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                                <title><![CDATA[BS9 - André Naves]]></title>
                    
                                <subtitle>Feed de notícias de André Naves do BS9</subtitle>
                                                    <updated>2026-07-13T19:43:37+00:00</updated>
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            <title><![CDATA[Nada sobre nós sem nós: a construção da sociedade inclusiva]]></title>
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                <name><![CDATA[Colunista]]></name>
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                <![CDATA[A construção de uma sociedade estruturalmente inclusiva exige a eliminação ou a equalização de barreiras que historicamente marginalizam diferentes grupos populacionais. Esse processo não se limita às...]]>
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                        <content type="html"><![CDATA[<p>A construção de uma sociedade estruturalmente inclusiva exige a eliminação ou a equalização de barreiras que historicamente marginalizam diferentes grupos populacionais. Esse processo não se limita às pessoas com deficiência, mas abrange todos os segmentos sociais que, por razões culturais, econômicas ou estruturais, encontram-se em situação de subjugação nas relações de poder.</p>

<p> </p>

<p>São esses grupos minorizados que enfrentam barreiras à sua plena inclusão social, desde obstáculos físicos e institucionais até barreiras mais sutis e insidiosas, como as atitudinais. Estas, em particular, manifestam-se em preconceitos, discriminações e no capacitismo, que perpetuam a exclusão e dificultam a participação igualitária desses indivíduos na sociedade. Nesse sentido, superar tais barreiras é uma condição indispensável para a construção de um ambiente verdadeiramente justo e democrático.</p>

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<p>As barreiras estruturais, sejam elas físicas, comunicacionais, institucionais ou culturais, precisam ser enfrentadas de forma abrangente. Para isso, as políticas públicas desempenham um papel essencial, uma vez que são os instrumentos por meio dos quais a sociedade pode promover transformações concretas em suas bases estruturais. No entanto, essas políticas são, em grande medida, moldadas pelas práticas e demandas dos indivíduos e coletividades em seu cotidiano.</p>

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<p>É nesse ponto que o associativismo se torna uma ferramenta fundamental. A união de indivíduos que compartilham experiências de exclusão ou que são solidários à luta por igualdade pode potencializar a influência sobre as decisões políticas. Associações e movimentos sociais são espaços de articulação e resistência, nos quais vozes plurais se fortalecem para exigir mudanças efetivas. Essa dinâmica de participação não apenas fortalece a democracia, mas também assegura que as políticas públicas reflitam as reais necessidades e demandas da população.</p>

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<p>Entre todas as barreiras enfrentadas, a atitudinal é a mais difícil de se superar, pois está enraizada em preconceitos culturais e sociais profundos. Ela se manifesta em atitudes discriminatórias, estigmas e na falta de empatia para com aqueles que são percebidos como "diferentes". A superação dessa barreira requer um esforço coletivo e educativo que promova a conscientização e o respeito à diversidade. Educação Inclusiva, campanhas de sensibilização e o incentivo à convivência são caminhos eficazes para desconstruir preconceitos. Além disso, a valorização das contribuições únicas de cada indivíduo para a sociedade deve ser central no discurso inclusivo, garantindo que a diversidade seja percebida como uma riqueza e não como um obstáculo.</p>

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<p>É por isso que o slogan "Nada sobre Nós sem Nós" sintetiza a essência de uma sociedade inclusiva. Ele reforça a necessidade de que as pessoas diretamente afetadas por barreiras sociais estejam no centro das discussões e das tomadas de decisão que impactam suas vidas. No entanto, esse princípio não deve ser interpretado como uma exclusão de outros grupos solidários à causa. Pelo contrário, a construção de uma sociedade inclusiva é uma responsabilidade coletiva, que demanda a participação de todos os setores sociais.</p>

<p>Quando indivíduos de diferentes grupos minorizados unem-se em prol de objetivos comuns, criam-se condições para uma transformação estrutural mais ampla e significativa. A participação plural confere legitimidade às ações inclusivas e promove a solidariedade entre diferentes segmentos da população.</p>

<p> </p>

<p>A construção de uma sociedade estruturalmente inclusiva é um desafio que exige a superação de barreiras de diferentes naturezas, com especial atenção àquelas atitudinais. Essa transformação só será possível por meio de políticas públicas eficazes, moldadas por movimentos sociais fortes e participativos, bem como pela adesão de indivíduos de todos os segmentos sociais.</p>

<p> </p>

<p>Ao adotar o princípio de "Nada sobre Nós sem Nós" como guia, a sociedade pode assegurar que as vozes de todos sejam ouvidas e respeitadas. Somente assim é possível construir um futuro em que a igualdade, a justiça e a inclusão sejam os alicerces de uma convivência verdadeiramente humana e solidária.</p>

<p> </p>

<p><strong><em>* André Naves é Defensor Público Federal formado em Direito pela USP, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social, mestre em Economia Política pela PUC/SP. Cientista político pela Hillsdale College e doutor em Economia pela Princeton University. Comendador cultural, escritor e professor (Instagram: @andrenaves.def).</em></strong></p>
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                        <published>2025-04-07T15:32:00+00:00</published>
            <updated>2026-07-13T19:43:37+00:00</updated>
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            <title><![CDATA[Hospitalidade]]></title>
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                <name><![CDATA[Colunista]]></name>
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                <![CDATA[Nem lembro do ano. Acho que era no tempo em que a Romênia era ainda Rumânia...Será? Eu sempre tive minhas excentricidades, sabe? Um espírito contestador e vaidoso. É da minha natureza deixar todo mund...]]>
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                        <content type="html"><![CDATA[<p>Nem lembro do ano. Acho que era no tempo em que a Romênia era ainda Rumânia...Será? Eu sempre tive minhas excentricidades, sabe? Um espírito contestador e vaidoso. É da minha natureza deixar todo mundo meio embasbacado com curiosidades sem eira nem beira. Imagina uma criança, que nem bem saiu da casca do ovo, falando que Baku é a capital da República Soviética do Azerbaijão, ou que Astana era a capital do Cazaquistão. Eu nem sabia direito o que era a União Soviética, mas o meu prazer estava em encher a boca e falar.</p>

<p> </p>

<p>Fim de ano, eu ia direto ler as historinhas do "Almanacão de Férias", da Turma da Mônica, e pescar essas curiosidades totalmente aleatórias no Almanaque Abril. Iugoslávia, Tchecoslováquia, Cortina de Ferro...Qual a produção de trigo da União Soviética? E a dos Estados Unidos? Naquele tempo, a gente ainda importava até nosso feijão com arroz. Foi lá, naquele Almanaque Abril de um passado longínquo (mas nem tanto, né?) que vi, num quadrinho meio escondido, uma curiosidade que mudou a maneira como eu enxergava tudo. Acho que ninguém vai acreditar, mas parece que o bolo de fubá é uma invenção judaica.</p>

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<p>Que coisa, né? Tem cara, jeitão e gosto de Minas. Será que a cidade de Monte Sião, então, é em homenagem ao mais orgulhosamente caipira dos bolos? Ao que parece, quando cruzaram os mares os primeiros judeus, fugidos das fogueiras intolerantes, e chegaram para desbravar essa nova terra, não encontraram farinha de trigo. Sabem como é, né? Só não se vira caju quem já nasceu virado...Foram cozinhar com o que tinham. Os índios conheciam muito o milho. Daí para o bolo foi um pulinho. Se a gente pensar que o café veio da Etiópia, então, a gente faz um belo samba-enredo! Essa curiosidade foi igual um chiclete na minha cabeça.</p>

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<p>Vocês já ouviram a Marcha Turca de Mozart? Ai Se Eu Te Pego, do Michel Teló? Descer pra BC, do Brenno e Matheus? É desse tipo de coisa que não sai das ideias... Eu estou aqui escrevendo essa crônica e "pá!", de repente eu começo a imaginar os ETs coloridos dançando... Igualzinho as origens do bolo de fubá! Acho que se eu pudesse escolher uma refeição, qualquer uma, seria bolo de fubá e café!</p>

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<p>Mas toda vez minha imaginação viaja na maionese e eu fico só pensando em como foi quando Abraão, tranquilo, no alpendre, meditando sobre a vida, enxergou os três anjos. De lá ele já deu um grito: "Sara, vida! Põe essa mesa que chegô visita! Passa um cafezim e tira aquele seu bolo especial do forno! Senta aqui, gente! Prova um pedacim desse bolim que a Sara acabou de assá! Ocês vão gostá demais da conta!"</p>

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<p>E daí, eles iam trocar um tostãozinho de prosa! As boas novas seriam compartilhadas, e o maior riso chegaria! E lá pelas tantas, quando Abraão descobrisse os planos do Criador para Sodoma e Gomorra, ele ia intervir. Tentar convencer Deus. Será que não tem um justo perdido no meio de toda aquela gente?</p>

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<p>Prefiro imaginá-lo como um ativista de Direitos Humanos. Gente da gente!</p>

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<p>Tomando cafezinho com pedacinho de bolo. De fubá, claro!</p>

<p> </p>

<p><strong><em>*André Naves é Defensor Público Federal, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social; mestre em Economia Política; autor do livro "Caminho – A Beleza é Enxergar".</em></strong></p>
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                        <published>2025-03-24T18:05:00+00:00</published>
            <updated>2026-07-13T19:43:36+00:00</updated>
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