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MEIO AMBIENTE

Sabesp anuncia metas de descarbonização uma semana antes da COP30

Companhia apresenta plano até 2035 com redução de emissões em 15%, investimentos vinculados à universalização e adoção de novas tecnologias para produção de energia limpa, além de priorizar reflorestamento em áreas estratégicas

Da Redação

04/11/2025 - terça às 08h42

 A Sabesp anunciou hoje suas metas de descarbonização até 2035, uma semana antes do início da COP30, em Belém. O plano é baseado em dados reais do inventário de emissões da companhia e envolve a adoção de novas tecnologias no tratamento de esgoto, autoprodução e uso de energia limpa. No total, a Companhia pretende reduzir em 15% as suas emissões de escopos 1, 2 e 3, tendo como base o inventário de 2024. As metas foram definidas considerando o contexto desafiador de ampliação expressiva do volume de esgoto tratado, com vistas à universalização dos serviços de água e esgotamento sanitário, e ainda assim contemplam reduções significativas nas emissões absolutas e relativas de gases de efeito estufa.

 

Pelo plano, a intensidade das emissões  isto é, a quantidade de CO equivalente emitida para cada mil metros cúbicos de esgoto tratado  cairá 41%, passando de 1,61 tCOe/1.000 m³ para 0,94 tCOe/1.000 m³ até 2035. No Escopo 2, que reúne as emissões associadas à eletricidade comprada para operar estações e sistemas, a redução projetada é de 43% com base em três frentes simultâneas: autogeração da energia consumida, maior uso de fontes limpas e ganho de eficiência. Considerando o conjunto dos itens cobertos pela meta  Escopos 1, 2 e parte do 3 a queda é de 15% em relação a 2024.

 

Escopos

Escopo 1 são as emissões que acontecem dentro da própria operação (como o combustível usado pela frota e geradores, os processos de tratamento e as chamadas emissões "fugitivas" de metano nas ETEs). Escopo 2 são as emissões indiretas ligadas à eletricidade adquirida pela empresa. Escopo 3 equivale a outras emissões indiretas ao longo da cadeia, como fornecedores e logística. No caso do saneamento, a companhia adota uma prática mais abrangente e inclui no inventário o componente associado ao esgoto que ainda não é coletado e tratado sob sua área de atendimento. À medida que redes e estações avançam com a universalização, esse componente cai de forma estrutural, migrando para o Escopo 1 de maneira menos intensa.

 

Desafio da universalização

A Sabesp reconhece que reduzir emissões enquanto aumenta o volume de esgoto tratado é um desafio técnico. Tratar mais esgoto tende a elevar emissões de processo, sobretudo metano. O plano responde a essa tensão com modernização de ETEs, controle de emissões fugitivas, digitalização e eficiência operacional, além de uma nova estratégia de energia que combina autogeração, contratos de longo prazo com fontes renováveis e gestão ativa de consumo. Adicionalmente, a Companhia investirá também em reflorestamento em áreas estratégicas, priorizando mananciais e territórios vulneráveis, o que reforça qualidade da água, serviços ecossistêmicos e adaptação climática.

 

Os investimentos climáticos estão embutidos no plano maior da companhia. O contrato que antecipa a universalização para 2029 prevê cerca de R$ 70 bilhões em obras e modernização. Tudo parte da mesma equação: ampliar cobertura de água e esgoto, melhorar a qualidade dos rios e baixar a "intensidade" da pegada de carbono da operação.

 

A diretora-executiva de Relações Institucionais e Sustentabilidade, Samanta Souza, resume a lógica do anúncio: "É um compromisso de entrega, com linha de base, horizonte, orçamento e governança. Fomos além do padrão ao incluir no inventário o impacto do esgoto que ainda não é tratado. Também vamos reflorestar áreas de mananciais, ano após ano, reforçando a qualidade da água e a adaptação climática. É clima, água e pessoas no mesmo plano."

 

Para a diretora de Sustentabilidade, Rachel Sampaio, a combinação de engenharia e gestão explica a queda na intensidade: "Reduzir 41% a intensidade de emissões enquanto ampliamos o volume de esgoto tratado exige ETEs mais eficientes, melhor controle do metano e uma matriz elétrica mais limpa. O resultado é menos impacto climático, rios mais saudáveis e mais segurança hídrica."

 

Na visão do diretor-executivo de Finanças e de Relações com Investidores, Daniel Szlak, a atratividade econômica é parte central da proposta: "A redução de 43% no Escopo 2 vem da autogeração e da eficiência. As melhorias de processo sustentam a queda de intensidade de 41%. São metas auditáveis e acompanhadas publicamente, alinhadas ao ciclo de obras da universalização."

 

O anúncio tem também um sentido de posicionamento setorial. Ao reconhecer no inventário o componente de emissões ligado ao esgoto ainda não tratado e ao vinculá-lo a um cronograma de obras que o reduz estruturalmente, a Sabesp torna mais transparente o impacto climático do saneamento e oferece um roteiro de transição possível para megacidades. É com essa combinação de universalização, justiça climática e finanças sustentáveis que a companhia chega à COP30, com a expectativa de engajar parceiros públicos e privados em soluções escaláveis para água e esgoto. A Companhia também se compromete em dar visibilidade para o cumprimento anual da meta em seu relatório de sustentabilidade e em seus canais.


 

Números essenciais das metas (base 2024):

 

Indicador

Meta 2035

Como ler

Emissões agregadas nos limites da meta (Escopos
1, 2 e parte do 3)
15% menor

Soma dos itens cobertos pela meta de descarbonização em relação a 2024.

 

Escopo 2 (eletricidade comprada) 43% menor Resultado de autogeração da energia usada, contratação de fontes limpas e eficiência elétrica.
 
Intensidade de emissões (tCOe/1.000 m³ tratado) 41% menor (de 1,61 para 0,94) Mostra quanto a operação emite para cada mil m³ de esgoto tratado; cair significa tratar mais e emitir menos por unidade de serviço prestado.


 


 



 

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