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    "title": "BS9 - Gustavo Klein",
    "description": "Feed de notícias de Gustavo Klein do BS9",
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            "title": "Um filme perdido em algum lugar do passado",
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            "content_html": "<p>Vou pedir licença aos amigos da BS9 para falar de um filme muito antigo: 'Em Algum Lugar do Passado', uma mescla de ficção científica com romance que tem fãs ardorosos, especialmente aqui no Brasil, mas não é valorizado pela indústria.</p>\r\n\r\n<p>O filme, do início dos anos 1980, conta a história de um dramaturgo (Christopher Reeve) que, ao receber um relógio de uma misteriosa atriz já idosa (Jane Seymour), acaba viajando para o passado para encontrá-la. Eles acabam se apaixonando e vivendo um romance que enfrenta a oposição feroz do empresário da moça (Christopher Plummer), também é apaixonado por ela.</p>\r\n\r\n<p>O filme enfrenta preconceito dos fãs de ficção científica por ser romântico e piegas e os fãs de romance o acharam complicado por causa das viagens no tempo. Talvez por isso ‘Em Algum Lugar do Passado’ não tenha feito grande sucesso na época de seu lançamento, a não ser no Brasil.</p>\r\n\r\n<p>Mas sua trilha sonora vendeu como água. Além de ‘Rhapsody on a Theme of Paganini’, de Rachmaninoff, a música-tema também tocou bastante por aqui. Minha mãe adorava o filme, as músicas (chegou a escrever uma letra em cima da melodia) e o livro, que guarda algumas diferenças da versão para a telona.</p>\r\n\r\n<p>Nas premiações, repetiu o insucesso das bilheterias. Foi indicado para um único Oscar (de figurino) e perdeu. Foi indicado para um único Globo de Ouro (trilha sonora) e perdeu. Mas venceu alguns prêmios conhecidos do segmento de fantasia, como o Saturn Awards de Melhor Filme de Fantasia, o de Melhor Filme no festival de Alvoriaz e, aqui no Brasil, o prêmio de filme estrangeiro no Festival de Cinema do Sesc.</p>\r\n\r\n<p>É o tipo de filme que consegue estabelecer, de forma contrária a qualquer expectativa, uma conexão muito forte e emocional com o público e que merecia estar num streaming qualquer aqui do Brasil, país onde o filme fez mais sucesso, ganhando novos admiradores e encantando quem gostou do filme original, há longínquos 41 anos (pois é, já faz isso tudo!).</p>\r\n",
            "summary": "Gustavo Klein - Apaixonado por livros, filmes, música e séries, atua há mais de 30 anos como jornalista cultural",
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            "title": "O tapa e o Oscar",
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            "content_html": "<p>O assunto já teve um desfecho. Mas como a última coluna aqui na BS9 foi antes do Oscar e a agressão de Will Smith a Chris Rock continua tendo desdobramentos, acho que vale investir no assunto. Will vai ficar 10 anos sem poder comparecer a qualquer evento promovido pela Academia do Oscar, incluindo, claro, a própria festa de entrega do prêmio, e como não é mais membro da Academia, não vai também poder votar nos seus favoritos.</p>\r\n\r\n<p>Mesmo assim, poderá ser votado e indicado ao Oscar. O diretor Roman Polansky, também banido pela Academia e impedido de pisar nos Estados Unidos (se pisar será preso por abuso sexual e estupro de uma garota de 13 anos, ocorrido nos anos 1970) ganhou o Oscar em 2003 por 'O Pianista'. Harvey Weinstein também foi banido graças às acusações de estupro.</p>\r\n\r\n<p>É óbvio que casos como o de Polansky são muito mais graves. Mas é equivocado contemporizar o caso de Smith como se toda a reação à sua agressão fosse resultado de preconceito racial. É inaceitável que qualquer problema seja resolvido na base da agressão, não importa a motivação. Quando isso acontece em rede mundial e da forma como aconteceu, o que Will tinha de razão, perdeu. Se começarmos a justificar agressões graças a uma ou outra razão, iremos por um caminho muito perigoso.</p>\r\n\r\n<p>A ressaltar também, neste episódio, toda a elegância de Jada Pinkett, que diante da piada agressiva de Chris Rock, demonstrou sua desaprovação com o olhar. Will poderia ter feito o mesmo. Ou ter feito melhor: usado seu discurso para se pronunciar sobre a doença da esposa ao invés daquela egotrip sem nenhum foco e um tanto quanto messiânica. Seria um tapa \"moral\" na Academia e em Chris Rock e ele sairia por cima nessa história. Já com o tapa, ele transformou o agressor em vítima, tirou o momento de glória de todos os outros vencedores da noite e agora faz com que seus vários méritos não façam qualquer diferença.</p>\r\n\r\n<p>O histórico de Will Smith também pesa contra ele. Outra tentativa de agressão a um fotógrafo e atitudes pouco profissionais com relação a colegas de trabalho fizeram do astro uma figura amada pelos fãs (desde o seriado Fresh Prince of Bel-Air) e nem tão adorada em seu próprio meio. </p>\r\n\r\n<p>Comparar a agressão de Will Smith com crimes cometidos por Harvey Weinstein ou Roman Polansky não diminui a gravidade do seu ato. Que sejam, os três, punidos. Ou não?</p>\r\n",
            "summary": "Gustavo Klein - Apaixonado por livros, filmes, música e séries, atua há mais de 30 anos como jornalista cultural",
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            "title": "Streaming pela diversidade",
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            "content_html": "<p>Entre tantos serviços de streaming concorrentes, o pioneiro deles - Netflix - vem se destacando pela diversidade de seu catálogo em relação à origem das produções. Enquanto na concorrência o forte são as produções norte-americanas (até porque é o mercado dominante, culturalmente falando), no Netflix é comum ver filmes turcos como ‘O Milagre da Cela 7’ ou a série coreana ‘Round 6’ liderando o ranking dos mais assistidos.</p>\r\n\r\n<p>É saudável e altamente positivo que outros mercados produtores de entretenimento tenham espaço e que o público tenha acesso a esta produção. É desta forma, conhecendo a cultura de outros povos, que se exercita a melhor forma de empatia. Conhecer e entender é talvez a única forma de evitar preconceitos e conflitos. Fiz, então, uma relação do que de mais recente - e melhor - entrou na Netflix fora do ‘mainstream’ norte-americano. Confira:</p>\r\n\r\n<p><strong>Guia Astrológico Para Corações Partidos (Itália)</strong><br />\r\nSeriado italiano, uma comédia romântica que gira em torno de uma produtora de tevê, solteira, que cria um reality-show de namoro baseado na astrologia e faz o maior sucesso. O show mostra essa vida profissional mas também os fracassos pessoais da moça e de seus colegas no campo amoroso. Bobeirinha divertida, são duas temporadas de seis episódios de meia cada.</p>\r\n\r\n<p><strong>Estúdios Ghibli (Japão)</strong><br />\r\nAs animações japonesas dos estúdios Ghibli estão entre os maiores clássicos recentes da filmografia do país. Há verdadeiras joias que refletem a cultura, o modo de pensar e as tradições do país, como ‘Meu Amigo Totoro’, o oscarizado ‘A Viagem de Chihiro’ e o doce ‘Ponyo’. Todos os filmes do estúdio estão disponíveis no serviço.</p>\r\n\r\n<p><strong>Alice in Borderland (Japão)</strong><br />\r\nQuem curtiu ‘Round 6’ não pode perder este seriado japonês nos mesmos moldes mas ainda mais violento. Moradores aleatórios de Tóquio são selecionados para um jogo em que a própria vida é o prêmio principal, com provas ao melhor estilo Jogos Mortais e aquele tradicional mistério de sua origem revelando conspirações completamente malucas. Divertido, deve ganhar uma nova temporada em breve.</p>\r\n\r\n<p><strong>Midnight Diner (Japão)</strong><br />\r\nÉ uma das séries mais interessantes do Netflix, que produziu duas temporadas extras de um seriado que já existia e havia sido descontinuado. São capítulos independentes focados na figura de um cozinheiro conhecido apenas como Mestre, dono de um pequeno restaurante que funciona da meia-noite às sete da manhã. Ali, se encontram e desencontram os notívagos moradores de Tóquio, almas perdidas na madrugada em busca de seus pratos favoritos e o espectador fica conhecendo um pouco da história da pessoa e do prato. Uma pena que os outros cerca de 50 episódios da série, que não foram produzidos pela Netflix, ainda não tenham entrado no serviço.</p>\r\n\r\n<p><strong>Cinema Espanhol (Espanha)</strong><br />\r\nAlém de ‘Mães Paralelas’, que marca a oitava colaboração de Pedro Almodóvar com Penélope Cruz, o Netflix disponibilizou outros filmes do diretor, como os já clássicos ‘Ata-Me’ e ‘Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos’. Também vale muito a pena experimentar outros filmes e séries do país. Um diretor espanhol de quem gosto muito e também tem filmes no serviço é o Alex de La Iglesia. Assista, dele, a ‘Perfeitos Desconhecidos’, uma maluquice deliciosa sobre um grupo de amigos que, durante um jantar, resolve fazer uma brincadeira perigosa: todos os celulares devem ficar no centro da mesa e qualquer ligação ou mensagem que chegar deve ser atendida, mostrada e ouvida, em viva voz, na frente de todos. Confusão certa, não? E, claro: também no serviço está o megasucesso ‘La Casa de Papel’.</p>\r\n\r\n<p><strong>O Violino do Meu Pai (Turquia)</strong><br />\r\nEu, sinceramente, não embarquei na história de ‘O Milagre da Cela 7’. Não consegui me emocionar mas isso provavelmente é culpa minha, que ao longo da vida me tornei mais cínico do que deveria. Mas como o filme fez um enorme sucesso por aqui e levou muita gente às lágrimas, outras produções da Turquia dentro da mesma proposta, de exagero e apelo à emoção sem grandes problemas em parecer piegas, chegaram ao serviço. É o caso de ‘O Violino do Meu Pai’. A história: Unidos pela dor e pelo amor à música, uma menina órfã e seu tio violinista têm suas vidas transformadas. Prepare os lenços!</p>\r\n\r\n<p><strong>Mais do que ‘Round 6’ (Coréia)</strong><br />\r\nMuito além da premiada série, campeã de audiência do serviço em todo o mundo, o Netflix traz diversos filmes e séries do único país que ganhou o Oscar de Melhor Filme com uma produção não falada em inglês. São muitos seriados juvenis, a maioria deles baseada em mangás japoneses, e muitas comédias românticas. Destaque para Chocolate (de 2020), sobre um grupo de amigos que se reencontra depois de anos e voltam a conviver, tendo a comida como grande ligação.</p>\r\n\r\n<p><strong>O jeito inglês de ver o mundo (Grã-Bretanha)</strong><br />\r\nAs produções inglesas também fazem sucesso no serviço, com destaque para a mais recente febre, a série ‘The Crown’, que conta a história da atual rainha Elizabeth desde antes de assumir o trono, passando pelo escândalo da princesa Diana e que na próxima temporada chegará até os filhos de Diana. Mais antiga mas impregnada da cultura inglesa, Downton Abbey é diversão certa para quem curte novelonas de época.</p>\r\n",
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            "date_published": "2022-03-15T03:00:00+00:00",
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            "title": "Podcasts podem ser canais de desinformação",
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            "content_html": "<p>Qualquer tipo de censura é ruim? Todos têm o direito de expressar livremente seu pensamento? Estas questões, que nunca saíram de moda, ganharam corpo desde o início da pandemia do coronavírus e nas últimas semanas alcançaram as manchetes graças a dois casos envolvendo podcasts de grande audiência: o americani Joe Rogan Experience, do Spotify, e o Flow, brasileiro, então apresentado pelo sujeito conhecido como Monark.</p>\r\n\r\n<p>No primeiro caso, artistas como Neil Young e Joni Mitchell se posicionaram contra o Spotify por abrigar um podcast que abre espaço para negacionistas, críticos da ciência e outras aberrações. O que, em tempos normais, seria apenas um espaço de gente maluca e risível, com a pandemia e a politização do tema acabou se tornando uma influência nociva, antivacinação, que levou muita gente à morte.</p>\r\n\r\n<p>O Spotify manteve o apoio ao Podcast e retirou os artistas de seu catálogo. Depois, graças à pressão econômica, já que outros artistas ameaçaram deixar o serviço e milhares de assinantes foram para a concorrência, acabou incluindo uma mensagem de alerta contra informações falsas antes do programa e deletou mais de 100 episódios do show de seu acervo.</p>\r\n\r\n<p>Questionar a vacina no atual cenário é, além de desonestidade, burrice. Os números estão aí para quem quiser entendê-los. A redução nas mortes pós-vacinação, os sintomas leves nas novas variantes, a taxa de quase 80% de não-vacinados entre os internados e mortos. E abrir espaço para quem tenta influenciar neste sentido é criminoso.</p>\r\n\r\n<p>Falando do caso brasileiro, o assunto foi essencialmente político. O apresentador Monark, do podcast Flow, defendeu em seu programa o direito de um partido nazista existir no Brasil. No dia seguinte, com a repercussão, usou como desculpa o fato de estar bêbado. É: para se livrar da acusação de apologia a uma ideologia assassina, ele assumiu que faz seu trabalho alcoolizado. Irresponsável é o mínimo, não? Foi demitido.</p>\r\n\r\n<p>No mesmo dia, à noite, em um programa da recém-criada Jovem Pan News, o ex-BBB Adrilles Jorge, comentando o caso de Monark, condenou o nazismo mas terminou o programa com um gesto que foi interpretado como uma saudação nazista. Também foi demitido.</p>\r\n\r\n<p>Não vamos nem entrar no mérito do que essas pessoas faziam em programas de grande audiência, já que faz muito tempo que o jornalismo, ao invés de ser vanguarda e ditar tendências, passou a se pautar pela audiência, a priorizar o que gera \"cliques\", até em função de sua própria sobrevivência.</p>\r\n\r\n<p>O que quero colocar em debate aqui são dois aspectos de todos estes casos. O primeiro é que, depois de episódios como estes, muitos correm para defender uma regulamentação, a obrigatoriedade de um diploma e até algum tipo de censura prévia nestes conteúdos. Discordo. A democratização do acesso aos meios de divulgação, seja por vídeos do Youtube, podcast ou redes sociais, é extremamente positiva, dá oportunidade a tantos talentos que não seriam descobertos de outra forma.</p>\r\n\r\n<p>O que precisa ocorrer - e está ocorrendo - é a necessária responsabilização de quem usa a liberdade de expressão para cometer crimes. Ninguém está acima das leis e ser comediante ou estar bêbado não livra ninguém das responsabilidades.</p>\r\n\r\n<p>O outro aspecto a que chamo a atenção é o do financiamento de certo tipo de conteúdo. Se a expressão é livre e deve continuar a ser, seria muito bom se patrocinadores, grandes empresas, priorizasssem o bom conteúdo na hora de ligar sua imagem a um programa. Investir em boa informação, criatividade, inteligência e não no que dá audiência. Ajudar a transformar o que é bom em sucesso no lugar de ir atrás do que tem bons números, simplesmente.</p>\r\n\r\n<p>O conteúdo ruim é ruim mesmo que muita gente o esteja consumindo.</p>\r\n",
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            "date_published": "2022-02-15T03:00:00+00:00",
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            "authors": [
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            "title": "Protocolos para inglês ver",
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            "content_html": "<p>Não é preciso ser muito esperto para perceber: os protocolos sanitários que todos prometem cumprir rigidamente não são exigidos de ninguém em lugar algum. O teatrinho \"para inglês ver\", como se diz, vai dos shoppings cujos seguranças medem sua temperatura sem olhar para o termômetro às baladas onde a máscara só é exigida no momento da entrada. É bem fácil comprovar, é só entrar nas redes sociais de algum barzinho da cidade e olhar as fotos da última balada.<br />\r\n <br />\r\nO mesmo princípio vale para eventos esportivos - já viu alguém de máscara nas arquibancadas do jogo do seu time? - e também para shows musicais. Em suma: mesmo em meio à pandemia que já tirou a vida de 620 mil brasileiros, os únicos momentos em que a hipocrisia não reinou foram os de total restrição, com a proibição de eventos e de aglomerações.<br />\r\n <br />\r\nE o que é este texto, um libelo ao fechamento de tudo? Pelo contrário. É um chamamento à responsabilidade de cada um, não apenas como empresário mas como cidadão. O vírus que é espalhado por uma única pessoa durante uma balada infecta dezenas. De famílias.<br />\r\n <br />\r\nSe há algo que o coronavírus, com todas as suas cepas e mutações, nos ensinou é que a solidariedade será absolutamente necessária para sairmos desta situação. Mesmo que solidariedade forçada. Enquanto o mundo - inteiro - não estiver vacinado, a chance de novas variações do vírus surgirem e nos vermos novamente no início de uma onda é enorme.<br />\r\n <br />\r\nE se a responsabilidade dos países ricos é garantir a vacinação tanto dos seus cidadãos quanto dos países sem condições financeiras para arcar com a vacina, a de cada cidadão é promover, no seu âmbito, dentro do seu dia a dia, as condições para que o vírus não se propague.<br />\r\n <br />\r\nSó então as aglomerações nas baladas e nos shows musicais vão voltar a ser vistas como expressão de alegria e não de egoísmo e inconsequência. Comecei com um ditado e termino com outro: ninguém está a salvo até que todos estejam a salvo. Até a próxima.</p>\r\n\r\n<p><em>*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal BS9</em></p>\r\n",
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            "date_published": "2022-01-15T18:27:00+00:00",
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            "title": "O West Side de Spielberg: um triunfo cinematográfico",
            "url": "https://www.bs9.com.br/coluna/gustavo-klein/2021/12/15/o-west-side-de-spielberg-um-triunfo-cinematografico.html",
            "content_html": "<p>Há algum sentido em refilmar um filme tão definitivo quanto West Side Story, um clássico inquestionável, ganhador de 10 Oscar (o musical mais premiado da história), unanimidade entre cinéfilos e críticos como o melhor musical da história do cinema? <br />\r\n <br />\r\nUm filme que tem na geração que hoje varia entre 65 e 75 anos uma quantidade impressionante de fãs que o consideram o filme de suas vidas, seu filme favorito. Marcou aquela geração que era adolescente na época do lançamento nos cinemas, exatos 60 anos atrás.<br />\r\n <br />\r\nHá sentido em revisitar um filme deste tamanho? Talvez não, mas que bom que o filme foi feito! Steven Spielberg, fã do filme desde criança e diretor da nova versão, convence os mais céticos desde os primeiros segundos de sua versão do clássico, que está em cartaz nos cinemas de todo o mundo.<br />\r\n <br />\r\nO filme é um triunfo cinematográfico que conquista, cativa e se conecta muito melhor às gerações pós-1980, que talvez nem conheçam o original e consomem melhor o modo como o filme foi pensado, montado e editado. Não é melhor que o original e nem foi feito para ser.<br />\r\n <br />\r\nO filme torna evidente todo o cuidado e respeito de Spielberg com o filme original. Não é uma reimaginação da história nem toma liberdades com a história, uma tragédia romântica inspirada em Romeu e Julieta, de William Shakespeare, ambientada na Nova York dos anos 1950. Mas é mais competente, por exemplo, em mostrar as circunstâncias em que a história se desenrola.<br />\r\n <br />\r\nAs duas gangues juvenis - os Jets (irlandeses) e os Sharks (porto-riquenhos) estão estranguladas em uma região da cidade de Nova York que está sendo desocupada para uma reurbanização e a Construção do Lincoln Center. Não há espaço para todos e a rivalidade é pelo território que sobrou de pé, em meio a escombros e máquinas de demolição.<br />\r\n <br />\r\nEntre as poucas mudanças em relação ao filme original estão o fato do líder dos porto-riquenhos, Bernardo, ser boxeador. No original, os Sharks não tinham, como os Jets, uma canção própria. Aqui se faz justiça a eles com La Borinqueña, uma canção cheia da justiça social que tanto falta àqueles imigrantes tão cheios de sonhos.<br />\r\n <br />\r\nSenti falta, confesso, dos olhos de Rita Moreno, a Anitta do filme de 1961. Ela participa da nova versão tomando o lugar de Doc como a patroa do protagonista Tony na farmácia onde ele mora e trabalha e sua presença, sempre que está em tela, é brilhante e tem diversos ótimos momentos, incluindo uma canção, Somewhere. O filme é dela, literalmente, inclusive, já que ela é a produtora executiva.<br />\r\n <br />\r\nNo lugar de Rita Moreno como a melhor amiga da protagonista Maria está Ariana DeBose, que tem um approach diferente com o personagem mas vem recebendo boas críticas e está, inclusive, indicada ao Globo de Ouro pelo papel.<br />\r\n <br />\r\nPor falar em Maria, por mais que achemos Natalie Wood - a protagonista dos anos 1960 - linda, faz muito mais sentido uma descendente de colombianos, a atriz Rachel Zegler, viver uma moça latina de 19 anos do que uma atriz de ascendência russa. A questão é que Rachel, por mais que tente, não tem o carisma necessário. Mas também não atrapalha…<br />\r\n <br />\r\nO elenco é, de fato, o ponto fraco desta versão. Ansel Elgort, de longe o mais conhecido do filme (estrelou ‘A Culpa é das Estrelas’) tem contra si, na “vida real”, acusações de estupro de uma garota que na época da suposta violência tinha 17 anos, o que provocou um movimento de repúdio ao filme que ainda não sabemos até que ponto vai prejudicá-lo.<br />\r\n <br />\r\nAos muito céticos, como meu amigo Waldemar Lopes, que estavam preocupados com a trilha sonora e com o corte de uma das canções mais divertidinhas do musical (I Feel Pretty), ela está, sim, no filme novo. Repaginada e ambientada na loja de departamentos onde Maria trabalha como faxineira durante as madrugadas.<br />\r\n <br />\r\nPor falar em trilha sonora, mais uma ótima notícia: o regente venezuelano Gustavo Dudamel conseguiu manter toda a estrutura e o encanto da trilha original com algumas poucas mudanças que fazem toda a diferença. Um sininho aqui, um acorde diferente ali, um andamento mais lento acolá e… funciona muito bem! Genial!<br />\r\n <br />\r\nNão creio em muitos prêmios para o filme, pelo simples fato de ser uma refilmagem de uma produção já muito premiada e conhecida. A bilheteria também não deve surpreender tanto, já que a pandemia derrubou a frequência nos cinemas em todo o mundo e está longe de ser recuperada. Mas o simples fato do filme existir é uma conquista a ser celebrada por Steven Spielberg, inclusive porque vai levar muitos novos fãs a quererem conhecer o original.<br />\r\n <br />\r\nDe ruim mesmo a ser destacado, apenas a tradução e legendagem brasileiras, que nada têm a ver com o filme em si mas quase conseguem estragar a experiência de quem não entende inglês ou não conhece as músicas. Tradução terrível, lamentável, mesmo, especialmente nos momentos musicais.<br />\r\n <br />\r\nVale lembrar, por fim, que o filme é uma tragédia, inspirado por uma peça de William Shakespeare que não termina nada bem. Então não se empolgue nas dancinhas e não esqueça de levar aquela caixinha de lenços de papel. E bom filme!</p>\r\n\r\n<p>*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal BS9</p>\r\n",
            "summary": "Gustavo Klein - Apaixonado por livros, filmes, música e séries, atua há mais de 30 anos como jornalista cultural",
            "date_published": "2021-12-15T20:29:00+00:00",
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            "title": "Um mês para West Side Story",
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            "content_html": "<p>Era para chegar no fim de 2020 mas a pandemia adiou o musical West Side Story em mais de um ano. É certamente um dos mais esperados deste ano, especialmente por quem é fã do filme original, lançado há 60 anos e com uma versão modernizada de ‘Romeu e Julieta’ ambientada na Nova York dos anos 50, com duas gangues rivais: os Jets, de jovens irlandeses, e os Sharks, de jovens porto-riquenhos.<br />\r\n <br />\r\nSe você tem na família alguém com 74, 75 anos (ou seja, era adolescente na época do filme), faça o teste: pergunte se assistiu e se gostou. Conheço vários desta geração que tinham em West Side Story seu filme favorito. Entre eles meu saudoso pai - o professor Luiz Carlos Carlan - o pai do grande crítico de cinema Felipe Goulart, o crítico Rubens Ewald Filho, o produtor cultural Jo Takahashi e o diretor Steven Spielberg.<br />\r\n <br />\r\nTanta paixão se justifica: o filme é um desbunde de tão bom. Suas cenas de dança, com muitas referências de balé clássico, beiram a perfeição. São tão importantes para a história que seu coreógrafo, Jerome Robbins, recebeu o Oscar de Melhor Diretor junto com Robert Wise, o verdadeiro “maestro” da produção.<br />\r\n <br />\r\nDa música talvez só bastasse dizer que foram compostas pelo grande Leonard Bernstein, um dos mais respeitados maestros da história. Já clássicas, canções como Tonight, América e There’s a Place for Us figuram entre as melhores do cancioneiro norte-americano.<br />\r\n <br />\r\nSobre as interpretações, dois Oscar - de ator coadjuvante e atriz coadjuvante - credenciam um elenco sensacional, liderado pelos premiados Rita Moreno (que participa da nova versão) e George Shakiris e com a maravilhosa Natalie Wood como a musa latina Maria.<br />\r\n <br />\r\nO filme é o segundo maior vencedor da história do Oscar, com 10 estatuetas, e o musical mais premiado de todos os tempos, com Globos de Ouro, Grammys e literalmente dezenas de outros prêmios.<br />\r\n <br />\r\nTudo isso que falei é sobre o filme original. Sobre a nova versão, a melhor referência se dá por ter um fã talentoso - Steven Spielberg - na direção. Muitos fãs, claro, torceram o nariz e têm péssimas expectativas sobre o projeto (caso do meu querido amigo Waldemar Lopes, normalmente cético sobre refilmagens e geralmente certo em todas as suas opiniões sobre o universo cinematográfico).<br />\r\n <br />\r\nO elenco é formado por jovens atores que pouco fizeram até hoje e têm aqui a melhor chance de alcançar fortuna e glória. Todas as músicas - menos I Feel Pretty - estarão lá. A história do amor impossível é a mesma. A tragédia continua rondando o casal principal. E as novas gerações merecem, enfim, um filme que desperte nelas a curiosidade de assistir ao original.<br />\r\n <br />\r\nDa minha parte, a expectativa é alta. West Side Story é meu terceiro filme favorito, depois de Amadeus e O Poderoso Chefão. O fato de ser o filme da vida do meu pai, falecido em 2020 pouco antes da data original de lançamento, quando já estávamos combinando a ida ao cinema, vai acrescentar um fator emocional maior à experiência. Vou ao cinema já adorando tudo, vou chorar e me emocionar, cantar junto e, se for o caso, sair falando mal e correr para casa para assistir ao original!</p>\r\n\r\n<p><em>Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal BS9</em></p>\r\n",
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            "title": "James Bond é um homem. O que precisamos é de mais personagens fortes femininos",
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            "content_html": "<p>O assunto é um dos mais comentados do cinema atual: com a aposentadoria de Daniel Craig, talvez o mais marcante agente 007 da história (que os fãs de Sean Connery me perdoem, mas é), começou a temporada de especulações sobre quem viverá o personagem nos próximos filmes da franquia.<br />\r\n <br />\r\nE, junto à especulação sobre nomes, voltou a discussão sobre uma mulher assumir o papel. Acho uma ideia viável, mas parece que os produtores da franquia não, porque tanto Barbara Broccoli quanto Michael Wilson correram para garantir que não será uma mulher o próximo 007, embora ele possa ser de qualquer cor (boa notícia).<br />\r\n <br />\r\nEmbora não concorde, entendo que não há nenhum sexismo nesta postura. O personagem foi concebido, nos livros, inclusive, com características masculinas. É possível reconstruí-lo como mulher? É e acho até que seria um exercício interessante para um filme paralelo da franquia. Mas os produtores argumentam que “há limites”.<br />\r\n <br />\r\nNas palavras da própria Barbara: “Bond é um homem. Ele é um personagem masculino. Ele foi escrito como um homem e acho que ele provavelmente continuará sendo um homem. E não há problema nisso. Nós não precisamos transformar todos os personagens masculinos em mulheres. Vamos apenas criar mais personagens femininas e fazer com que a história comporte mais mulheres\".<br />\r\n <br />\r\nPrecisamos, sim, de personagens femininos fortes. Que não sejam James Bond, ok, mas sejam tão bons quanto. Que reflitam a força das mulheres e toda a evolução desde que os personagens foram criados, no pós-guerra. Essa deve ser a prioridade. Tanto dentro quanto fora da franquia. As bond-girls sexualizadas e descartáveis estão fora de moda, o que já vem sendo corrigido nos últimos filme. Mas será muito saudável que novas personagens sejam criadas com essa intenção. <br />\r\n <br />\r\nQue não seja em James Bond mas que o cinema se abra para um mundo mais moderno e diverso.  O mundo do entretenimento vem avançando e dando exemplo no que concerne ao respeito pela diversidade. Personagens trans, bissexuais, homossexuais, que mostram que há espaço, amor e acolhimento no mundo para todos. Super-heróis como o novo Superman, bissexual, que salvam vidas de gente de verdade ao se tornar exemplo e referência. Esse é um caminho sem volta e muito bem-vindo!</p>\r\n",
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            "title": "A era do filme pequeno",
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            "content_html": "<p>O fechamento de salas de cinema em todo o mundo, provocado pela ameaça do coronavírus, transformou o modo como se consome cinema. E me arrisco a apelar para frases feitas e dizer que a situação “acelerou mudanças que só aconteceriam nas próximas décadas” e “é o novo normal”, ou seja, veio para ficar, não vai voltar ao cenário anterior.<br />\r\n <br />\r\nA debandada das salas de cinema já vinha acontecendo e tem diversas causas, que vão do comportamento dos usuários - quem aguenta gente falando alto no meio do filme? -, passam pelo avanço do streaming combinado com a tecnologia disponível hoje dentro de casa e tem até a mudança dos gostos do público como causa.<br />\r\n <br />\r\nÉ notório que nos últimos anos muita gente deixou de assistir ao cinemão para se concentrar em séries de tevê, que ganharam status de superproduções milionárias. Exemplos recentes não faltam: Game of Thrones, The Crown, Breaking Bad, Mad Men e tantas outras.<br />\r\n <br />\r\nÉ claro que o cinema também teve seus sucessos nos últimos tempos, especialmente com os filmes da saga Os Vingadores. É a típica exceção que comprova a regra: o cinema vai continuar existindo, claro, terá suas superproduções (cada vez mais adolescentes) mas, com a quantidade de salas de exibição cada vez menor, uma parte considerável das produções sairá direto no streaming.<br />\r\n <br />\r\nE é aí que eu justifico o título que escolhi para este texto. Com a pandemia, as poucas salas que restaram serão ocupadas pelos grandes lançamentos. Os filmes de pequeno orçamento, que na maioria das vezes são até mais criativos e originais do que os arrasa-quarteirão, terão cada vez mais espaço. E, claro, o streaming democratiza esse acesso, permitindo que produções dos países mais diversos, como Turquia (quem lembra do recente ‘O Milagre da Cela 7’?), sejam conhecidas em todo o mundo.<br />\r\n <br />\r\nMeu pai dizia que tudo na vida - menos um LP da Joana - tem um lado bom. Diante de toda essa loucura que se tornou o mundo do entretenimento, terão mais espaço as boas ideias, os filmes criativos, as boas histórias. É uma visão excessivamente otimista? Talvez. Mas creio que os tempos futuros não serão tão negativos quanto se anuncia.</p>\r\n",
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            "title": "A arte... para não morrer da verdade",
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            "content_html": "<p>Poucas vezes na história a burrice e a ignorância estiveram tão bem representadas. Para onde se olhe, no mundo, a ausência total de raciocínio e conhecimento ou está no Poder, acabou de deixá-lo ou está muito perto de conquistá-lo. São tempos muito ruins para quem gosta de cultivar a esperança.<br />\r\n <br />\r\nEsse cenário é o triunfo da deseducação, de décadas de descaso com o desenvolvimento de senso crítico, um tanto também de desencanto e, claro, os burros se sentem tão representados por quem está no poder que se tornam mais barulhentos, ainda mais nas redes sociais. Redes sociais que, aliás, nos fazem ter saudade do tempo em que cada aldeia possuía apenas um idiota.<br />\r\n <br />\r\nE a culpa por termos bem mais de um idiota é da (falta de) educação. Educação para as artes, inclusive. Educação para a sensibilidade, para a reflexão, para o silêncio, também. As artes têm esse poder, de nos conectar conosco mesmo, com nosso “eu interior”. Parece papo de maluco mas não é, não.<br />\r\n <br />\r\nE nesse aspecto, o da cultura geral, as escolas, a família e os educadores têm falhado miseravelmente. Somos, mais do que outros países, um Brasil de rasos, de gente que só gosta de funk porque só conhece o funk e não sabe que é plenamente possível curtir o funk e também ouvir Bach e Chico Buarque.<br />\r\n <br />\r\nTodas as vezes em que eu vejo uma criança pequena que chega às lágrimas ao assistir à apresentação de uma orquestra, eu lamento. Por que tão tarde? Por que isso não faz parte do dia a dia dessa criança desde cedo, se Nietzche, há 150 anos, já dizia que a arte serve para não morrermos da realidade e da verdade?<br />\r\n <br />\r\nPor uma educação artística que vá além da produção do presente do Dia dos Pais com palitos de sorvete. Que faça a criança enxergar o universo cultural que a cerca de forma muito mais ampla. Que a introduza no mundo da poesia, das artes visuais, da música e da literatura.<br />\r\n <br />\r\nO objetivo disso não é transformar ninguém em artista. Isso até pode acontecer mas não é o objetivo principal. O que se luta é para que tenhamos uma sociedade que todos tenham acesso à arte e, assim, possam ter uma visão de mundo na qual ela também esteja presente e ajude a traduzir o que vivemos, a interpretar esse mundo. Assim, teremos melhores artistas e também melhores engenheiros, melhores advogados, melhores professores, melhores políticos. E um mundo melhor, por consequência.</p>\r\n",
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            "date_published": "2021-08-15T18:57:00+00:00",
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            "title": "O streaming vai substituir a TV por assinatura?",
            "url": "https://www.bs9.com.br/coluna/gustavo-klein/2021/07/15/o-streaming-vai-substituir-a-tv-por-assinatura.html",
            "content_html": "<p>Sou do tempo da TV em preto e branco, com apenas sete canais, sem videocassete nem controle remoto e com Bombril na antena. Por isso me permito ficar empolgado com sua evolução.<br />\r\n <br />\r\nSe é verdade que a tevê aberta, com raras exceções, só piorou desde então, as opções na tevê por assinatura atendem a praticamente todos os públicos.<br />\r\n <br />\r\nMas as mudanças não foram apenas no conteúdo e na quantidade de opções. Os hábitos mudaram e agora o padrão é assistir ao programa preferido na hora e no local que o próprio consumidor escolher.<br />\r\n <br />\r\nO streaming surgiu com o avanço da tecnologia e da banda larga justamente para dar essa flexibilidade ao entretenimento.<br />\r\n <br />\r\nComeçou com o Netflix e hoje a quantidade de opções passa dos dois dígitos: Amazon Prime, HBO Max, Disney Plus, Globoplay, Star, Apple TV, Google Play, Viki (para os que curtem cinema e séries orientais), MGM, Paramount, Mubi, Belas Artes à La Carte, Oldflix (para clássicos), Telecine Play... Ufa!<br />\r\n <br />\r\nEssa lista é só de alguns dos serviços que já estão disponíveis no Brasil e que são legais, ou seja, que não envolvem pirataria.<br />\r\n <br />\r\nE se por um lado isso dá mais opção ao consumidor, por outro encarece demais a conta. Pagar por todos eles acaba ficando mais caro do que assinar um serviço tradicional de tevê por cabo ou satélite (sem contar que todos estes serviços continuam dependendo também de um wi-fi razoável, o que é mais um custo).<br />\r\n <br />\r\nE aí chegamos na provocação do título, que não tem resposta clara mas bons indicativos do que pode ocorrer. A médio prazo, o streaming não vai acabar com a tevê por assinatura.<br />\r\n <br />\r\nEm primeiro lugar porque uma parte considerável dos consumidores assinou a tevê a cabo para ter mais nitidez nos canais abertos. É só lembrar daquela sua tia ou avó para confirmar isso.<br />\r\n <br />\r\nEm segundo lugar porque nenhum desses serviços de streaming tem telejornais, programas esportivos e de atualidades. Eles são baseados em séries e filmes e por isso deixam esta lacuna.<br />\r\n <br />\r\nEm terceiro lugar porque vem se popularizando uma espécie de evolução do streaming, que mescla tanto esse conteúdo online quanto os canais ao vivo. Caso da Globoplay, que lançou um plano que inclui a transmissão dos canais Globosat.<br />\r\n <br />\r\nCaso também do DirecTV Go, que é exatamente um serviço de tevê por assinatura sem conexão física, só pela internet e que já está chegando perto dos 100 canais.<br />\r\n <br />\r\nE caso, mais recente, do Claro Box, uma caixinha igual ao conversor da Net mas que se conecta à internet de casa e, além de oferecer os canais ao vivo, permite conectar também Netflix, Amazon e afins.<br />\r\n <br />\r\nPara encerrar e tentar responder à pergunta do título, é possível prever que o movimento muito forte de \"desassinar\" o cabo vai se intensificar. O que não significa que a tevê por assinatura vai acabar. Ela só passará de cabo ou satélite para o próprio streaming. E não vai demorar muito para que uma parte desses serviços também acabe por se unir. O mar é de tubarões e não há espaço para tantos salva-vidas.</p>\r\n",
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            "date_published": "2021-07-15T14:08:00+00:00",
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            "title": "Não é a água",
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            "content_html": "<p>Santos produz mais gente que pensa \"fora da caixinha\" do que qualquer outra cidade. E em qualquer área, da política à medicina e às artes. Há quem brinque que a razão disso seria algo diferente na água que os santistas bebem.<br />\r\n <br />\r\nPelo menos no que diz respeito à cultura e às artes, que são o assunto hoje, não é a água. A cidade foi capaz de criar um ciclo virtuoso de formação, difusão e produção cultural que só encontra paralelo em (algumas poucas) capitais. E isso é ótimo.<br />\r\n <br />\r\nComeçou no domingo, por exemplo, mais uma edição do Fescete, o Festival de Cenas Teatrais, que segue pelos próximos dias com ótima programação e homenagem ao ator Mateus Solano. Tudo online, claro, como manda o bom senso.<br />\r\n <br />\r\nNo próximo dia 22, semana que vem, é a vez do Santos Film Fest, festival de cinema que vem se consolidando a cada ano como um dos mais importantes do Brasil. Serão este ano quase 80 produções entre curtas, documentários, animações, longas-metragens e uma fundamental mostra da intensa produção regional.<br />\r\n <br />\r\nTemos no calendário, ainda, a Tarrafa Literária (literatura), o Festa (teatro), o Curta Santos, o Mirada, o Santos Jazz Festival e outras iniciativas que volta e meia transformam a cidade em uma capital cultural.<br />\r\n <br />\r\nTudo isso, somado ao que o poder público promove - temos uma escola pública de artes invejável do ponto de vista da formação de crianças e jovens, a Fábrica Cultural, escolas que são referência no balé, nas artes cênicas e corpos estáveis que enchem de orgulho quem gosta do segmento - destaque, aí, para a sensacional Orquestra Sinfônica de Santos e o Balé da Cidade de Santos.<br />\r\n <br />\r\nVerbas parlamentares também são destinadas por alguns vereadores para a promoção da cultura e a manutenção de algumas destas iniciativas, incluindo aí apresentações em escolas públicas.<br />\r\n <br />\r\nSem contar a quantidade impressionante de bandas que nascem entre os canais 1 e 7, as feiras de economia criativa, o Chorinho no Aquário, os festivais de blues e de bossa nova, a Pinacoteca, o Posto 4, as exposições das quatro galerias públicas de artes plásticas, o tradicional Chorinho no Aquário, o Sesc, nossos teatros...<br />\r\n <br />\r\nNão falta, enfim, arte e cultura na cidade de Santos. E a \"culpa\" não é da água, é de toda essa roda viva que desperta, produz, divulga e até exporta produtos culturais e talentos.<br />\r\n <br />\r\nO que falta? Falta público, essencialmente. Às vezes fica a impressão de que, seja qual for o evento, os rostos são os mesmos. O número de consumidores de cultura da cidade é o elo frágil desta corrente.<br />\r\n <br />\r\nComo alguém muito mais inteligente do que eu disse no passado, \"sem arte morre-se de realidade\". Especialmente em tempos de pandemia ficou muito clara a importância da cultura para segurar as pontas do nosso psicológico e nos fazer refletir sobre o que vivemos.<br />\r\n <br />\r\nNão podemos negar essa chance aos nossos filhos, às próximas gerações. A chance de conhecer produtos culturais diferentes do que eles consomem no rádio, no YouTube ou na tevê. A chance de mostrar que o mundo é muito maior, que também se viaja com a mente e que riqueza pode ter vários significados.<br />\r\n <br />\r\nTermino, então, convidando o bravo leitor que chegou até aqui a levar seus filhos para conhecer todo esse mundo cultural que Santos oferece. Negar isso a eles e a si próprios é condenar nosso dia a dia a ser sempre cinzento e nada criativo. Temos, aqui, um potencial que ainda precisa ser descoberto pela massa. Frequente, apoie e ajude a divulgar!!</p>\r\n",
            "summary": "Gustavo Klein - Apaixonado por livros, filmes, música e séries, atua há mais de 30 anos como jornalista cultural",
            "date_published": "2021-06-15T18:11:00+00:00",
            "date_modified": "2026-07-13T19:00:52+00:00",
            "authors": [
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            "title": "Você já ouviu falar de podcasts?",
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            "content_html": "<div style=\"margin-left:auto;\">\r\n<div>Se não ouviu, é bem provável que durante esta pandemia você descubra esse universo ainda desconhecido de muita gente, mas que vem crescendo em ritmo acelerado aqui no Brasil. O Ibope mostra, em pesquisa divulgada recentemente, que o número de ouvintes de podcasts cresceu 33% no País em 2020 e já chega a 28 milhões de brasileiros. A adesão de grandes grupos de mídia ao formato, em especial o Grupo Globo, é outro indício de que o formato veio para ficar.</div>\r\n\r\n<div> </div>\r\n\r\n<div>E o que são podcasts, afinal? Programas de rádio, basicamente. Divididos em séries e temas como história, música (claro), esporte, cultura, política... Disponíveis para download no celular ou computador e organizados em aplicativos como o Google Podcasts e apps de streaming de música como o Spotify ou o Deezer. Que, basicamente, funcionam como um Netflix de programas de áudio.<br />\r\n </div>\r\n\r\n<div>A grande vantagem em relação ao rádio tradicional, que já está no streaming há muito tempo, é a praticidade de ouvir aos programas favoritos na hora que for mais conveniente: no banho, caminhando na praia, no ônibus indo para a faculdade ou dirigindo para o trabalho. E é uma forma muito descompromissada, com linguagem acessível (e nada formal), de aprender coisas novas, descobrir histórias bem interessantes.<br />\r\n </div>\r\n\r\n<div>Os podcasts já são sucesso lá fora há muitos anos e existem por aqui desde 2004, quando o Digital Minds, pioneiro no segmento, estreou falando de tecnologia. Mas foi de cinco, seis anos para cá que o formato explodiu. Já tem, inclusive, seus campeões de audiência, como o NerdCast e o Mamilos, mas tem também os concorrentes da mídia tradicional, como as versões em áudio de programas como Conversa Com Bial e Que História é Essa, Porchat?.</div>\r\n\r\n<div> </div>\r\n\r\n<div>Encontrar os podcasts é a parte mais fácil. Além dos aplicativos para celular, como o já citado Google Podcasts e o Apple Podcasts, há os aplicativos de streaming e também o Castbox, líder do segmento que tem mais de um milhão (!!!!) de canais de podcasts. Mas o que importa, mesmo, são os canais. Separei alguns dos meus favoritos em diversas áreas pra você que não conhece iniciar sua viagem por esse mundo que é sensacional!</div>\r\n\r\n<div> </div>\r\n\r\n<div><strong>Arte e cultura</strong></div>\r\n\r\n<div>Nerdcast – É o podcast do site Jovem Nerd, um dos mais visitados do Brasil. Fala de cinema, séries, quadrinhos, games, tecnologia e um pouco de tudo (tudo mesmo, inclusive política e finanças).<br />\r\n </div>\r\n\r\n<div>Conversa de Câmara – Música clássica de um jeito que você nunca ouviu, apresentada quase como se fosse um programa sobre rock – e com sotaque paulistano.<br />\r\n </div>\r\n\r\n<div>Um Milkshake Chamado Wanda – Cultura pop, cinema, análises e muita, mas muita fofoca sobre os acontecimentos mais recentes do showbiz. Toda quinta tem episódio novo.<br />\r\n </div>\r\n\r\n<div>Contos – Um podcast especial do Spotify Studios que parte de um ponto interessante: os contos de fadas tradicionais não são exatamente adequados para crianças. Mulheres vomitam aranhas, crianças são comidas e há até assassinatos. Todas as quartas-feiras o programa revela as origens sombrias das suas histórias favoritas.</div>\r\n\r\n<div> </div>\r\n\r\n<div><strong>Notícias</strong></div>\r\n\r\n<div>Café da Manhã – Fruto de uma parceria entre o jornal Folha de São Paulo e o Spotify, o programa traz, em menos de meia hora e de forma muito leve, o que é fundamental sobre os assuntos do momento no Brasil e no mundo. Para começar o dia bem-informado!<br />\r\n </div>\r\n\r\n<div>Papo de Política – Um podcast do Grupo Globo que traz quatro jornalistas - Natuza Nery, Maria Júlia Coutinho, Julia Duailibi e Andréia Sadi – numa conversa descontraída sobre os bastidores da política e da economia.</div>\r\n\r\n<div> </div>\r\n\r\n<div><strong>Sociedade</strong></div>\r\n\r\n<div>Filhos da Grávida de Taubaté – Os principais assuntos e fofocas do momento, as tretas da internet, notícias e muito bate papo num podcast que tem um tom mais humorístico, feito para entreter e divertir.<br />\r\n </div>\r\n\r\n<div>Mais que 8 Minutos – O podcast do Rafinha Bastos, no qual ele recebe para um longo bate-papo grandes nomes da política, humor, música e esporte. Entre os convidados recentes estão Rubens Barrichello, Juju Salimeni e Thammy Miranda.<br />\r\n </div>\r\n\r\n<div>Horóscopo – No spotify há previsões diárias e personalizadas para todos os signos, bem produzidinhas. Basta pesquisar pelo seu signo e a palavra hoje no campo de buscas do serviço. Por exemplo: Aquário Hoje.<br />\r\n </div>\r\n\r\n<div>História FM – Temas como a peste negra, a segunda guerra mundial ou a guerra fria discutidos como se o ouvinte estivesse sentado junto com os debatedores em uma mesa de boteco. Um dos meus favoritos.</div>\r\n\r\n<div> </div>\r\n\r\n<div>Podcat – Não tem erro de digitação, não, é podcat mesmo! Acho que é o único podcast voltado, como o próprio nome sugere, ao universo dos gatos. Toda semana um novo episódio para a humanidade entender mais sobre o universo felino com entrevistas, conversas e curiosidades!<br />\r\n </div>\r\n\r\n<div>Podcast do Tadashi – A versão em podcast das lives sobre evolução de Tadashi Kadomoto, um campeão do Instagram. Autoajuda e reflexão. Para quem curte, está entre os mais acessados da rede.</div>\r\n\r\n<div> </div>\r\n\r\n<div><strong>Infantil</strong></div>\r\n\r\n<div>Histórias da Vovó – O podcast da jornalista santista Ivani Cardoso traz histórias que ela, no começo da pandemia e impedida de encontrar os netos presencialmente, começou a gravar e enviar para eles. O principal objetivo é inspirar outras avós a também contarem histórias a partir dos interesses dos netos, resgatando esse hábito que não sai de moda e que encanta crianças há muitas e muitas gerações.</div>\r\n\r\n<div> </div>\r\n</div>\r\n\r\n<div>\r\n<div>\r\n<div style=\"margin-left:auto;\">\r\n<p><em>*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal BS9</em></p>\r\n</div>\r\n</div>\r\n</div>\r\n",
            "summary": "Por Gustavo Klein - Apaixonado por livros, filmes, música e séries, atua há mais de 30 anos como jornalista cultural",
            "date_published": "2021-05-15T03:00:00+00:00",
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