{
    "version": "https://jsonfeed.org/version/1.1",
    "title": "BS9 - Jamir Lopes",
    "description": "Feed de notícias de Jamir Lopes do BS9",
    "home_page_url": "https://www.bs9.com.br",
    "feed_url": "https://www.bs9.com.br/coluna/jamir-lopes/feed/json",
    "language": "pt-BR",
    "authors": [
        {
            "name": "Jamir Lopes"
        }
    ],
    "items": [
        {
            "id": "https://www.bs9.com.br/019f5cd7-151f-722a-96ea-92238fb13b16",
            "title": "A Mamata dos Sertanejos e o injusto ataque à Lei Rouanet",
            "url": "https://www.bs9.com.br/coluna/jamir-lopes/2022/06/03/a-mamata-dos-sertanejos-e-o-injusto-ataque-a-lei-rouanet.html",
            "content_html": "<p>A Lei Rouanet voltou ao centro das discussões após a polêmica entre Anitta e o cantor Zé Neto, que transbordou para Gusttavo Lima e outros sertanejos bolsonaristas, deflagrando a polarização musical na campanha eleitoral.<br />\r\n<br />\r\nDe um lado, a nata da MPB, a maioria dos roqueiros, sambistas, rappers, funkeiros, a diversidade do pop contemporâneo, músicos instrumentais consagrados e do outro, os sertanejos velhos e novos, perdendo de lavada para “o outro lado”, como Bolsonaro chama quem não está alinhado com ele. A exceção é a cantora Roberta Miranda que se solidarizou com Anitta, pioneira como mulher no sertanejo, Roberta Miranda precisou enfrentar o machismo e o desprezo dos homens em um meio dominado por eles para fazer sucesso. Porém, atualmente, não por acaso quase todos os cantores sertanejos estão alinhados ideologicamente com o bolsonarismo e repetem os ataques injustos e sem sentido ao papel desenvolvido pela Lei Rouanet - mecanismo federal de incentivo à cultura que foi sancionada pelo governo liberal do então Presidente Fernando Collor de Mello, em 23 de dezembro de 1991.<br />\r\n<br />\r\nA lei, que passou a ser chamada oficialmente de Lei Federal de Incentivo à Cultura, na verdade não usa verba pública do orçamento da União, nem de estados ou municípios. Esta lei permite que empresas ou pessoas físicas patrocinem projetos culturais previamente aprovados pelo próprio governo federal, podendo descontar o valor patrocinado em parte do imposto devido à Receita Federal. Sendo que para conseguir esta aprovação de um projeto na Lei Rouanet, o caminho é longo e burocrático, são meses ou anos passando por várias análises de técnicos pareceristas, que verificam minuciosamente o plano de trabalho e cada custo do orçamento da proposta. Hoje o cachê de um cantor solo, por exemplo, não pode ultrapassar míseros R$ 3 mil. Bem diferentes dos cachês milionários dos shows com verba pública direta pagos pelas prefeituras ou pelo orçamento secreto federal. Segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Lei Federal de Incentivo à Cultura representa apenas 0,66% da renúncia fiscal da União. Bem inferiores aos incentivos recebidos por outros setores econômicos que raramente sofrem qualquer tipo de ataque: Comércio e Serviços: 28,5%; Indústria: 11,89%; Saúde: 11,60%; Agricultura: 10,32%; Educação: 4,85%; Habitação: 4,45%. Comprovando que estes ataques sofridos pelos artistas, produtores e a maioria da produção cultural são insanos e esta longe de ser uma preocupação econômica ou de qualquer sentido de moralidade. Um governo com características autoritárias e de extrema-direita, como o de Bolsonaro, tem o objetivo de banir o pensamento e a critica. Por isso que historicamente desprezam e procuram demonizar todas as áreas do conhecimento: cultura, educação, ciência e a imprensa em geral.<br />\r\n<br />\r\nA fala do cantor sertanejo Zé Neto, que faz dupla com Cristiano, mirou os seus ataques na cantora Anitta e na Lei Rouanet e acertou a si próprio, e deu a senha para abrir a caixa preta dos patrocínios públicos aos shows sertanejos. O tiro saiu totalmente pela culatra. Apesar de ter dito que não precisava da Lei Rouanet, como se fosse errado utilizá-la, Zé Neto e seus amigos sertanejos sempre abraçaram a mamata da verba pública direta e superfaturada. Dados do Portal da Transparência mostram que o show em que Zé Neto fez a declaração foi pago pela prefeitura de Sorriso ao valor de R$ 400 mil. Nos últimos meses a dupla Zé Neto & Cristiano realizou shows com valores bem diversos. O cachê variou, estranhamente, em até 188% - dos R$ 180 mil pagos à dupla para uma apresentação em Campos Gerais aos R$ 550 mil para um show em Extrema, ambas as cidades de Minas Gerais.</p>\r\n\r\n<p>Toda esta polêmica fez a hashtag #CPIdoSertanejo entrasse nos trends topics do Twitter. A repercussão gerou uma crise no mundo sertanejo após o Ministério Público de vários estados abrirem inquéritos para investigar as origens dos contratos altíssimos previstos para os artistas. Vários shows agendados já foram cancelados e o Ministério Público esta abrindo investigação dos valores dos shows já realizados. O órgão pede esclarecimentos urgentes das prefeituras a respeito da origem do dinheiro e qual seria o retorno do show para os moradores de cada município. Um dos exemplos tem como protagonista o cantor Gusttavo Lima, que cobrou cachê milionário de R$ 800 mil para se apresentar em uma vaquejada em São Luiz, município de cerca de 8 mil habitantes, ao Sul de Roraima. A cidade tem o segundo menor PIB do estado, atrás somente de Uiramutã, e o valor exigido pelo cantor equivale a 266 vezes o teto da Lei Rouanet para cachês de artistas, que diminuiu de R$ 45 mil para R$ 3 mil, justamente no governo de Jair Bolsonaro (PL).<br />\r\nEm outra investigação envolvendo Gusttavo Lima, mostra a destinação de R$ 1,9 milhão para realizar apenas um show em Ituiutaba (MG), a cidade natal do deputado Federal André Janones, do Avante que destinou uma emenda do orçamento secreto ao artista neste valor astronômico. Tudo isso mostra que nem só de tratores, caminhões de lixo e ônibus escolares superfaturados vive o orçamento secreto da aliança de Bolsonaro com o Centrão, em ligação direta com as prefeituras, para distribuir verbas públicas sem nenhum controle. Assim, chega a ser absurda a discussão sobre a legalidade da verba gasta pela prefeitura, pois independentemente de já estar 'carimbada', ou não, para a Saúde ou a Educação, é claramente um despropósito gastar tanto dinheiro assim - com um único show -, enquanto a cidade carece de tantas necessidades. Legal ou não, aprovado ou não, o gasto é imoral. É estúpido e eleitoreiro.<br />\r\n<br />\r\nAssim, assistimos a mais uma das tremendas contradições e falácias bolsonaristas: petrolão é crime, rachadinha, não. Os filhos do Bolsonaro podem praticar tráfico de influência, o de Lula, não. Lei Rouanet é mamata, dinheiro da prefeitura, não. Por isso a confusão toda.<br />\r\n<br />\r\nZé Neto, Gusttavo Lima e outros sertanejos, que vivem posando de patriotas e cinicamente como defensores do dinheiro público, agora são atacados por suas vítimas.<br />\r\nEnquanto isso a bela Anitta vive a sua carreira internacional consolidada, continua se posicionando sobre a necessidade urgente de mudança no atual quadro político do Brasil, além de cantar e rebolar pelo mundo. Ela já figurou no 15º lugar da lista dos músicos mais influentes nas redes sociais, da Billboard e foi a primeira cantora brasileira a ficar em primeiro lugar no Spotify. Além disso, nesta quinta-feira (dia 02), a cantora teve a sua escultura de cera inaugurada pelo museu de cera mais famoso do mundo, o Madame Tussauds na Times Square, em Nova Iorque. Parabéns Anitta!</p>\r\n",
            "summary": "Jamir Lopes - Gestor e Produtor Cultural",
            "image": "https://cdn1.bs9.com.br/Folder/2026/07/b2ffb811-136a-49ee-a7ae-712c88bde710/conversions/jamir-large.webp",
            "date_published": "2022-06-03T03:00:00+00:00",
            "date_modified": "2026-07-13T19:43:16+00:00",
            "authors": [
                {
                    "name": "Jamir Lopes"
                }
            ],
            "tags": [
                "Jamir Lopes"
            ]
        },
        {
            "id": "https://www.bs9.com.br/019f5cd7-13fd-7344-ade0-287329232cd5",
            "title": "Medida Provisória: o filme choca porque ao vivo é muito pior",
            "url": "https://www.bs9.com.br/coluna/jamir-lopes/2022/05/05/medida-provisoria-o-filme-choca-porque-ao-vivo-e-muito-pior.html",
            "content_html": "<p>Dirigido por Lázaro Ramos, o filme Medida Provisória chegou em 14 de abril aos cinemas brasileiros e já se consolidou como a segunda maior estreia nacional do ano, atrás apenas de Tô Ryca 2, que fez R$ 2,2 milhões em sua abertura em fevereiro. Infelizmente na cidade de Santos, que tem como lema a “terra da liberdade e da caridade”, este aguardado filme só estreou no dia 21 de abril, uma semana após o lançamento nacional. Os cinemas do grupo Roxy do litoral paulista divulgou em suas redes sociais que “o filme foi apenas adiado por uma questão de readequação de agenda do filme na Baixada Santista”. Atitude no mínimo estranha e um desserviço à produção audiovisual nacional. Já que todos sabem que o mais importante para um filme é atingir o maior número possível de público, justamente na primeira semana de exibição, para conseguir ampliar o agendamento dos espaços nas salas exibição. Mesmo com problemas como este que vergonhosamente ocorreu no litoral paulista, o filme Medida Provisória atingiu logo na primeira semana em cartaz a marca de<br />\r\n100 mil espectadores e arrecadou mais de R$ 2 milhões entre os dias 21 (quinta) e 24 de abril (domingo). Já na segunda semana em exibição, o filme somou 237 mil espectadores no total.</p>\r\n\r\n<p><strong>Sobreviver pode ser um ato de desobediência civil</strong>. Esta frase resume bem “Medida Provisória”, primeiro filme dirigido por Lázaro Ramos, baseado na peça “Namíbia, não!” de Aldri Anunciação. Taís Araújo está no elenco na companhia de Seu Jorge, Alfred Enoch (da saga Harry Potter), Adriana Esteves, Renata Sorrah, Emicida e grande elenco – formado majoritariamente por negros na frente da tela e atrás dela, na produção do filme. A trilha sonora também é um ponto de destaque do filme. Nomes como Elza Soares, Liniker, Xênia França, Cartola e Rincon Sapiência emprestam suas músicas para a história.</p>\r\n\r\n<p>A trama mostra o Brasil num futuro distópico no qual o governo emite uma medida provisória autoritária obrigando os negros do país a retornarem à África. A obra aborda um futuro não muito distante em que é instituído um autointitulado “programa de reparação” contra o racismo que primeiro estimula e depois obriga os negros do Brasil a migrarem para a África. É difícil saber se ela choca porque é muito real ou porque a realidade é muito mais violenta. Na história, após muito esforço, os descendentes de escravizados estavam prestes a serem indenizados financeiramente pelo sofrimento dos antepassados. Surge então a nova legislação: Medida Provisória 1888 da ficção, cujo número sarcasticamente remete ao ano da lei áurea. Sempre que um grupo oprimido parece começar a se aproximar de diminuir a opressão que sofre, há um grande incômodo e a reação “generosa” contra os “exageros identitários”. Como na vida real, no filme os racistas incomodados bradam com firmeza que não são, nem jamais foram racistas.</p>\r\n\r\n<p>Historicamente o desejo de branqueamento da população brasileira tem precedentes legais muito fortes. A Constituição de 1934, por exemplo, determinava que cabia à União, aos Estados e aos Municípios estimular a educação eugênica. Renato Kehl, fundador da Sociedade Eugênica de São<br />\r\n <br />\r\nPaulo nesta mesma época, defendia a segregação entre brancos e negros e a esterilização de todos os negros e indígenas. Outros eugenistas eram entusiastas da miscigenação, mas também a viam como forma de apagar traços genéticos de negros e indígenas. Todos foram erigidos a norma constitucional. Programas de estímulo ou imposição da saída de pessoas pretas do Brasil com destino á África tampouco são fruto de criatividade exagerada dos artistas. Uma lei baiana de 1835 era mais cruel que a do filme. A lei nº 9, promulgada em 13 de maio, como se também fosse uma ironia intencional, determinava igualmente que todos africanos libertos ou escravos teriam que se mudar para qualquer país africano que fosse convencido pelo governo da província a recebê-lo. A dose adicional de crueldade é a seguinte: ainda pagariam um imposto anual, enquanto não encontrado seu destino.</p>\r\n\r\n<p>Hoje, não temos leis em vigor que falem sobre deportação compulsória, mas existe ampla descriminação, falta de oportunidades e, principalmente, uma óbvia violência e política de extermínio dos jovens negros brasileiros. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, pessoas negras foram 76,2% das pessoas assassinadas em 2020 e 78,9% das vítimas de intervenções policiais. A polícia brasileira é que mais mata no mundo e a que mais morre também. Resultado de uma gestão da segurança pública ineficiência e preconceituosa. Em Santos, por exemplo, a mesma polícia faz um tipo de abordagem nos Morros ou na Zona Noroeste da cidade e outra completamente diferente no Gonzaga - mesmo bairro nobre que foi divulgada recentemente a descoberta por vizinhos de uma senhora negra que por 50 anos foi vítima de trabalho escravo e violência física, por parte de uma família de alta renda que sequer teve os nomes de seus integrantes revelados pela imprensa local. Infelizmente a justiça não é igual para todos. Faz parte da cultura da polícia no Brasil ser racista, elitista e ainda se orgulhar disso. Tudo com o respaldo dos “cidadãos de bem” e das autoridades. A maioria da sociedade branca só quer manter os seus privilégios seculares.</p>\r\n\r\n<p>O filme de Lázaro Ramos não destaca a expressão genocídio, mas trata dele, no mesmo sentido que aqueles intelectuais e militantes lhe dão. Nenhum deles imagina que haja alguém rindo enquanto conta corpos negros mortos. Mas, todos sabem que esses corpos incomodam que muitos se sentem mais felizes quando não os veem e que eles só tombam com tanta frequência porque há tolerância e indiferença por parte de autoridades e pessoas comuns da sociedade que juram que jamais foram racistas. Pura hipocrisia. Como bem disse o mestre, escritor e compositor Nei Lopes “O Brasil é um país altamente preconceituoso, racista e excludente”, sendo dever de todos, brancos e negros, ajudarem a transformar estas mazelas históricas em nosso país.</p>\r\n\r\n<p>Se você caro leitor ou leitora ainda não viu, veja<strong> Medida Provisória</strong>. Quer seja nos cinemas ou em breve nas plataformas de streaming. Um <strong>filme necessário</strong>, que choca porque na realidade, ao vivo, é muito pior.</p>\r\n",
            "summary": "Jamir Lopes - Gestor e Produtor Cultural",
            "image": "https://cdn1.bs9.com.br/Folder/2026/07/278443ef-50ce-46fd-9172-ccdda62bfb8b/conversions/jamir-large.webp",
            "date_published": "2022-05-05T03:00:00+00:00",
            "date_modified": "2026-07-13T19:43:10+00:00",
            "authors": [
                {
                    "name": "Jamir Lopes"
                }
            ],
            "tags": [
                "Jamir Lopes"
            ]
        },
        {
            "id": "https://www.bs9.com.br/019f5cd7-13eb-7164-ac16-202752a0986f",
            "title": "“Cala a Boca Já Morreu”: A Liberdade de Expressão e as Eleições",
            "url": "https://www.bs9.com.br/coluna/jamir-lopes/2022/04/05/cala-a-boca-ja-morreu-a-liberdade-de-expressao-e-as-eleicoes.html",
            "content_html": "<p>O antigo dito popular infantil “cala a boca já morreu” voltou a ganhar força em junho de 2015, durante o julgamento de uma ação no Supremo Tribunal Federal, na qual se discutia a constitucionalidade de uma necessidade prévia de autorização do biografado para a publicação de biografias. A Ministra Carmen Lúcia, relatora do processo, afirmou em seu voto: “cala a boca já morreu, quem manda na minha boca sou eu”, esclarecendo que “censura é forma de ‘calar a boca’. Pior: calar a Constituição, amordaçar a liberdade, para se viver o faz de conta, deixar-se de ver o que ocorreu. (…) Isso a Constituição da República garante”.</p>\r\n\r\n<p>Este acontecimento converteu-se rapidamente em uma espécie de slogan da atitude adotada pelo STF diante dos mais diversos casos envolvendo liberdade de expressão. Tornaram-se, de fato, frequentes nos votos dos Ministros alusões a um caráter preferencial da liberdade de expressão que exigiria um maior ônus argumentativo para sofrer restrições, ainda que em virtude da proteção de outros direitos fundamentais. Nesta linha interpretativa o STF derrubou nos últimos anos várias ações ultraconservadoras que tentaram a volta da mordaça, tais como: os julgamentos relativos à censura à crítica humorística em período eleitoral; à censura ao beijo gay entre personagens de uma revista de histórias em quadrinhos, à censura ao especial de natal do Porta dos Fundos, entre outras ações.</p>\r\n\r\n<p>Na semana passada, entre os dias 25 a 27 de março, aconteceu o primeiro grande festival de música pós-pandemia, o Lollapalooza 2022 em São Paulo, que reuniu um público de mais de 300 mil pessoas, formado por jovens em sua maioria. No chamado “Lolla 2022” no primeiro dia do festival o show da cantora Pablo Vittar causou uma repercussão instantânea, não só artística, mas também jurídica. Tudo porque a cantora durante a sua apresentação puxou um gigantesco “Fora Bolsonaro” entre as mais de 100 mil pessoas presentes, além de terminar o seu show desfilando entre a plateia com uma toalha de banho com a imagem do Lula. Bastou este fato para o PL, partido do Bolsonaro, entrar com uma ação urgente no Tribunal Superior Eleitoral, acolhida de forma isolada pelo Ministro Raul Araújo, solicitando a proibição de todos os artistas se posicionarem politicamente durante os outros dias de realização do festival e multando este evento no valor de 50 mil reais, caso outras manifestações políticas ocorressem, com o argumento que estas manifestações se tratavam de campanha política antecipada. Com a repercussão da polêmica pela imprensa e a clara inconstitucionalidade desta ação, no dia seguinte o próprio PL, Partido Liberal, solicitou a retirada da ação. Este caso só fortalece a percepção de como vivemos tempos sombrios, de negacionismo, absurdos retrocessos civilizatórios e muitas contradições. O mesmo governo que tentou censurar um evento privado, o Lollapalooza 2022, querendo restringir a liberdade de expressão de artistas, com o argumento de campanha eleitoral antecipada, é o que de maio a dezembro de 2021 promoveu uma série de motociatas, convocadas pelo próprio presidente, em vários estados brasileiros, causando aglomerações de apoiadores sem máscaras de proteção contra covid-19, mesmo em meio a momentos críticos da pandemia no país na época. Sendo que estas motociatas promovidas em apoio ao governo de Jair Bolsonaro (PL) custaram mais de R$ 5 milhões aos cofres públicos, segundo levantamento realizado pela Folha de S. Paulo. O dado foi obtido por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) e inclui as despesas assumidas pelos estados para garantir a segurança da comitiva do presidente, além das despesas com cartão de pagamento do governo federal. Bolsonaro usou os atos das motociatas de 2021 como palco para fazer discursos inflamados, questionando a lisura do processo eleitoral, das urnas eletrônicas, e ainda atacando ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF).</p>\r\n\r\n<p>A liberdade de expressão segue ocupando um lugar central no debate político. A lista de violações à liberdade de expressão cometida pelo atual governo federal é extensa. Desde que assumiram o poder em 2019 o presidente e sua trupe reforçam uma interpretação bem deturpada do que é liberdade de expressão. Liberdade de expressão é um direito fundamental de todos os brasileiros, mas crime não pode ser chamado de liberdade de expressão. Se você não deveria, mas ofende todo mundo, isso não é crime, no máximo é injúria, calúnia e difamação. O crime é você é intimidar pessoas ou instituições, é pregar a destruição, causar a morte de inocentes ou causar o extermínio de quem você considera inimigo.</p>\r\n\r\n<p>E ainda faltam seis meses para as eleições de 2022. Aos brasileiros realistas, ativistas, jornalistas, comunicadores, artistas, eleitores e amigos: apertem os cintos, somem forças e empunhem os seus megafones. Precisamos restabelecer juntos a democracia, a esperança, a verdade, a empatia e o respeito!</p>\r\n",
            "summary": "Jamir Lopes - Gestor e Produtor Cultural",
            "image": "https://cdn1.bs9.com.br/Folder/2026/07/3056cdd1-0077-4c59-be6f-02e76927bd9f/conversions/jamir-large.webp",
            "date_published": "2022-04-05T03:00:00+00:00",
            "date_modified": "2026-07-13T19:43:10+00:00",
            "authors": [
                {
                    "name": "Jamir Lopes"
                }
            ],
            "tags": [
                "Jamir Lopes"
            ]
        },
        {
            "id": "https://www.bs9.com.br/019f5cd7-13d6-7087-aad8-265874b4f9e9",
            "title": "Semana de Arte Moderna - entre reavaliações e controvérsias",
            "url": "https://www.bs9.com.br/coluna/jamir-lopes/2022/03/05/semana-de-arte-moderna-entre-reavaliacoes-e-controversias.html",
            "content_html": "<p>A Semana de 22 é um dos marcos simbólicos mais importantes da cultura brasileira, mas não representa nem o começo nem o ápice de um movimento que atravessou as décadas e até hoje provoca controvérsias. Apenas trinta e quatro anos separam a abolição da escravatura no Brasil do maior evento de arte moderna do século 20. Ainda assim o protagonismo ali era único e exclusivamente voltado para os filhos da elite paulistana, cujos pais eram os ex-senhores de engenho de trinta e quatro anos antes. Mas não é só isso. Esses mesmos filhos da elite cafeicultora de São Paulo refletiam em seus trabalhos temas brasileiros distintos, baseados, sobretudo, no folclore “nativo” e nas “lendas rurais”, algo que, lido com as lentes de hoje, facilmente seria interpretado como apropriação cultural. Todavia, o principal objetivo da Semana de Arte Moderna de 1922 foi repensar de maneira crítica o tradicionalismo cultural daquele tempo, então associado às correntes literárias e artísticas europeias, muito ligadas ao parnasianismo e ao academicismo formal.<br />\r\n<br />\r\nO que tornou histórico e tão relevante o que aconteceu no Teatro Municipal de São Paulo em 22 foi a organização do primeiro movimento cultural no Brasil - mesmo que formado por um grupo de elite pequeno, formado por intelectuais, pintores, escultores, músicos e escritores. Tais como Menotti Del Picchia, Mário e Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Graça Aranha, Heitor Villa-Lobos, Di Cavalcanti, entre outros, que se reuniram para se posicionarem coletivamente por modernização estética, mudanças e para mostrarem suas obras e releituras. A missão destes artistas era a ruptura com o velho e a divulgação da dita arte moderna aos brasileiros. Contudo, as ideias modernistas já circulavam muito antes da realização da Semana. O evento pontuou um momento de curva dessa busca por renovação.<br />\r\n<br />\r\nDentre as ramificações que surgiram posteriormente à Semana de Arte de 1922 se destaca o “Movimento Antropofágico”, surgido em 1924, com a publicação do “Manifesto da Poesia Pau-Brasil” de Oswald de Andrade. O conceito antropofágico acreditava na “devoração”, “digestão” e “deglutição” das influências estrangeiras que subsequentemente seriam vomitadas pelos artistas com as cores, demandas e questões de uma utópica cultura “essencialmente brasileira”. Mas o que é esse “essencialmente brasileira” se o mesmo não for expelido pelo seu próprio povo? “Por seu próprio povo” entenda-se pretos, pardos e indígenas, ou seja, os excluídos, os “objetos de estudos”, os narrados e quase nunca narradores de suas próprias histórias. Eis essa uma das principais problematizações ou controvérsias acerca da Semana de Arte de 1922, sob o ponto de vista crítico do século 21. Muito embora tenha surgido no espírito vanguardista de seu tempo, tal movimento, na verdade, foi uma extensão do projeto colonial fomentado sob a guia de grandes cafeicultores e cujas estrelas eram direta ou indiretamente ligadas à ex-escravocratas de uma elite rural. Segundo o professor Carlos Berriel, do Departamento de Teoria e História Literária da UNICAMP, a Semana de Arte Moderna de 1922 foi, no plano ideológico, a iniciativa de uma oligarquia racista, reacionária e ao mesmo tempo modernista. Para servir aos interesses de classe da elite cafeicultora e a um projeto de hegemonia paulista, que via o Brasil como uma colônia a ser explorada pela metrópole de Piratininga. Mesmo autores como Mário de Andrade foram próximos a esse projeto, cuja justificativa é construída no livro \"Retrato do Brasil\", de Paulo Prado, cafeicultor, historiador e grande mecenas da Semana de 22, comentou o professor.<br />\r\n<br />\r\nIncomodado com a hegemonia paulista no imaginário nacional, conquistada pelos modernistas da Semana de 22, Ruy Castro acaba de lançar o livro \"As vozes da Metrópole\", em que recupera autores \"esquecidos\" do Rio de Janeiro de 100 anos atrás. Benjamim Costallat (1897-1961), João do Rio (1881-1921) e Agrippino Grieco (1888-1973) são alguns desses literatos resgatados. Castro vê neles uma postura muito mais inovadora do que a dos que se consolidaram como \"modernistas\". \"Eles são a prova de que, em 1922, já se escrevia moderno no Brasil, ao contrário do que pregavam os modernistas. Os autores incluídos no meu livro tinham, inclusive, inúmeras preocupações sociais, como racismo, violência contra a mulher, internação psiquiátrica compulsória, condições de vida nas prisões, etc.. Ao contrário dos modernistas, que eram intelectuais de salão, alienados, e só pensavam em estética, tipo combater o soneto e a Academia.\" Castro afirma que os modernistas paulistas não buscavam \"nenhuma brasilidade\", limitando-se a realizar aqui uma releitura do que se fazia na França. Enfim, eles não seriam os \"inovadores\", como se tornaram conhecidos, pois a inovação modernista já ocorria em outros grupos, anteriormente. Na música, o compositor e autor Lívio Tragtenberg também censura a ausência da vibrante cena que já ocorria no Rio de Janeiro. O autor do livro “O que se ouviu e o que não se ouviu na Semana de 22” aponta que na então capital do país havia \"um desenvolvimento de uma riqueza de misturas e de interações muito anteriores à Semana de 22\". \"Já se misturava a música de salão europeia com a música dos negros e a que se fazia nos bares e cafés. Quando a Semana estava acontecendo, Pixinguinha [1897-1973] era presença em Paris, exportava a música feita aqui, antes do Heitor Villa-Lobos (1887-1959), que participou do evento.\" O compositor salienta que \"nem passou pela cabeça daqueles que organizaram a Semana considerar a música popular\". E, nesse sentido, ficaram de fora, além de Pixinguinha, nomes como Donga (1890-1974) e João da Baiana (1887-1974).<br />\r\n<br />\r\nHoje entre releituras, críticas e controvérsias pipocam pelo Brasil centenas de eventos, exposições, livros, palestras e debates programados para celebrar o centenário da Semana de Arte Moderna de 22. Agenda e atividades organizadas pelas mais variadas instituições culturais, prefeituras e outros órgãos públicos que, a meu ver, deveriam priorizar a ressignificação da \"Semana”. Que necessita de fato ser criticamente reposicionada, sobretudo no lugar do resgate histórico de artistas não brancos cuja trajetória e trabalho foram apagados por conta do racismo estrutural na engrenagem da arte contemporânea brasileira. Atualmente toda a nossa sociedade precisa criar um novo e imenso movimento para as artes brasileiras do século 21 – que outrora era um lugar fechado num núcleo branco, masculino e elitista – para uma nova tomada artística, ética e étnica que represente a diversidade de um Brasil que quer ter autonomia sobre suas próprias narrativas. Como “Pensar é Resistir” termino este texto convidando a todos para fazerem uma necessária reflexão, sobre o nosso imaginário cultural, social e político: Afinal o que é ser “moderno” ou “inovador” hoje no Brasil? </p>\r\n",
            "summary": "Jamir Lopes - Gestor e Produtor Cultural",
            "image": "https://cdn1.bs9.com.br/Folder/2026/07/74796cc6-35be-4a81-9dfc-e8bfd3c56fbc/conversions/jamir-large.webp",
            "date_published": "2022-03-05T03:00:00+00:00",
            "date_modified": "2026-07-13T19:43:09+00:00",
            "authors": [
                {
                    "name": "Jamir Lopes"
                }
            ],
            "tags": [
                "Jamir Lopes"
            ]
        },
        {
            "id": "https://www.bs9.com.br/019f5cd7-13c3-701c-a252-c77d7a6145c2",
            "title": "Pele Alvo - A cor da violência e da exclusão",
            "url": "https://www.bs9.com.br/coluna/jamir-lopes/2022/02/05/pele-alvo-a-cor-da-violencia-e-da-exclusao.html",
            "content_html": "<p><strong><em>“Senhor Deus dos desgraçados!<br />\r\nDizei-me vós, Senhor Deus!<br />\r\nSe é loucura… se é verdade<br />\r\nTanto horror perante os céus?”</em></strong></p>\r\n\r\n<p><strong>Castro Alves </strong>que escreveu estes versos, parte do poema O Navio Negreiro, nasceu em 1847, no interior da Bahia. Viria a ser considerado, anos depois, o maior poeta do romantismo brasileiro. Neste poema o autor questionou se Deus sofria ou eraindiferente à sorte dos negros injustiçados e escravizados. Ele não se conformava com o fato de milhões de negros, arrancados do chão africano, arrastados a ferro, seguirem feitos bichos para o inferno. Os canaviais, as minas de ouro e diamante, bem como os cafezais do Brasil, onde eram sugados até a última gota do sangue. O autor criticava a nação brasileira da época, a forma de colonização adotada, que teve como base a desumanização do negro, onde era permitido todo tipo de atrocidade, até mesmo contra crianças, mulheres e idosos africanos. Ainda hoje, não consigo ler Castro Alves sem que alguns dos meus músculos fiquem tensos e sem que os meus olhos fiquem marejados. Todos os meses, semanas e dias atuais que a imprensa nacional repercute a morte de algum irmão negro me traz o sentimento destes épicos versos e fragmentos de Castro Alves. O revoltante caso do congolês que foi morto no quiosque Tropicália no Rio de Janeiro, na noite de segunda-feira (24), após cobrar R$ 200 do seu pagamento atrasado, não foi diferente dos milhares de outros casos de racismo que acontecem no Brasil dia após dia. A barbárie sofrida por Moïse Kabamgabe só ganhou repercussão cinco dias depois do ocorrido, quando a comunidade congolesa do Rio de Janeiro decidiu fazer um protesto em frente ao estabelecimento no último sábado (29). Moïse foi agredido por quatro homens durante 15 minutos e recebeu 30 golpes com um bastão de madeira. Além das pancadas, os agressores deram \"mata-leão\", socos e amarraram mãos e braços de Moïse com cordas, até a morte.</p>\r\n\r\n<p><strong><em>“E ri-se a orquestra irônica, estridente<br />\r\nE da ronda fantástica a serpente<br />\r\nFaz doudas espirais!<br />\r\nQual umsonho dantesco as sombrasvoam...<br />\r\nGritos, ais, maldições, preces ressoam!<br />\r\nE ri-se Satanás! “</em></strong></p>\r\n\r\n<p>O brutal assassinato de Moïse só evidencia como o racismo estrutural é a marca da sociedade brasileira. Vivemos num país onde o peso da herança escravocrata ainda se faz presente em nosso cotidiano, em pleno século XXI. Temos o Estado, a Polícia e grande parte da burguesia branca do nosso país, todos cumplices desta barbárie diária. Querem apenas manter as relações sociais, os espaços de poder e as coisas como sempre foram... O crime contra Kabamgale, além de expressar o racismo brasileiro, manifestou o preconceito contra o estrangeiro, sobretudo quando este estrangeiro é uma pessoa negra, como era o caso deste jovem de 24 anos, que fugiu da República Democrática do Congo (RDC) quando ainda era adolescente na tentativa de evitar os confrontos étnicos decorrentes da Guerra Civil de 2003, em seu país de origem.</p>\r\n\r\n<p>Um recorte estatístico importante para analisarmos, não por acaso, é o fato que no Brasil atual, em pelo menos seis estados, uma pessoa negra é morta em ações policiais a cada quatro horas. É o que aponta o estudo recente da Rede de Observatórios da Segurança, intitulado „Pele alvo: a cor da violência policial\", que foi divulgado em dezembro de 2021, com dados obtidos via Lei de Acesso à Informação. A pesquisa detalha a situação de cada região do Brasil. Foram 2.653 mortes provocadas diretamente pela polícia, sendo 82,7% delas de pessoas negras. Entre os estados do país, o Rio de Janeiro é o que mais apresenta homicídios de pessoas negras, em números absolutos, durante ações policiais, com 939 registros entre os 1092 mortos que tiveram a cor informada. Já São Paulo, estado mais populoso do país, apresenta o segundo maior número de assassinatos de pessoas negras. Sabemos que a ideia de Polícia no Brasil está estritamente vinculada ao poder e à proteção das elites. No geral as nossas polícias em todos os estados brasileiros são instituições altamente impopulares, elitistas e se orgulham disso.</p>\r\n\r\n<p>Na madrugada desta última quinta-feira, dia 03/02, em São Gonçalo, também no Rio, aconteceu mais um caso de racismo, violência e covardia. Um sargento da Marinha, identificado como Aurélio Alves Bezerra, atirou três vezes e matou o próprio vizinho, Durval Teófilo Filho, de 38 anos. Ele apenas tentava abrir o portão do condomínio onde morava, após sair do trabalho, quando foi atingido na barriga. Durval, que é negro, foi morto pelo militar após o atirador “justificar” que achou que se tratava de um assaltante.</p>\r\n\r\n<p>Sem demérito para outras pautas sociais e políticas, os inúmeros assassinatos de negros no Brasil seria razão mais do que suficiente para multidões de pessoas antirracistas brancas e negras ocupassem as ruas do país em protesto, cobrando os políticos, autoridades e instituições por justiça, igualdade e representatividade. Como estão fazendo a maioria dos movimentos negros em várias cidades do país. Mas a morte e a tortura de pessoas negras pelas mãos do Estado, da Policia, da iniciativa privada, de milicianos ou de outros cidadãos não vale uma simples seção de bateção de panelas da nossa burguesia verde-amarela. Os inúmeros casos de racismo, é óbvio, nunca foram acidentes ou casos isolados. Mas parte de um projeto de exclusão violenta e covarde contra a população negra e pobre, em nome da manutenção de privilégios.</p>\r\n\r\n<p><strong><em>“Existe um povo que a bandeira empresta<br />\r\nPra cobrir tanta infâmia e cobardia!<br />\r\nE deixa-a transformar-se nessa festa<br />\r\nEm manto impuro de bacante fria!<br />\r\nMeu Deus! Meu Deus! Mas que bandeira é esta...<br />\r\nQue impudente na gávea tripudia?<br />\r\nSilêncio. Musa…chora, echoratanto.<br />\r\nQue o pavilhão se lave no teu pranto!...<br />\r\nAntes te houvessem roto na batalha,<br />\r\nQue servires a um povo de mortalha!...”</em></strong><br />\r\n<em>(Fragmentos do Poema O Navio Negreiro - Castro Alves, 1870).</em></p>\r\n\r\n<p><em>*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal BS9</em></p>\r\n\r\n<p> </p>\r\n",
            "summary": "Jamir Lopes - Gestor e Produtor Cultural",
            "image": "https://cdn1.bs9.com.br/Folder/2026/07/94dec138-9b28-4ee0-b690-70232d600f5a/conversions/whatsapp-image-2022-02-04-at-095914-large.webp",
            "date_published": "2022-02-05T03:00:00+00:00",
            "date_modified": "2026-07-13T19:43:08+00:00",
            "authors": [
                {
                    "name": "Jamir Lopes"
                }
            ],
            "tags": [
                "Jamir Lopes"
            ]
        },
        {
            "id": "https://www.bs9.com.br/019f5cd7-12b6-734c-a355-0fd9a3d927f1",
            "title": "Esperançar é preciso!",
            "url": "https://www.bs9.com.br/coluna/jamir-lopes/2022/01/05/esperancar-e-preciso.html",
            "content_html": "<p>Esperançar se fez verbo na obra do pensador Paulo Freire, que teria completado 100 anos em 2021, se vivo estivesse. Esperançar inspira e mobiliza todo o seu legado. Na obra Pedagogia da Esperança (1992), Freire dizia “É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo”.</p>\r\n\r\n<p>O ano de 2021 terminou sem deixar saudades: inflação, desemprego, fome, descaso com a covid-19 - que ceifou cerca de 620 mil vidas -, ataques maciços contra direitos trabalhistas e o escandaloso orçamento secreto para deputados e senadores (cerca de 20 bilhões por ano) - que é uma imensa corrupção legalizada e institucionalizada pelo atual governo federal - tudo isso, infelizmente, foi o que ditou o ritmo deste ano que passou. Porém como no poema de Fernando Pessoa, devemos dizer que navegar é preciso, extraindo forças da necessidade de seguir, enquanto vida houver. Trabalhar, resistir, lutar e amar. Realizar algo bom para nós e para a coletividade faz a vida valer a pena. Faz a vida ter um propósito. Bem sei que não é fácil ser atingido pelas perdas e conseguir superá-las. Seja na perda de um ente querido, perda do emprego, da renda, suportar as consequências exige força e resistência física e mental. Na Marinha, falam que é na turbulência que se conhecem os bons marinheiros. Assim é também na vida de um modo geral.</p>\r\n\r\n<p>Desde os primeiros dias do ano novo teremos como maior desafio enfrentar com energia, esperança e resistência muitas dificuldades. A luta será imensa e lutaremos desarmados, mas, com a força do amor, da razão e do propósito, não deixando ninguém abandonado pelo caminho. Em 2022 temos como sociedade a missão de reestabelecer a verdade, a sensatez, o respeito, a democracia, a inclusão social e o amor. Como disse o inspirador Padre Lancellotti “Não seremos nem alienados ou pessimistas, mas comprometidos com os direitos humanos e a liberdade que humaniza a vida”. E neste necessário exercício de esperançar lembremos também dos lindos versos de Cecília Meireles “A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega. (...) Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação. (...) Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos”.</p>\r\n\r\n<p>No Brasil de hoje e de sempre, esperançar deve ser o verbo a ser transformado em luta. Acredito também que o campo da cultura será fundamental para a reconstrução do país. O poder estratégico da cultura para o desenvolvimento humano em todos os seus aspectos. Ela seduz, empodera e liberta. Pois é a cultura o mais forte cimento social existente, não a religião ou a ideologia. Por isso que governos autoritários, de diferentes épocas e continentes, via de regra, priorizaram demonizar, perseguir e controlar as manifestações culturais. Em 2022 para esta necessária reconstrução, mais do que nunca precisaremos nos inspirar e mergulhar nos pensamentos, nas obras e nas artes de Paulo Freire, Fernando Pessoa, Cecília Meireles, Guimarães Rosa, Conceição Evaristo, Djamila Ribeiro, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mano Brown, Bethânia, Fernanda Montenegro e muitos outros.</p>\r\n\r\n<p>Neste ano que se inicia, desejo a todos os leitores e amigos muita coragem, consciência, cultura, união e amor - pois mais do que nunca esperançar é preciso!</p>\r\n\r\n<p><em>*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal BS9</em></p>\r\n",
            "summary": "Jamir Lopes - Gestor e Produtor Cultural",
            "date_published": "2022-01-05T18:59:00+00:00",
            "date_modified": "2026-07-13T19:00:52+00:00",
            "authors": [
                {
                    "name": "Jamir Lopes"
                }
            ],
            "tags": [
                "Jamir Lopes"
            ]
        },
        {
            "id": "https://www.bs9.com.br/019f5cd7-138a-712e-9cd5-26c58bfc071a",
            "title": "Quando cancelar grandes festas populares é respeitar a vida",
            "url": "https://www.bs9.com.br/coluna/jamir-lopes/2021/12/05/quando-cancelar-grandes-festas-populares-e-respeitar-a-vida.html",
            "content_html": "<p>Pelo menos 20 capitais brasileiras decidiram não fazer a festa de Réveillon na virada de 2021 para 2022: Campo Grande, Fortaleza, Macapá, Belo Horizonte, Salvador, São Luís, João Pessoa, Palmas, Teresina, Recife, Aracaju, Brasília, Belém, Goiânia, Vitória, Porto Alegre, Natal, Curitiba, Cuiabá e, mais recentemente, São Paulo. A maior parte delas comunicou a decisão nos últimos dias em razão do avanço da variante do vírus da Covid-19 surgida na África do Sul, a Ômicron. Aqui na Baixada Santista das 9 cidades da nossa região, 5 já declinaram destes tradicionais festejos de fim de ano, para evitar aglomerações nas praias. Santos, São Vicente, Bertioga, Itanhaém e Guarujá já anunciaram que não farão eventos no Ano Novo. Já as cidades de Praia Grande, Mongaguá e Bertioga farão queima de fogos. Na contramão da sensatez, Praia Grande, inclusive já divulgou uma ampla programação de mega shows de verão, com destaque para a participação das principais duplas e cantores sertanejos do mercado nacional. Deus me livre! Por enquanto, Cubatão e Peruíbe mantêm a tradição de pequenas queimas de fogos e eventos.</p>\r\n\r\n<p>Esta nova cepa do vírus chega como um banho de água fria, logo no início da retomada dos setores culturais e turísticos nas principais cidades brasileiras, áreas já tão castigadas durante os dois últimos anos. Para amenizar estas dificuldades, todas as prefeituras estão autorizando a realização de eventos fechados neste final de ano, com número de público controlado, exigindo os protocolos sanitários mínimos e o comprovante de vacinação. É sempre bom lembrar que só chegamos neste estágio melhor por mérito incontestável do avanço da vacinação no Brasil. Porém, o momento atual requer muita precaução das autoridades, quando já temos a confirmação da chegada desta nova variante do coronavírus no Brasil e o aumento de casos na Europa, além de ainda não sabermos o quanto estamos protegidos desta nova cepa pela vacinação já realizada no país. Por isso merecem muitos elogios todos os prefeitos e governadores que de forma lúcida estão cancelando os eventos de réveillon e carnaval por todo o Brasil. Estão colocando a saúde e a vida das pessoas em primeiro lugar, num país que a pandemia já matou mais de 615 mil brasileiros, desde o seu início em 2020. Sabemos, é claro, do grau de importância que representa para a economia das cidades a realização de festas populares, os recursos que geram a temporada de verão nos municípios litorâneos e nas capitais brasileiras, além da importância de mantermos vivo o Carnaval - a nossa maior expressão de cultura popular. Mas o bom senso, a responsabilidade e o respeito à vida devem sempre prevalecer.</p>\r\n\r\n<p>Há uma enorme tendência que, em 2022, os eventos de carnaval fiquem restritos as festas fechadas — e privadas — com média de público entre 5 a 8 mil no máximo. Estes eventos deverão ser exclusivos para pagantes, com a exigência de comprovante de vacinação. Infelizmente para todo o povão e milhões de turistas, o tradicional Carnaval de Rua - que é a festa mais democrática e inclusiva do Brasil, não deve dar as caras pelo segundo ano consecutivo, no formato que conhecemos. Pelo menos é o que se discute como saída para a festa em Salvador, Belo Horizonte, Olinda e no Recife. No Rio de Janeiro e em São Paulo, por enquanto, a folia está confirmada. Para o Carnaval de Salvador, um dos mais famosos do país, a prefeitura e governo do estado ainda buscam alternativas. Existe a expectativa de uma reunião na próxima semana entre o governador Rui Costa (PT) e o prefeito da capital, Bruno Reis (DEM) para decidir sobre o carnaval. Vem do prefeito de Salvador a ideia de realizar a festa em outra data, fora de época, caso os números da pandemia impossibilitem que o calendário oficial seja seguido. Enquanto isso, artistas como Ivete Sangalo já buscam outras saídas. A cantora e empresária baiana alugou um Centro de Convenções da cidade e pretende realizar um Carnaval privado durante seis dias, em fevereiro. Já a produtora Flora Gil, esposa do cantor Gilberto Gil, disse que mesmo que os governantes da Bahia decidam pela realização do carnaval, 2022 não terá o Camarote do Expresso 2222. \"Tenho receio de produzir uma festa tão grande com duração de uma semana, como o Camarote Expresso 2222, e cooperar com a permanência, e até uma expansão, da pandemia. Tenho muito respeito pela minha vida e a vida alheia. Não temos a menor condição de sairmos às ruas com milhões de pessoas pulando umas ao lado das outras — sem máscaras — porque Carnaval é sinônimo de beijo na boca, abraços e muita bebida e comida. Alguém beija e bebe com máscara? Não conheço esse folião\", argumenta Flora.</p>\r\n\r\n<p>Em São Paulo, mais de 70 municípios já decidiram cancelar o carnaval 2022. São Luiz do Paraitinga, Ribeirão Preto, Franca, Taubaté, Botucatu, Sorocaba, Mogi, Poá, Suzano, Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra estão na lista das cidades sem folia no ano que vem. Na capital, no entanto, o cronograma oficial está mantido. A decisão final deve ser anunciada nas próximas semanas de dezembro. A estimativa é de que 15 milhões de pessoas participem do Carnaval 2022 na cidade de São Paulo. Em Santos, o prefeito Rogério Santos (PSDB) definiu que a cidade não irá realizar em 2022 o “Carnabanda” (agenda das bandas carnavalescas pelos diversos bairros), devido às características do evento de gerar aglomeração, sem ter como adotar medidas de controle sanitário. Quanto ao Desfile das Escolas de Samba de Santos está mantido, por enquanto. A Câmara Municipal de Santos, através do requerimento do vereador Benedito Furtado (PSB) solicitou o cancelamento dos desfiles, além de qualquer outro evento que gere aglomeração durante o período das festividades carnavalescas. O vereador argumentou que a medida é essencial para a não propagação da variante Ômicron pela cidade, lembrando que a COVID-19 já matou 7.269 pessoas na Baixada Santista, até o início deste mês de dezembro de 2021. Em nota, a Prefeitura de Santos esclareceu que, no momento, estão autorizados apenas os preparativos para o Desfile, previsto para ser realizado nos dias 18 e 19 de fevereiro de 2022, caso seja autorizado pelas autoridades sanitárias, em obediência ao Plano SP, gerido pelo Governo do Estado.</p>\r\n\r\n<p>Como produtor cultural e cidadão desejo que o respeito à vida prevaleça entre todos os gestores públicos e foliões do Brasil.</p>\r\n\r\n<p>Que 2022 seja com mais Esperança, Amor e Democracia. Feliz Ano Novo!</p>\r\n\r\n<p>*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal BS9</p>\r\n",
            "summary": "Jamir Lopes - Gestor e produtor cultural",
            "date_published": "2021-12-05T20:19:00+00:00",
            "date_modified": "2026-07-13T19:00:53+00:00",
            "authors": [
                {
                    "name": "Jamir Lopes"
                }
            ],
            "tags": [
                "Jamir Lopes"
            ]
        },
        {
            "id": "https://www.bs9.com.br/019f5cd7-12e1-7040-9df3-39ecbe28c072",
            "title": "Marighella, um filme de amor revolucionário",
            "url": "https://www.bs9.com.br/coluna/jamir-lopes/2021/11/05/marighella-um-filme-de-amor-revolucionario.html",
            "content_html": "<p>O aguardado filme “Marighella” fez a sua pré-estreia em Santos no Cine Roxy 5 - Gonzaga e no Cinemark - Shopping Praiamar no final de semana passado, feriado prolongado de finados, e deverá continuar em cartaz nestas primeiras semanas de novembro de 2021. A estreia ocorreu com cerca de dois anos de atraso, após ser censurado pelo governo do Presidente Jair Bolsonaro.  Filmado em 2017, Marighella tinha planos para estrear no Brasil em 2019, mas diversos fatores barraram a estreia do longa — e o principal, além da pandemia, foi um grande embate com a Ancine (Agência Nacional do Cinema). A Ancine não aprovou o lançamento da produção por “não conseguir cumprir a tempo todos os trâmites necessários para conseguir uma verba pública para distribuição”. No entanto no mesmo ano ocorreu à estreia mundial do filme no Festival de Berlim, em fevereiro de 2019, onde a produção foi aplaudida de pé pelo público. O filme passou, ainda, por importantes festivais internacionais de cinema de diversas outras cidades, como Seattle, Hong Kong, Sydney, Santiago, Havana, Istambul, Atenas, Estocolmo e Cairo. Entre os grandes nomes do elenco, ganham evidência Adriana Esteves, Bruno Gagliasso no papel do grande antagonista da trama, e o ator e cantor Seu Jorge, grandemente elogiado pela interpretação do protagonista.<br />\r\n <br />\r\nUm dos grandes méritos deste longa é retratar de forma violenta e brutal, como poucas vezes vista no cinema nacional, o período da Ditadura Militar, uma decisão arrojada, que pode acirrar ainda mais o debate atual, mas que dá contornos de adrenalina e veracidade impressionantes às cenas e, sobretudo, aos fatos. A linha narrativa que conduz a história é a relação entre o revolucionário e seu filho de 15 anos. Nesse sentido, é a história de um homem forçado a se afastar do filho enquanto luta contra um regime político opressivo que prende, tortura e mata seus conterrâneos. O filho vai para a Bahia viver protegido, enquanto Marighella permanece no centro urbano, a fim de  organizar a luta armada contra a ditadura. Enquanto isso, as forças da repressão se organizam em sua caçada e na de seu bando, com apoio da diplomacia dos EUA e liderados por um detetive com sangue nos olhos (Bruno Gagliasso), cujo único objetivo é “matar preto e matar vermelho”.<br />\r\n <br />\r\nCitado  como  terrorista  por  parte  da  história  oficial  e  por  muitos brasileiros, Marighella traz reflexões fortes para o consagrado ator e estreante na direção Wagner Moura, que no audiovisual já viveu personagens complexos como o traficante Pablo Escobar, o diplomata Sérgio Vieira de Mello e o popular Capitão Nascimento de Tropa de Elite 1 e 2. Não por acaso o diretor baiano escolheu fazer a primeira pré-estreia do seu filme no Brasil em Salvador, a cidade mais negra da América Latina, terra natal também do deputado e escritor Carlos Marighella - descendente de escravos malês e filho de Oxóssi.</p>\r\n\r\n<p>Sobre a dificuldade de se adaptar uma obra tão densa quanto o livro de Mário Magalhães, Moura explica que “Nós estávamos lidando com a história de vida</p>\r\n\r\n<p>de muitas pessoas e com um período conturbado do país. Eu e Felipe (Braga, co-roteirista) trabalhamos juntos em \"Marighella\" desde 2013. Para nós, desde o começo era claro que tínhamos que ter um recorte muito específico. Não gosto de ver filmes biográficos que em apenas duas horas tentam dar conta da vida inteira de alguém. Melhor ler um livro ou ver um documentário. Nós optamos pelos cinco últimos anos da vida de Marighella” relembra Wagner. Salientando ainda que \"Não gosto de explicar cenas do filme, mas quem for assistir a ele, terá a sabedoria de entender que ninguém está fazendo uma ode ao terrorismo. Terrorismo, entre outras coisas, é o racismo estrutural que dita o que este país é até agora. 600 milhões de mortos por Covid-19 é terrorismo, 19 milhões de pessoas passando fome no Brasil é terrorismo, Amazônia pegando fogo é terrorismo”, disse o diretor. Que concluí de forma ainda mais contundente: “Marighella é um filme não somente para as pessoas que lutaram contra a ditadura militar no Brasil, nos anos 60 e 70. Marighella é também um filme sobre os que lutaram antes: sobre Palmares, Canudos, sobre Alfaiate, Malês e todas as revoltas populares por direitos no Brasil. Mas sobre tudo este filme é para quem está resistindo agora, neste contexto sinistro do Brasil atual”.</p>\r\n\r\n<p>É um prazer assistir a um drama histórico tão bem feito, com alto valor de produção, em que a reconstituição de época não parece uma obra forçada ou evidentemente artificial. Repleto de cenas externas é admirável como vemos vida em cada elemento de cena, mesmo os de segundo plano. Com isso, para quem vive ou conhece os centros do Rio, de São Paulo e a cidade de Cachoeira na Bahia são vários os espaços reconhecíveis e causa espanto ver tamanha transformação a fim de nos transportar aos anos 60, os “anos de chumbo” no Brasil.<br />\r\n <br />\r\nÉ fundamental assistir Marighella para fortalecermos a sua exibição nos cinemas e colaborarmos para que esta obra chegue às mais diversas comunidades brasileiras, estabelecendo uma ampla reflexão contemporânea do nosso país. Para juntos resgatarmos a “Memória de um tempo onde lutar / Por seu direito / É um defeito que mata” como diz a emblemática música “Pequena Memória Para Um Tempo Sem Memória (Legião dos esquecidos)” do saudoso compositor e cantor Gonzaguinha. Vejam Marighella, que por incrível que pareça, pode ser considerado como um denso filme de amor. Um amor revolucionário e verdadeiro pelo Brasil, pela liberdade, por respeito e justiça social.</p>\r\n\r\n<p><em>Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal BS9</em></p>\r\n",
            "summary": "Jamir Lopes - Gestor e Produtor Cultural",
            "date_published": "2021-11-05T19:32:00+00:00",
            "date_modified": "2026-07-13T19:00:52+00:00",
            "authors": [
                {
                    "name": "Jamir Lopes"
                }
            ],
            "tags": [
                "Jamir Lopes"
            ]
        },
        {
            "id": "https://www.bs9.com.br/019f5cd7-1360-7205-9d39-f6a8bc3f6e04",
            "title": "A volta do público aos teatros e estádios do Brasil",
            "url": "https://www.bs9.com.br/coluna/jamir-lopes/2021/10/05/a-volta-do-publico-aos-teatros-e-estadios-do-brasil.html",
            "content_html": "<p>Com o avanço da vacinação em todo o país, após 18 meses de uma grave pandemia que levou a vida de cerca de 600 mil brasileiros e muitas polêmicas desnecessárias geradas pela irresponsabilidade do governo federal, finalmente o público voltará a ocupar as plateias dos teatros e estádios de futebol em todo o Brasil.</p>\r\n\r\n<p>Com o avanço da vacinação em todo o país, após 18 meses de uma grave pandemia que levou a vida de cerca de 600 mil brasileiros e muitas polêmicas desnecessárias geradas pela irresponsabilidade do governo federal, finalmente o público voltará a ocupar as plateias dos teatros e estádios de futebol em todo o Brasil. Os jogos da atual 23ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro que começou neste primeiro final de semana de outubro, já previu a presença de torcida nos estádios em vários estados, decisão tomada nesta semana por 19 dos 20 clubes que disputam a competição, em conselho técnico realizado no último dia 28. Em São Paulo, a volta do público nos jogos só está liberada pelo governo do estado a partir de 4 de outubro. Inicialmente poderão ser ocupadas no máximo 30% da capacidade das arenas, com o cumprimento de normas sanitárias e o uso obrigatório de máscara. Missão impossível será controlar a torcida brasileira de futebol, fazendo que ela respeite o distanciamento dentro dos estádios e que permaneça com o uso de máscaras depois da entrada. Já a partir de 16 de outubro, será autorizada a presença de até 50% do público total. A entrada nos estádios em todas estas fases está condicionada a vacinação contra a covid-19 com duas doses (Coronavac, Astrazeneca e Pfizer) ou dose única (Janssen). Pessoas vacinadas com apenas uma dose devem apresentar teste negativo para a doença com validade de 48h para os tipos PCR ou 24h para os testes de antígeno. Esta lei que regula a retomada de público nos estádios é sensata e necessária no ponto de vista da saúde pública, porém difícil será fiscalizar e fazer que ela seja cumprida de fato. O governador de São Paulo, João Doria, informou pelas redes sociais que a partir de novembro será liberada a presença do público em 100% da capacidade dos estádios.</p>\r\n\r\n<p>Já as principais casas de espetáculos, teatros e equipamentos culturais também retornam ou ampliam aos poucos as suas programações semanais, avançando na retomada de público. Além de colaborar para o reaquecimento da produção artística e econômica do país deste nosso fundamental setor cultural. No estado todos os municípios devem cumprir as diferentes etapas do Plano São Paulo, que começou o retorno de público com 40%, avançou para 60% e, agora, pode chegar a 100% de ocupação. Embora o uso de máscara seja obrigatório e o distanciamento social tenha de ser cumprido - a recomendação é a de que haja 1 metro de distância entre as mesas ou grupo de pessoas, o que acaba inviabilizando, na maioria dos casos, o retorno do público total nos espaços.</p>\r\n\r\n<p>A Sala São Paulo, por exemplo, que tem capacidade de público de 1.498 pessoas, foi o primeiro equipamento cultural a reabrir em abril deste ano com 370 lugares, ou 25% de sua capacidade. Depois, ampliou para 480 e, agora, para 638 lugares - cerca de 42% da sua lotação, para poder garantir o cumprimento da regra de distanciamento. O Tom Brasil, com capacidade para receber até 1.800 pessoas, passa a trabalhar com 75% de sua capacidade. Segundo a assessoria de imprensa, a casa faz a aferição de temperatura do público na entrada, disponibiliza álcool em gel por todo espaço e cumpre o distanciamento entre as mesas. No Espaço das Américas, é possível comprar mesa para 4 pessoas ou camarote para 6. Até o mês de novembro, sua programação tem shows de Thiaguinho, Ney Matogrosso, Alceu Valença, Chitãozinho & Xororó e do grupo Sorriso Maroto. Já o Blue Note São Paulo na Avenida Paulista, reabriu nesta sexta-feira, 1º de outubro, no Dia Internacional da Música, com um show do bandolinista carioca Hamilton de Holanda. Depois, virão atrações como Toquinho, João Donato, Geraldo Azevedo e Paula Lima. A venda de mesas será para 2, 4 ou 6 lugares para grupos do mesmo convívio social. Dos 336 lugares antes disponíveis, 229 serão disponibilizados agora, cerca de 60% deles. Todos os teatros e casas de espetáculos da capital deverão atender ao Decreto Municipal nº 60.488, de 27 de agosto de 2021, que torna obrigatório para o acesso ao local do evento à apresentação do comprovante de vacinação contra COVID-19, com no mínimo a primeira dose, além do uso obrigatório de máscaras e distanciamento de lugares nas plateias.</p>\r\n\r\n<p>Já a aguardada retomada da programação dos shows musicais, espetáculos teatrais e de dança nas diversas unidades do SESC, considerado por muitos como a principal instituição promotora de cultura e convívio social do estado de São Paulo, deverá ocorrer a partir do próximo dia 15 de outubro, paulatinamente, em cada cidade do estado. Porém, segundo o site do próprio SESCSP (atualizado em 30\\09), também será necessário apresentar o comprovante de vacinação contra COVID-19 (pelo menos a primeira dose) para ingressar nas unidades do SESC em todo o estado. Devendo mostrar o comprovante de vacinação físico ou digital, recebido no ato da vacinação ou o comprovante de vacinação impresso ou digital, disponibilizado pelas plataformas VaciVida e ConecteSUS ou pelo aplicativo e-saúdeSP.</p>\r\n\r\n<p>Apesar de todos os protocolos necessários a volta de público aos estádios e aos teatros prometem muitas emoções para todos os artistas, atletas, técnicos e, principalmente, para o público em geral. Simboliza que a nossa vida esta voltando ao normal depois de tão triste isolamento social. Nada é tão intenso e mágico como a emoção do reencontro entre os artistas com seu público. Vivemos num período de muitas dificuldades políticas, econômicas e uma grave falta de empatia social. Mas como sou um eterno realista esperançoso, acredito que saberemos resgatar grande parte da nossa alegria perdida, mantendo a sanidade, a verdade e a esperança que dias melhores virão para todos os brasileiros. A cultura, o esporte e a empatia social irão nos curar!</p>\r\n",
            "summary": "Jamir Lopes - Gestor e produtor cultural",
            "date_published": "2021-10-05T19:20:00+00:00",
            "date_modified": "2026-07-13T19:00:53+00:00",
            "authors": [
                {
                    "name": "Jamir Lopes"
                }
            ],
            "tags": [
                "Jamir Lopes"
            ]
        },
        {
            "id": "https://www.bs9.com.br/019f5cd7-12fd-73ea-ad30-b8a82f05e5e7",
            "title": "Belas homenagens marcarão o 9° Santos Jazz Festival",
            "url": "https://www.bs9.com.br/coluna/jamir-lopes/2021/09/13/belas-homenagens-marcarao-o-9-santos-jazz-festival.html",
            "content_html": "<p>Dos próximos dias 23 a 26 de setembro a emoção e a beleza da boa música estarão presentes num dos principais eventos da agenda cultural da nossa região, a aguardada nona edição do Santos Jazz Festival, o primeiro e maior festival de música deste gênero da Baixada Santista.</p>\r\n\r\n<p>O evento será totalmente online e gratuito. É... O Santos Jazz como todos os outros grandes festivais culturais do Brasil planeja voltar ao presencial somente em 2022. O país ainda não dispõe de condições sanitárias ideais e seguras para a realização de grandes eventos, principalmente com público em pé e sem controle do distanciamento entre as pessoas. É bom lembrar que nas últimas edições presenciais o Santos Jazz Festival atraiu em média mais de 20 mil pessoas por ano, entre as atividades e shows no Arcos do Valongo no Centro Histórico e no SESC Santos. Hoje em nosso país cerca de 30% da população total está com a imunização completa, com duas doses de vacina ou com uma única dose, no caso da Janssen. Sendo que o ideal segundo os estudos da ciência, dos médicos e das autoridades sanitárias em geral, é que a volta do público presencial somente deva acontecer a partir de 70% de toda a população já imunizada.</p>\r\n\r\n<p>Desde a primeira edição o Santos Jazz Festival em 2012 tem mostrado que prioriza o respeito à pluralidade, as conexões contemporâneas criativas do jazz, além das homenagens aos grandes ícones da música, do jazz e suas vertentes. Nesta nona edição do festival dois importantes ícones da música mundial serão homenageados: os 90 anos de João Gilberto e o centenário de Astor Piazzolla.</p>\r\n\r\n<p>Considerado um dos grandes guitarristas do Brasil, Lupa Santiago Trio abrirá a programação do festival celebrando os 100 anos do espetacular Astor Piazzolla - um dos músicos mais consagrados da Argentina e da América Latina, sobretudo um grande renovador da música do seu país com suas estilizações do tango.</p>\r\n\r\n<p>Em seguida João Gilberto será homenageado por Jaques & Paula Morelenbaum no show Chega de Saudade. Ele, violoncelista, arranjador, maestro, produtor musical e compositor brasileiro do mais alto nível, que durante muitos anos trabalhou com Tom Jobim, assim como a sua mulher e cantora Paula Morelenbaum. Emprestarão seus talentos a quem tornou a música brasileira, através da bossa nova e de seu violão ímpar, admirada e gravada pelos maiores músicos do mundo.</p>\r\n\r\n<p>Dentro das atrações locais o festival trará a participação de Patrícia Diegues & Banda, composta por músicos da região da Baixada Santista, com o show especial em tributo a Amy Winehouse e Adele. Além do show com o grupo Garagem Erudita & Preta Jô, dentro da parceria com o movimento hip hop de Santos, que contará também com a participação do DJ Mamuth + Performances de Danças “Cabeça Proe” (grafite e danças urbanas) com a Cia. “Cria Criou Artes”.</p>\r\n\r\n<p>Já o talentoso violinista francês radicado há 20 anos no Brasil, Nicolas Krassik, fará o show do seu novo trabalho que interpreta um dos maiores ídolos da nossa MPB, com quem já tocou por muitos anos - o baiano Gilberto Gil.</p>\r\n\r\n<p>Um dos maiores destaques do jazz mundial da atualidade, o pianista pernambucano Amaro Freitas, será das atrações mais aguardadas desta edição online do Santos Jazz Festival. Nada mais justo, já que Amaro Freitas, que recentemente completou apenas 30 anos, é considerado por muitos críticos como um gênio da música instrumental contemporânea. Amaro já participou de diversos festivais de jazz pelo mundo e já gravou trabalhos especiais com músicos populares brasileiros, tais como Milton Nascimento, Criolo, Xênia França, entre outros. O show Amaro Freitas Trio foi especialmente formatado para o evento, os músicos Jean Elton no baixo acústico e Hugo Medeiros na bateria completarão a excelente apresentação musical. Imperdível!</p>\r\n\r\n<p>Seguindo com as apresentações com grandes nomes da música instrumental, o Santos Jazz Festival trará a renomada baterista Vera Figueiredo e seu Trio e fechando a programação o show do baixista brasileiro radicado nos EUA, Marcelo Maccagnan Quarteto composto por músicos americanos.</p>\r\n\r\n<p>Apesar de todos os desafios que o campo da cultura enfrenta neste momento, a nona edição do Santos Jazz Festival manterá uma de suas marcas, a realização de excelentes oficinas musicais, mesmo no formato digital, como a aula com o músico Nicolas Krassik (violino), Vera Figueiredo (Bateria) e Dani Ribas “Remuneração no Streaming – Gestão de Carreiras na Música”. Alguns eventos paralelos ao festival serão mantidos como a Exposição de pôsteres digitais inéditos de jazz dos alunos do curso de Produção Multimídia da Universidade Santa Cecília (Unisanta), com a coordenação da Profa. Márcia Okida, no site do festival.</p>\r\n\r\n<p>O 9º Santos Jazz Festival 2021 conta com a chancela da Lei de Incentivo à Cultura através da Secretaria Especial de Cultura e Ministério do Turismo, com patrocínio da empresa Santos Port Authority. Tem o apoio cultural do SESC Santos, Associação dos Artistas e da Prefeitura Municipal de Santos. Todos os shows e oficinas da programação serão transmitidos pelas redes sociais oficiais no youtube e no facebook do Santos Jazz Festival e do SESC. </p>\r\n",
            "summary": "Jamir Lopes - Gestor e Produtor Cultural",
            "date_published": "2021-09-13T14:22:00+00:00",
            "date_modified": "2026-07-13T19:00:52+00:00",
            "authors": [
                {
                    "name": "Jamir Lopes"
                }
            ],
            "tags": [
                "Jamir Lopes"
            ]
        },
        {
            "id": "https://www.bs9.com.br/019f5cd7-12f9-72af-980f-7a6e3deecc99",
            "title": "Avança a destruição no Brasil, mas a roda girará!",
            "url": "https://www.bs9.com.br/coluna/jamir-lopes/2021/08/05/avanca-a-destruicao-no-brasil-mas-a-roda-girara.html",
            "content_html": "<p>No início da noite da última quinta-feira, dia 29, os noticiários de TV mostravam as chamas que consumiram os cerca de 400 metros quadrados do galpão da Cinemateca Brasileira, localizado na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo. A capitã Karina Paula Moreira, do Corpo de Bombeiros, afirmou que o princípio de incêndio ocorreu durante uma manutenção no ar-condicionado da Cinemateca, por uma empresa terceirizada (contratada pelo Governo Federal) que prestava serviço no local. Segundo ela, uma faísca foi gerada a partir de uma falha no equipamento. O fogo se alastrou rapidamente, pois rolos de filmes são altamente inflamáveis e, apesar dos esforços, não pôde ser contido. Foi descartada pela equipe de bombeiros qualquer possibilidade do caso ter sido ocasionado por algum elemento externo ao prédio, como um ato criminoso.</p>\r\n\r\n<p><img alt=\"\" src=\"https://www.bs9.com.br/datafiles/suite/escritorio/aplicativo/conteudo/album_fotografico/7370.jpg\" style=\"background-color:rgb(255, 255, 255); border-style:none; box-sizing:border-box; color:rgb(115, 115, 115); font-family:arial,helvetica,sans-serif; font-size:20px; margin:0px; padding:0px; vertical-align:middle\" /></p>\r\n\r\n<p>A historiadora Eloá Chouzal, membro da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA), classifica o episódio não como um “desastre”, mas um “crime”, dada a negligência do governo Bolsonaro. “A gente vem há um ano e meio alertando o governo sobre a iminência desse desastre. Para mim, é um crime. O coração da Cinemateca é o seu acervo. Se você não cuida, se não tem trabalhadores, técnicos especializados, que monitoram o que está acontecendo nesse acervo, ele está abandonado”, disse Eloá. De acordo com a pesquisadora, o galpão abrigava registros fundamentais do audiovisual brasileiro. São documentos relativos à história da Embrafilme, do Conselho Nacional de Cinema (Concine) e do Instituto Nacional de Cinema (INC). Além disso, o local também abrigava cópias únicas de negativos que já se deterioraram e não podem mais ser copiados. Nesse sentido, Eloá alerta que a sede da Cinemateca também corre perigo. Após sucessivas mobilizações da classe artística, a Secretaria Especial de Cultura liberou verbas para a contratação de serviços básicos de manutenção. Mas os técnicos que cuidavam do acervo, demitidos no ano passado, não foram substituídos. “Não adianta colocar segurança, jardineiro e manutenção predial, se o que importa o coração, a alma da cinemateca, não está sendo cuidada”.<br />\r\n <br />\r\nO abandono da Cinemateca Brasileira começou em 2019, quando o então ministro da Educação, Abraham Weintraub, decidiu romper, unilateralmente, o contrato com a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp), responsável pela TV Escola e pela gestão da Cinemateca. Desde então a União não dá continuidade aos trabalhos técnicos internos da instituição. Desde julho de 2020 o Ministério Público Federal está com uma ação civil contra a União por descaso na administração da Cinemateca. Na mesma época os trabalhadores da instituição fizeram uma paralisação de 24 horas. No auge da pandemia, eles estavam sofrendo com atrasos de salários, deterioração das condições de trabalho e constante ameaça de demissões. Ao fim daquele mês, a empresa terceirizada contratada para a manutenção dos climatizadores necessários para a conservação dos filmes deixou de prestar serviço e a brigada de incêndios debandou. Até mesmo a Prefeitura de São Paulo, sensibilizada com a situação da Cinemateca, solicitou ao governo federal para assumir a gestão do espaço, mas nunca foi respondida. Em meio a tudo isso, a Cinemateca foi transferida para a Secretaria Especial de Cultura. O titular atual da pasta, Mario Frias – que substituiu na função a atriz Regina Duarte, após sucessivos choques com classe artística – chegou até mesmo a anunciar que o acervo da Cinemateca seria transferido para Brasília, mas nada foi feito.<br />\r\n <br />\r\nNesta semana, enquanto a memória do cinema nacional era destruída pelo fogo em São Paulo, o Secretário de Cultura Mário Frias viajava com a comitiva do Ministro do Turismo Gilson Machado e outros assessores federais para a Europa, mais precisamente em Roma, na Itália, para a Conferência dos Ministros de Cultura do G20.<br />\r\n <br />\r\nPor aqui a atriz Fernanda Montenegro, a grande dama da dramaturgia brasileira, de 92 anos, se pronunciou referente ao incêndio e à atual gestão das artes no país: \"O incêndio na Cinemateca em São Paulo é uma tragédia anunciada. Toda a nossa cultura das artes sofre um cala boca, mas vamos renascer, tenho certeza. Nós temos certeza. Das cinzas, vamos renascer. É sagrado o eterno retorno, das artes, então? Um país não existe sem cultura ligada às artes\", disse a artista, bastante emocionada. Já a ex-secretária Especial da Cultura Regina Duarte não comentou o incêndio que atingiu a Cinemateca e destruiu cerca de quatro toneladas de documentos sobre a história do audiovisual no país nesta semana. Porém na semana passada a atriz classificou como \"absurdo\" um ato de manifestantes que colocaram fogo na polêmica e medonha escultura do Borba Gato, localizada no bairro de Santo Amaro em São Paulo.<br />\r\n <br />\r\nO Instituto Lumière, sediado em Lyon, na França, se manifestou por meio de um comunicado oficial a respeito do incêndio que atingiu parte de um galpão da Cinemateca Brasileira. O órgão, que recebe o nome dos irmãos franceses que inventaram a técnica cinematográfica e que é dedicado à preservação da memória do cinema, condenou a gestão do governo Bolsonaro, que administra o órgão, afirmando que a Cinemateca foi vítima de “abandono” e que seu incêndio é mais um símbolo da “desastrosa política cultural” do Brasil. O comunicado do instituto lembra que a tragédia ocorre “menos de três anos após o incêndio do Museu Nacional”. Quando o presidente Jair Bolsonaro em resposta na época, com seu costumeiro desprezo, disse: “Já está feito, já pegou fogo, quer que faça o quê?”. E lá se vai mais um pedaço imensurável da nossa História, da nossa cultura e da nossa memória.<br />\r\n <br />\r\nEu, como a grande maioria dos profissionais da cultura e artistas consideramos que o incêndio na Cinemateca não é uma fatalidade, um mero acidente. É o resultado de um projeto em curso de sucateamento e destruição da cultura brasileira. O mesmo projeto de detonação da cultura que também passa pela memória científica. Assim o governo muda padrões de aferição do desemprego no Caged, cancela o Censo, muda a metodologia de aferição da devastação amazônica no INPE, dilapida a universidade pública, o IBGE, o IPEA e outros centros de excelência. O incêndio da Cinemateca tem o propósito óbvio de destruir a memória nacional, detonar o passado e o futuro. O sentido é o mesmo do apagão no CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico): destruição, destruição e mais destruição. São ataques simultâneos planejados minuciosamente contra a Nação, contra a identidade cultural e a nossa inteligência. Por hora precisamos primeiro sobreviver, ficar atentos e resistir a esta destruição, mas sempre com o sentimento que “a roda girará, outro dia vai nascer, apesar de você, apesar de você”.</p>\r\n",
            "summary": "Jamir Lopes - Gestor e produtor cultural",
            "date_published": "2021-08-05T18:43:00+00:00",
            "date_modified": "2026-07-13T19:00:52+00:00",
            "authors": [
                {
                    "name": "Jamir Lopes"
                }
            ],
            "tags": [
                "Jamir Lopes"
            ]
        },
        {
            "id": "https://www.bs9.com.br/019f5cd7-137d-723f-9440-5b48e1c03877",
            "title": "É dever do artista refletir sobre o seu tempo",
            "url": "https://www.bs9.com.br/coluna/jamir-lopes/2021/07/05/e-dever-do-artista-refletir-sobre-o-seu-tempo.html",
            "content_html": "<p>Há 53 anos, no dia 26 de junho de 1968, aconteceu o maior ato contra a ditadura militar, que estava no auge de sua repressão na época, a histórica “Passeata dos Cem Mil”, que reuniu artistas, estudantes e trabalhadores que tomaram as ruas do Rio de Janeiro para exigir liberdades democráticas no Brasil. A Passeata dos Cem Mil gerou grande tumulto na sociedade. Contra ou a favor, era impossível desviar do assunto na época. Os principais artistas e intelectuais do Brasil participaram ativamente desde movimento: Chico Buarque, Caetano Veloso, Edu Lobo, Gilberto Gil, Nana Caymmi, José Celso Martinez Corrêa, Carlos Lyra, Geraldo Vandré, Renato Borghi, Ittala Nandi, Othon Bastos, Eva Todor, Tônia Carrero, Eva Wilma, Leila Diniz, Odete Lara, Norma Bengell, entre muitos outros.<br />\r\n </p>\r\n\r\n<p><img alt=\"\" src=\"http://www.bs9.com.br/datafiles/suite/escritorio/aplicativo/conteudo/album_fotografico/4774.jpg\" style=\"background-color:rgb(255, 255, 255); border-style:none; box-sizing:border-box; color:rgb(115, 115, 115); float:left; font-family:arial,helvetica,sans-serif; font-size:20px; height:300px; margin:0px; padding:0px; text-align:center; vertical-align:middle; width:380px\" /></p>\r\n\r\n<p> </p>\r\n\r\n<p> </p>\r\n\r\n<p> </p>\r\n\r\n<p> </p>\r\n\r\n<p> </p>\r\n\r\n<p> </p>\r\n\r\n<p> </p>\r\n\r\n<p> </p>\r\n\r\n<p><em><span style=\"font-size:10px\">As atrizes Eva Todor, Tônia Carrero, Eva Wilma, Leila Diniz, Odete Lara e Norma Bengell em 1968 durante a Passeata dos Cem Mil em protesto contra a Ditadura Militar no Brasil no Rio de Janeiro (fotos: reprodução)</span></em></p>\r\n\r\n<p>Outro movimento histórico de cunho popular que contou com grande participação de artistas e produtores culturais foi o “Diretas Já”, que começou em maio de 1983 e foi até 1984, com o objetivo da retomada das eleições diretas ao cargo de presidente da República no Brasil. O “Diretas Já” foi um movimento  suprapartidário que teve como ápice a concentração de mais de 1,5 milhão de pessoas no Vale do Anhangabaú em São Paulo. O ato foi liderado por Tancredo Neves, Franco Montoro, Orestes Quércia, Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, Luiz Inácio Lula da Silva, Leonel Brizola e Pedro Simon. Artistas e personalidades em geral também participaram ativamente do “Diretas Já”, destacaram-se: Heráclito Fontoura Sobral Pinto, Sócrates (futebolista), Christiane Torloni, Mário Lago, Gianfrancesco Guarnieri, Chico Buarque, Taiguara, Beth Carvalho, Martinho da Vila, Milton Nascimento, Wagner Tiso, Sérgio Ricardo, Chacrinha, José Wilker, Osmar Santos, entre outros.</p>\r\n\r\n<p>A cantora paraense Fafá de Belém foi considerada a “Musa do Diretas Já”, presente nos 32 comícios realizados pelo movimento em diferentes capitais e cidades pelo Brasil. Fafá se apresentou gratuitamente em passeatas e comícios, cantando os temas ”Menestrel das Alagoas’ (homenagem a Teotônio Vilela) e o Hino Nacional Brasileiro”.</p>\r\n\r\n<p>A participação de artistas engajados com críticas ao sistema político sempre foi fundamental para conscientizar e motivar a população. Através da sua arte, seja na música, teatro, literatura, cinema ou artes plásticas, eles ajudaram a unir o povo para lutar por direitos, a favor da Cultura, da liberdade e contra a censura. A<br />\r\nredemocratização no Brasil deve muito à cultura, mesmo que só tenham ocorrido 20 longos anos depois da “Passeata dos Cem Mil” e quatro anos depois do “Diretas Já”, com a promulgação da Constituição Federal, em 5 de outubro de 1988 - época que José Sarney era o presidente da república, eleito de forma indireta. Só em 1989, finalmente, foi eleita de forma direta e democrática a chapa Fernando Collor e Itamar Franco, como presidente e vice, respectivamente.<br />\r\n </p>\r\n\r\n<p><img alt=\"\" src=\"http://www.bs9.com.br/datafiles/suite/escritorio/aplicativo/conteudo/album_fotografico/4776.jpeg\" style=\"background-color:rgb(255, 255, 255); border-style:none; box-sizing:border-box; color:rgb(115, 115, 115); font-family:arial,helvetica,sans-serif; font-size:20px; height:266px; margin:0px; padding:0px; text-align:center; vertical-align:middle; width:372px\" /></p>\r\n\r\n<p><em><span style=\"font-size:10px\">Performance da cantora Fafá de Belém no comício “Diretas Já”, com o ator José Wilker (ao fundo) 1984</span></em></p>\r\n\r\n<p><br />\r\nJá nos dias atuais, com a pandemia de COVID-19 levando a vida de mais de 522 mil brasileiros, trouxe também inúmeras de outras crises: econômica, humanitária, política e moral. Com as eleições de 2022 cada vez mais próximas, na internet e nas ruas, é possível ver uma clara divisão de lados: os que apoiam e os que se opõem ao atual governo. Diante dessa divisão, existem as pessoas que se permitem ficar isentas de opinião. Quando se trata de figuras públicas, porém, essa neutralidade não tem sido aceita pelos brasileiros, o que tem gerado atrito até mesmo entre os famosos.</p>\r\n\r\n<p>Creio que embora não seja obrigado é importante ver um artista posicionando-se politicamente. Isso ajuda a fazer com que a arte também se torne um instrumento de consciência política, empatia e de compreensão da realidade. Senão, corremos o risco de sermos engolidos apenas pelos interesses publicitários e pelo famoso “pão e circo”.</p>\r\n\r\n<p>Para mim, o youtuber Felipe Neto é o maior case. Ele é muito influente e cresceu criando conteúdo de entretenimento, mas, foi mudando o comportamento e assumindo uma postura mais crítica em relação à política nacional. Assim como fez a cantora Anitta, que possui milhões de fãs pelo Brasil e o mundo. A atriz e cantora Samantha Schmütz recentemente criticou de forma contundente os artistas e influenciadores que não se posicionam sobre acontecimentos políticos e sociais no Brasil: \"Quem tem voz, tem que falar. Não é uma coisa de escolher partido ou candidato, é ficar do lado da vida dos brasileiros!”. E concluiu, “Pra que que a gente conquistou tanta voz? Pra que a gente tem milhões de seguidores? É só pra vender produto? É só pra isso? Não, gente!”. Concordo com a postura da atriz, nessa situação de vida e morte, assumir o papel de isento não deveria ser uma escolha.</p>\r\n\r\n<p>Porém, em minha opinião como produtor cultural que já conviveu e convive com centenas de artistas, quem é do time dos isentões, já esta posicionado. Não importa se o artista é de direita ou esquerda, temos problemas maiores para resolver, o principal deles está no poder. Se o seu ídolo não se posiciona, você é quem deve se posicionar sobre ele. Hoje, o mínimo que cada fã ou cidadão pode, e deve cobrar daquele seu artista favorito é um posicionamento, mesmo que seja contrário ao seu.</p>\r\n\r\n<p>Ele só não pode ser contrário à vida. Garanto que isso resolve. Um exemplo recente disso é a cantora e apresentadora Ivete Sangalo, que após ser cobrada por centenas de fãs e amigos, ela rompeu o silêncio de anos: “Esse governo que aí está não me representa nem mesmo antes da ideia dele existir”. Nesta última quinta-feira (1º de julho), Ivete (49 anos) tomou a sua primeira dose de imunizante contra a Covid-19 em um drive thru em Salvador, na Bahia, e voltou a se manifestar: \"Um dia tão esperado. A vacina salva vidas! Viva o SUS\".</p>\r\n\r\n<p>Termino desejando que as palavras, a obra e a sabedoria da imortal diva do jazz Nina Simone, que é a autora da frase que serve de título para esse texto, continuem inspirando artistas e pessoas comuns de todo o mundo, em todos os tempos. </p>\r\n\r\n<p><br />\r\n<img alt=\"\" src=\"http://www.bs9.com.br/datafiles/suite/escritorio/aplicativo/conteudo/album_fotografico/4775.jpg\" style=\"background-color:rgb(255, 255, 255); border-style:none; box-sizing:border-box; color:rgb(115, 115, 115); font-family:arial,helvetica,sans-serif; font-size:20px; height:214px; margin:0px; padding:0px; text-align:center; vertical-align:middle; width:380px\" /></p>\r\n\r\n<p><br />\r\n“O dever de um artista, no que me diz respeito, é refletir os tempos. Acho que isso é verdade para pintores, escultores, poetas, músicos. No que me diz respeito, a escolha é deles, mas EU ESCOLHO refletir os tempos e situações em que me encontro. Isso, para mim, é meu dever. E neste momento crucial de nossas vidas, quando tudo está tão desesperador, quando todos os dias é uma questão de sobrevivência, eu não acho que você pode ajudar, mas se envolver. Vamos moldar este país ou ele não será mais moldado. Então, eu não acho que você tem escolha. Como você pode ser um artista e NÃO refletir os tempos? Isso para mim é a definição de um artista” - Nina Simone.</p>\r\n",
            "summary": "Jamir Lopes - Gestor e Produtor Cultural",
            "date_published": "2021-07-05T14:15:00+00:00",
            "date_modified": "2026-07-13T19:00:53+00:00",
            "authors": [
                {
                    "name": "Jamir Lopes"
                }
            ],
            "tags": [
                "Jamir Lopes"
            ]
        },
        {
            "id": "https://www.bs9.com.br/019f5cd7-12d3-7006-bfe5-1e3922229994",
            "title": "A cultura e o pós-pandemia",
            "url": "https://www.bs9.com.br/coluna/jamir-lopes/2021/06/05/a-cultura-e-o-pos-pandemia.html",
            "content_html": "<p>A pandemia começou a atingir o campo da cultura e das artes no Brasil quando ela já passava por muitas dificuldades: perda do status de ministério para secretaria, rede de difamação de vários dos nossos mais importantes artistas e a demonização geral dos profissionais da cultura, seguidas tentativas de censura, além da recessão política e econômica do país. Todas as ações são orquestradas pelo projeto do governo federal de desmonte e asfixia dos diversos setores artísticos, projeto que ainda esta em curso.</p>\r\n\r\n<p>Sabemos que a ideia de cultura sempre foi moldada conforme as visões e objetivos políticos de cada tempo, detendo em si as chaves que podem abrir portas para o diálogo, a liberdade, a equidade e o respeito. Mas que também podem fechá-las, cedendo ao controle, à discriminação e à intolerância. A cultura tem o poder de entrelar às dinâmicas sociais, conseguindo permear todo o espaço da sociedade, tanto como alimento da alma individual tanto como forte elemento agregador e transformador de realidades coletivas. Não por acaso, marcadamente na história todos os governos com perfil autoritário, seja de esquerda ou de direita, sempre priorizaram perseguir, controlar e calar artistas e as manifestações da cultura popular. Pois é cultura que possui a capacidade de uma ampla comunicação criativa, que seduz, questiona, empodera e liberta. A cultura que é o mais forte cimento social existente, não a religião ou a ideologia.</p>\r\n\r\n<p>Desde março de 2020, há 15 meses, quando a primeira morte de Covid-19 foi detectada por aqui e a OMS já declarava a pandemia mundial, de forma bem compreensível foi a cultura o primeiro setor econômico a ser atingido. Pois logo, em efeito cascata, todas as casas de shows, cinemas, galerias, bibliotecas e teatros começaram a ser fechados até a interrupção total das atividades presenciais. Este isolamento impossibilitou a realização de grandes festivais, o Carnaval, eventos religiosos e outras festas tradicionais que movimentavam bilhões em recursos financeiros das indústrias culturais brasileiras e empregam milhares de profissionais em todo o país. Segundo recente pesquisa do Observatório Itaú Cultural, o setor da economia criativa perdeu 458 mil postos de trabalho na comparação do último trimestre de 2020 com o mesmo período do ano anterior. O levantamento leva em consideração funções em diversas áreas que dependem da criatividade para serem desempenhadas, não sendo uniformizadas ou passíveis de serem substituídas por máquinas. Eram 7,1 milhão de pessoas trabalhando nesse tipo de função nos últimos três meses de 2019. Número que foi reduzido para 6,6 milhões no quarto trimestre de 2020.</p>\r\n\r\n<p>Diante desse quadro atual do campo da cultura, o imperativo é sobreviver. E esta sobrevivência não tem sido nada fácil, por mais que editais emergenciais, como a conquista da Lei Federal Aldir Blanc, editais da Secretaria de Estado da Cultura e da Economia Criativa de São Paulo e ações pontuais das prefeituras locais estejam mitigando os efeitos desta crise no setor das artes.</p>\r\n\r\n<p>Infelizmente o retorno à sonhada “normalidade\" ainda está um pouco distante, tanto para a cultura como na economia em geral. Para a fruição de atividades culturais que exigem presença física e ambientes específicos para sua realização, só poderão voltar a acontecer de forma responsável e segura, quando mais de 70% da população do país for vacinada contra o coronavírus. Atualmente no Brasil até a primeira semana do mês de junho de 2021, foram imunizados com as duas doses da vacina cerca de 10% apenas da nossa população.</p>\r\n\r\n<p>Segundo a pesquisa \"Hábitos Culturais da Cultura na web durante a pandemia\", realizada pelo Itaú Cultural e Instituto Datafolha em setembro de 2020, detectou, o desejo do brasileiro de continuar com o hábito online após a reabertura dos espaços culturais. O cenário ainda é incerto para o futuro póspandêmico, mas podemos enumerar que alguns aprendizados vieram para ficar. A capacidade de democratização de produtos culturais através da internet e a valorização da arte como aliada à saúde mental são dois dos principais. O neurocientista Sidarta Ribeiro afirma que ao lado da ciência, a arte e a cultura podem ajudar na superação da crise sanitária. \"Observo que as pessoas que se voltaram para o seu mundo interior com cultura, sejam livros, músicas ou filmes, estão com mais saúde mental. A arte é curativa.\" Já este novo nicho digital não poderá ser abandonado mesmo com a volta do grande público aos espetáculos culturais, após atingirmos a imunidade coletiva com a vacina. Mas a utilização dos meios remotos deverá ser mais criteriosa e planejada, indo além das transmissões. É preciso agregar por meio desse hibridismo e não sobrepor, com muita interação, qualidade e profissionalismo, são o que deverá ficar no pós-pandemia. É oportuno lembrarmos também que a cultura e a educação tiveram papel fundamental na reconstrução social depois da Segunda Guerra Mundial.</p>\r\n\r\n<p>A diplomacia da paz, comprometida com a cooperação internacional, resultou na criação da ONU, e, na sequência quase imediata, foi instalada a UNESCO como agência dedicada à educação e à cultura. Em vários países atingidos profundamente pela guerra, como na França e na Coreia, a valorização da educação pública universal e a implementação de políticas culturais foram decisivas para superar a tragédia e a miséria. Especialmente onde as memórias da dor e da violência eram incontornáveis, a educação e a cultura restabeleceram o gosto pela convivência humana e pela criação coletiva, traduzindo a capacidade de resiliência dos povos.</p>\r\n\r\n<p>Como dizia o mestre, dramaturgo e poeta Ariano Suassuna, \"o otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso\". Com este pensamento termino este texto, desejando que quando nos encontrarmos no pós-pandemia, onde o isolamento social será apenas uma lembrança, que a cultura seja fundamental para a reconstrução do nosso país. Reafirmando a sua missão de importante cimento social, ajudando aos brasileiros a voltar à razão, reatando os laços que se tornaram distantes e permitindo um novo convívio. Uma sonhada reconstrução nacional com base na verdade, na inclusão, no pluralismo, na equidade, com mais respeito e afeto. </p>\r\n",
            "summary": "Jamir Lopes - Gestor e produtor cultural",
            "date_published": "2021-06-05T18:01:00+00:00",
            "date_modified": "2026-07-13T19:00:52+00:00",
            "authors": [
                {
                    "name": "Jamir Lopes"
                }
            ],
            "tags": [
                "Jamir Lopes"
            ]
        }
    ]
}
