Marcelo Bechara
10/02/2026 - terça às 11h20
Com o Carnaval, período em que o consumo de bebidas alcoólicas costuma aumentar no País, médicos alertam para os riscos da associação entre álcool e canetas emagrecedoras, usadas por milhões de brasileiros. Levantamento da Ipsos Health Service Report 2025 mostra que 58% da população já ouviu falar nesses medicamentos, índice acima da média global (36%), enquanto mais da metade dos brasileiros declara conhecer esse tipo de tratamento para perda de peso.
Segundo Marcelo Bechara, médico clínico e especialista em longevidade, hormonologia e reposição hormonal masculina pela Harvard Medical School, a associação entre essas medicações e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas pode aumentar o risco de hipoglicemia e de sintomas gastrointestinais intensos. “Esses medicamentos atuam na regulação do apetite e da glicemia, imitando hormônios intestinais que enviam sinais de saciedade ao cérebro. Quando há ingestão de álcool em excesso durante o tratamento, o paciente pode apresentar queda acentuada do açúcar no sangue, além de fraqueza, sudorese, náuseas, vômitos e até desmaios”, afirma.
Bechara explica ainda que o tratamento não se limita à perda de peso, mas interfere diretamente em padrões comportamentais, como compulsão alimentar e tendência a vícios. Embora a redução da vontade de consumir bebidas alcoólicas seja um dos efeitos colaterais relatados por alguns pacientes, o especialista reforça que a ingestão de álcool, especialmente durante períodos festivos, exige cautela.
“Há quem acredite que o medicamento, por si só, seja suficiente para emagrecer. Na prática, ele funciona como um complemento a hábitos saudáveis e pode ajudar na substituição de comportamentos compulsivos por uma rotina mais equilibrada, com exercícios físicos e melhor relação com a alimentação”, conclui.
Marcelo Bechara é especialista em reposição hormonal pela Harvard Medical School
Deixe a sua opinião
ver todos