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    "title": "BS9 - Valter Batista",
    "description": "Feed de notícias de Valter Batista do BS9",
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            "title": "A inércia que governa",
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            "content_html": "<p>Guarujá é uma das cidades mais ricas do país. Seu orçamento está entre os 60 maiores, entre os 5570 municípios do Brasil. Entre os paulistas, era o 17º. Riqueza e pujança na arrecadação contrastam com uma população enorme que vive em núcleos subnormais e que depende demais dos sistemas públicos, em particular de saúde e educação, áreas extremamente sensíveis para a questão social.<br />\r\n<br />\r\nA prefeitura municipal é a maior empregadora, havendo mais de seis mil servidores efetivos, embora um número baixo em proporção com a população que é crescente. Calculam-se, ainda, mais de dois mil empregos diretos e indiretos que são ligados à livre nomeação da chefia do Executivo e a contratações por parte de empresas terceirizadas, que acumulam contratos para serviços que outrora eram prestados por servidores concursados.<br />\r\n<br />\r\nTanta riqueza gerida pelas mãos de políticos eleitos deveria promover um desenvolvimento humano mais efetivo, no entanto, o município acumula resultados insatisfatórios. Está dentre as que que têm o maior número de analfabetos, a estratégia de saúde da família atende a número pequeno de pessoas, quando comparado a outros municípios de mesmo porte na região, como a Praia Grande, e tem mortalidade infantil muito superior à média estadual. Cenário triste e que poderia ser diferente, fossem as administrações municipais comprometidas com a resolução dessas questões.<br />\r\n<br />\r\nNas últimas semanas a violência também deu sinais claros de que essa inação da gestão municipal com causas tão importantes provoca consequências. Efetivo policial estadual que não aumenta, ampliação do número de agentes da guarda municipal, que deveria ter papel de proteger o patrimônio público, fazendo as vezes da polícia militar, e o crime organizado comentado aos quatro cantos da cidade como um poder paralelo que determina o que quer para a cidade.</p>\r\n\r\n<p><br />\r\nCom um prefeito acusado de corrupção e sob prisão domiciliar, vereadores suspeitos de estarem envolvidos e dinheiro da saúde e educação possivelmente desviados para campanha política e enriquecimento ilícito, a cidade perde até a esperança em dias melhores.<br />\r\n<br />\r\nE embora nada possa ser paralisado, quando a questão é a administração de uma cidade, parece haver uma força poderosa restringindo as ações governamentais, a inércia. Mais do que nunca a cidade precisa de mão firme, de clareza de ideias e objetividade na gestão do orçamento, mas acima disso, que funcionem as estruturas, que a máquina pública siga o curso que precisa ser efetivado, que não falte a merenda nas escolas e que haja remédios nas farmácias populares. E não é babaca quem reclama quando faltam os serviços públicos, talvez o seja quem não assume suas responsabilidades, por inapetência ou por incompetência, mas principalmente, quem faz da arrogância a sua arma de defesa, num momento em que mais precisamos de equilíbrio e boa governança.</p>\r\n",
            "summary": "Valter Batista - Professor de Geografia e História, especialista em Gestão Pública, Escolar, Neurociência e Psicopedagogia",
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                "Valter Batista"
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            "title": "Liberdade, ainda que tardia",
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            "content_html": "<p>A liberdade pela qual os inconfidentes mineiros lutaram estava baseada no fim de um Brasil Colônia, em que a cobrança desmedida de impostos e o pequeno retorno de seus benefícios eram marcantes. Do iluminismo saíram os conceitos que os influenciaram, de valorizar a razão, “iluminar” a mente e o futuro humano, dando ao homem conhecimento, liberdade e felicidade. Impossível a liberdade sem que as pessoas tenham a possibilidade de fazerem suas próprias escolhas, terem seus governantes mais próximos, verem seus anseios resolvidos.<br />\r\n<br />\r\nNo “Romanceiro da Inconfidência”, Cecília Meirelles nos explica o que é liberdade, “essa palavra que o sonho humano alimenta que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda”. Por ela vale a pena lutar em qualquer circunstância, dar a vida se necessário. Não há quem tenha vivido em regime de exceção e que assim o prefira; a liberdade quando conquistada torna-se parte indivisível de uma sociedade, não se imagina viver sem ela.<br />\r\n<br />\r\nComo escreveram Hannah Arendt e Jürgen Habermas, a política é parte da liberdade e tem como objetivo a garantia da vida em seu sentido mais amplo. A política é a “ética da construção social”, é o que dá sentido às relações que construímos socialmente. Política e ética estão intimamente ligadas. A primeira se baseia no plano da felicidade coletiva, é responsabilidade de toda a sociedade. A segunda está no plano da felicidade individual, visa aos meios para alcançar a felicidade de cada um. A política pode propiciar a liberdade. Por exemplo, a eleição de Tancredo Neves, pelo Colégio Eleitoral, em 1985 foi a última vez em que o povo não elegeu o Presidente do país. Começamos a ter o direito e a liberdade de tomarmos parte da política, sem restrições.<br />\r\n<br />\r\nEste ano teremos a oportunidade de irmos às urnas novamente. Cada cidadão será responsável por suas escolhas, individualmente, mas o resultado deste processo é coletivo. Devemos exercer nosso direito à liberdade de escolha com parâmetros éticos, à luz de nossos valores e das virtudes dos candidatos que escolheremos, mas a política é resultante de um coletivo, chegará ao poder quem convencer a maioria.<br />\r\n<br />\r\nÉ hora de falarmos sobre o que queremos, não de esperarmos para ouvirmos as propostas de quem quer nos convencer do que precisamos. É tempo de cobrarmos os que tiveram mandato sobre as respostas que deram aos nossos problemas e anseios. É momento de colocarmos para fora nossas angústias, não na forma de voto de protesto, mas na forma de voto de libertação, escolhendo bons políticos. Em memória de Tiradentes, vamos expurgar os políticos ruins através das urnas, pois sem votos eles não terão como voltar aos cargos que podem nos ajudar a tornar nossa sociedade mais livre e mais justa.</p>\r\n",
            "summary": "Valter Batista - Professor de Geografia e História, especialista em Gestão Pública, Escolar, Neurociência e Psicopedagogia",
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            "title": "Educação pelo retrovisor",
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            "content_html": "<p>Desde o retorno às aulas, em fevereiro, observo que as escolas tornaram-se um lugar diferente do que eram antes da Pandemia de Covid-19. Leciono Geografia do sexto ano do Ensino Fundamental à terceira série do Ensino Médio, em três escolas, de três diferentes bairros, nas redes municipal e particular de Guarujá. São 21 turmas que totalizam cerca de 730 estudantes e os desafios postos para esse trabalho estão requerendo muitas novas reflexões e abordagens.<br />\r\n<br />\r\nSe a Pandemia trouxe prejuízos na aprendizagem, isso se vê no dia a dia das aulas. Da ansiedade enquanto problema psicológico à indisciplina que tem sido observada na forma de agressividade, passando pela dificuldade de aprendizagem inerente ao fato de que as aulas remotas não puderam reproduzir o ambiente \"quente\" das trocas que se constroem presencialmente, as questões que me desafiam estão se tornando pesadas demais.<br />\r\n<br />\r\nÉ óbvio que saio todos os dias focado no que preciso executar, consciente de minha obrigação profissional e pronto para dar as respostas que considero pertinentes, no entanto, situações totalmente novas têm surgido e colocado exigências as quais não considerava que seriam papel de professor, em pleno século XXI. E nisso, residem perigos enormes, porque muitas das vezes estamos esbarrando na função da família, que educa e repassa valores, além de demonstrar a necessidade da hierarquia e da autoridade, enquanto condições de convivência em grupo, em ambientes de construção coletiva do conhecimento, como são as salas de aula.<br />\r\n<br />\r\nE se do comportamento agitado saem a desatenção, a desmotivação e a dificuldade de concentração, nos aparecem as teorias cognitivas que mostram que síndromes diversas e transtornos múltiplos precisam ser compreendidos por nós, professores, para que nossas abordagens facilitem a inclusão e aprendizagem de todos e todas.<br />\r\n<br />\r\nEm meio a isso, passou a ser condição obrigatória que nossas aulas sejam mais dinâmicas, com menos falas e mais diálogos, com menos textos e mais reflexões, com menos lousa e mais telecomunicações, o que me faz questionar se isso é de fato um avanço, por causa da dificuldade de acesso dos alunos aos recursos tecnológicos e também das condições de formação continuada e de acesso a recursos materiais e humanos para que a gente consiga cumprir com essas práticas pedagógicas.<br />\r\n<br />\r\nAlém disso, a reestruturação curricular e os novos instrumentos de controle e modelos de gestão, nos impuseram um sem número de burocracias que servem apenas para dificultar nosso trabalho, num momento em que qualquer tempo disponível para o estudo, reflexão e prática, são essenciais. É papel em demasia e solução que não chega.<br />\r\n<br />\r\nSe há questões com as quais teremos ainda que lidar por muito tempo na educação, essas são apenas algumas, mas refletem claramente que, em vez da preocupação com os prejuízos que a Pandemia consolidou se transmutar em soluções de fato para que não tenhamos uma década perdida, que se refletirá em uma geração inteira com sua formação escolar debilitada, o que mobilizou os esforços de quem comanda a educação foi apenas e tão somente a comum e nefasta retórica que Foucalt tão bem elucida na Ciência que produziu: controlar, controlar e controlar. O que será do futuro? Basta olhar pro retrovisor que ele está nitidamente representado ali.</p>\r\n",
            "summary": "Valter Batista - Professor de Geografia e História, especialista em Gestão Pública, Escolar, Neurociência e Psicopedagogia",
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            "title": "A Pandemia e a desigualdade",
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            "content_html": "<p>Guarujá tem  de seus habitantes vivendo em áreas subnormais. São cerca de 110 mil habitantes vivendo em precárias moradias, seja porque a construção não é segura, muitas em áreas de risco, ou mesmo porque não possuem as garantias legais de propriedade, estando sempre sob a ameaça de serem incomodados por autoridades, com objetivo de retirarem essas pessoas de suas casas. Se fosse uma cidade separada do restante de Guarujá, a periferia estaria entre as maiores 324 cidades brasileiras, que são as que apresentam mais de 100 mil habitantes, dos 5570 municípios brasileiros. E quem olha por esta Guarujá?<br />\r\n<br />\r\nA pandemia da Covid-19 começou pelas áreas mais ricas. Veio do exterior, em aviões e navios, e espalhou-se entre os mais ricos primeiro, para depois ganhar as periferias. Nas casas estruturadas, as medidas protetivas indicadas, como lavar as mãos, usar álcool em gel ou mesmo evitar o contato social, parece  coisa fácil. Mas nas periferias, as medidas de higiene indicadas, somadas ao isolamento social, tornam-se sentença condenatória. As autoridades pedem das pessoas o que muitas não têm, porque não é acessível a elas uma moradia organizada e estruturada. Dessa maneira, as medidas de proteção tornam-se mais um elemento de desigualdade, e a consequência é que se amplia ainda mais a curva de contágio nestas localidades. Sem acesso à água tratada, ou com acesso precário, como vemos acontecer por aqui, a possibilidade de bloquear a expansão do vírus diminui exponencialmente. Além disso, como falar em isolamento, para pessoas que lutam pela sobrevivência a cada dia? A fome e as necessidades básicas de sobrevivência obrigam essas pessoas a irem pras ruas, lutar pelo pão de cada dia. <br />\r\n<br />\r\nE se este problema é grave, na gestão pública mais direta, há outra questão igualmente relevante. Os hospitais públicos estão no cerne desta discussão.<br />\r\n<br />\r\nGuarujá não tem leitos hospitalares na quantidade adequada para o atendimento da população. Normalmente vemos pessoas pedindo intervenção de políticos para conseguirem vagas de internação ou mesmo atendimento médico. Em meio à Pandemia, foi necessário investir milhões na construção de estrutura de atendimento provisória, denotando que a falta de planejamento dos governos foi a responsável por esta situação infeliz, porque o dinheiro que sempre faltou para garantir uma saúde melhor, teve que aparecer para evitar que mais pessoas morressem sem atendimento neste momento.</p>\r\n\r\n<p><br />\r\nEstão aí duas questões estruturais. Se a cidade abriga tantos problemas desta natureza, por que não se resolvem eles primeiro, uma vez que isso poderia ajudar no enfrentamento de crises com esta Pandemia? Moradias regularizadas e dignas e um sistema de saúde atendendo bem à população são duas medidas emergenciais, e a Pandemia demonstra isso nos números.<br />\r\n<br />\r\nOs bairros com maior densidade populacional, maior quantidade de idosos e com menos acesso à água tratada, são os lugares em que o Coronavírus está encontrando a oportunidade de proliferação mais sustentada. As medidas emergenciais de enfrentamento à doença precisam considerar que não há caminho seguro, que não seja o de assegurar dignidade de moradia e atendimento de saúde eficiente e eficaz às pessoas. A crise passará, mas esses problemas seguirão existindo, por isso, é mais do que necessário que tenhamos clareza \"do que se pretende fazer depois que tudo acabar\".</p>\r\n",
            "summary": "Valter Batista - Professor de Geografia e História, especialista em Gestão Pública, Escolar, Neurociência e Psicopedagogia",
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            "title": "2022 ou 2020 versão 3.0",
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            "content_html": "<p>Quando chega um ano novo o que mais se ouve é sobre felicidade. Um ano próspero, com saúde, paz, alegria e realizações foi o que mais ouvi e o que mais desejei a quem cumprimentei. E este 2022 é mais um ano de tempestade perfeita. Tem eleições, Copa do Mundo e a versão 3.0 da Pandemia de Covid-19.<br />\r\n <br />\r\nSe lá em 2020 não sabíamos muito bem o que enfrentaríamos e fizemos previsões de todos os tipos, passados mais de vinte e quatro meses dos primeiros casos e mortes por essa doença, o que temos é um cenário desolador.<br />\r\n <br />\r\nEu costumo observar os anos pós-Bolsonaro com um enorme desprezo, uma terrível dor e muita desilusão. As portas que se abriram parecem ter ligação com as trevas em relação a muitos temas. Mais armas circulando, políticas sociais maltratadas, questões sociológicas relegadas a uma condição secundária, economia desacertada, em nome de um movimento que se diz em prol da família e da Pátria, como se isso realmente fosse mais relevante do que sobrevivermos com dignidade, diante de um momento tão crítico como este que estamos enfrentando.<br />\r\n <br />\r\nVoltamos a ver uma maior circulação de pessoas na nossa Baixada Santista em virtude da temporada de verão, e os costumes que se esperava que fossem alterados, com mais máscaras e menos aglomerações, seguiram como antes. A vacinação da maioria da população adulta parece ter nos concedido imunidade total. A redução da testagem e a despreocupação com os sintomas de síndrome gripal são a bomba relógio que estava armada para um novo ciclo de contágios e riscos para a saúde pública e a economia. Sim, uma caminha junto da outra e isso está muito claro. Sem saúde não há economia que resista.<br />\r\n <br />\r\nVoltaremos às aulas em alguns dias e a tendência de ampliação do número de casos é um fato que vamos comprovar. E é fundamental que a gente compreenda que se dá praia, tem que dar escola cheia de alunos também. Não podemos mais ignorar que o grande problema da Pandemia é a gestão lenta e conspiratória das Políticas e um embate maluco entre os que compreendem que os caminhos são os que a ciência nos ensina, em contraponto com aqueles que seguem negando a realidade.<br />\r\n <br />\r\nNão enxergo que estejamos saindo melhores da Pandemia, talvez até tenhamos aprendido muito com o sofrimento, tanto como podemos ser melhores pessoas, quanto como devemos nos proteger de muitas pessoas que se mostram humanos do pior tipo.<br />\r\n <br />\r\nOs desejos para um ano realmente novo precisam ser repetidos, com fé, crença em dias melhores, resistência crítica a tanta barbaridade e resiliência, mas acima de tudo, com atitudes que nos permitam reorganizar a sociedade para uma direção que não seja a das trevas. Se há caminhos, isso também passará pela decisão de cada um dos eleitores deste país no final do ano. Consciência do que vivemos hoje, memória do país que já tivemos e esperança em dias melhores.</p>\r\n\r\n<p><em>*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal BS9</em><br />\r\n </p>\r\n",
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            "date_published": "2022-01-20T14:52:00+00:00",
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            "title": "Um ano que durou dois",
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            "content_html": "<p>A Pandemia causada pelo coronavírus afetou demais a Educação. Ao final deste ano letivo ampliaram-se os desafios de fazer uma Educação Inclusiva e Democrática, num país de enormes desigualdades socioeconômicas e regionais. A certeza que temos é a de que será bem mais difícil avançarmos na melhoria da qualidade da educação, caso não tenhamos planejamentos muito bem estruturados e que sejam colocados em prática ao longo das próximas duas décadas. Sim! Os problemas estruturais antigos se somaram a novos dilemas e o resultado disso é uma amálgama que só pode ser superada com muito trabalho coletivo e duradouro.<br />\r\n <br />\r\nO acesso à educação, antes pensado a partir da presença na sala de aula de uma escola, hoje deve ser oferecido também através de conectividade tecnológica, de modo a incluir o máximo possível de estudantes no universo da internet, preparando cidadãos para um mundo que já está aí, mas onde a maioria não adentrou. E muito embora essa seja uma problemática complexa, torna-se ainda mais desafiador o fato de que há milhões de brasileiros distantes da sala de aula por falta de transporte escolar ou condições econômicas, sociais e familiares para frequentarem as aulas.<br />\r\n <br />\r\nA estrutura das escolas também ainda é uma causa que justifica um desempenho tão frágil da educação brasileira. Ampliar a quantidade de escolas não é suficiente, se nelas não há bibliotecas, laboratórios, quadras esportivas em número suficiente e funcionando no cotidiano das aulas.<br />\r\n <br />\r\nAlém disso, há a carreira docente, das equipes gestoras e pessoal de apoio. Formação de excelência, educação continuada e apoio à pós-graduação, remuneração digna, evolução funcional meritocrática, ambientes de trabalho seguros e estruturados, por todos estes pontos perpassam os desafios de trabalhar por uma educação melhor para as pessoas.<br />\r\n <br />\r\nE diante de tudo isso, somaram-se os problemas que a Pandemia nos trouxe. Por conta do desemprego e da recessão econômica, a vida das famílias piorou. Mais gente adentrou a linha da miséria e ocupou o mapa da fome. E pensar nisso remete novamente a questões que estarão dentro das escolas. Merenda escolar, que sempre foi importante, passou a ser essencial na retomada para uma melhoria da educação. Garantir que a alimentação de crianças e adolescentes, e também de adultos, seja entregue, é fundamental. Acesso a materiais escolares, além da conectividade para melhorar sua formação passou a ser primordial.<br />\r\n <br />\r\nNovidade nenhuma até aqui. Mas reforça a necessidade de alertarmos para questões antigas e que requerem soluções novas. E é notório que também devem ser consideradas as problemáticas da saúde mental dos estudantes, a insegurança, ansiedade, depressão, comuns a ambientes escolares, e que tornaram-se agora mais um enorme desafio para professores e gestores. A meu ver, ampliar equipes escolares com a presença de profissionais de psicologia, psicopedagogia e assistentes sociais seria medida urgente, em apoio à elaboração e prática de planos de contingência para que os rumos educacionais sejam orientados para um futuro melhor de nossa sociedade.<br />\r\n <br />\r\nTambém investir no diálogo aberto e constante com as famílias, para que o acompanhamento pedagógico dos estudantes seja efetivado de maneira a facilitar a aprendizagem significativa. Formar os pais e mães para este novo momento da educação deveria ser um objetivo para nossas escolas.<br />\r\n <br />\r\nDiante de tantos fatos, o que precisamos é, sem dúvida, de um alinhamento de todas as forças sociais, políticas e econômicas em prol de uma educação de qualidade para todas as pessoas, num país que carece demais das pessoas para crescer e se tornar mais justo para elas mesmas.</p>\r\n\r\n<p>Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal BS9</p>\r\n",
            "summary": "Valter Batista - Professor de Geografia e História, especialista em Gestão Pública, Escolar, Neurociência e Psicopedagogia",
            "date_published": "2021-12-20T20:54:00+00:00",
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            "title": "O dilema da Educação de Jovens e Adultos em Guarujá",
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            "content_html": "<p>A prefeitura de Guarujá, através de sua secretaria de Educação, está reestruturando a Educação de Jovens e Adultos, com fechamento de algumas escolas e criação de pólos centralizados em dois locais, para atender à demanda de alunos a partir de 2022. Essa medida se baseia em um diagnóstico que não parece fazer muito sentido, porque a crise pela qual passamos, aponta para a necessidade de ampliar a oferta de opções para matrícula, em vez de um fechamento das opções existentes.<br />\r\n <br />\r\nNeste sentido, busquei pontuar algumas questões que considero relevantes para um bom debate acerca dessa temática.<br />\r\n <br />\r\n1) Há demanda por cursos de EJA, mas não há matrículas suficientes neste semestre, DEVIDO AO MOMENTO DA PANDEMIA, somado ao problema grave da ECONOMIA EM ESTAGFLAÇÃO, que vem corroendo empregos.<br />\r\n <br />\r\n2) O projeto pedagógico da EJA, em Guarujá, precisa ser atualizado, de modo a ofertar saídas para os estudantes, que vislumbram além da formação para a cidadania, um foco maior no mundo do trabalho, pois precisam se preparar para esses desafios.<br />\r\n <br />\r\n3) A evasão escolar na EJA é elevada e esse problema precisa ser enfrentado com medidas que permitam sua redução, uma vez que isso interfere demasiadamente na permanência e continuidade dos estudos para a maioria dos estudantes.<br />\r\n <br />\r\n4) A EJA não é apenas uma modalidade de ensino, mas uma POLÍTICA PÚBLICA EFETIVA DE REPARAÇÃO SOCIOECONÔMICA, uma vez que ataca a baixa escolaridade da população, ampliando os ganhos sociais e econômicos inerentes a este processo, que pode preparar mão de obra melhor qualificada e, consequentemente, com maior potencial produtivo e de ganho salarial.<br />\r\n <br />\r\n5) Questões complexas como o aumento da escolarização da população mais vulnerável são fundamentais, estando no centro dos desafios a serem enfrentados pela Nação, sobretudo porque isso melhora a performance em indicadores sociais e econômicos, como o exemplo do IDH-M, mas também porque se apresenta como Objetivo do Desenvolvimento Sustentável.<br />\r\n <br />\r\n6) Pensar soluções para ampliar a escolarização da população é fundamental para reduzir a pobreza e a miséria, por isso, a EJA deveria ser objeto de mais proximidade dos olhares técnicos do órgão de gestão educacional, a partir de um monitoramento para que as causas desses problemas estivessem mapeadas e melhor explicadas: por que a evasão é tão alta?; por que a assiduidade é tão comprometida?, por que a aprendizagem não é tão significativa e qual o nível real de desenvolvimento das competências básicas esperadas para esses alunos?; qual é o custo da baixa escolaridade, na forma de violência urbana, desemprego, subemprego, dentre outras questões?<br />\r\n <br />\r\nO fato é que as decisões sobre a EJA, assim como na Educação Municipal como um todo, não são tomadas a partir de um processo democrático.<br />\r\n <br />\r\nNão ouvem os alunos, professores, gestores, acho até que nem ouvem a própria coordenação dessa modalidade de ensino. Medidas como essa do fechamento de escolas, seguem a lógica economicista, da educação como custo, não como investimento. Numa cidade  que tem baixíssimos índices de escolarização de sua população adulta, estando entre as piores do Brasil, do estado de SP e da região metropolitana, um fato que deveria ser planejado e perseguido é o aumento da escolarização da população mais vulnerável, porque isso amplia a sua capacidade produtiva, ativando a economia de uma cidade que precisa gerar e distribuir riqueza com urgência.<br />\r\n <br />\r\nA preparação para o exercício da cidadania plena exige um enfrentamento aos problemas  advindos da baixa escolarização, que acarreta um letramento insuficiente para que a população adulta seja inserida com dignidade na sociedade. A EJA pode ser uma excelente oportunidade de formação para o \"mundo do trabalho\", no sentido ontológico, não apenas com o olhar da empregabilidade, mas a partir da reflexão necessária para que se consiga enfrentar o desafio de preparar pessoas para o mundo do trabalho, numa sociedade sem emprego, o que afasta muitos da escola, pela falta de perspectiva objetiva em relação ao ganho que a escolarização promove para as suas vidas.<br />\r\n <br />\r\nA geografia de Guarujá é perversa com os mais vulneráveis. A cidade centraliza muitos serviços, quando deveria ampliar ao máximo a sua capilaridade. Ter mais escolas abertas significa ampliar o acesso à educação, o que é mais democrático e justo.<br />\r\n <br />\r\nDentre tantas questões, também precisamos pensar no que afeta a qualidade do trabalho desenvolvido nas salas de aula. Melhorar a qualidade de educação é um desafio que passa pela ampliação da autonomia do trabalho que se desenvolve nas escolas, mas também é fundamental que as diretrizes sejam claras.<br />\r\n <br />\r\nO projeto pedagógico da EJA precisa ser construído coletivamente. Talvez esteja na hora de repensar a estrutura curricular e iniciar uma transição que insira no currículo da EJA uma ênfase maior no letramento, na preparação para o mundo do trabalho e no exercício pleno da cidadania de direitos, através de uma concepção educacional mais dialógica e participativa. A estruturação dos espaços de trabalho precisa ser repensada, de modo que haja recursos materiais disponíveis para colocar o currículo da EJA \"em movimento\", como por exemplo, conciliando as aulas teóricas com visitas técnicas, aulas práticas, oficinas criativas e até mesmo uma inserção de educação profissional de nível básico como alternativa para os alunos.<br />\r\n <br />\r\nUm sistema educacional formatado a partir de um projeto pedagógico consistente pode também ofertar materiais didáticos modernos, com conteúdos disponíveis em plataformas tecnológicas que facilitem a aprendizagem, mesmo fora do espaço escolar, lembrando que parcela considerável do público escolar é uma classe trabalhadora que tem dificuldades de estar presente na escola, o que gera desafios na continuidade da sua aprendizagem.<br />\r\n <br />\r\nSe há caminhos a serem seguidos neste momento, em relação à Educação, jamais seria o de fechar escolas, mas sim o de oportunizar a mais pessoas o direito à dignidade de estudar, porque este é um direito fundamental do ser humano.</p>\r\n\r\n<p>Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal BS9</p>\r\n",
            "summary": "Valter Batista - Professor de Geografia e História, especialista em Gestão Pública, Escolar, Neurociência e Psicopedagogia",
            "date_published": "2021-11-20T19:17:00+00:00",
            "date_modified": "2026-07-13T19:00:52+00:00",
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            "title": "Não tinha como dar certo",
            "url": "https://www.bs9.com.br/coluna/valter-batista/2021/10/20/nao-tinha-como-dar-certo.html",
            "content_html": "<p>Era possível imaginar que o país estaria pior, após praticamente três anos do governo Bolsonaro. Durante o processo da disputa eleitoral que o elevou à condição de presidente, através de um processo em que a Democracia foi acintosamente violentada pelas farsas conduzidas na Operação Lava-Jato, já se via que \"de onde nada se espera, daí é que não sai nada mesmo\".<br />\r\n <br />\r\nPlanos para a economia, dizia não saber, mas nas mãos de Paulo Guedes, seria implantado um Estado mais eficiente e liberal, com o agronegócio valorizado, amarras de proteção ambiental desfeitas, apoio para a ampliação de atividades de garimpo e mineração, e privatizações, reformas tributária e trabalhista, além de foco no comércio ampliado com Estados Unidos em detrimento da China.<br />\r\n <br />\r\nNão tinha como dar certo! Paulo Guedes enxerga um Brasil que não existe, em que viajar de avião e acesso à Universidade devem ser privilégio de poucos, e a garantia de futuro dos assalariados deveria ser assentada com investimentos na Bolsa de Valores, como se os trabalhadores brasileiros tivessem mesmo essa sobra de recursos para aplicar.<br />\r\n <br />\r\nEm sua agenda, o amanhã resolverá tudo. No horizonte de seu planejamento o futuro é de céu azulado e sem turbulências. \"O Brasil vai voar alto\". \"Podem acreditar\", ele costuma dizer. A Pandemia escancarou de vez seus equívocos, quando previa que um auxílio emergencial de duzentos reais seria suficiente para atender às famílias desamparadas pela crise da Covid-19. Não fosse a atuação aguerrida da oposição no Congresso, aliada à pressão popular que clamava por ajuda, estaríamos ainda piores, neste momento de aumento da pobreza e da fome para milhões de brasileiros desempregados, que foram amparados pelo auxílio emergencial.<br />\r\n <br />\r\nAo ver a fila de pessoas disputando ossos no \"bota fora\" de um mercado, o sentimento de desespero nos toma por completo. Enquanto os preços aumentam, o PIB não cresce e o desemprego persiste, a esperança desvanece, e a certeza de que tudo isso era previsível, se reforça. O Brasil não é para amadores. O país precisa de políticas públicas de proteção social, de investimentos públicos para fomentar o desenvolvimento, de um Estado forte e protetor dos mais vulneráveis, mas, principalmente, de uma gestão séria e competente. Não essa, capitaneada por um investidor especulativo que esconde sua riqueza em paraíso fiscal, bravateiro dos piores e filhote da Ditadura mais sanguinária da América Latina, o Chile de Pinochet, que até hoje paga alto preço pelos equívocos na condução de suas políticas sociais e previdenciária.</p>\r\n",
            "summary": "Valter Batista - Professor de Geografia e História, especialista em Gestão Pública, Escolar, Neurociência e Psicopedagogia",
            "date_published": "2021-10-20T19:38:00+00:00",
            "date_modified": "2026-07-13T19:00:53+00:00",
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            "title": "Corrupção mata!",
            "url": "https://www.bs9.com.br/coluna/valter-batista/2021/09/20/corrupcao-mata.html",
            "content_html": "<p>A prisão do prefeito Válter Suman e do secretário de Educação Marcelo Feliciano Nicolau, em virtude da OPERAÇÃO NÁCAR, que se baseia em denúncias de desvios de dinheiro da Saúde, trouxe a Guarujá uma avalanche de preocupações, e é evidente que deixou muita gente abismada com as cenas que ganharam o noticiário nacional, maculando novamente o nome e a imagem de uma cidade que se destaca por escândalos e crimes políticos.<br />\r\n <br />\r\n\"Como pode um médico estar envolvido em um esquema de desvio de dinheiro, que deveria estar sendo usado para salvar a vida das pessoas\"? Logo ele que fez um juramento, comprometendo-se a cuidar da saúde de seus pacientes, e que elegeu-se duas vezes travestido sob o manto da honestidade e da moralidade, falando em nome de Deus o tempo todo.<br />\r\n <br />\r\nSuman está sendo acusado de desviar dinheiro que deveria evitar mortes na Pandemia. Hospital de Campanha, empresa contratada para higienização de praças e locais de grande circulação de pessoas, contratação de pessoal, tudo em que se investiu, hoje está sob a mácula de ter corrupção envolvida. Se durante seu primeiro mandato tinha erigido uma imagem de homem probo, os fatos que levaram à sua prisão comprovam que há muito o que explicar.<br />\r\n <br />\r\nNotícias dão conta de que foram apreendidas jóias em grande valor e cerca de três milhões de reais em dinheiro vivo, nos imóveis que foram objeto de operação de busca e apreensão. É dinheiro maior do que a soma de seus salários de prefeito durante o mandato, seis vezes mais do que seu patrimônio declarado à Justiça Eleitoral na última eleição. Veículos apreendidos, imóveis sob guarda da Justiça, alguns deles com suspeita de terem sido adquiridos ilicitamente, uma enormidade de acusações, iniciadas por um dos gestores da entidade que cuidava das unidades de saúde do município. Enquanto réu, deve ter o direito da dúvida sobre si, mas as evidências de que existe crime sendo cometido contra o patrimônio público, enoja quem perdeu parentes para doenças, numa cidade em que faltam leitos hospitalares e remédios.<br />\r\n <br />\r\nMeses atrás essas mesmas denúncias foram apresentadas na Câmara Municipal. Entretanto, não foram motivo para indignação da população ou para gerar desconfiança acerca de possíveis desmandos de parte de Suman e de seu governo. Apresentada duas vezes, a denúncia não prosperou nem para ser investigada, embora tenha sido bombástica e recheada de elementos que demonstravam haver algo errado neste \"Reino de Guarujá\"! Não se ouvia clamor por justiça, não houve dúvida, e, durante meses, a vida seguiu, como se nada de grave justificasse a desconfiança em relação ao prefeito ou mesmo ao seu secretário de Educação (que havia sido Ouvidor Municipal e secretário de Cultura e Turismo), homem que tinha sido gravado discutindo sobre devolver chaves de carros cedidos pelo empresário e de desocupar um apartamento, onde residia, também de propriedade desse fornecedor da prefeitura, caso gravíssimo de uma possível corrupção ativa, mas que somente lhe garantiu seguir administrando o maior orçamento da Prefeitura, da Educação Municipal, sem nenhum constrangimento que pudesse colocar sua nomeação em risco.<br />\r\n <br />\r\nMas há o ditame popularizado da Escritura, \"e conhecereis a Verdade!\". E a ação policial iniciada na madrugada de terça para quarta-feira, trouxe a \"cavalaria\" para a Ilha de Santo Amaro, pronta para diligências que objetivavam desmontar um esquema de corrupção das mais nojentas que se pode tomar conhecimento.</p>\r\n\r\n<p>Nada era novidade, mas sob a luz dos \"giroflex\" de viaturas da PF, as denúncias se mostraram bombas atômicas para a cidade. Eis que \"A verdade vós libertará\"!</p>\r\n\r\n<p>A cidade se livra de uma dúvida, embora o segredo de Justiça não nos permita conclusões, todas elas ainda no campo das especulações e do diz-que-diz, mas que nos permitem comemorar um fato: o Ministério Público Federal e a Polícia Federal estão fazendo o trabalho para o qual existem. Corrigem a falha do Legislativo que se omitiu e não cumpriu seu papel de fiscalização, sabe-se lá por quê. Afastam do poder uma pessoa acusada de ilícitos. Evitam, com isso, que mais ilícitos sejam cometidos. A contradição de uma prisão que pode ser a libertação de um povo oprimido pela corrupção, pelos desvios, pela triste realidade de miséria e pobreza crescentes, enquanto políticos seguem juntando dinheiro para novas eleições, para seus projetos de poder e de mais corrupção. Um ciclo sem fim.<br />\r\n <br />\r\nNessa semana havia mais de dez pacientes aguardando vaga em UTI, correndo risco de morte, por falta de vaga em Guarujá. Não acho certo tripudiar dos indivíduos presos. Considero triste a situação em si, e realmente não vejo motivo para comemoração. Sobretudo do ponto de vista do que isso representa para a imagem da cidade, contudo, de outro prisma, precisamos sim comemorar a atuação dos órgãos de fiscalização e valorizar muito o acontecimento, corajoso, digno de lavar a alma de quem luta contra a corrupção e pela moralização da Política, porque os fatos graves demonstram que, talvez, em alguma medida, a impunidade esteja \"sob risco\" de passar a ser tratada como um mal enorme para a sociedade, e falarmos claramente, com todas as letras, que esse tipo de prisão representa uma vitória para a sociedade, é salutar e fundamental!</p>\r\n",
            "summary": "Valter Batista - Professor de Geografia e História, especialista em Gestão Pública, Escolar, Neurociência e Psicopedagogia",
            "date_published": "2021-09-20T03:00:00+00:00",
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            "title": "A democracia em risco",
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            "content_html": "<p>Steven Levitsky e David Ziblatt, no best seller Como as Democracias Morrem, apresentam elementos que demonstram os sinais de autoritarismo de um governante, quando este trabalha pela ruptura democrática. Bolsonaro preenche todos. Rejeita as regras do jogo democrático, nega a legitimidade de seus oponentes políticos, encoraja a violência e tolera esta prática, ataca a imprensa e reforça o tempo todo que seus oponentes não deveriam ter as mesmas liberdades que os seus apoiadores, anunciando o tempo todo que governa para os seus, e que quem não estiver satisfeito, paciência.<br />\r\n <br />\r\nMais ainda, porque Bolsonaro incita ataques às Instituições, como ao Supremo Tribunal Federal e ao Congresso Nacional, eleitos inimigos dos interesses de seu mandato. Além disso, desdenha de regras constitucionais, ameaçando descumprir decisões judiciais com as quais não concorda, sem ruborizar. Em meio a esta disputa de narrativas acerca do caminho que seu mandato percorre, incentiva uma polarização entre os que, pretensamente, defendem tradições familiares e valores liberais na economia e os que se interpõem na defesa de direitos das minorias e de um Estado mais presente na economia. Divide o País, em vez de buscar sinergias e convergências.<br />\r\n <br />\r\nEsses são fatos que venho registrando há tempos, e parte deste artigo foi escrita há mais de um ano, o que facilita uma retomada do tema, que torna-se, dia após dia, ainda mais atual. A agenda do tradicionalismo é uma distorção histórica e beira o anacronismo. O Talibã, partido político que retoma o poder no Afeganistão, mantém as mesmas agendas por lá, com impactos grandes e repercussão mundial em relação a questões como a igualdade de gênero, o respeito às minorias e os direitos humanos. Bolsonaro é uma farsa. Envolvido em suspeitas de crimes, como no inquérito das rachadinhas ou nos ataques sistemáticos ao sistema eleitoral e a Instituições Democráticas, tanto ele quanto seus filhos e apoiadores têm prestado um desserviço ao País, mostrando-se antipatriotas e irresponsáveis.<br />\r\n <br />\r\nSe temos ainda o que construir, isso passa pela destruição total e imediata dessa agenda bolsonarista, apegada ao passado e enraizada no autoritarismo.</p>\r\n\r\n<p> </p>\r\n",
            "summary": "Valter Batista - Professor, especialista em gestão pública",
            "date_published": "2021-08-20T19:01:00+00:00",
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            "title": "A democracia em risco",
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            "content_html": "<p>Steven Levitsky e David Ziblatt, no best seller Como as Democracias Morrem, apresentam elementos que demonstram os sinais de autoritarismo de um governante, quando este trabalha pela ruptura democrática. Bolsonaro preenche todos. Rejeita as regras do jogo democrático, nega a legitimidade de seus oponentes políticos, encoraja a violência e tolera esta prática, ataca a imprensa e reforça o tempo todo que seus oponentes não deveriam ter as mesmas liberdades que os seus apoiadores, anunciando o tempo todo que governa para os seus, e que quem não estiver satisfeito, paciência.<br />\r\n <br />\r\nMais ainda, porque Bolsonaro incita ataques às Instituições, como ao Supremo Tribunal Federal e ao Congresso Nacional, eleitos inimigos dos interesses de seu mandato. Além disso, desdenha de regras constitucionais, ameaçando descumprir decisões judiciais com as quais não concorda, sem ruborizar. Em meio a esta disputa de narrativas acerca do caminho que seu mandato percorre, incentiva uma polarização entre os que, pretensamente, defendem tradições familiares e valores liberais na economia e os que se interpõem na defesa de direitos das minorias e de um Estado mais presente na economia. Divide o País, em vez de buscar sinergias e convergências.<br />\r\n <br />\r\nEsses são fatos que venho registrando há tempos, e parte deste artigo foi escrita há mais de um ano, o que facilita uma retomada do tema, que torna-se, dia após dia, ainda mais atual. A agenda do tradicionalismo é uma distorção histórica e beira o anacronismo. O Talibã, partido político que retoma o poder no Afeganistão, mantém as mesmas agendas por lá, com impactos grandes e repercussão mundial em relação a questões como a igualdade de gênero, o respeito às minorias e os direitos humanos. Bolsonaro é uma farsa. Envolvido em suspeitas de crimes, como no inquérito das rachadinhas ou nos ataques sistemáticos ao sistema eleitoral e a Instituições Democráticas, tanto ele quanto seus filhos e apoiadores têm prestado um desserviço ao País, mostrando-se antipatriotas e irresponsáveis.<br />\r\n <br />\r\nSe temos ainda o que construir, isso passa pela destruição total e imediata dessa agenda bolsonarista, apegada ao passado e enraizada no autoritarismo.</p>\r\n\r\n<p> </p>\r\n",
            "summary": "Valter Batista - Professor, especialista em gestão pública",
            "date_published": "2021-08-20T19:01:00+00:00",
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            "title": "A vacina que precisamos",
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            "content_html": "<p>O país vive um dilema difícil de ser compreendido. A luta contra a corrupção, que deveria ser o princípio da mobilização democrática, deu lugar à luta pela corrupção menos pior. Não, eu não acredito que esse seja mesmo o pior dos problemas, tampouco considero um tema desimportante. Mas é emblemático que, em meio à pior Pandemia da história contemporânea, estejamos vivenciando a rotina comum dos superfaturamentos e das propinas na compra de vacinas e insumos para a saúde pública.<br />\r\n <br />\r\nQuando o negacionismo ganhou corpo, ainda no início da Pandemia, imaginava-se que as autoridades estavam cercadas de argumentos científicos para certificarem suas teses de que não passaria de uma gripezinha. Após quase 550 mil mortes oficiais pela Covid-19, o que se vê com clareza é que só havia mesmo a má intenção de ganhar muito dinheiro, mesmo que à custa de vidas inocentes.<br />\r\n <br />\r\nCoquetel de remédios ineficazes foi incansavelmente divulgado como solução, a ponto das empresas produtoras desses medicamentos, investirem em propaganda para ampliar a crença num tal de tratamento precoce, responsável por milhares de mortes de inocentes e crentes nessa sandice.<br />\r\n <br />\r\nDepois, o negacionismo da vacina, que adiou em meses a aquisição de doses ofertadas por laboratórios estrangeiros sérios, enquanto \"vendedores inidôneos\" eram recebidos facilmente pelas autoridades federais, para venderem vacinas de \"tolos\", doses que não existiam, e pior, com cobrança de propinas que beiravam as centenas de milhões de reais.<br />\r\n <br />\r\nEnquanto esse circo era montado pelos nossos governantes, morriam e seguem morrendo pessoas cuja esperança não se concretizou. A corrupção, que não é nem de longe pior do que a ignorância, segue matando todos os dias. E se há vacina para este mal, é o voto que se dá com consciência e valor, sem peso e sobretudo sem preço, até porque, os que se elegerão novamente, o farão com o tal de Fundo Eleitoral, ampliado de novo, pra que nenhuma mudança seja mais eficaz do que aquela que deixa tudo como sempre esteve.</p>\r\n",
            "summary": "Valter Batista - Professor de Geografia e História, especialista em Gestão Pública, Escolar, Neurociência e Psicopedagogia",
            "date_published": "2021-07-20T14:02:00+00:00",
            "date_modified": "2026-07-13T19:00:53+00:00",
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            "title": "Tá difícil comer",
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            "content_html": "<p>Para milhões de brasileiros tá difícil comer. O preço dos alimentos disparou e não há previsão de retorno. O desemprego é recorde e também não sabemos se haverá mudança nesse cenário. Estão caros os preços do gás, do combustível, da energia elétrica e, da mesma maneira, não há no horizonte uma tendência de mudança neste triste quadro.</p>\r\n\r\n<p>O desenho dessa realidade é doloroso, porque a classe trabalhadora segue como sempre, punida pelos fatos. Enquanto isso tudo acomete duramente a parcela mais pobre da sociedade, do lado de cima, os ricos ficam ainda mais ricos. Acumulam mais ganhos nas Bolsas de Valores e concentram ainda mais riqueza, sendo notícia que enquanto milhões voltaram a viver na miséria, meia dúzia de brasileiros tornaram-se bilionários.</p>\r\n\r\n<p>Isso não acontece por acaso. A questão é que o sistema econômico vigente está estruturado para que o resultado seja sempre o mesmo, com os pobres massacrados e os ricos favorecidos. Nossa moeda perde valor frente ao dólar, e com isso, os alimentos produzidos aqui, com nosso Sol, nosso solo e nossa água, ficam supervalorizados para serem exportados. Em vez de termos mais arroz e feijão na mesa, os barões do agronegócio, muitos deles com mandatos em Brasília ou lá representados por deputados e senadores que os defendem, embarcam toneladas de alimentos para a China e Europa. Ganham muito dinheiro com isso. E a gente paga mais caro no supermercado, como se também tivéssemos dólares para isso.</p>\r\n\r\n<p>Não tá fácil. O petróleo que encarece no mercado internacional faz com que a Petrobrás, que foi criada pra facilitar nosso desenvolvimento, venda seus produtos a valores astronômicos, porque isso garante ganhos aos seus investidores, e lasquem-se os brasileiros, que têm encarecidos todos os produtos que consomem, porque o frete aumenta na proporção do aumento da gasolina e do diesel. E o gás? Da promessa de que seria mais barato, para a realidade de pessoas optando por cozinhar com lenha, não pelo romantismo do fogão caipira, mas pela impossibilidade de comprar um botijão a quase cem reais.</p>\r\n\r\n<p>Se esse sistema fosse mais voltado pra necessidade do povão, certamente o governo reagiria, preservando ao menos em parte a capacidade da gente consumir. O que a gente precisa não é muito, minimamente, dois pratos de comida todos os dias, o que seria garantia de dignidade para todas as pessoas. A questão é que muita gente não sabe mais o que é isso, de modo que fica claro e evidente o quanto a vida tá ficando pior do que antes. E se isso não sinaliza a necessidade de uma mudança urgente, certamente escancara que o projeto deste governo não está conduzindo o país pra um patamar melhor, ao menos pra maioria dos brasileiros, que vivem o pesadelo da piora da qualidade de vida, com o fantasma da fome batendo em suas portas.</p>\r\n",
            "summary": "Valter Batista - Professor, especialista em gestão pública",
            "date_published": "2021-06-20T18:19:00+00:00",
            "date_modified": "2026-07-13T19:00:52+00:00",
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            "title": "Era uma vez um Brasil",
            "url": "https://www.bs9.com.br/coluna/valter-batista/2021/05/20/era-uma-vez-um-brasil.html",
            "content_html": "<p>Era uma vez um país com uma população esperançosa demais para notícias boas de menos. O desemprego já batia em dois dígitos, castigando duramente milhões de pais e mães de família, mas ainda assim, a esperança de que isso mudasse estava em suas mentes, como a fé em seus corações. Foi nesse país que decidiram fazer uma mega festa de Carnaval, quando o mundo inteiro estava amedrontado com a chegada de um vírus mortal.</p>\r\n\r\n<p>Esse país tinha limpado a política com um Lava Jato potente, que prendeu um ex-presidente, dizendo que era dele um apartamento, que tempos depois provou-se de outra pessoa. Ligações perigosas e mensagens reveladoras fizeram a lama espalhar-se na sala daqueles que eram mártires da luta anticorrupção, mostrando suas artimanhas para fazer a democracia ficar de cócoras à vontade de pessoas que se achavam acima da lei.</p>\r\n\r\n<p>A liderança maior desse país era o tiozão do churrasco de domingo, daqueles que acreditam que chá de boldo cura câncer de estômago e que família boa mesmo é aquela que tem três casamentos terminados, com filhos em cada um deles, e que gay se cura na porrada. Uma aberração, num mundo cada vez mais intolerante e violento.</p>\r\n\r\n<p>Seria impensável que um país assim desse certo. Quando o vírus chegou de fato nesse país, entrando pelo aeroporto com os ricos que chegavam dos States, alastrou-se como notícia ruim.</p>\r\n\r\n<p>Matou centenas de milhares, que eram estimulados a se contaminarem para que a doença que ele transmitia, acabasse logo.</p>\r\n\r\n<p>Quanto mais o presidente falava, mais mortes se acumulavam. Motoristas, porteiros, vigias, zés e marias aos montes sucumbindo, junto com paulos gustavos famosos. Diziam que podia ser um genocídio, porque não tinha tratamento que curasse, e a vacina que seria a solução, tinha sido negada e renegada pelo presidente, que fazia piada até com a morte.</p>\r\n\r\n<p>Diante de tanto sofrimento, as pessoas começaram a entender que não há salvador da Pátria, quando quem mais sofre são os que menos têm motivos para rirem de si mesmos. E o que tinha sido motivo pra esperança, transformou-se em uma revolta sem fim. Até que um dia alguém teve a ideia de instalar uma guilhotina na principal praça daquele país. Grande Dia!</p>\r\n",
            "summary": "Valter Batista - Professor de Geografia e História, especialista em Gestão Pública, Escolar, Neurociência e Psicopedagogia",
            "date_published": "2021-05-20T14:39:00+00:00",
            "date_modified": "2026-07-13T19:00:53+00:00",
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