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Em 1431, jovem era julgada com 70 acusações em tribunal que selaria sua morte

Séculos depois, mulheres ainda seguem sendo vítimas de violência - como casos recentes no Brasil

Robson de Castro

28/03/2026 - sábado às 20h00

Em um dia como este, em 1431, Joana d’Arc enfrentava, na cidade de Rouen, a leitura de 70 artigos que sustentavam sua acusação formal. Os pontos apresentados pelo tribunal tinham como objetivo justificar sua condenação, em um processo marcado por interesses políticos e religiosos.

 

A jovem, que havia liderado tropas francesas durante a Guerra dos Cem Anos, foi colocada no banco dos réus não apenas por suas ações militares, mas também por desafiar padrões rígidos de sua época. Meses depois, acabaria condenada e executada na fogueira, aos 19 anos.

 

O caso atravessa séculos como símbolo de um padrão que se repete: mulheres que rompem expectativas sociais frequentemente enfrentam punições desproporcionais, perseguição ou violência.

 

Na antiguidade, Hipátia de Alexandria foi assassinada de forma brutal em meio a conflitos políticos e religiosos, mesmo sendo uma das maiores intelectuais de seu tempo.

 

Na Inglaterra do século XVI, Ana Bolena foi executada após acusações controversas em meio a disputas de poder.

 

Durante os julgamentos de Salem, Tituba tornou-se símbolo da perseguição a mulheres, alvo de acusações que misturavam medo, moralismo e controle social.

 

Já no século XX, Rosa Luxemburgo foi assassinada por sua atuação política, mostrando que nem mesmo a modernidade impediu a violência contra mulheres em posição de destaque.

 

Separados por séculos, os episódios reforçam uma realidade incômoda: mulheres, desde sempre, enfrentam riscos maiores ao ocupar espaços, se posicionar ou simplesmente exercer autonomia.

 

A repetição desse padrão histórico encontra eco no presente. Em Santa Catarina, duas motoristas de aplicativo foram assassinadas em menos de 48 horas enquanto trabalhavam. Alice Dresch, de 74 anos, foi encontrada morta após desaparecer durante uma corrida, e Silvana Nunes de Almeida de Souza, de 39, foi sequestrada, obrigada a fazer transferências bancárias e morta a tiros.

 

Casos separados por mais de cinco séculos, mas conectados por uma mesma linha: a violência contra mulheres não é exceção - é uma constante histórica que ainda insiste em se repetir.
 

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