Carolina Brites
08/08/2025 - sexta às 17h26
O leite materno fortalece o sistema imunológico, previne doenças respiratórias e gastrointestinais, além de criar um vínculo essencial entre mãe e filho
Em agosto, o mês é dedicado à conscientização sobre a importância do aleitamento materno, um verdadeiro escudo natural que protege os recém-nascidos contra uma vasta gama de doenças infecciosas, ao mesmo tempo em que fortalece, de forma abrangente, seu sistema imunológico desde os primeiros dias de vida. Conhecido como a “primeira vacina” da criança, o leite materno é capaz de fornecer proteção natural contra diversas doenças infecciosas, fortalecendo o sistema imunológico nos primeiros meses de vida.
Segundo a infectologista pediátrica Dra. Carolina Brites, o leite materno é um alimento completo, rico em componentes fundamentais para a defesa do organismo do bebê. “Ele possui células vivas, proteínas, aminoácidos, enzimas, fatores de crescimento, vitaminas, minerais, anticorpos e ácidos graxos de cadeia longa. Essa combinação única fortalece a imunidade da criança e contribui para uma formação saudável desde os primeiros dias de vida”, explica.
Além desses elementos, o alimento contém fatores bioativos, como a lipase, que auxilia na digestão das gorduras, e moléculas que impulsionam a maturação das células intestinais, contribuindo para a absorção de nutrientes e reduzindo o risco de infecções gastrointestinais.
Uma pesquisa publicada em julho de 2025 pela American Academy of Pediatrics (AAP) mostrou que o aleitamento materno exclusivo pode reduzir em até 55% o risco de infecções respiratórias e gastrointestinais moderadas a graves em crianças, independentemente de fatores como idade materna, escolaridade e histórico de doenças na família. O estudo reforça que a amamentação exclusiva nos primeiros meses de vida oferece proteção significativa contra essas doenças.
Mesmo quando a mãe está doente, a amamentação geralmente pode perdurar. “Em muitos casos, a mãe transmite anticorpos protetores ao bebê durante esse período. Apenas situações específicas, como infecções transmissíveis pelo leite – HIV e HTLV, por exemplo –, exigem a suspensão da amamentação”, alerta a médica.
A longo prazo, os benefícios são ainda maiores. O leite materno contribui para o desenvolvimento cognitivo, motor, social e de linguagem da criança, além de criar um vínculo afetivo essencial com a mãe. “Durante a amamentação, o olhar, o toque e a conversa entre mãe e bebê já iniciam o processo de socialização da criança”, destaca a infectologista.
Para garantir a qualidade imunológica do leite, é fundamental que a mãe mantenha hábitos saudáveis, com alimentação equilibrada, boa hidratação e prática de atividade física.
“Amamentar é um ato de amor, de vínculo e, acima de tudo, de prevenção. O leite materno não só nutre, como também protege o bebê de inúmeras doenças, trazendo benefícios duradouros para toda a vida”, conclui a Dra. Carolina Brites.
Sobre Carolina Brites
Carolina Brites concluiu sua graduação em Medicina na Universidade Metropolitana de Santos (UNIMES) em 2004. Especializou-se em Pediatria pela Santa Casa de Santos entre 2005 e 2007, onde obteve o Título de Pediatria conferido pela Sociedade Brasileira de Pediatria.
Posteriormente, especializou-se em Infectologia infantil pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e completou uma pós-graduação em Neonatologia pelo IBCMED em 2020. Em 2021, concluiu o mestrado em Ciências Interdisciplinares em Saúde pela UNIFESP.
Atualmente, é professora de Pediatria na UNAERP em Guarujá e na Universidade São Judas em Cubatão. Trabalha em serviço público de saúde na CCDI – SAE Santos e no Hospital Regional de Itanhaém. Além disso, mantém um consultório particular e assiste em sala de parto na Santa Casa de Misericórdia de Santos. Ministra aulas nas instituições de ensino onde é professora.
Carolina Brites CRM-SP: 115624 | RQE: 122965
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