COMPORTAMENTO SOCIAL
Levantamento do Instituto Badra, realizado na capital paulista, busca entender dilemas éticos e percepções sobre o tema às vésperas do simbólico 1º de abril
Pedro Juvenal
17/03/2026 - terça às 14h21
Em meio à proximidade do 1º de abril — data popularmente conhecida no Brasil como o “Dia da Mentira” — uma pesquisa de campo conduzida pelo Instituto Badra pretende ir além das brincadeiras e investigar como as pessoas, de fato, se relacionam com a mentira e a verdade no cotidiano.
O levantamento ouvirá 1.060 moradores da cidade de São Paulo, respeitando a proporcionalidade da população em variáveis como gênero, faixa etária, escolaridade e renda. O objetivo é mapear percepções, práticas e dilemas éticos envolvendo o tema, explorando desde pequenas omissões do dia a dia até situações mais complexas que envolvem valores morais e convivência social.
A pesquisa parte do entendimento de que mentira e verdade não são apenas conceitos abstratos, mas elementos centrais nas relações humanas. Em diferentes contextos, mentir pode ser visto tanto como um recurso para evitar conflitos ou proteger alguém quanto como uma quebra de confiança com impactos duradouros.
Segundo a abordagem teórica que fundamenta o estudo, a verdade está relacionada à coerência entre o que se diz e o que se acredita, enquanto a mentira envolve a intenção de enganar, ainda que de forma sutil. Já a omissão — muitas vezes socialmente aceita — ocupa uma zona intermediária, ao ocultar informações sem necessariamente afirmar algo falso.
Do ponto de vista sociológico, pesquisadores apontam que a mentira cumpre funções sociais variadas, podendo ajudar na manutenção de relações, na preservação de sentimentos ou até na dinâmica de grupos. Ao mesmo tempo, o excesso ou a banalização do engano pode fragilizar a confiança e afetar a coesão social.
Ao investigar como os paulistanos equilibram esses fatores na prática, o Instituto Badra busca identificar padrões de comportamento, contradições e justificativas que orientam decisões cotidianas. A expectativa é que os resultados ajudem a compreender melhor os limites éticos que as pessoas estabelecem — e flexibilizam — ao lidar com a verdade.
Em um país onde o 1º de abril se tornou símbolo cultural da brincadeira com a mentira, a pesquisa propõe um olhar mais profundo: afinal, quando mentir parece aceitável — e quando a verdade, por mais incômoda que seja, se torna indispensável?
É pra pensar.
Deixe a sua opinião
ver todos