, se comunicar com mais segurança e participar mais das relações sociais e profissionais. Isso impacta diretamente a qualidade de vida”, afirma a especialista.
No consultório, essa transformação é perceptível. “Pequenas correções que devolvem harmonia ao rosto podem gerar efeitos que vão além da estética — muitas pacientes relatam melhora na autoconfiança, na postura e até na forma como se relacionam com os outros.”
Entre a percepção e a realidade
Entre as queixas mais comuns estão sinais que transmitem emoções que não correspondem ao que a pessoa realmente sente. “É muito frequente ouvir relatos como ‘pareço sempre cansada’ ou ‘as pessoas acham que estou brava’. Sulcos marcados, flacidez ou alterações na expressão podem passar uma mensagem diferente da realidade.”
Mais do que estética, essas queixas refletem um desejo de coerência entre identidade e imagem.
Harmonização: naturalidade em foco
A harmonização orofacial tem ganhado destaque justamente por permitir ajustes sutis, com foco em naturalidade. “Hoje o objetivo não é transformar o rosto, mas valorizar as características individuais. Pequenas intervenções podem suavizar sinais, melhorar contornos e devolver equilíbrio facial sem perder a essência do paciente.”
Entre os procedimentos mais procurados estão:
• Toxina botulínica (suavização de rugas de expressão)
• Bioestimuladores de colágeno (melhora da firmeza e qualidade da pele)
• Preenchedores com ácido hialurônico (restauração de volume e contorno)
A tendência atual, segundo a especialista, é tratar o envelhecimento de forma global, com foco em regeneração e naturalidade.
Autoestima, não perfeição
Apesar do crescimento do setor, especialistas alertam para a importância de expectativas realistas.
“O papel do profissional vai além de realizar procedimentos. É orientar, educar e, muitas vezes, saber dizer ‘não’. Quando a motivação vem de uma insatisfação profunda ou de expectativas irreais, o procedimento não é o caminho.”
A busca estética, segundo a Dra. Erika, deve estar conectada ao bem-estar.
“Existe uma diferença importante entre cuidar da aparência e buscar perfeição. Hoje, a maioria das pacientes quer se sentir melhor consigo mesma — não se transformar em outra pessoa.”
Redes sociais: influência e consciência
As redes sociais ampliaram o debate sobre imagem — e também a pressão estética. “Elas aumentaram a comparação e a exposição, mas também democratizaram o acesso à informação. O desafio é usar essas referências com senso crítico, entendendo que muitos padrões não refletem a realidade.”
Um novo perfil de paciente
O perfil de quem busca procedimentos estéticos também evoluiu. “Hoje as pacientes estão mais informadas, buscam naturalidade e começam a cuidar mais cedo — não para mudar o rosto, mas para preservar características que valorizam sua identidade ao longo do tempo.”
Bem-estar como protagonista
Para a especialista, o crescimento da busca por procedimentos está mais relacionado à autoestima do que à vaidade. “São ajustes sutis que ajudam a pessoa a se reconhecer no espelho de forma positiva. Isso tem muito mais relação com bem-estar e qualidade de vida do que com padrões estéticos.”
Em um mundo cada vez mais visual, a relação com a própria imagem se torna parte essencial da saúde emocional. Mais do que seguir padrões, o desafio está em encontrar equilíbrio entre aparência, identidade e bem-estar.
Porque, no fim, não se trata apenas de como você é visto — mas de como você se reconhece.
Sobre a especialista: Dra. Erika Kugler é cirurgiã-dentista com especialização em harmonização orofacial. Atua promovendo uma estética personalizada, que respeita os limites e a identidade de cada paciente. Seu trabalho é pautado em três pilares: ciência, consciência e acolhimento.
Redes Sociais - @dra.erikakugler