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                                <title><![CDATA[BS9 - Lúcio Nunes]]></title>
                    
                                <subtitle>Feed de notícias de Lúcio Nunes do BS9</subtitle>
                                                    <updated>2026-07-13T19:43:08+00:00</updated>
                        <entry>
            <title><![CDATA[As escolas de samba voltaram no Rio e em São Paulo. Que seja a vez de Santos em 2023.]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://www.bs9.com.br/coluna/lucio-nunes/2022/05/03/as-escolas-de-samba-voltaram-no-rio-e-em-sao-paulo-que-seja-a-vez-de-santos-em-2023.html" />
            <id>https://www.bs9.com.br/019f5cd7-1372-734d-92d9-ff74a61fe0d5</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Lúcio Nunes]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Lúcio Nunes - Jornalista, colaborador da Liga Cultural Independente das Escolas de Samba de Santos (LICESS) e do Conselho do Samba de Santos]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>O Carnaval da retomada finalmente se tornou realidade, ao menos no Rio de Janeiro e em São Paulo, os dois principais redutos das escolas de samba no país.</p>

<p>Em meio ao caos, às incertezas e aos ataques ‘seletivos’ contra a maior manifestação da nossa cultura popular durante a pandemia, as agremiações voltaram a pisar no asfalto mostrando força e resiliência, compensando o hiato de dois anos com um espetáculo arrebatador.<br />
<br />
Finalmente pudemos ouvir de novo grandes sambas e baterias, perder o fôlego diante de belas alegorias e fantasias, e, principalmente, nos emocionar com a alegria dos sambistas anônimos reencontrando seus respectivos pavilhões.<br />
<br />
Por outro lado, o ajuste improvisado ao calendário de abril fez com que tanto o Grupo Especial carioca quanto o paulista ocorressem nas mesmas noites, algo que havia acontecido pela última vez no longínquo ano de 1986.<br />
<br />
Assim, não só os profissionais e artistas do Carnaval, como também o público que prestigia os desfiles nos Sambódromos e os próprios componentes tiveram de escolher onde estariam. Da mesma forma, a transmissão pela TV aberta teve de ser regionalizada (Rio para a rede, São Paulo para o estado), consolidando as plataformas de streaming e o Youtube como opções para que ninguém perdesse um detalhe sequer das apresentações.<br />
<br />
Nesta verdadeira ‘maratona’, optei por assistir o Desfile do Rio na íntegra, seguindo uma tradição desde os tempos da minha infância. Tudo pelo streaming, com direito a trechos do acesso (Série Ouro) e, ainda no último fim de semana, da chamada ‘terceira divisão’ (Série Prata). Aliás, estes desfiles seguem disponíveis no Globoplay (Especial e Série Ouro) e na TV Alerj (Série Prata).<br />
<br />
Claro que aprecio e tenho muitos amigos envolvidos no Carnaval de São Paulo (inclusive na campeã, Mancha Verde), mas, até por conta dos critérios de julgamento, que muitas vezes limitam o espetáculo paulistano ao cumprimento de itens da pasta entregue aos jurados, penso que a ‘concorrência’ com o Rio ainda é desleal. <br />
<br />
Felizmente, em 2023, os desfiles voltarão a ser realizados em noites distintas.<br />
<br />
Enfim, voltando à Sapucaí: considero o título da Grande Rio indiscutível, gabaritado tanto nos aspectos técnicos, mas, felizmente, também sob o ponto de vista da emoção. Os carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora foram brilhantes ao desmistificar o universo que cerca o orixá mais controverso das religiões de matriz africana (Exu), caprichando – não por acaso – no poder da linguagem e da comunicação direta com o público. Um desfile que ingressa automaticamente na antologia dos grandes Carnavais que passaram pela Sapucaí neste século.</p>

<p>Aliás, vale dizer que Bora e Haddad ‘puxam’ uma nova geração talentosíssima de carnavalescos, que inclui Leandro Vieira (recém-saído da Mangueira, onde conquistou dois títulos em seis anos), Marcus Vieira e Tarcísio Zanon (Viradouro), Jack Vasconcelos (Unidos da Tijuca), Edson Pereira (que deixa a Vila Isabel rumo ao Salgueiro) e João Vitor Araújo (Cubango), entre outros. <br />
<br />
A forma como têm trabalhado e mobilizado suas respectivas comunidades em torno de seus enredos - em sua maioria politizados e voltados às raízes da cultura popular, abordando temas como o preconceito, a intolerância e a justiça social – são a garantia que outras disputas tão parelhas estão por vir nos próximos anos. <br />
<br />
Afinal, em 2022, não é exagero dizer que, além das seis escolas que voltaram desfile das campeãs (Grande Rio, Beija-Flor, Viradouro, Via Isabel, Salgueiro e Portela), outras três fizeram desfiles que as credenciaram para a “briga” (Mangueira, Tijuca e Mocidade) e, por sua vez, Imperatriz Leopoldinense e Paraíso do Tuiuti estiveram longe de frustrar expectativas. <br />
<br />
Somente a São Clemente, com uma série de mudanças de rota ao longo dos meses de preparação para o Carnaval, é que realmente destoou deste conjunto. E, de forma justa, terá de buscar dias melhores de volta ao grupo de acesso em 2023 – o que já conseguiu em outros Carnavais.<br />
<br />
Para encerrar, um clichê necessário:  todas as escolas de samba, sem exceção, no Rio e em São Paulo, foram vencedoras nesta retomada de 2022. <br />
<br />
Agora é esperar – e trabalhar – para que as coirmãs santistas trilhem o mesmo caminho no próximo ano, resgatando também o seu brilho na Passarela do Samba Dráuzio da Cruz.</p>

<p> </p>
]]></content>
                                    <category term="Lúcio Nunes" />
                        <published>2022-05-03T03:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-07-13T19:43:07+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Carnaval de Santos – um caminho desafiador até 2023]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://www.bs9.com.br/coluna/lucio-nunes/2022/04/03/carnaval-de-santos-um-caminho-desafiador-ate-2023.html" />
            <id>https://www.bs9.com.br/019f5cd7-13c5-7279-8493-14be37b7d9fb</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Lúcio Nunes]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Lúcio Nunes - Jornalista, colaborador da Liga Cultural Independente das Escolas de Samba de Santos (LICESS) e do Conselho do Samba de Santos]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Nesta semana, a Prefeitura Municipal de Santos e a Liga Independente Cultural das Escolas de Samba de Santos (LICESS) anunciaram a retomada do calendário de atividades Carnaval para setembro de 2022. </p>

<p>Segundo o comunicado, as agremiações participarão de um evento em comemoração ao bicententário da Independência do Brasil e, em seguida, do lançamento do Carnaval 2023, provavelmente em um almoço com atrações musicais, como já ocorrido anteriormente.</p>

<p>Com isso, consequentemente, o Desfile das Escolas de Samba nos moldes tradicionais completa dois anos de hiato. A última edição ocorreu em fevereiro de 2020, semanas antes da pandemia, consagrando como campeã a GRCES Unidos dos Morros.</p>

<p>A frustração da comunidade do samba e dos apreciadores da cultura das escolas de samba, claro, é enorme. E plenamente aceitável. </p>

<p>Mas, ainda assim, é preciso entender o contexto que levou a essa decisão e, mais que isso, unir forças para que o provável retorno seja arrebatador em 2023.</p>

<p>Vale lembrar inicialmente que, desde que a volta passou a ser planejada - sempre tendo como condição inegociável uma situação mais controlada em relação à pandemia -, a LICESS batalhou corajosamente para conciliar os interesses de suas filiadas às propostas trazidas pelo Poder Executivo. </p>

<p>Se não tivesse sido desta forma, nem a volta dos ensaios nas Quadras, nem os eventos importantes do pré-Carnaval, como o Sorteio da Ordem do Desfile, teriam ocorrido. Como se sabe, a pressão “seletiva” de parte da opinião pública pelo cancelamento do Carnaval era imensa – e, muitas vezes, preconceituosa e distorcida.</p>

<p>Não é segredo também, que, apesar dos esforços recentes das últimas gestões – a atual, presidida por Fábio Przygoda, por exemplo, assumiu durante a pandemia – o Carnaval de Santos não possui autonomia financeira e estrutural para ser reorganizado a curtíssimo prazo. </p>

<p>Isto hoje nos distancia de outros centros emergentes, como Vitória (ES) e Porto Alegre (RS), que terão seus desfiles em abril e maio, respectivamente.</p>

<p>Diante deste cenário, me parece claro que a presença das nossas escolas de samba no evento da Independência, se confirmada, será um passo vital. </p>

<p>Não só para que a cadeia produtiva do Carnaval volte a funcionar, mas também por mostrar o trabalho das escolas de samba para outros públicos, especialmente os que não costumam frequentar a Passarela do Samba Dráuzio da Cruz. Este “diálogo” é essencial para tentar transformar nossa realidade a médio e longo prazos. </p>

<p>Felizmente ainda temos o espetáculo, os artistas, o conteúdo e o conhecimento. Agora precisamos reaprender a valorizá-los, aproveitando todas as oportunidades possíveis para ampliar o leque de parceiros e gerar mais visibilidade, credibilidade e retorno ao evento. </p>

<p>Não tenho dúvidas de que essa é a fórmula ideal para que as escolas de samba voltem a brilhar no asfalto e a cumprir seu importantíssimo papel sociocultural perante as comunidades que as circundam, 365 dias por ano. </p>

<p>Que possamos acompanhar e participar ativamente deste processo. E que o nosso Carnaval  retome seu protagonismo no calendário cultural da Baixada Santista em 2023. </p>

<p>De uma vez por todas.</p>
]]></content>
                                    <category term="Lúcio Nunes" />
                        <published>2022-04-03T03:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-07-13T19:43:08+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Conselho do Samba de Santos: preservando o passado e semeando o futuro]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://www.bs9.com.br/coluna/lucio-nunes/2022/03/09/conselho-do-samba-de-santos-preservando-o-passado-e-semeando-o-futuro.html" />
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            <author>
                <name><![CDATA[Lúcio Nunes]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Lúcio Nunes - Jornalista, colaborador da Liga Cultural Independente das Escolas de Samba de Santos (LICESS) e do Conselho do Samba de Santos]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Responsável pela preservação e valorização da tradição do samba na cidade, o Conselho do Samba de Santos tem realizado um importante trabalho nos últimos anos, inclusive neste período de paralisação do Carnaval por conta da pandemia.</p>

<p>As origens da entidade remetem a um decreto municipal do então prefeito Oswaldo Justo, em 1985. No entanto, a ideia só saiu efetivamente do papel em 2014,  contando com o esforço e a orientação do “Marechal do Samba” J. Muniz Jr., jornalista, escritor  e historiador alagoano, que radicou-se em Santos para se tornar uma das maiores referências da história do Carnaval paulista.</p>

<p>Desde então, em gestões presididas por João Henrique “Makumba” (que teve como seu vice-presidente Jorge Simonal), Sérgio Luiz de Paula (vice-presidente Heldir Lopes Penha) e, mais recentemente, Carlos Alberto da Cruz <strong>(Beto O Magistral)</strong>, reeleito em 2021 para seu segundo mandato (com Egle Rodrigues como vice no primeiro e Nenê da Brasil, no segundo), diversas iniciativas têm sido concretizadas para dar respaldo aos sambistas que ajudaram a engrandecer a trajetória da nossa cultura popular com seu sangue, suor e samba no pé.</p>

<p>Uma das primeiras medidas após a retomada foi a criação de uma “cartilha” para resgatar os princípios básicos do samba, fundamental para que algumas posturas e tradições pudessem ser atualizadas, desde os fundamentos rítmicos e artísticos do samba até a consolidação do respeito ao sambista e às suas lutas, historicamente marginalizadas por parte da  sociedade.<br />
Outra ação essencial foi o aprimoramento dos critérios para que os sambistas recebam as chamadas “patentes” – títulos que reconhecem sua contribuição à cultura do samba. A “hierarquia” hoje divide-se de acordo com o tempo de trajetória e concursos que avaliam desde currículo até os talentos de cada sambista.</p>

<p>Hoje, a primeira patente dentro do samba é a de Cabo. Com ela, obtém-se o direito de concorrer ao título de Cidadão Samba, válido por um ano. Após isso, o contemplado torna-se Embaixador do Samba e passa a ter direito a voto e a reconhecimento em todas as ações do Conselho. Entre as mulheres, as patentes se dividem entre Damas, Tias e Embaixadoras do Samba (estas após cumprirem um ano de mandato como Cidadãs Samba).</p>

<p>Vale ressaltar ainda o significativo espaço reconquistado pelo tradicional Concurso Cidadão e Cidadã Samba no calendário cultural da cidade. Em suas últimas edições, o evento lotou as dependências de tradicionais teatros da cidade, como o Municipal, Guarany e Coliseu - além de ter recebido maciça cobertura de imprensa. <br />
Também receberam a assinatura do Conselho do Samba eventos como a “Noite das Rainhas”, que reuniu Rainhas dos Carnavais de outroa; o Concurso “Repinique de Ouro”, identificando e apresentando ao mundo do samba novos talentos do instrumento; e o Prêmio Destaques do Carnaval, apontando sambistas e profissionais que se destacaram no Carnaval 2020 (não necessariamente em quesitos avaliados pela Comissão Julgadora oficial).</p>

<p>Paralelamente à preservação das tradições sambistas, vale ressaltar ainda o trabalho social que o Conselho do Samba de Santos tem realizado, buscando, dentro de suas limitações de entidade sem fins lucrativos, angariar doações e recursos para a comunidade do samba, especialmente em tempos de pandemia. Todos os eventos são direcionados para a arrecadação destes itens, posteriormente distribuídos de próprio punho pelo Conselho e sua diretoria para aqueles que necessitam.</p>

<p>Enquanto esses elegantes e valorosos senhores e senhoras não riscam novamente o asfalto da Passarela Dráuzio da Cruz com seu samba no pé, aproveito este espaço para reverenciar todo o trabalho que vem sendo feito pelas últimas diretorias, que certamente vai impactar as novas gerações de sambistas que estão por vir.</p>
]]></content>
                                    <category term="Lúcio Nunes" />
                        <published>2022-03-09T03:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-07-13T19:43:08+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Em fevereiro (ainda) não teremos Carnaval. E agora?]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://www.bs9.com.br/coluna/lucio-nunes/2022/02/03/em-fevereiro-ainda-nao-teremos-carnaval-e-agora.html" />
            <id>https://www.bs9.com.br/019f5cd7-131b-7077-9a81-796544d874b8</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Lúcio Nunes]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Lúcio Nunes - Jornalista, colaborador da Liga Cultural Independente das Escolas de Samba de Santos (LICESS) e do Conselho do Samba de Santos]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Desde que a LICESS (Liga Independente Cultural das Escolas de Samba de Santos) anunciou o início dos preparativos para o desfile de 2022, em outubro do ano passado, noticiou-se amplamente que o evento só seria realizado caso as autoridades de saúde dessem seu aval em tempo hábil. </p>

<p>A decisão, inclusive, foi tomada em conjunto com a Prefeitura Municipal e a Secretaria Municipal de Cultura.</p>

<p>Naquele momento, a situação da pandemia apontava um cenário mais promissor e era necessário dar aquele passo para garantir a excelência artística das apresentações e as necessidades técnicas de sua organização.</p>

<p>Claro que o cenário ainda era incerto e desafiador. Mas, graças a esta iniciativa, entre os meses de outubro e janeiro, centenas de pessoas tiveram a oportunidade de completar seu orçamento retomando atividades em ateliês e barracões, impulsionando um importante segmento da economia criativa local. </p>

<p>As escolas de samba trabalharam e muito, apesar do curto espaço de tempo. Trouxeram de volta seus componentes, desenvolveram projetos artísticos de relevância e voltaram a ser uma opção bastante acessível de cultura e lazer à população, mesmo tendo que observar as restrições impostas pela pandemia.</p>

<p>O discurso chega a ser repetitivo, mas é importante: a produção dos desfiles das escolas de samba representa um essencial impulso econômico às comunidades que habitam o entorno das agremiações, a maioria em situação de vulnerabilidade social. </p>

<p>Além disso, o evento valoriza e impulsiona o trabalho de profissionais de reconhecida competência (músicos, coreógrafos, artesãos, costureiros, entre outros), que não só garantem a qualidade do espetáculo como estimulam a formação de novas gerações identificadas com a arte e a cultura popular.</p>

<p>Apesar de tantos aspectos positivos, no último dia 10 de janeiro, em comum acordo com o Poder Executivo, a LICESS anunciou o adiamento do Desfile das Escolas de Samba, até então previsto para 18 e 19 deste mês. </p>

<p>A decisão, como previsto, levou em conta o aumento de casos de Covid-19 pela variante Ômicron e o recente surto de gripe, que novamente colocaram em alerta as autoridades de saúde.</p>

<p><strong>Passo atrás, passo à frente</strong></p>

<p>Ainda que data e formato alternativos sejam discutidos em breve para que as escolas de samba possam se apresentar ainda em 2022 (este é o objetivo no momento), o adiamento gerou reações diversas na própria comunidade do samba - o que é absolutamente compreensível e democrático.</p>

<p>Por outro lado, vislumbrando o lado de fora da “bolha” carnavalesca, o passo atrás reforça a responsabilidade da Liga e das agremiações com o bem-estar coletivo e a imagem institucional do Carnaval Santista diante de seus parceiros, co-realizadores e, tomara, futuros patrocinadores. </p>

<p>Acredito que, apesar da ansiedade de todos, a postura adotada neste caso será um trunfo importante no longo caminho rumo à profissionalização definitiva do evento, uma prioridade da atual gestão da Liga. </p>

<p>Mesmo assim, é fato: para quem gosta e compreende o valor do espetáculo das escolas de samba, este fevereiro será tão doloroso quanto o de 2021. </p>

<p>Talvez até um pouco mais. </p>

<p>Afinal, basta olhar o noticiário para constatar o quanto a agenda de lazer e entretenimento estará movimentada na região durante este mês. </p>

<p>Diversos eventos que deverão reunir um público até maior que o Desfile serão realizados “normalmente” e – vejam só – seguindo os mesmos protocolos que seriam adotados no acesso ao Sambódromo.</p>

<p>Preocupação “seletiva”?</p>

<p><strong>Trabalho, competência e mobilização</strong></p>

<p>Enfim, não é hora de esmorecer. </p>

<p>O preconceito contra a cultura popular existe há mais de século e, convenhamos, hoje também reflete o pseudo-elitismo reinante na “terra da caridade e da liberdade”.</p>

<p>Para combatê-lo, é preciso trabalho, competência e mobilização.</p>

<p>Por isso, o melhor que a LICESS e suas agremiações podem fazer neste momento é voltar a promover eventos e atividades o mais rápido possível. </p>

<p>Investir em um calendário de retomada diferenciado ajudará a manter a visibilidade do Carnaval e a atrair recursos e investimentos, mesmo com o prolongamento deste (ainda necessário) hiato.</p>

<p>A excelente live realizada pela Liga no último dia 26 de janeiro, aniversário de Santos, transmitida pelo Youtube e com quase 5 mil visualizações até o momento, é um exemplo do conteúdo de qualidade que nossas escolas de samba são capazes de apresentar. </p>

<p>É, também, um spoiler do brilhante espetáculo que, tenho certeza, será apresentado na Passarela Dráuzio da Cruz quando a sirene finalmente voltar a tocar. </p>

<p><iframe allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen="" frameborder="0" height="720" src="https://www.youtube.com/embed/dSEkfHmrnwM" title="YouTube video player" width="1280"></iframe></p>

<p> </p>
]]></content>
                                    <category term="Lúcio Nunes" />
                        <published>2022-02-03T03:00:00+00:00</published>
            <updated>2026-07-13T19:00:52+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Liga das Escolas de Samba prioriza vacinação e protocolo sanitário para viabilizar desfile em 2022]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://www.bs9.com.br/coluna/lucio-nunes/2022/01/03/liga-das-escolas-de-samba-prioriza-vacinacao-e-protocolo-sanitario-para-viabilizar-desfile-em-2022.html" />
            <id>https://www.bs9.com.br/019f5cd7-11fa-7244-b352-a812ad6e6589</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Lúcio Nunes]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Maior espetáculo popular do mundo e essencialmente coletivo, desde a sua concepção até o momento em que corta o asfalto, o Desfile das Escolas de Samba contempla diversas manifestações artísticas: mús...]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Maior espetáculo popular do mundo e essencialmente coletivo, desde a sua concepção até o momento em que corta o asfalto, o Desfile das Escolas de Samba contempla diversas manifestações artísticas: música, artes plásticas e dança, além de resgatar e dar protagonismo a personagens, acontecimentos e movimentos de notória relevância histórica e cultural.<br />
 <br />
Para isso, o evento demanda um extenso processo de criação artística e de ensaios, até que tudo possa convergir adequadamente no momento da apresentação no Concurso Oficial.<br />
 <br />
Os ensaios preparatórios, portanto, são de fundamental importância para a qualidade do espetáculo e o sucesso de cada agremiação. Por isso são realizados com frequência e contam com a presença assídua dos principais componentes, além de formarem um circuito cultural que movimenta as comunidades e oferece cultura e lazer a preços bastante acessíveis.<br />
 <br />
Neste período, os desfilantes aprendem o samba-enredo entoado pela ala musical, os ritmistas assimilam o andamento da bateria e a dança e a evolução são praticadas pelas respectivas alas – coreografadas ou de “embalo” – resultando em momentos ímpares de aprendizado e congraçamento em torno da secular cultura do samba.<br />
 <br />
Em meio às incertezas e aos cuidados necessários para a retomada dos ensaios e do Desfile em um possível cenário em que a pandemia da Covid-19 permaneça controlado, a Liga Independente Cultural das Escolas de Samba de Santos (LICESS) tem trabalhado com afinco para consolidar um protocolo sanitário capaz de auxiliar as escolas de samba e minimizar os riscos para componentes, funcionários, artistas e foliões em geral.<br />
 <br />
O documento foi desenvolvido com base no Plano São Paulo para o segmento de Cultura, Lazer e Entretenimento, em parceria com diversos representantes destes setores e foi validado pela Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo, baseado em critérios técnicos e da saúde. <br />
 <br />
A referência principal foi o protocolo do Subsetor “Eventos Culturais e de Entretenimento”, adaptado à realidade das atividades de ensaios e especificidades do Desfile Oficial das Escolas de Samba de Santos.<br />
 <br />
A partir de 1º de janeiro, portanto, os ensaios, sejam em locais abertos, fechados ou em logradouros públicos, deverão ocorrer com cerceamento e acesso controlado, apresentação de carteira ou comprovante de vacinação (esquema vacinal completo ou testes de RT-PCR ou IgM realizados até 72h antes do evento), uso de máscaras em todos ambientes (facultado somente ao elenco artístico, desde que respeitado o limite de distanciamento entre eles), demarcação do piso com fitas de sinalização para membros da bateria e disponibilização de álcool gel em todos os locais, entre outras medidas. <br />
 <br />
Já tendo em vista os dois dias do Concurso Oficial do Desfile das Escolas de Samba, dias 18 e 19 de fevereiro, os mesmos pré-requisitos do passaporte vacinal serão mantidos para os desfilantes e também exigido entre funcionários, trabalhadores, prestadores de serviço e público em geral, na entrada das arquibancadas, frisas e camarotes.<br />
 <br />
Da mesma forma, será o uso exigido o uso das máscaras faciais em todos os ambientes da Passarela do Samba Dráuzio da Cruz, tanto para o público, quanto para funcionários, prestadores de serviço. O mesmo valerá também para os componentes das Escolas de Samba durante o transporte de ida e volta, na área da pré-concentração e também na dispersão. <br />
 <br />
Somente será facultado o uso de máscaras entre os componentes da agremiação entre a passagem das catracas para o desfile e a linha final de apresentação em julgamento. A partir deste ponto, ele voltará a ser obrigatório. <br />
 <br />
Vale ressaltar que a LICESS vem desenvolvendo diversas ações, tanto de cunho social (como a Carreata Solidária, que arrecadou mais de seis toneladas de alimentos no ano passado), quanto voltadas para a conscientização das comunidades para a importância da vacinação e do respeito às demais medidas preventivas de saúde.<br />
 <br />
 A mais recente delas foi a campanha “Vacina no Braço, Batida no Compasso”, estimulando os componentes das agremiações a procurarem os postos de saúde para concluir seus respectivos esquemas vacinais.<br />
 <br />
A realização do Desfile das Escolas de Samba de Santos em 2022, como já amplamente divulgado, caminha em alinhamento às recomendações do Plano São Paulo de combate à pandemia. A partir desta premissa, todos os esforços estão sendo direcionados para que o evento possa transcorrer com responsabilidade e segurança, valorizando a cultura popular e trazendo um providencial impulso à economia local.</p>

<p>*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal BS9</p>
]]></content>
                                    <category term="Lúcio Nunes" />
                        <published>2022-01-03T17:38:00+00:00</published>
            <updated>2026-07-13T19:00:52+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Desfile das Escolas de Samba: ter ou não ter... será a questão?]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://www.bs9.com.br/coluna/lucio-nunes/2021/12/03/desfile-das-escolas-de-samba-ter-ou-nao-ter-sera-a-questao.html" />
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            <author>
                <name><![CDATA[Lúcio Nunes]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Lúcio Nunes - Jornalista, colaborador da Liga Cultural Independente das Escolas de Samba de Santos (LICESS) e do Conselho do Samba de Santos]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Assim que surgiram as primeiras notícias sobre a variante Ômicron - que pode vir a ameaçar o cenário hoje relativamente controlado da pandemia no país (graças à Ciência e à vacinação, é bom que se diga) -, alguns dedos prontamente já buscaram um “vilão” no calendário de eventos.<br />
Pois bem.</p>

<p>Quem lê meus textos por aqui sabe do meu envolvimento e apreço pelo Carnaval - e, especialmente pelo Desfile das Escolas de Samba.</p>

<p>Por isso, não posso deixar de me manifestar quanto a esta “preocupação seletiva” que invadiu as redes nos últimos dias. Um movimento tão “surpreendente” que é capaz até de reunir notórios negacionistas (os mesmos que deitaram e rolaram no auge da pandemia) no coro ensaiado do “tem que cancelar!”.</p>

<p>Mas, parafraseando a famosa frase de Hamlet... “ter ou não ter, será a questão”?</p>

<p>Antes de avançar sobre o tema, gostaria de lembrar que, entre um fevereiro e outro, também tenho por hábito me reunir com pessoas queridas em datas festivas, inclusive Natal e Réveillon. Da mesma forma, frequento estádios de futebol, já participei de provas de pedestrianismo e, quando posso, prestigio festivais e shows musicais de outros gêneros, por exemplo.</p>

<p>Isto posto, algumas situações precisam ser tratadas com mais clareza.</p>

<p>Primeiramente, se vários eventos deste tipo e tantos outros estão programados para a Baixada Santista - e potencialmente poderão reunir mais gente do que as noites de 18 e 19 de fevereiro de 2022 na Passarela Dráuzio da Cruz – é inaceitável que neste momento somente o Desfile das Escolas de Samba seja colocado em xeque. Especialmente desta forma tão precipitada e panfletária.</p>

<p>Ademais, não é de hoje que o “Carnaval” é intencionalmente generalizado e distorcido de forma rasteira, rotulado como algo descartável, desorganizado e vulgar.</p>

<p>Mas é bom lembrar que a narrativa da “bandalheira que tira dinheiro dos hospitais” (sic) é contada, em sua imensa maioria, pelos mesmos que nos colocaram no abismo institucional, econômico e sanitário em que atualmente estamos.</p>

<p>Eles sabem (mas omitem) que em Santos, apenas o Desfile das Escolas de Samba já tem um aval prévio do Poder Executivo, desde que as medidas vigentes do Plano São Paulo de Combate à Covid-19 validem sua realização à época.</p>

<p>E há razões técnicas para isso. O Desfile é um evento a céu aberto, que permite o controle do acesso do público, a exigência de medidas preventivas às agremiações (como máscaras adaptadas aos figurinos, por exemplo) e até mesmo um maior distanciamento entre os componentes durante a evolução na pista, se necessário.</p>

<p>Por não reunirem exatamente todas essas características, outros eventos carnavalescos importantes e tradicionais, como bandas, bailes em clubes e blocos, por exemplo, infelizmente ainda não têm perspectiva de realização iminente.</p>

<p>O mais provável, inclusive, é que só retornem caso as adaptações necessárias sejam viabilizadas em tempo hábil. Ou se o cenário da saúde pública seguir evoluindo positivamente.<br />
Mas para quem simplesmente acha que “o Carnaval tem que acabar”, esse tipo de debate ou análise não precisa ser pautado agora. Nem nunca.</p>

<p>Afinal, ao longo da história – e de outros hiatos forçados -, outros argumentos (muito menos consistentes) já foram utilizados por quem sempre demonstrou má-vontade com a cultura popular, desdém pela ancestralidade do samba e intolerância ao estar diante do diverso. Atitudes típicas de um pseudo-elitismo que nada agrega à sociedade em que vivemos.</p>

<p>Sejamos claros: se o controle da pandemia retroceder, sim, será preciso cancelar TAMBÉM o Desfile das Escolas de Samba.</p>

<p>Mas não SOMENTE o Desfile das Escolas de Samba.</p>

<p>Certo?</p>

<p>Como diz a nota enviada à imprensa pela Liga Independente Cultural das Escolas de Samba de Santos (LICESS) ontem, “a discussão deve continuar, desde que de forma abrangente, priorizando o diálogo, o embasamento técnico, a responsabilidade e o bem-estar coletivos, pois conforme o próprio enfrentamento da pandemia já nos mostrou, somente assim poderemos seguir avançando”.</p>

<p>Ninguém é obrigado a gostar ou assistir ao Desfile das Escolas de Samba. Mas uma manifestação democrática, centenária e popular, que valoriza e fomenta linguagens artísticas como a música, a dança, e as artes plásticas, é essencial para o turismo e garante renda extra para centenas de famílias em situação de vulnerabilidade social deve - e precisa – ser urgentemente mais respeitada.</p>

<p>Essa é, portanto, a verdadeira questão.</p>

<p>*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal BS9</p>
]]></content>
                                    <category term="Lúcio Nunes" />
                        <published>2021-12-03T19:59:00+00:00</published>
            <updated>2026-07-13T19:00:53+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[As histórias que serão contadas no asfalto da passarela santista em 2022]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://www.bs9.com.br/coluna/lucio-nunes/2021/11/03/as-historias-que-serao-contadas-no-asfalto-da-passarela-santista-em-2022.html" />
            <id>https://www.bs9.com.br/019f5cd7-1221-702f-bc09-ff1a501b52d5</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Lúcio Nunes]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Lúcio Nunes - Jornalista, colaborador da Liga Cultural Independente das Escolas de Samba de Santos (LICESS) e do Conselho do Samba de Santos]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>O quesito enredo é um dos mais importantes no julgamento do Carnaval de uma escola de samba. Trata-se do tema desenvolvido pela agremiação em sua apresentação na Passarela, que norteia toda a produção audiovisual do desfile, ou seja, a confecção de alegorias e fantasias e a composição do samba-enredo, entre outros itens fundamentais.</p>

<p>Sua origem, segundo a maior parte dos historiadores do Carnaval, remete a 1939, no Rio de Janeiro, quando a Portela desfilou com o tema “Teste ao Samba”.<br />
Para surpresa da comissão julgadora, naquele ano a Azul e Branco trouxe sambistas trajados de professores, um quadro negro em forma de alegoria e “diplomas” que foram distribuídos ao público por Paulo Benjamin de Oliveira, um de seus fundadores e primeiro presidente. “Vou começar a aula / Perante a Comissão”, anunciava o primeiro verso do samba.</p>

<p>A ousadia portelense se tornou regra e ao longo das décadas, os enredos das escolas de sambas se consolidaram como uma importante fonte de conhecimento e contribuição à cultura popular do país, ainda hoje com muito potencial a ser explorado, inclusive na arte-educação.</p>

<p>Basta olharmos, por exemplo, para a “safra” prevista para a retomada dos desfiles em Santos, em 2022 (a realização do evento ainda depende da liberação do Plano São Paulo de combate à pandemia da Covid-19, é bom ressaltar sempre).</p>

<p>Com 15 dos 16 enredos já revelados (a Mãos Entrelaçadas ainda não confirmou oficialmente se participará do desfile), é possível perceber a diversidade e relevância das escolhas feitas por cada agremiação. Eles se conectam não só pelas referências culturais e históricas, mas também pelo momento de superação vivido por suas respectivas comunidades.</p>

<p>Os enredos biográficos, por exemplo, serão cinco. A começar pela atual campeã do Grupo Especial, Unidos dos Morros, que defenderá seu título exaltando a trajetória do empresário português radicado em Santos, Armênio Mendes (1944-2017).</p>

<p>Também seguirão esta linha a Mocidade Dependente do Samba, num tributo ao humorista Chico Anysio (1931-2012); a Sangue Jovem, ao reverenciar uma das dirigentes mais importantes do carnaval brasileiro, Solange Cruz, que há 18 anos preside a paulistana Mocidade Alegre; a Imperatriz Alvinegra, lembrando um dos sambistas mais queridos do Carnaval Santista, Genário Vila Nova, o Mestre Bará (1948-2019); e a Império da Vila, saudando João Henrique Makumba, pelos seus 50 anos de valiosas contribuições à arte do samba e suas escolas.</p>

<p>Ainda em se tratando de enredos relacionados ao chamado “mundo do samba”, teremos a Brasil cantando a tradição e os grandes carnavais de sua madrinha carioca, a Acadêmicos do Salgueiro; a Unidos da Zona Noroeste celebrando seus 40 anos de fundação, completados em 2020; e a Bandeirantes do Saboó comemorando o seu “Jubileu de Prata”, marco alcançado em 2021.</p>

<p><img class="<img-fluid>" src="https://www.bs9.com.br/datafiles/suite/escritorio/aplicativo/conteudo/album_fotografico/14003.jpg" /><br />
 <br />
Costumes regionais e cultura afro-brasileira</p>

<p>No Marapé, o tempo é de reencontro com costumes e raízes regionais. A União Imperial, vice-campeã do último desfile, levará sua tradicional Águia em uma viagem pelos ritmos e manifestações culturais do Nordeste; já a Real Mocidade partirá das origens da população caiçara para contar a história do Porto de Santos.</p>

<p>De certa forma, também dialoga com essas escolhas o tema da Mocidade Amazonense, que contará em verde e branco a saga dos trabalhadores brasileiros em defesa de seus direitos. Já a Dragões do Castelo, em uma abordagem mais subjetiva, vai mostrar a relação entre o tempo e a realização dos sonhos humanos – inclusive o de prosperar.</p>

<p>Por fim, renovando outra temática bastante presente nas escolas de samba, teremos uma trinca de enredos que têm a fé como eixo principal.</p>

<p>No Macuco, a X-9 se prepara para um tema há muito tempo aguardado pelos xisnoveanos: a louvação ao seu padroeiro, São Jorge, partindo da trajetória lendária do santo guerreiro para chegar ao sincretismo religioso, com suas representações do catolicismo à umbanda.</p>

<p>Não muito longe dali, no Estuário, a Padre Paulo contará a história de mulheres de fibra inspirada por Oxum, orixá que representa a o poder e a beleza feminina; e, por fim, na Vila Mathias, a escola que carrega o nome do bairro mostrará a energia, a força e o poder emanados pelos doze orixás na proteção de seus devotos.</p>

<p>As escolas e seus enredos para 2022*<br />
Grupo Especial<br />
Unidos dos Morros – “Desce o Morro construindo história: Armênio Mendes, o empreendedor de sonhos”<br />
União Imperial – “Se Avexe Não, O Marapé é prá cabra da peste, no meu Carnaval made in Nordeste”.<br />
X-9 – “Salve Jorge”<br />
Mocidade Amazonense – “Chão de Bravos – A saga dos trabalhadores do Brasil”<br />
Real Mocidade – “Crônica Caiçara – Um Porto de Fé, Esperança e Progresso”<br />
Mocidade Dependente do Samba – “A Arte de Fazer Sorrir – Chico Anysio, o Mestre do Humor”<br />
Sangue Jovem – “No nome, a cruz… Na mão, o terço… No coração, Deus. De Sangue e alma Jovem, Eis Solange, a Leoa do samba!”.<br />
Brasil – “Salgueiro”</p>

<p>Grupo de Acesso</p>

<p><br />
Vila Mathias – “Quem Me Protege Não Dorme”<br />
Unidos da Zona Noroeste – “Meu Galo, 40 Anos de Alegria em Cantar e Sambar”<br />
Imperatriz Alvinegra – “A Imperatriz vai te EmBará”</p>

<p>Grupo 1</p>

<p>Padre Paulo – “Yalodê, um banho de axé e felicidade na folia”<br />
Império da Vila – “Makumba, do culto mágico à magia do samba”<br />
Bandeirantes do Saboó – “Futebol, Samba e Tradição: Arranco das Raízes 25 Anos de Emoção”.<br />
Dragões do Castelo – “Tempo: O Alimentador de Sonhos...”<br />
 <br />
Por fim, renovando outra temática bastante presente nas escolas de samba, teremos uma trinca de enredos relacionados à fé e à herança afro-brasileira.</p>

<p>* * *<br />
Gostou de algum tema?<br />
Continue acompanhando como ele será desenvolvido seguindo as agremiações através de suas redes sociais, prestigie os ensaios (sem esquecer, é claro, das medidas de proteção, pois, apesar da flexibilização, a pandemia ainda não está erradicada) e ouça e compartilhe os sambas-enredo que contarão essas 15 histórias na avenida.</p>

<p>E não se esqueça: um Carnaval bem realizado valoriza a cultura, impulsiona o turismo e gera oportunidades ao movimentar a economia criativa em diversos setores.</p>

<p><em>Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal BS9</em></p>
]]></content>
                                    <category term="Lúcio Nunes" />
                        <published>2021-11-03T19:36:00+00:00</published>
            <updated>2026-07-13T19:00:52+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Cultura, geração de renda e impacto social: com responsabilidade, o retorno do Carnaval será bem-vindo]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://www.bs9.com.br/coluna/lucio-nunes/2021/10/03/cultura-geracao-de-renda-e-impacto-social-com-responsabilidade-o-retorno-do-carnaval-sera-bem-vindo.html" />
            <id>https://www.bs9.com.br/019f5cd7-1321-73b6-9b36-7f3fb1249393</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Lúcio Nunes]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Lúcio Nunes - Jornalista, colaborador da Liga Cultural Independente das Escolas de Samba de Santos (LICESS) e do Conselho do Samba de Santos]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Nesta sexta-feira, dia 1°, a Prefeitura Municipal de Santos, a Secretaria Municipal de Cultura e a Liga Independente Cultural das Escolas de Samba de Santos (LICESS) avançaram para a realização do Desfile das Escolas de Samba em 2022.</p>

<p>A condição primordial para isso, claro, será a manutenção dos atuais progressos no Plano São Paulo – estratégia do Governo do Estado para combate à Covid-19, baseada na ciência e na saúde – que tem permitido a retomada consciente e faseada de diversas atividades econômicas, culturais, esportivas e de lazer.</p>

<p>Mesmo que tudo ocorra como almejamos, não tenho dúvidas de que o Carnaval 2022 será um dos mais desafiadores de todos os tempos. Não só pelo hiato de dois anos desde o último desfile, mas, principalmente, pela infinidade de adaptações técnicas necessárias para que as escolas possam cumprir os protocolos para manutenção do controle da pandemia.</p>

<p>Por outro lado, é sabido que esta missão já norteia todos os passos da nova gestão da LICESS desde o primeiro dia de mandato (o presidente Fábio Przygoda e sua diretoria assumiram em abril deste ano) mas, a partir de agora, ela também passa a depender dos esforços do poder público, empreendedores locais, patrocinadores, meios de comunicação e de todos aqueles que têm apreço por este grande espetáculo.</p>

<p>E se estes são os pilares para que o Carnaval 2022 alcance a viabilidade financeira, técnica e estrutural adequadas, o alicerce, com toda certeza, está nas comunidades que historicamente abraçam suas agremiações – com ou sem Carnaval.</p>

<p>Para o chamado povo do samba, pisar novamente na Passarela do Samba Dráuzio da Cruz será um momento de catarse, de reencontro e também de homenagens para aqueles que as deixaram durante este tempo tão difícil.</p>

<p>Mas não será “só” isso.</p>

<p>Já pensando nos que habitualmente se dedicam ao lugar comum da crítica vazia e pejorativa ao Carnaval, não posso deixar de aproveitar este espaço para pontuar alguns aspectos econômicos, culturais e sociais importantíssimos que justificam seu retorno.</p>

<p>(Desde que a situação da pandemia esteja realmente controlada, como já dito).</p>

<p>- A cadeia produtiva movimentada pelo Desfile das Escolas de Samba no Sambódromo Dráuzio da Cruz atingiu em 2020 uma geração de renda próxima de R$ 2 milhões (dois milhões de reais); e garantiu oportunidades para cerca de 2 mil profissionais por noite, em áreas como comunicação, infraestrutura, segurança, limpeza e serviços gerais;<br />
 <br />
- A difusão em grande escala do trabalho de músicos, compositores, coreógrafos, produtores audiovisuais, figurinistas, decoradores e costureiras, entre outras profissões bastante afetadas pelo cenário atual, gerando novas oportunidades e fortalecendo a vocação de Santos como “Cidade Criativa”, inclusive segundo à UNESCO.</p>

<p>- O reconhecimento ao papel social cumprido pelas escolas de samba junto as suas respectivas comunidades durante a pandemia. Entre o Desfile de 2020 e a Carreata Solidária de 2021, por exemplo, 16 toneladas de alimentos foram arrecadadas e distribuídas entre o Fundo Social e famílias em áreas de vulnerabilidade. Além disso, as agremiações atuaram repercutindo campanhas de prevenção, cedendo seus espaços para a vacinação e outras ações de saúde pública.</p>

<p>Que o próximo fevereiro, enfim, seja de boas notícias.</p>
]]></content>
                                    <category term="Lúcio Nunes" />
                        <published>2021-10-03T19:18:00+00:00</published>
            <updated>2026-07-13T19:00:52+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[Você já assistiu a um Concurso de Samba-Enredo?]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://www.bs9.com.br/coluna/lucio-nunes/2021/09/03/voce-ja-assistiu-a-um-concurso-de-samba-enredo.html" />
            <id>https://www.bs9.com.br/019f5cd7-130a-71dc-a63d-a40494e2ab3b</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Lúcio Nunes]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Lúcio Nunes - Jornalista, colaborador da Liga Cultural Independente das Escolas de Samba de Santos (LICESS) e do Conselho do Samba de Santos]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Ao que tudo indica, em outubro poderemos assistir pela TV aberta as finais das disputas de samba-enredo das escolas de samba cariocas.</p>

<p>Revirando o baú, arrisco-me a dizer que isso não acontece desde 1993, quando a TV Bandeirantes transmitiu ao vivo a escolha do famoso Atrás da Verde e Rosa Só Não Vai Quem Já Morreu, da Mangueira.<br />
 <br />
Isso só valoriza o recém-firmado acordo entre LIESA e TV Globo. E não só por gerar mais recursos para as agremiações, impedidas de utilizar suas Quadras devido à pandemia, mas por criar um novo formato, viável e rentável, inclusive para a retomada das atividades presenciais.</p>

<p>Particularmente, gosto muito da ideia. Afinal, dentre todas as etapas do Carnaval, não é exagero dizer que o Concurso de Samba-Enredo é a que tem maior potencial de engajamento, excetuando o próprio desfile, é claro.</p>

<p>Trata-se de uma tradição que ganhou força especialmente a partir dos anos 1980, fazendo com que os chamados sambas “sob encomenda” – termo autoexplicativo – passassem a dividir espaço com um processo mais democrático e emocionante.</p>

<p>Desde então, as disputas, em sua maioria, moldaram-se a partir de uma sequência de etapas bastante interessante, mas não muito conhecidas do grande público.</p>

<p>O primeiro momento crucial é o encontro da diretoria, do carnavalesco e dos compositores para que todos assimilem como o tema escolhido pela escola será apresentado no desfile.</p>

<p>A partir daí, os poetas voltam para seus redutos e começam a rabiscar versos e melodias, até entrarem em consenso para a gravação da obra.</p>

<p>Como os regulamentos impõem sigilo total neste período, o dia da entrega dos sambas também é cercado de expectativa. Em muitas ocasiões os ‘adversários’ só se descobrem no ato da inscrição e acompanham juntos as primeiras audições. Não por acaso, é quando a temperatura da disputa já começa a subir.</p>

<p>O clima se mantém nas eliminatórias, especialmente quando escola de samba e  concorrentes investem nas apresentações e na divulgação. Em Santos, como bem me lembrou dia desses o querido Zinho do Tempero – um dos grandes intérpretes e compositores do nosso Carnaval - já tivemos até samba concorrente estreando em horário nobre de “rádio rock”.</p>

<p>Mais recentemente, com o advento da internet e das redes sociais, as parcerias passaram a ter ainda mais recursos para mostrar seu trabalho, convocar adeptos e fortalecer a corrente por uma vaga na sonhada “finalíssima”.</p>

<p>E é nesta aguardada noite que as emoções costumam aflorar de vez. O cenário lembra um clássico futebolístico regional:  os concorrentes ensaiam do lado de fora, as torcidas trazem faixas e adereços, o canto está na ponta da língua e os bastidores fervem até que, enfim, seja conhecido o hino a ser cantado pela escola em seu próximo Carnaval.</p>

<p>Escrevo tudo isso com encantamento e uma ponta de saudade, já que nos últimos 15 anos vinha participando de Concursos de Samba-Enredo de todas as formas possíveis: como torcedor, apresentador, jurado e, mais recentemente, compositor.</p>

<p>Espero que, superado este tempo tão difícil, possamos nos reencontrar pelas Quadras para celebrar as novas obras que virão.</p>

<p>E se você nunca viveu esta experiência, mas tem curiosidade, fica a dica: em outubro, bastará ligar a TV.</p>
]]></content>
                                    <category term="Lúcio Nunes" />
                        <published>2021-09-03T14:50:00+00:00</published>
            <updated>2026-07-13T19:00:52+00:00</updated>
        </entry>
            <entry>
            <title><![CDATA[510 dias depois, o samba fez-se ouvir outra vez]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://www.bs9.com.br/coluna/lucio-nunes/2021/08/03/510-dias-depois-o-samba-fez-se-ouvir-outra-vez.html" />
            <id>https://www.bs9.com.br/019f5cd7-133c-7206-a2db-31b7c1e67e28</id>
            <author>
                <name><![CDATA[Lúcio Nunes]]></name>
            </author>
            <summary type="html">
                <![CDATA[Lúcio Nunes - Jornalista, colaborador da Liga Cultural Independente das Escolas de Samba de Santos (LICESS) e do Conselho do Samba de Santos]]>
            </summary>
            
                        <content type="html"><![CDATA[<p>Ainda me lembro quando o último carro alegórico da Vila Mathias deixou a dispersão para cruzar a Passarela do Samba Dráuzio da Cruz e encerrar o desfile do Grupo Especial em 2020, com uma homenagem ao maquiador Di César e à diversidade, já sob a luz do dia.</p>

<p>Pela primeira vez tive a chance de acompanhar o desfile na pista, realizando a cobertura das apresentações para o Conselho do Samba e para a Liga Independente Cultural das Escolas de Samba de Santos (LICESS).  Só “escapei” para desfilar na Campeoníssima Brasil, honrosamente como um dos compositores de seu samba-enredo, e, como sempre, pela União Imperial, tradição que completava 20 anos.</p>

<p>Saí muito impressionado com o que vi com a atenção e o encantamento habituais, mas, daquela vez, mais de perto. O salto de qualidade dentro e fora da pista foi notório, deixando-nos ainda mais motivados a projetar o que poderia vir em 2021.</p>

<p>Algumas semanas depois, porém, o ‘enredo’ transformou-se completamente: o mundo se viu diante da pandemia da Covid-19 e nossas escolas de samba, ao invés de planejarem o futuro, ficaram totalmente à mercê do presente, afetadas pelas consequências da gravíssima crise sanitária e econômica.</p>

<p>A interrupção inesperada, ainda que inevitável, como se sabe, culminou com o cancelamento do desfile deste ano e trouxe um impacto profundo nas comunidades ligadas às agremiações, habitualmente já inseridas em um contexto de vulnerabilidade e risco social.</p>

<p>É sempre bom ressaltar: a cadeia produtiva do Carnaval, ainda que muitas vezes informal, é um ganha pão adicional para centenas de famílias da Baixada Santista – e em todo o país.<br />
Elas transformam suas casas em ateliês, viram noites nos barracões e dedicam-se incansavelmente à produção do espetáculo, unindo o útil ao agradável – afinal, em sua maioria, são foliões apaixonados pelo samba e por suas agremiações.</p>

<p>Além disso, a estrutura do desfile, cada vez mais consolidada, oferece oportunidades para profissionais de diversas áreas: desenhistas, soldadores, marceneiros, decoradores, costureiras, atores, coreógrafos, músicos e tantos outros.</p>

<p>Por tudo isso, e pelo fato de que a realização do Carnaval em 2022 ainda depende não só de um controle efetivo da pandemia, mas também da viabilidade financeira e da readequação de cronogramas das escolas e da organização do evento, quero registrar aqui o providencial sopro de esperança que tivemos no último dia 9 de julho.</p>

<p>510 dias depois, graças à realização da 1ª Carreata Carnaval Solidário, iniciativa da LICESS em parceria com a Prefeitura de Santos, o tão esperado reencontro com o asfalto da Passarela do Samba Dráuzio da Cruz aconteceu. E mesmo diante de um formato completamente inusitado – e absolutamente necessário -, a experiência foi extremamente válida.</p>

<p>Enquanto os primeiros acordes de seus sambas-enredo ecoavam através das caixas de som, uma a uma, as escolas foram reaparecendo: e desfilaram com suas comitivas, trazendo carros devidamente decorados e, no interior deles, sorrisos que há muito tempo não eram vistos por ali.</p>

<p>Honrando a tradição dos desfiles ‘convencionais’, casais de mestre-sala e porta-bandeira bailaram à frente de cada uma delas. E no girar de cada pavilhão, atrevo-me a dizer, também estava representada a memória dos sambistas que, lamentavelmente, nos deixaram neste ínterim.</p>

<p>Não posso deixar também de mencionar a satisfação em reencontrar parte das novas diretorias da LICESS e do Conselho do Samba, lideradas, respectivamente, pelos presidentes Fábio Przygoda (recém-eleito) e Beto O Magistral (reeleito), que se empenharam e muito para mobilizar seus pares e garantir a realização da empreitada. Os desafios seguirão enormes para ambos, mas a primeira missão foi cumprida - e com louvor.</p>

<p>Saldo final:  6 toneladas de alimentos arrecadados, não só no dia do evento, mas também previamente, nas Quadras das Escolas de Samba. Eles foram doados ao Fundo Social de Solidariedade de Santos (alimentos não perecíveis avulsos) e, igualitariamente, entre as 16 escolas de samba e o Conselho do Samba (cestas básicas), para que pudessem amenizar temporariamente o grave cenário instalado em suas respectivas comunidades.</p>

<p>A força das escolas de samba, como se vê, ainda é perene. A inédita Carreata Solidária, em meio a um contexto tão conturbado, que inclui a atual sanha federal em desqualificar as manifestações legítimas da cultura popular, demonstra isso e certamente dará norte a outras ações.</p>

<p>Mas nem tudo dependerá somente da liga e das agremiações, claro. Entidades comunitárias, ONGs, empreendedores locais, poder público, meios de comunicação e iniciativa privada precisam prestar mais atenção ao potencial transformador que as escolas de samba possuem em suas comunidades, especialmente em um eventual cenário de pós-pandemia. Com parceria, sinergia e responsabilidade social, todos serão beneficiados. </p>

<p><img alt="" src="https://www.bs9.com.br/datafiles/suite/escritorio/aplicativo/conteudo/album_fotografico/7221.jpeg" style="background-color:rgb(255, 255, 255); border-style:none; box-sizing:border-box; color:rgb(115, 115, 115); font-family:arial,helvetica,sans-serif; font-size:20px; height:534px; margin:0px; padding:0px; text-align:center; vertical-align:middle; width:550px" /></p>

<p> </p>
]]></content>
                                    <category term="Lúcio Nunes" />
                        <published>2021-08-03T18:37:00+00:00</published>
            <updated>2026-07-13T19:00:52+00:00</updated>
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            <entry>
            <title><![CDATA[O amanhã tem que ser hoje...]]></title>
            <link rel="alternate" href="https://www.bs9.com.br/coluna/lucio-nunes/2021/06/03/o-amanha-tem-que-ser-hoje.html" />
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            <author>
                <name><![CDATA[Lúcio Nunes]]></name>
            </author>
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                <![CDATA[Lúcio Nunes - Jornalista, colaborador da Liga Cultural Independente das Escolas de Samba de Santos (LICESS) e do Conselho do Samba de Santos]]>
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                        <content type="html"><![CDATA[<p>... E que não só o Carnaval, mas todas as manifestações culturais que lutam para existir – e resistir – na Baixada Santista possam ser retomadas com segurança, estrutura e devidamente valorizadas.</p>

<p>É torcendo por isso que passo a ocupar este espaço no portal BS9 a partir deste mês, lembrando momentos marcantes da passarela do samba santista.<br />
 <br />
Para mim, que ainda menino saía logo cedo com minha mãe para passear entre as alegorias na orla da praia, resgatar essas histórias e personagens não será uma missão, mas, sim, um alento em tempos tão difíceis.</p>

<p>* * *</p>

<p>Bem, o título desta coluna remete a uma dessas manhãs.</p>

<p>Para ser mais exato, a de 10 de fevereiro de 1986, quando ele ainda ecoava por toda cidade.</p>

<p>É uma frase de “Assim Diz O Poeta”, composição de Ricardo Peres para a União Imperial, a partir do enredo criado por Zenaide Zampieri e lapidado pelo premiado dramaturgo Carlos Alberto Soffredini.<br />
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Quem desfilou ou assistiu à Verde e Rosa naquela ocasião ainda guarda muitas recordações.<br />
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Da bela comissão de frente feminina coreografada por Antonio Vargas ao girar do pavilhão conduzido pelo casal Regina e Valdir, passando pelos figurinos da concorridíssima ala 'costurada' pelo trio Paulo Schiff, Miriam Bernardes e Irani Silva, todas se conectam por algo em comum: um samba-enredo arrebatador, cantado em uníssono por mais de 3,5 mil componentes e marcado pela cadência poderosa de 336 ritmistas - dois recordes na época.</p>

<p>“Mais do que poesia, a União Imperial mostrou que chegou para marcar uma nova época no Concurso Oficial das Escolas de Samba de Santos” – Jornal Cidade de Santos, 11/02/1986.</p>

<p>35 anos depois, ainda é um privilégio conversar com alguns dos que lá estiveram. E trazer à tona outras histórias, menos conhecidas, mas igualmente saborosas, que precederam aquela catarse.</p>

<p>O próprio Ricardo Peres puxa a fila: ele se diverte ao lembrar que levou quase dois meses para redigir metade da letra, mas que a parte final foi escrita em apenas 15 minutos.</p>

<p>Nada mal para um compositor estreante que, por ironia do destino, enfrentaria dois grandes amigos na finalíssima do concurso de sua escola do coração: de um lado seu primo, Daniel Ferreira Barbosa (Zinho); do outro, seu parceiro Jorge Jeremias de Campos (Simonal); todos integrantes do Grupo Tempero, posteriormente alçado à fama nacional.</p>

<p>“Lembro da Quadra abarrotada naquela final. Minha torcida não era tão numerosa, mas, o samba foi abraçado pela escola. Foi uma fase muito boa da minha vida e ainda hoje recebo relatos emocionados, pois ele marcou a juventude de muita gente” – Ricardo Peres.</p>

<div style="box-sizing: border-box; padding: 0px; margin: 0px; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; color: rgb(115, 115, 115); text-align: center; font-size: 20px; background-color: rgb(255, 255, 255);"><em style="box-sizing:border-box; margin:0px; padding:0px"><img alt="" src="http://www.bs9.com.br/datafiles/suite/escritorio/aplicativo/conteudo/album_fotografico/2007.jpeg" style="border-style:none; box-sizing:border-box; margin:0px; padding:0px; vertical-align:middle" /></em></div>

<div style="box-sizing: border-box; padding: 0px; margin: 0px; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; color: rgb(115, 115, 115); text-align: center; font-size: 20px; background-color: rgb(255, 255, 255);"> <span style="box-sizing:border-box; margin:0px; padding:0px">(imagem: panfleto original do samba-enredo de 1986; acervo: Ricardo Peres)</span></div>

<div style="box-sizing: border-box; padding: 0px; margin: 0px; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; color: rgb(115, 115, 115); text-align: center; font-size: 20px; background-color: rgb(255, 255, 255);"> </div>

<div style="box-sizing: border-box; padding: 0px; margin: 0px; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; color: rgb(115, 115, 115); font-size: 20px; background-color: rgb(255, 255, 255);"><span style="font-size:16px"><span style="font-family:arial,helvetica,sans-serif">Do estúdio ao barracão<br />
Ricardo ainda revela que tanto Simonal, como Zinho – que já eram, respectivamente, mestre de bateria e intérprete da escola –, colaboraram com a versão final da obra: do primeiro veio a sugestão do termo ‘rima rica do meu verso’; e do segundo, o ‘ô ô ô’ que embala o refrão central – improviso que surgiu durante a gravação do disco oficial.<br />
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A presença do cantor em estúdio, por sinal, pôs fim a um boato que deixou o Marapé sob tensão. <br />
 <br />
Tudo porque os compositores Carlinhos de Pilares e Almir de Almeida, consagrados um ano antes na Marquês de Sapucaí – graças ao famoso ‘tem bumbum de fora prá chuchu’, da Caprichosos de Pilares – resolveram inscrever um samba-enredo na disputa da X-9 santista, que preparava o enredo ‘Currupio dos Mestres’. E convidaram Zinho para defendê-lo no Concurso, em plena Bacia do Macuco.<br />
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Não deu outra. O samba concorrente foi escolhido pela Pioneira e as especulações sobre a ida do intérprete para a arquirrival se tornaram inevitáveis.<br />
 <br />
“Depois fui saber que a diretoria da União até pensou em me dar um ‘sumiço’ para que eu não me apresentasse na X-9 (risos). De fato, fui sondado para desfilar por lá, eles estavam bem confiantes. Mas decidi ficar e pude dar voz a este samba, que foi muito cantado na avenida” – Zinho. <br />
 <br />
Refeita do susto, a União precisava transformar sua inspiração musical em realidade. Para isso, contou com o talento do carnavalesco Marco Aurélio Bezerra, o Marcão.<br />
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Bati um papo com um de seus filhos, Marcos Roberto (Marquinhos), com o intuito de resgatar um pouco da trajetória do artista, falecido em 1998. <br />
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Ele conta que o pai ainda trabalhava na extinta Favoritas do Sultão, em 1983, quando impressionou diretores da União em um desfile em São Vicente (SP). Procurado ainda na concentração, não hesitou: disse que a escola do Marapé só seria campeã se o contratasse.<br />
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Dito e feito. O carnavalesco assinou seu primeiro trabalho em 1984 (o elogiado “Vira, Gira, vem Girando”) e viu sua própria previsão se cumprir já no ano seguinte, comemorando o título com o tema “Amanheceu, Hoje é Ontem”. <br />
 <br />
Então com 10 anos, Marquinhos viu aquela rotina se intensificar em 1986, graças à expectativa criada pela conquista inédita. Por algumas vezes dormiu em cima de blocos de isopor no barracão, enquanto esperava o pai encerrar o expediente. <br />
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No fim, tomou gosto pela coisa. E se juntou a outros familiares para ajudar na produção de adereços e fantasias para aquele desfile. <br />
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“Meu pai tinha uma personalidade forte, mas era muito reservado. Evitava fotos, entrevistas... O negócio dele era desenhar, soldar, esculpir, decorar. Dizia sempre que preparava a festa não para ele, mas, sim, para o povo” – Marcos Roberto Bezerra.<br />
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A dedicação valeu a pena. Marquinhos, hoje engenheiro civil, ainda se emociona ao lembrar do imponente carro abre-alas, guardado em segredo até a véspera, que trazia a tradicional águia a sete metros de altura. Ao centro, sua irmã, Maísa, materializava o amor dos Bezerra – e de tantas outras famílias ali presentes – pelo Carnaval da Verde e Rosa.<br />
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Uma imagem certamente ainda hoje guardada na retina de muitos santistas. <br />
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E que eternizou a conquista de um bicampeonato incontestável.</span></span></div>

<p style="text-align: center;"><img alt="" src="http://www.bs9.com.br/datafiles/suite/escritorio/aplicativo/conteudo/album_fotografico/2010.jpg" style="background-color:rgb(255, 255, 255); border-style:none; box-sizing:border-box; color:rgb(115, 115, 115); font-family:arial,helvetica,sans-serif; font-size:20px; margin:0px; padding:0px; text-align:center; vertical-align:middle" /><br style="box-sizing: border-box; padding: 0px; margin: 0px; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; color: rgb(115, 115, 115); font-size: 20px; text-align: center; background-color: rgb(255, 255, 255);" />
<span style="background-color:rgb(255, 255, 255); color:rgb(115, 115, 115); font-family:arial,helvetica,sans-serif; font-size:20px; text-align:center">(O abre-alas de 1986, com Maísa, filha do carnavalesco Marcão, ao centro; acervo: Heldir Lopes Penha)</span> </p>
]]></content>
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                        <published>2021-06-03T17:54:00+00:00</published>
            <updated>2026-07-13T19:00:52+00:00</updated>
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