PORTO
Terminal de contêineres com investimento bilionário se conecta a mudanças logísticas e ferroviárias no Sudeste
Da redação
15/01/2026 - quinta às 09h00
O Porto de Santos caminha para uma das maiores transformações de sua história recente com o megaleilão do Terminal de Contêineres Santos 10, conhecido como Tecon Santos 10 ou STS10. Previsto para ocorrer em março de 2026, o certame deve ampliar significativamente a capacidade operacional do complexo portuário e reposicionar Santos entre os principais hubs logísticos do mundo.
Segundo a Autoridade Portuária de Santos, Anderson Pomini, o projeto prevê investimento estimado em R$6,45 bilhões, com contrato inicial de 25 anos, podendo ser estendido por até 70 anos mediante renovações. Localizado no cais do Saboó, o terminal ocupará uma área estratégica de 621,9 mil metros quadrados e deve aumentar em 50% a capacidade de movimentação de contêineres do porto.
De acordo com Pomini, o empreendimento tem potencial para colocar o Porto de Santos entre os 20 maiores e mais importantes do mundo, ampliando a competitividade brasileira no comércio internacional. A iniciativa ocorre em paralelo a discussões mais amplas sobre a reconfiguração da logística no Sudeste.
Segundo o portal Modal Connection, o megaleilão do novo terminal não pode ser analisado de forma isolada, pois se insere em uma estratégia que envolve também investimentos ferroviários e a redistribuição do fluxo de cargas entre os portos da região.
Nesse contexto, ganha relevância a proposta de integração entre o Ferroanel de São Paulo e a concessão da Malha Oeste. A medida, em avaliação pelo governo federal e pela Agência Nacional de Transportes Terrestres, pode alterar rotas históricas de escoamento e reduzir gargalos logísticos que hoje impactam o acesso ferroviário ao Porto de Santos.
A Malha Oeste conecta São Paulo ao Mato Grosso do Sul e é considerada essencial para o transporte de cargas como grãos e minérios. Informações oficiais da ANTT indicam que a futura concessão busca modernizar a infraestrutura, garantir maior segurança operacional e promover o desenvolvimento econômico das regiões atendidas.
A possível inclusão do Ferroanel no desenho da concessão permitiria que trens de carga contornassem áreas urbanas, criando ligações mais eficientes entre o interior do país e os portos do Sudeste.
Para o setor portuário, o avanço do Tecon Santos 10 combinado a novos corredores ferroviários pode exigir revisão de estratégias de atração de carga, investimentos em terminais e ganhos de produtividade. Para operadores logísticos e embarcadores, abre-se a possibilidade de rotas alternativas, com impactos em custos, prazos e contratos de longo prazo.
Dados recentes do governo indicam crescimento contínuo da movimentação nos portos do Sudeste, o que torna decisões sobre concessões e infraestrutura ainda mais estratégicas.
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