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                                <title><![CDATA[BS9 - Mario Gocchi]]></title>
                    
                                <subtitle>Feed de notícias de Mario Gocchi do BS9</subtitle>
                                                    <updated>2026-07-13T19:43:11+00:00</updated>
                        <entry>
            <title><![CDATA[Confissão de pai]]></title>
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                <name><![CDATA[Mario Gocchi]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Mário Gochi - Advogado e poeta]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><em>Por Manoel Rodrigues Affonso - Heterônimo de Mário Gochi</em><br />
<br />
Eu sempre tive medo de morrer,<br />
mas nunca tive medo de morrer<br />
como o medo de morrer<br />
que tenho agora,<br />
que é mais do que sempre.</p>

<p>Agora é uma fração de sempre,<br />
mas agora é tão maior que sempre,<br />
que sempre parece que foi nunca, <br />
ou nada, perto de agora.</p>

<p>E agora, mais que sempre, <br />
tenho medo de morrer <br />
para sempre,<br />
não apenas por agora.</p>
]]></content>
                                    <category term="Mario Gocchi" />
                        <published>2022-05-27T03:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-07-13T19:43:10+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[O pedaço que falta]]></title>
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            <author>
                <name><![CDATA[Mario Gocchi]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Mario Gochi - Advogado e poeta]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Por Pedro Caetano - (Heterônimo de Mário Gochi)</p>

<p>Está me faltando um pedaço...<br />
De lua na minha janela<br />
De sonho no fim da noite<br />
De chão no meio da estrada.<br />
<br />
Falta um pedaço... <br />
Do lado esquerdo da cama<br />
Do sorriso que eu me sorria<br />
Da história que irei contar.<br />
<br />
Um pedaço<br />
da aorta que leva o sangue<br />
e avisa o coração:<br />
Não te preocupes.<br />
<br />
Falta um pedaço em mim<br />
Da tua cisma sem nexo<br />
Do teu gemido triunfante<br />
Daquela cor amarela <br />
que coloria meu prato<br />
e o quarto.<br />
<br />
Falta um pedaço...<br />
Um pedaço do que tinha ou do que era<br />
do todo azul bem marinho<br />
mais marinho<br />
mais, bem mais<br />
que todo o azul do mar.<br />
<br />
Está me faltando<br />
um pedaço de boca na minha boca<br />
e de lingua passeando<br />
sobre a carne e sobre o desejo.<br />
<br />
Falta este pedaço <br />
que se diz de mil formas,<br />
mas que nenhuma delas exprime<br />
a falta que é,<br />
se pedaço, se tudo.</p>

<p> </p>
]]></content>
                                    <category term="Mario Gocchi" />
                        <published>2022-04-27T03:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-07-13T19:43:11+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[No amor, escolha bem o bicho]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://www.bs9.com.br/coluna/mario-gocchi/2022/03/27/no-amor-escolha-bem-o-bicho.html" />
            <id>https://www.bs9.com.br/019f5cd7-1436-7038-8c85-b85e0a3a0c71</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Mario Gocchi]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Mario Gochi - Advogado e poeta]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Por Elmando Pinto - (Heterônimo de Mário Gochi)</p>

<p>No amor é preciso conhecer os bichos.<br />
Escolha bem quem você vai amar.</p>

<p>Se você conhecer alguém que crie pássaros, <br />
fuja, pois poderá se ver preso numa gaiola.<br />
As gaiolas...</p>

<p>Homens, evitem as mulheres que criam galinhas,<br />
a menos que você seja <br />
um bom galo de briga<br />
e tenha esporas mais afiadas.<br />
As esporas...</p>

<p>Rejeitem quem tenha gatos.<br />
Sorrateiros, dissimulados,<br />
os felinos se esgueiram,<br />
se arrastam, mansamente,<br />
para apanhar suas presas.<br />
As presas...</p>

<p>E os hamsters?<br />
É raro quem os criem.<br />
A raridade, não se esqueçam,<br />
é um gosto caro<br />
e rói a nossa paciência.<br />
O preço...</p>

<p>Esqueçam quem cuida de cobra,<br />
ela enrola, enrola, enrola<br />
e um dia pica.<br />
Os venenos...</p>

<p>As éguas, as potrancas?<br />
As melhores são sempre as dos outros.<br />
Evitem-nas para si,<br />
sempre surgirão garanhões mais novos,<br />
mais vistosos,<br />
aí, só vos restareis os coices.<br />
Os coices...</p>

<p>Prefiram aquelas que criam tartarugas,<br />
elas são dóceis e resignadas,<br />
tem o casco duro.<br />
As tartarugas caminham lentamente,<br />
comem lentamente,<br />
de modo que sobrará mais tempo para vocês.<br />
O tempo...</p>

<p>Se contudo, <br />
a única opção for aquela que cria cachorros,<br />
meus amigos,<br />
fiquem só com o cachorro,<br />
As coleiras...</p>

<p><br />
 </p>
]]></content>
                                    <category term="Mario Gocchi" />
                        <published>2022-03-27T03:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-07-13T19:43:11+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Não tenho alma como alma]]></title>
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            <author>
                <name><![CDATA[Mario Gocchi]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Mário Gochi - Advogado e poeta]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><em>Por Pedro Caetano - (Heterônimo de Mário Gochi)</em></p>

<p>Aquilo que ficará de mim<br />
não será a minha alma preservada,<br />
o eu incorpóreo existindo<br />
sem que eu exista.</p>

<p>O que ficará de mim<br />
não é a minha alma,<br />
pois não a tenho, <br />
como alma - Alguém terá? -<br />
aquela essência atribuível.</p>

<p>São as impressões,<br />
estas ficarão.<br />
Uma multiplicidade delas<br />
e eu todo recortado.</p>

<p>De modo que,<br />
se alguém um dia resolver juntá-las,<br />
no penoso ofício da colagem de recortes,<br />
terá criado um monstro,<br />
talvez um anjo, ou<br />
uma personagem de ficção.</p>
]]></content>
                                    <category term="Mario Gocchi" />
                        <published>2022-02-27T03:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-07-13T19:43:11+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Pequena especulação]]></title>
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            <author>
                <name><![CDATA[Mario Gocchi]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Mário Gochi - Advogado e poeta]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><em>Por Godofredo Meme - (Heterônimo de Mário Gochi)</em></p>

<p>O poema é uma construção <br />
tão racional<br />
que ilude quem o lê.<br />
Os sóbrios veem loucura,<br />
os lógicos se enganam na fórmula,<br />
os lúdicos esquecem que é brincadeira,<br />
os loucos continuam loucos.<br />
E o poeta?<br />
Ah, o poeta...<br />
sóbrio e lógico,<br />
apreende brincando<br />
a razão dos loucos.</p>

<p><em>*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal BS9</em></p>
]]></content>
                                    <category term="Mario Gocchi" />
                        <published>2022-01-27T13:55:00+00:00</published>
            <updated>2026-07-13T19:00:53+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Amor com amor]]></title>
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            <author>
                <name><![CDATA[Mario Gocchi]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Mario Gochi - Advogado e poeta]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Por Godofredo Meme - (Heterônimo de Mário Gochi)</p>

<p>Amor com amor se estraga<br />
Daqui vejo a roupa esgarçada<br />
 <br />
Amor com amor se traga<br />
Vejo as nuvens que se formam<br />
 <br />
Amor com amor se embarga<br />
Ouço o silêncio e o soluço<br />
 <br />
Amor com amor se apaga<br />
Sob o céu todo amarelo<br />
 <br />
E sob o peso de uma fraga<br />
Ouço alguém pedindo o troco<br />
Amor com amor se paga.</p>

<p>Musicado pelo violonista, compositor e cantor Manoelito Martins, e está entre as 13 músicas que compõem o seu álbum musical, cujo lançamento deverá ocorrer no início de 2022</p>

<p>*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal BS9</p>
]]></content>
                                    <category term="Mario Gocchi" />
                        <published>2021-12-27T21:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-07-13T19:00:53+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[A única virtude que tenho]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://www.bs9.com.br/coluna/mario-gocchi/2021/11/27/a-unica-virtude-que-tenho.html" />
            <id>https://www.bs9.com.br/019f5cd7-12be-7093-8d7e-52126b6c77b8</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Mario Gocchi]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Mário Gochi - Advogado e poeta]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><em>Por Manoel Rodrigues Affonso<br />
(Heterônimo de Mário Gochi)</em></p>

<p>A única virtude que tenho<br />
é não ter virtudes.<br />
Nenhuma virtude me confrange,<br />
para assim viver<br />
em virtude das virtudes.<br />
 <br />
A ética é estética<br />
e mora longe da filosofia,<br />
é um adorno do poder.<br />
Há sempre uma excelência pairando<br />
sobre a terra e sobre os ombros.<br />
É de onde os códigos surgem,<br />
cíclicos e aterradores,<br />
em rituais de imolação.<br />
A construção do desejável é somente<br />
uma conformidade passageira,<br />
que embala uma fração do tempo<br />
e na história deixa vírgulas,<br />
aspas,<br />
interrogações.<br />
 <br />
Dois pontos:<br />
estou entre parênteses<br />
(sem virtude alguma).<br />
O meio-termo de Aristóteles é de Aristóteles, dos aristotélicos,<br />
dos currículos sobre a mesa,<br />
da bossa nova carioca<br />
bela e chata como as virtudes.<br />
A mim a tangente dos extremos<br />
e os estampidos do funk<br />
sobre os fósseis de homens presos<br />
à glória de alguma virtude<br />
que é virtude nenhuma.</p>

<p><em>*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal BS9</em></p>
]]></content>
                                    <category term="Mario Gocchi" />
                        <published>2021-11-27T19:08:00+00:00</published>
            <updated>2026-07-13T19:00:52+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Soneto sem métrica poética-política-midiática]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://www.bs9.com.br/coluna/mario-gocchi/2021/10/27/soneto-sem-metrica-poetica-politica-midiatica.html" />
            <id>https://www.bs9.com.br/019f5cd7-12c8-732a-81c4-8ae1276c9a5f</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Mario Gocchi]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Mario Gochi - Advogado e poeta]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Por Elmando Pinto<br />
(Heterônimo de Mário Gochi)</p>

<p>Fórmula um foi correr na Band,<br />
Libertadores foi jogar no Éssebetê,<br />
Bobó, na isto é, tá de bigode<br />
E a Globo com saudades do petê.<br />
 <br />
Até o Armínio fraga o Éfeagacê<br />
Dando mole pra política do Guedes,<br />
Como frango servido à fricassè...<br />
Ai Jisuis! O príncipe virou Herodes.<br />
 <br />
Os filhos do Marinho tão de bode:<br />
Os famosos vão dançar pro seu Saad,<br />
Seu marreco com a justiça atrás das grades<br />
E o Bonner se segura como pode.<br />
 <br />
Reformado, trabalha de pejota<br />
Que a audiência do jornal baixou a cota.</p>
]]></content>
                                    <category term="Mario Gocchi" />
                        <published>2021-10-27T19:45:00+00:00</published>
            <updated>2026-07-13T19:00:52+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Amar e conjugar]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://www.bs9.com.br/coluna/mario-gocchi/2021/09/27/amar-e-conjugar.html" />
            <id>https://www.bs9.com.br/019f5cd7-122f-71f4-9292-9e4a58c02900</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Mario Gocchi]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Mario Gochi - Advogado e poeta]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><em>Por <strong>Pedro Caetano</strong><br />
(Heterônimo de Mario Gochi)</em></p>

<p>Joana amava Genésio,<br />
mas amava, também, o gerúndio.<br />
 <br />
Genésio amava Joana,<br />
mas amava o particípio.<br />
 <br />
Joana mal amando<br />
Genésio mal amado.<br />
Era um amor se acabando<br />
Era um amor acabado.<br />
 <br />
Havia um problema no verbo<br />
Na escolha conjugal.<br />
 <br />
Disse Mário de Andrade:<br />
Amar é verbo intransitivo.<br />
Mas quer saber a verdade,<br />
Também é transitivo.<br />
O contexto é que define<br />
Como o amor que se exprime.<br />
 <br />
Por amar muito Genésio<br />
No infinitivo pessoal,<br />
Acrescentado, inclusive,<br />
De adjunto adverbial,<br />
Joana viu que o entrave<br />
Não era bem temporal<br />
E alterou o simples gerúndio<br />
Para o gerúndio pronominal:<br />
Amando-o<br />
E <br />
Conjugando-o<br />
Nesta forma verbal.<br />
 <br />
Amando-o, Joana, assim,<br />
Sentindo-se, Genésio, amado,<br />
A história chegou ao fim<br />
Com gerúndio e particípio,<br />
Com sujeito e predicado<br />
E o que era triste no início<br />
Era um verbo mal conjugado.</p>
]]></content>
                                    <category term="Mario Gocchi" />
                        <published>2021-09-27T03:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-07-13T19:00:52+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[À espera do olhar de Deus]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://www.bs9.com.br/coluna/mario-gocchi/2021/08/27/a-espera-do-olhar-de-deus.html" />
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            <author>
                <name><![CDATA[Mario Gocchi]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Mario Gochi - Advogado e poeta]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p><em>Por Pasquale Gliosci<br />
(Heterônimo de Mario Gochi)</em></p>

<p>Nasci numa curva de rua<br />
Onde a tristeza não chegava.<br />
 <br />
Todas as noites eram de primavera,<br />
Mesmo quando tudo esfriava.<br />
 <br />
A lua enfeitava nossa janela,<br />
Cheia, nova, crescente, ou quando minguava.<br />
 <br />
No fim da tarde a sirene soava<br />
E me devolvia meu pai.<br />
 <br />
Todos os dias eram úteis.<br />
Todas as noites eu sonhava.<br />
 <br />
Deus vinha descansar na rede<br />
E os anjos ficavam ao lado.<br />
Chegava e partia por uma paisagem pendurada na parede,<br />
Um lugar de mato dourado.</p>

<p>Ele não me pedia nada,<br />
Dormia, enquanto mamãe cozinhava<br />
Arroz, feijão, bife e salada.<br />
Não fazia conta se eu pecava.<br />
Apenas sorria, logo que acordava.<br />
Mas antes de ir,<br />
Dizia que voltava<br />
E que estaria olhando tudo pelos meus olhos.</p>

<p>Senhor do céu<br />
Por que fizeram em papel<br />
A minha vila fabril?</p>

<p>O papel foi pra China,<br />
Minha rua não tem mais curva,<br />
Minha rua não tem mais rua<br />
E a lua voltou a ser apenas um satélite.</p>

<p>A sirene da tarde parou de tocar<br />
E meu pai nunca mais voltou.<br />
Mamãe foi atrás dele<br />
E eu não sonho mais.</p>

<p>Deus, meus olhos estão abertos<br />
Esperando que você veja.</p>

<p><img alt="" class="img-fluid" src="https://www.bs9.com.br/datafiles/suite/escritorio/aplicativo/conteudo/album_fotografico/8989.jpg" style="background-color:rgb(255, 255, 255); border-style:none; box-sizing:border-box; color:rgb(115, 115, 115); font-family:arial,helvetica,sans-serif; font-size:20px; height:394px; margin:0px; max-width:100%; padding:0px; text-align:center; vertical-align:middle; width:700px" /></p>
]]></content>
                                    <category term="Mario Gocchi" />
                        <published>2021-08-27T19:08:00+00:00</published>
            <updated>2026-07-13T19:00:53+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Se eu fosse eu, eu não daria importância]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://www.bs9.com.br/coluna/mario-gocchi/2021/07/27/se-eu-fosse-eu-eu-nao-daria-importancia.html" />
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            <author>
                <name><![CDATA[Mario Gocchi]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Mario Gochi - Advogado e poeta]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Por Pasquale Gliosci<br />
(Mario Gochi) </p>

<p>Essa ideia de ser<br />
sexagenário me confunde.<br />
 <br />
Mandaram-me plantar batatas, nasceu um pé de manjericão.<br />
 <br />
Estou preso ao mundo,<br />
essa é a única possibilidade.<br />
E o mundo, <br />
ora, o mundo...<br />
O mundo é esse espaço cheio de fôrmas,<br />
como fosse um caderno de caligrafia.<br />
 <br />
O poeta amigo se apaixonou por uma microrretífica Dremmel.<br />
Sex appeal.<br />
 <br />
O meu amor ficou maduro,<br />
tão maduro que despencou do galho<br />
e sobre o chão<br />
deita a fruta soberba.<br />
É pra morder,<br />
ou é pra chupar?<br />
O sumo não enche o copo<br />
Mas besunta a superfície das palavras<br />
e forma esta algaravia.<br />
 <br />
A micção é uma solenidade, <br />
um ato de reflexão,<br />
e as gotas finais me convidam a ter paciência,<br />
como se falassem,<br />
calma Senhor pense um pouco mais,<br />
nada é tão urgente a esta altura<br />
que justifique respingos fora da órbita do sanitário,<br />
a sabedoria <br />
está no conta-gotas.<br />
Esse deve ser o discurso.<br />
 <br />
A vida, entretanto, diz<br />
levanta homem<br />
que o manjericão não demora crescer.<br />
 <br />
É, o passado escorreu pelo vaso<br />
e o futuro virá pingando.<br />
Sente o presente, <br />
ele pode ser tudo que terás.<br />
 <br />
É aquela fase da vida <br />
em que ao mijar<br />
temos medo de morrer.<br />
(O medo de morrer<br />
é menor que o medo de morrer do homem).<br />
 <br />
Ao redor de tantos medos,<br />
existe sempre um medo mais agudo<br />
moendo alma da gente,<br />
por isso sorrimos entredentes,<br />
entrementes,<br />
quando somos sexagenários.<br />
 <br />
Se eu fosse eu,<br />
eu não daria importância,<br />
mas eu sou eu visto derredor.<br />
 <br />
(*pasquale gliosci)<br />
 <br />
-- <br />
*Pasquale Gliosci é autor do livro FUI OLHAR A RUA e outros poemas...<br />
Ed. Urutau, que pode ser adquirido através do site da editora.<br />
Em Santos na tradicional e charmosa Livraria Realejo, no bairro do Gonzaga.</p>
]]></content>
                                    <category term="Mario Gocchi" />
                        <published>2021-07-27T15:18:00+00:00</published>
            <updated>2026-07-13T19:00:52+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[O poeta, o boleiro]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://www.bs9.com.br/coluna/mario-gocchi/2021/06/27/o-poeta-o-boleiro.html" />
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            <author>
                <name><![CDATA[Mario Gocchi]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Mario Gochi - Advogado e poeta]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Por Mario Sergio, um dos meus muitos heterônimos, este o mais próximo de mim</p>

<p>(em homenagem a Mario Jorge, por ocasião do seu primeiro aniversário)<br />
 <br />
De ti, filho meu, espero um poeta.<br />
Daqueles que escrevem com os pés<br />
a poesia da vida.<br />
 <br />
Filho meu,<br />
Domina com tal precisão as palavras<br />
Sobre as folhas verdes,<br />
Que cada verso seja um chute<br />
Primoroso, ou de soslaio<br />
E as estrofes uns dribles.<br />
Uma finta de corpo<br />
É mais bela porque sutil.<br />
 <br />
Põe métrica nos lançamentos,<br />
pois eles têm a beleza dos sonetos.<br />
Passa com rimas consoantes.<br />
Dá preferência às preciosas, às raras.<br />
Quando escritas, elas<br />
Brilham como as estrelas<br />
Para que todos possam vê-las.<br />
 <br />
Se imperfeitas, você não esqueça,<br />
Vá nas toantes, é um gosto.<br />
Saiba, porém, usar a cabeça<br />
Nas cruzadas, não é grosso.<br />
 <br />
Faz rondó francês,<br />
Ou dobrado, ou português,<br />
Um madrigal, uma ode,<br />
De tudo pode,<br />
Trova, balada...<br />
Se a palavra vem quadrada,<br />
Solta de um estourão,<br />
Ergue ao alto a tua destra<br />
E a traz no pé, suave, ao chão,<br />
Como quem rege a orquestra.<br />
 <br />
Não desprezes os versos brancos,<br />
Dá-lhes, entretanto, certa cadência,<br />
Certo ritmo,<br />
A torcida sempre quer cantá-los.<br />
 <br />
Mata as palavras no peito.<br />
Amorteça-las bem é um requinte,<br />
Ficarão confortáveis quando descerem à folha.<br />
Este recurso facilita a distribuição,<br />
E como peças de um jogo<br />
Saberão ocupar os espaços.<br />
 <br />
Toca de letra,<br />
É um lance estético,<br />
Uma plasticidade singular<br />
Que enche os olhos de quem lê.<br />
 <br />
Estuda a gramática,<br />
Visita a fonética,<br />
conhece os sons da bola.<br />
Escolhe um bom treinador ortográfico.<br />
Tudo isso compõe o espetáculo<br />
E a palavra se arredonda e rola.<br />
Desse modo, filho meu,<br />
Quando, do prelo, tu saíres<br />
E ganhares as edições<br />
Cada gol que tu fizeres<br />
Terá a beleza de um poema,<br />
Como os escritos, sem garrancho,<br />
Por um tal de Mané Garrincha,<br />
Que brincava de poeta sobre a cancha.<br />
(mario sergio)</p>

<p><img alt="" src="http://www.bs9.com.br/datafiles/suite/escritorio/aplicativo/conteudo/album_fotografico/4225.jpg" style="background-color:rgb(255, 255, 255); border-style:none; box-sizing:border-box; color:rgb(115, 115, 115); font-family:arial,helvetica,sans-serif; font-size:20px; height:248px; margin:0px; padding:0px; text-align:center; vertical-align:middle; width:440px" /></p>
]]></content>
                                    <category term="Mario Gocchi" />
                        <published>2021-06-27T18:28:00+00:00</published>
            <updated>2026-07-13T19:00:52+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Do tamanho do eterno]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://www.bs9.com.br/coluna/mario-gocchi/2021/05/27/do-tamanho-do-eterno.html" />
            <id>https://www.bs9.com.br/019f5cd7-1387-7201-b3be-d41903667ec6</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Mario Gocchi]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Mario Gochi - Advogado e poeta]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Apenas para contextualizar, o poema que compartilho neste espaço foi escrito em homenagem à minha mãe, quando ainda vivia.<br />
 <br />
Ela, nos seus últimos anos de vida, sofreu do mal de Alzheimer.<br />
 <br />
Fui o seu cuidador.<br />
 <br />
Penso que a publicação do poema ajuda a colocar luzes sobre essa doença neurodegenerativa, ainda sem cura, mas que vem infelicitando tantas famílias pelo mundo todo.<br />
 <br />
Os familiares de pessoas acometidas por Alzheimer, aqueles que acompanham e cuidam no dia a dia, são fortemente impactados, muitos adoecem.<br />
 <br />
Há bastante literatura sobre o problema. O poema, portanto, tem a pretensão de ser um vetor de humanização e cumprir, através da arte, um papel social.<br />
 <br />
A arte poética para além da poética.<br />
 <br />
A poesia indo além da poesia.<br />
 <br />
Finalmente, como esclarecimento, o poema é assinado por Mario Sergio, um dos meus muitos heterônimos, este o mais próximo de mim.<br />
 <br />
 <br />
Do tamanho do eterno<br />
 <br />
Eu te amo hoje como te amava ontem<br />
e antes de ontem também.<br />
Até ontem, antes de ontem existia<br />
como pequenos flashes.<br />
Não há mais os pequenos flashes<br />
que iluminavam alguns pedaços<br />
de ontem e de antes de ontem<br />
e lhe permitia saber que eu te amava<br />
desde ontem e de antes de ontem,<br />
eram eles nossos vagalumes.<br />
Eles piscavam aleatórios <br />
e, piscando, formavam elos<br />
pelos quais você sorria<br />
sabendo do amor no tempo.<br />
Ontem e antes de ontem não existem mais,<br />
foram embora os nossos vagalumes <br />
- não importa -<br />
por isso é que eu te amo muito mais<br />
hoje,<br />
amor de iluminação,<br />
e muito mais te amarei amanhã<br />
e depois de amanhã mais ainda,<br />
quando nem do hoje você souber.<br />
E quando tudo for uma espera <br />
sem luz, de sons irreconhecíveis,<br />
e nossa comunicação for só abraços,<br />
toques e aromas,<br />
o amor que sinto por ti<br />
será sem medida,<br />
uma grandeza de infinito,<br />
do tamanho do eterno.</p>

<p>(mario sergio)</p>
]]></content>
                                    <category term="Mario Gocchi" />
                        <published>2021-05-27T14:45:00+00:00</published>
            <updated>2026-07-13T19:00:53+00:00</updated>
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